Alpha Trauma História Extra 08
Alpha Trauma História Extra 08
Assim como havia dito, Kim Dohyun colocou Wooyeon na cama e foi para a sala de estar. Como o havia lavado minuciosamente e até secado seu cabelo, ele provavelmente dormiria profundamente por pelo menos duas ou três horas. Seu sono noturno poderia ser um pouco agitado, mas bem, isso não era novidade.
— Eu o coloquei na cama.
— Bom trabalho.
Daniel cantarolou uma melodia levemente em resposta. Era a mesma música que Kim Dohyun o tinha ouvido cantar naquela manhã enquanto preparava o ensopado de kimchi. Kim Dohyun sentou-se na cadeira próxima e falou gentilmente.
— Você parece gostar dessa música.
— Hã?
Como Kim Dohyun falou em coreano, Daniel inclinou a cabeça como se não entendesse. Ainda sorrindo, ele perguntou novamente.
— O que você disse?
A brisa úmida roçou a ponta da bochecha de Kim Dohyun. O ar do verão, aquecido ao longo do dia, ainda guardava um calor residual. Mesmo depois de beber à tarde, o sol ainda não havia se posto. Kim Dohyun observou o céu desbotado com calma e disse.
— Você sabe falar coreano, certo?
O olhar dele caiu um pouco. Ele ainda estava sorrindo, mas Kim Dohyun percebeu que ele estava sem graça. Notando as sobrancelhas ligeiramente erguidas de Daniel, ele acrescentou lentamente.
— Eu sou rápido para notar as coisas.
Desde o momento em que se conheceram, houve mais de uma coisa estranha. Quando ele se ofereceu para deixá-lo ficar, ele apenas perguntou quem eu era. Quando ele lhe disse que havia um repórter, ele fechou a boca imediatamente. Se ele realmente não soubesse coreano, teria mostrado uma expressão frustrada pelo menos ocasionalmente, mas Daniel nunca fez isso.
— Você nunca perguntou o que eu disse quando estava conversando com o Wooyeon.
— ……
— E, no entanto, quando falo com você, você pergunta exatamente o que significa, como um fantasma.
Ele estava pronto para deixar isso para lá como se não soubesse caso Daniel negasse. A razão pela qual ele sequer tocou no assunto foi que Daniel vinha agindo de forma estranha desde mais cedo. Mais precisamente, desde o fim da sessão de bebedeira, ele continuava exibindo uma expressão ligeiramente amarga, o que incomodava Kim Dohyun.
— A música que você acabou de cantar, é pop coreano, não é?
— ……hmm.
Daniel revirou os olhos de leve e encolheu o queixo. Os lábios que haviam se curvado agradavelmente agora estavam caídos. Piscando com uma expressão indiferente, ele finalmente respondeu baixinho após uma longa pausa.
— Eu não sou bom nisso.
A pronúncia era desajeitada. Fiel às palavras, a entonação vacilava. Antes que Kim Dohyun pudesse reagir, veio um suspiro profundo.
— Eu aprendi para me aproximar do Wooyeon.
— ……
— Mas o Wooyeon não sabe.
Fazia sentido que ele não soubesse. Provavelmente ninguém que ele conheceu hoje havia notado também. Kim Dohyun, sensível a tais coisas, percebeu, mas se não fosse amigo de Wooyeon, não teria observado isso tão de perto.
— Por que você fingiu que não conseguia?
Desta vez, era genuína curiosidade. Ele se perguntava que razão poderia haver para manter deliberadamente o fingimento por dois dias. Certamente, Daniel não estava tentando ouvir secretamente o que Wooyeon dizia.
— Não foi de propósito…
Havia uma complexidade longa e arrastada escondida em suas palavras. Um sentimento persistente e um arrependimento identificável que nem mesmo Kim Dohyun conseguia adivinhar totalmente. Daniel hesitou brevemente, então, muito lentamente, moveu os lábios.
— Eu só quis.
Não respondia realmente à pergunta, mas Kim Dohyun não o pressionou. Era óbvio apenas olhando que não havia má intenção e, afinal, estava claro que ele gostava genuinamente do ser humano Wooyeon.
— Sabe…
Daniel começou calmamente. Ele virou o corpo para encarar Kim Dohyun. Parado com o sol atrás de si, sua expressão era difícil de ver.
— Curioso? Sobre o Wooyeon da América.
— ……
Claro que ele estava curioso. Ele nunca imaginou que aquelas palavras viriam primeiro da boca de Daniel.
