Alphega — Episódio 109
O Salão Grand Bloom, localizado no terceiro andar do Hotel Baekcheong, era um dos primeiros lugares que vinham à mente quando se falava em “casamentos luxuosos de hotel” no país. Por isso, era, basicamente, um espaço extremamente elegante e cheio de detalhes refinados, mas, naquele dia, o nível de esplendor era ainda maior que o de costume.
Uma decoração luxuosa sem precedentes, como se tudo, do início ao fim, tivesse recebido um toque novo; uma iluminação sofisticada; uma atmosfera nobre e elegante, combinando decoração em tons dourados e brancos; e um imenso lustre de cristal, quase uma obra de arte; além de uma orquestra ao vivo, oferecendo uma música agradável.
Era uma cena tão bonita que fazia surgir naturalmente a expressão “deleite para os olhos”, e as câmeras de cada veículo de imprensa, já com acesso autorizado, estavam completamente ocupadas registrando o interior do local.
Nas mesas redondas, decoradas com flores naturais, dispostas dos dois lados do salão, havia placas com os nomes de diversas figuras políticas e do mundo dos negócios, e mais da metade dos lugares já estava ocupada.
O principal assunto entre a maioria das pessoas reunidas nas mesas era, sem dúvida, o noivo de Baek Kanghyeon.
Só que, em vez de discutirem diretamente quem seria aquela pessoa envolta em tanto mistério, o foco maior era o histórico de Seong Taerim, o candidato mais provável e considerado quase certo. Todos comentavam entre si o quanto Baek Kanghyeon era desperdiçado, ou provocavam, dizendo que, se Seong Taerim não fosse um ômega dominante, jamais poderia sequer sonhar em falar com o herdeiro da Baekcheong com um histórico daquele nível.
O alvoroço não era só entre os convidados presentes na cerimônia de noivado.
Os jornalistas, ocupando quase todo o espaço reservado à imprensa, também trocavam conversas animadas sobre a cerimônia e sobre a Baekcheong.
— Nossa, deve ter gastado um bocado.
Um homem de meia-idade, de aparência experiente, comentou admirado, ajustando o crachá de imprensa. Seus olhos captavam, o tempo todo, o interior do salão de noivado.
Ao lado dele, um jovem, que já estava digitando no celular o rascunho da matéria que sairia depois, respondeu meio sem entusiasmo:
— É a cerimônia de noivado do futuro presidente da Baekcheong, faz sentido mesmo.
O homem de meia-idade, que se orgulhava de ser um jornalista veterano, lembrou do casamento do vice-presidente Baek Seongju, sobre o qual tinha escrito uma matéria há cerca de dez anos. Na época, a única foto que conseguiu incluir na matéria foi a fachada do prédio, tirada de longe.
— No casamento do vice-presidente Baek Seongju, fizeram tudo em silêncio, quase sem imprensa, sem publicidade nenhuma. Já aqui, mesmo sendo só uma cerimônia de noivado, é num lugar magnífico assim, com toda a imprensa autorizada a cobrir e filmar… Dá pra comparar, dá pra comparar mesmo.
— Ouvi dizer que os pais amam demais o Kanghyeon. Dizem que é um pai apaixonado pelo filho, e olha que é caçula.
— Não é “amor de pai”, é mais tipo “favoritismo total pelo caçula”.
O jornalista de meia-idade, que sempre tinha coberto bastante a Baekcheong ao longo dos anos, sentia bastante pena de Baek Seongju. Na visão dele, Baek Seongju era como um ômega de destino trágico, que precisou abrir mão da posição de herdeiro só por causa do “traço genético” dele.
Independente disso, ele estava profundamente invejoso do protagonista de hoje.
— Que inveja. Uma inveja de dar nó no estômago.
— Do quê?
O jovem, salvando temporariamente a matéria rascunhada, ergueu a cabeça. Seu colega mais velho olhava para o lugar vazio reservado ao noivo no palco, com um olhar cheio de inveja e ciúme.
— Baek Kanghyeon. Já tem um currículo absurdo, e ainda por cima tem um futuro tranquilo e brilhante, o melhor da Coreia. Até o primogênito, que era o principal candidato à sucessão, disse que vai apoiar o quarto filho.