— Você quer que eu te conte?
Kim Dohyun não recusou a oportunidade que rolava bem em sua direção. Ele apenas olhou para ele, transmitindo totalmente um significado positivo. E o que saiu foi algo que Kim Dohyun não esperava de forma alguma.
— Eu era o guarda-costas daquele garoto.
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Daniel continuou falando sobre Wooyeon por um bom tempo. Como o conheceu, como se tornaram próximos e como gradualmente conquistou sua confiança. Tudo era previsível, e a única parte surpreendente era que eles haviam sido colegas de quarto no mesmo dormitório.
— No começo, ele era realmente pequeno. Mais ou menos desta altura.
Kim Dohyun imaginou o Wooyeon que Daniel estava descrevendo, lembrando-se do estudante do ensino fundamental que conhecia, tão pequeno que seu peito mal alcançava a mão de Kim Dohyun, mãos e pés pequenos naquela forma de infância.
— Tive dificuldade para me aproximar. Guardado? Ele era realmente guardado.
Ele disse que ele foi a pessoa mais difícil com quem já havia lidado. Envolto firmemente em suspeitas, ele respondia com silêncio não importava o que fosse dito, tornando difícil até mesmo iniciar uma conversa. No entanto, Daniel havia persistido até o fim, acrescentou ele, simplesmente por causa de dinheiro.
— Dinheiro… você sabe, certo? A família do Wooyeon é realmente rica. Eu era… o quê, pobre?
— Pobre.
— Sim, eu era pobre.
Kim Dohyun queria perguntar como ele conheceu Soohyang, mas não perguntou. Nesse ínterim, Daniel lhe perguntou o significado de algumas palavras, depois pareceu desistir e passou a falar em inglês.
— Eu até estudei para fingir que estava interessado na Coreia. Pesquisei sobre a cultura coreana, ouvi músicas… pratiquei coisas como “annyeong”, “gomawo”… Ah, agora eu realmente gosto. A Coreia é um país tão fascinante.
Ele disse que a coisa em que mais se esforçou foi pronunciar o nome de Wooyeon corretamente. Levou exatamente um mês e, a essa altura, Wooyeon também havia se aberto com ele. Tecnicamente, parecia que eles passavam o tempo juntos principalmente porque Wooyeon não tinha mais ninguém com quem sair, mas mesmo assim.
— Wooyeon… quanto mais você o conhece, mais complicado ele é. Ele é tão exigente com comida. Se o gosto estiver um pouco estranho, ele não come. Quero dizer, realmente não consegue. Eu tive dificuldade para encontrar comida que combinasse com ele também.
Ele falava quase em tom de lamentação, mas havia um carinho nostálgico em sua expressão. Kim Dohyun notou o afeto subjacente e estreitou os olhos. Não importava o quão guardado Wooyeon fosse, não havia como ele não ter absorvido uma gentileza tão dócil.
— Então, meio ano depois, eu acho? Wooyeon se manifestou como um ômega.
Wooyeon, que se manifestou da noite para o dia, experimentou seu primeiro ciclo de cio por uma semana inteira. No começo, Daniel pensou que fosse um resfriado, mas quando os sintomas pioraram, ele não teve escolha a não ser perceber a verdade. Ele entrou em contato com Soohyang imediatamente, que instruiu o médico principal a prescrever supressores.
— Honestamente, eu ainda não entendo. Por que ela queria que eu escondesse que era um funcionário? Por que, embora ela seja tão atenciosa a ponto de saber cada passo meu, ela não entra em contato com o Wooyeon diretamente?
Mesmo se estivesse curioso, ele não estava em posição de perguntar. Daniel apenas seguia as instruções de Soohyang para proteger e monitorar Wooyeon, sem nenhuma autoridade além disso.
— Wooyeon é um ômega dominante, certo? Um dominante puro.
Qual era a probabilidade de um ômega dominante recém-manifestado conseguir controlar os feromônios esmagadores com habilidade? Kim Dohyun franziu a testa, trazendo à tona memórias do orfanato. O rosto de Daniel espelhava o seu.
— Ele estava tão em perigo.
As peças espalhadas do quebra-cabeça gradualmente se encaixaram. Por que Soohyang havia designado especificamente Daniel. Por que, apesar de geralmente contratar Alfas, ela havia providenciado um “guarda-costas beta”.
Soohyang provavelmente antecipou isso. Fosse Alfa ou ômega, Wooyeon inevitavelmente se manifestaria. Características únicas só eram herdadas entre características únicas, e Wooyeon era um resultado precioso nascido entre um Alfa e um ômega.
— Tantos Alfas tentaram mexer com ele. Eles já o subestimavam porque ele é asiático, e então ele se manifestou, é claro que ele parecia um alvo fácil.
— …Isso acontecia com frequência?
Era uma pergunta que ele já havia feito a Wooyeon. Quando Garam havia perdido o controle na sala do clube, Wooyeon havia respondido com uma voz calma e despreocupada.
“Não acontece com frequência.”
— Aconteceu inúmeras vezes.
Seus cabelos ficaram em pé. Fosse raiva, ou algo totalmente diferente, uma emoção rastejante se espalhou por sua visão, cobrindo tudo à sua frente.
Kim Dohyun sabia que aquelas palavras eram uma mentira. A expressão de Wooyeon, seu comportamento e as reações que ele mostrou depois, tudo isso indicava que ele estava familiarizado com aquilo. Kim Dohyun apenas não havia perguntado em detalhes porque não era uma memória que valesse a pena desenterrar.
— Eu disse para ele ter cuidado, já que ele é dominante… Oh, não olhe dessa forma. Eu sei que não é algo que ele possa controlar. Eu só me preocupo, só isso.
Kim Dohyun pressionou uma das mãos contra as pálpebras e expirou. Seu estômago parecia apertado e perturbado, estranhamente invertido, embora não tivesse bebido nada. Enquanto ele trabalhava lentamente para acalmar seus feromônios, Daniel continuou em um tom deliberado e comedido.
— Eu decidi ensiná-lo a lutar. Ele tem que ser capaz de se proteger de alguma forma, certo? Você nunca viu isso, viu? As habilidades atléticas do Wooyeon são incríveis. Ele é bom em combate físico também.
Não havia como Kim Dohyun ter visto. Ele ocasionalmente havia sentido que Wooyeon era forte, mas apenas de passagem. De alguma forma, ele até teve a audácia de confrontar aquele Kim Jinsang parecido com um urso sem medo. Ele devia ter algum tipo de confiança em um apoio seguro.
— Ele cresceu quase trinta centímetros naquela época e, como perdeu peso junto com isso… bem, você pode imaginar o problema.
Mesmo sem ouvir o resto, Kim Dohyun conseguia adivinhar. Lindo aos seus próprios olhos, mas quão deslumbrante ele deve ter parecido para os outros. O jovem e macio Wooyeon, irradiando feromônios, um problema óbvio esperando para acontecer.
— Então você sabe o que eu ensinei para ele?
Daniel abriu os lábios no sorriso mais confiante até agora. Então, mostrando os dentes com ousadia, ele franziu o nariz.
— Palavrões.
Uma risada escapou dos lábios de Kim Dohyun. Não por surpresa, mas porque sabia que seria isso.
— Eu ensinei a ele cada palavra de baixo calão em que consegui pensar. Sabe, a chave em situações como essa é afirmar dominância.
Claro, Wooyeon não os havia usado de fato. Daniel não queria que ele pegasse um mau hábito. A mente de Kim Dohyun derivou para memórias da última viagem de faculdade. Eles haviam dito que o treinamento mecânico e forçado era assustador, mas Wooyeon o havia aprendido perfeitamente.
— Eu admito. No começo, foi por obrigação, mas depois não foi. Wooyeon é meu amigo e, de certa forma… como um filho para mim.
Os sentimentos se ramificam em muitas direções. Assim como Kim Dohyun gradualmente passou a sentir desejo por Wooyeon, Daniel deve ter se apegado ao longo de quatro anos. Observando-o crescer, não era estranho que ele agisse como um guardião.
— Eu presumi que o Wooyeon sentia o mesmo. Ele continuou sendo meu amigo mesmo sabendo que eu fui contratado pela Soohyang.
Kim Dohyun percebeu vagamente a origem da amargura que Daniel às vezes demonstrava, a emoção que passava por seu rosto quando Wooyeon agia de forma manhosa ou se apoiava nele fingindo ser fraco.
— Mas não foi assim.
Era semelhante à maneira como um pai pode ficar emburrado com o amante de seu filho. Não desejo sexual, mas amizade e, se você estender, amor familiar. A maneira como Daniel havia medido Kim Dohyun da cabeça aos pés nasceu desse mesmo sentimento.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna, Faby&Othello