Um suspiro amargo escapou da boca do jornalista de meia-idade.
— Nem tem candidato pra disputar a sucessão, já era praticamente certo que ele viraria diretor-presidente logo. Então já era, né.
— Estranho isso. Normalmente as disputas de sucessão em famílias de conglomerados são bem acirradas, não são?
Diante da pergunta do jovem, o jornalista balançou levemente a cabeça e riu de canto.
— Ah, isso é mais coisa de dramas de TV ou de alguns conglomerados específicos. Hoje em dia, quase todo mundo resolve de forma pacífica. Já negociam tudo por baixo dos panos, montam o plano com antecedência, depois publicam a matéria e realizam a assembleia geral de acionistas.
Ao ouvir a palavra “assembleia geral”, o jovem, como se tivesse se lembrado de algo, perguntou:
— Ah, espera, pensando bem, já tem data marcada pra assembleia geral, aqui? Não disseram que ia ter reunião do conselho?
— É. Alguns dias atrás, o conselho aprovou, e daqui a dez dias vai ter assembleia geral pra decidir sobre a nomeação do diretor-presidente…
O jornalista, respondendo tranquilamente, de repente deu um cascudo na testa do jovem.
— Ai!
— Você é jornalista de economia e nem sabe uma coisa dessas?
— Foi só confusão, tá bom?!
O jovem falou com ar injustiçado, mas não parecia ter convencido o jornalista.
— Ai, ai, sou eu que sou o idiota de trazer um estagiário porque não tinha ninguém disponível.
Balançando a cabeça, se repreendendo, o jornalista pegou no bolso interno o celular, que vibrava com força. Não era uma ligação externa, era só um alarme que ele mesmo tinha programado.
— Já vai começar.
O relógio já marcava dez minutos para o início da cerimônia de noivado.
˚˚˚
A maioria dos convidados reunidos na cerimônia de noivado achava que não haveria nenhum problema naquele evento.
Mesmo sendo “só” uma cerimônia de noivado, a estrutura, cuidadosamente elaborada, quase se equiparava a um casamento de verdade, e, sendo transmitida ao vivo por vários veículos de imprensa, certamente se tornaria um grande assunto de conotação positiva.
O fato de o noivo de Baek Kanghyeon e sua família não estarem sentados nos lugares de honra era, sem dúvida, algo estranho. Como Baek Kanghyeon, elegante em seu terno preto impecável, estava sentado sozinho de frente para o público, quase provocando expectativa, a curiosidade sobre quem seria a pessoa que ocuparia o lugar ao lado dele estava no auge.
Mesmo assim, esperaram. Já que a ordem do evento incluía claramente a “entrada do noivo” e Baek Kanghyeon já estava sentado, era certo que, naquele momento, o noivo seria finalmente revelado.
Assim, com o tempo passando, o mestre de cerimônias anunciou “a entrada do noivo”, e a porta do lado direito do palco do salão se abriu.
Quem saiu de lá foi Kwon Haeil, vestindo um terno da mesma cor e desenho do de Baek Kanghyeon.
O mestre de cerimônias, já combinado com Baek Kanghyeon, anunciou seu nome com um rosto animado.
“O noivo, Kwon Haeil! Recebam-no com muitas felicitações!”
Seguindo o pedido do mestre de cerimônias, o público começou a aplaudir, meio sem entender direito.
Em meio aos aplausos, uma onda de sussurros confusos e questionadores se espalhou. Os jornalistas de cada veículo, mesmo estando ao vivo, esqueceram-se disso por um instante, repetindo entre si “quem é Kwon Haeil?”. Alguns jornalistas mais rápidos já mandavam mensagens urgentes para suas redações, pedindo investigação imediata sobre quem era aquele homem.
Baek Seongju, Baek Seohoon e Baek Heewoo, que foram os primeiros a começar a aplaudir a entrada de Kwon Haeil, puderam presenciar, pela primeira vez, o pai Baek Jungman completamente atônito.
Assim que Kwon Haeil se sentou com confiança ao lado de Baek Kanghyeon, Baek Jungman, voltando a si com atraso, se levantou de repente do lugar reservado à família do noivo.
— Você, você…!
Com o rosto pálido, apontando o dedo para Kwon Haeil, Baek Jungman estava prestes a chamar seguranças para retirá-lo dali.
Foi nesse momento, sob os holofotes, que Kwon Haeil, olhando com carinho para Baek Kanghyeon, declarou com confiança diante de todos:
“Sou Kwon Haeil, noivo de Baek Kanghyeon, e vou passar a vida toda ao lado dele.”
A voz de Kwon Haeil se espalhou claramente pelo microfone instalado à sua frente. Diante disso, Baek Jungman explodiu de raiva, com um rosto tão feroz que lembrava um demônio.
— Que vida toda o quê! Sai já daí! Sabe onde você está?!
— Sim, não posso sair. Aqui é o nosso lugar de honra, meu e de Baek Kanghyeon.
— O quê?!
Kwon Haeil, como se estivesse decidido a tudo, sorriu levemente e abraçou o ombro de Baek Kanghyeon. Os dois, mais próximos do que a distância entre as cadeiras deveria permitir, foram claramente capturados pelas câmeras.
Bem no momento em que Baek Jungman estava prestes a se lançar pessoalmente para arrancar Kwon Haeil dali.
Baek Kanghyeon abriu a boca.
— Hoje, gostaria de comunicar a todos um fato importante relacionado a este noivado.
A voz clara de Kanghyeon foi captada perfeitamente pelo microfone à sua frente. Como se fosse uma coletiva de imprensa, inúmeros flashes dispararam ao mesmo tempo, e o público ficou em silêncio, como se não quisesse perder nenhuma palavra dele.
— Eu, Baek Kanghyeon, não sou um alfa dominante puro.
A confissão que veio a seguir foi mais do que suficiente para deixar todos em choque.
— Alfega.
Depois de respirar fundo, Kanghyeon disse com clareza:
— Sou um alfa dominante, mas também sou portador de um traço genético raro que carrega características de ômega.
Por um instante, um silêncio gélido, como se tivessem jogado água fria dentro do salão, tomou conta do ambiente. No tempo de contar até três, uma agitação enorme explodiu de uma vez.
— Baek Kanghyeon, tudo o que o senhor disse agora é verdade?!
— Alfega, é a primeira vez que ouço isso! Pode explicar melhor, por favor?!
— Se isso for verdade, por que revelar exatamente durante a cerimônia de noivado?
Os jornalistas gritavam, cada um a plenos pulmões. Mesmo com a voz sendo perfeitamente audível através dos alto-falantes espalhados pelo salão, eles estenderam os microfones na direção de Kanghyeon, por hábito, para captar sua voz com mais nitidez.
Não eram só os jornalistas que estavam agitados.
Até os convidados que lotavam o salão sussurravam com expressões variadas, e até os membros da orquestra e os seguranças pareciam confusos.
Kanghyeon fez uma expressão constrangida diante do barulho, que já superava o volume de seu próprio microfone. Ao lado dele, Haeil, sem conseguir aguentar mais, lançou um olhar afiado para os jornalistas.
— As perguntas ficam pra depois. Baek Kanghyeon ainda não terminou de falar.
Assim que ele disse aquilo, os jornalistas se calaram na hora. Sabendo que ainda havia mais a ser revelado, precisavam se concentrar para não perder nenhuma palavra.
Agradecendo a Haeil com o olhar, Kanghyeon voltou a abrir a boca.
— É difícil responder a todas as perguntas agora, mas vou dizer com clareza o motivo de revelar isso durante a cerimônia de noivado.
Levantando-se do lugar, Kanghyeon colocou a mão suavemente sobre a própria barriga.
— Estou esperando um filho de Kwon Haeil, aqui ao meu lado. Como um ômega.
O olhar de Kanghyeon, que estava fixo no público congelado, voltou-se devagar para Baek Jungman.
Baek Kanghyeon, diante do pai, que o encarava de olhos arregalados, incapaz de acreditar, fez uma declaração ainda mais firme:
— Por isso, declaro, diante de todos, que vou tornar Kwon Haeil meu noivo.
As pernas de Baek Jungman cambalearam intensamente, como se ele estivesse prestes a desabar.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna