Capítulo 12.2
Capítulo 12 – ❀ The Fox Star, Parte 02
— Ei, coma. Coma mais. O que mais você quer comer?
Wooyeon olhou fixamente para a mesa cheia de bolos. Chocolate, morango, queijo e biscoitos. Os diferentes tipos de bolos o lembraram do café onde fora com Dohyun não muito tempo atrás. Só que, desta vez, era Garam quem o estava tratando, não Dohyun.
— Coma à vontade. Hoje é por minha conta.
Garam entregou um garfo para Wooyeon e sorriu satisfeita. Seu sorriso era tão brilhante quanto sempre. Wooyeon alternava o olhar entre Garam e Seongyu, com a voz tremendo.
— … O que é tudo isso?
O lugar para onde Seongyu os levara era um café no campus. Não era o café conhecido por seu delicioso Americano; era um novo estabelecimento mais perto do portão dos fundos. Wooyeon não costumava andar pelo campus, então aquela era sua primeira vez visitando o local.
— É bolo. Você gosta de coisas doces, não é?
Garam respondeu em tom brincalhão e ofereceu um garfo a Seongyu. Em vez de comer, Seongyu assentiu e empurrou o prato em direção a Wooyeon.
— É isso mesmo, você gostou do algodão doce.
— Mas, por que de repente…
Wooyeon fechou a boca em vez de protestar. Enquanto tentava falar, algo surgiu dentro dele. Com a voz embargada, suas emoções reprimidas transbordaram.
— … Você está com pena de mim?
Só havia uma razão para eles agirem assim. Eles não poderiam ter perdido as notícias, nem os murmúrios dos estudantes. Então, a única coisa que restava era aquela simpatia estranha.
— Pena?
No entanto, Garam respondeu como se perguntasse o que ele queria dizer. Com os olhos arregalados, ela riu incrédula.
— Por que eu teria pena de você?
Por um momento, Wooyeon ficou sem palavras. Era porque a expressão de Garam mostrava que ela realmente não entendia. Espetando o bolo com o garfo, Garam resmungou em insatisfação:
— Esses hoobaes de hoje em dia são tão arrogantes. Eu me ofereço para comprar um bolo e eles perguntam se estou com pena deles.
— …..
— Não é isso que estamos fazendo, Wooyeon.
Era quase uma acusação. Wooyeon piscou enquanto observava Garam cutucar o bolo com firmeza. Sentindo a hesitação de Wooyeon, Seongyu falou cautelosamente:
— Hum… Wooyeon.
Seus olhos franziram-se desajeitadamente, como se debatesse se deveria dizer algo. Finalmente reunindo coragem, ele continuou com uma voz composta:
— Não estou com pena de você, estou preocupado.
Parecia que sua mente tinha ficado em branco. Era semelhante a quando ouvira as palavras “você fez bem”. Ele não conseguia descrever.
— Você viu o artigo, certo? Honestamente, não sei qual é a sensação porque tudo parece tão irreal, mas deve ser desagradável ter pessoas sussurrando sobre você.
— …..
— Comer algo delicioso quando você está se sentindo mal é bom, certo? Claro, se parece pena, não há nada que eu possa dizer…
Com a testa franzida, Seongyu trocou olhares com Garam. Era um olhar suplicante, mas Garam olhou calmamente para Wooyeon. Wooyeon fixou o olhar no espaço, abrindo a boca hesitantemente.
— Antes, você…
Ele mal pronunciara uma palavra antes de congelar. Sentia o peito apertado; havia um nó em sua garganta.
— Você agiu como se não me conhecesse na sala de aula.
Foi uma declaração dolorosamente direta. O rosto de Seongyu corou de vergonha. Garam estalou a língua como se estivesse repreendendo uma criança mal comportada.
— Você o ignorou na aula?
— Não, é só que…
— Uau, eu não esperava isso do Kwon Seongyu.
Embora Wooyeon tivesse dito aquilo, Garam empurrou a conversa adiante. Confuso, Seongyu protestou em tom ofendido:
— Uh, desculpe por isso. Você fez a mesma coisa, Noona.
Wooyeon olhou para Seongyu com olhos arregalados. Não havia motivo para se desculpar.
— Bem, você fez a mesma coisa naquela época. Nós dissemos que queríamos 500 milhões de won, ou uma casa e um carro…
Uma lembrança fugaz passou por sua mente. Talvez Seongyu estivesse falando sobre o tempo em que estudavam juntos. Ele casualmente mencionara essas coisas enquanto discutiam sobre “o filho ilegítimo de Jisoo Hyang”.
— Oh.
Garam soltou um suspiro baixo, sua expressão mudando para uma de realização. Após um momento de silêncio, ela perguntou de repente a Wooyeon:
— … Você quer mais bolo?
Era um conforto estranhamente simples, quase simples demais. Apenas alguns doces; se ele quisesse, poderia comprar a padaria inteira. Mas, estranhamente, seu humor mudou por causa dessas palavras.
— Estou bem.
Então, Wooyeon disse, como se nada tivesse acontecido. Que ele estava bem. Não havia necessidade de mais bolo, estava tudo bem com as palavras provocantes que os dois trocaram, e não havia problema com o artigo que havia sido publicado.
— Você não precisa se preocupar comigo.
Na verdade, Wooyeon não se importava nem um pouco. Mesmo que fosse amaldiçoado, Wooyeon apenas ouviria e deixaria para lá.
— Você também não precisa me comprar bolo.
Um estranho silêncio caiu. Seongyu e Garam só conseguiam olhar para Wooyeon em silêncio. Ele abaixou o olhar e falou em um tom uniforme.
— Você não precisa se preocupar comigo.
Foi isso que ele disse a Dohyun antes. Não que ele odiasse ser cuidado, mas isso não era algo que merecesse atenção. Sua vida não era trágica, e ele não tinha nenhuma ferida emocional séria. Essas eram apenas coisas que estavam fadadas a acontecer mais cedo ou mais tarde, e agora elas tinham chegado um pouco mais cedo.
— Para ser honesto, esse tipo de preocupação me deixa desconfortável.
Wooyeon nunca esteve acostumado a esse tipo de preocupação. Isso era algo que ele tinha que enfrentar sozinho, e ele não queria a ajuda de ninguém. Ele sempre pensou assim, e agora nada havia mudado. Pelo menos era assim que Wooyeon via.
— Bem… acho que é verdade.
Garam foi a primeira a falar. Ela franziu a testa com uma expressão distante.
— As pessoas com quem mais se importam são celebridades ou crianças ricas.
Essa foi uma observação provocativa. Foi tão afiada que Seongyu arregalou os olhos e olhou para Garam. Garam passou a mão pelos cabelos, que estavam presos, e se inclinou para frente.
— Filho ilegítimo ou filho secreto, se você diz que está bem, então que direito eu tenho de dizer alguma coisa?
Seu rosto ficou estranhamente sério, sua voz fria e calma. Garam olhou diretamente para Wooyeon.
— Mas…
Seus olhos longos, afiados como os de um animal selvagem, brilharam. Sua voz baixa causou um arrepio na espinha.
— Como posso não me preocupar quando uma pessoa aleatória posta uma foto de alguém que eu conheço?
Wooyeon não conseguiu dizer nada; ele apenas ficou em silêncio. Era como se sua mente tivesse ficado em branco, sua garganta seca e seu peito pesado.
— Você sabe o que eu passei o fim de semana inteiro procurando? Eu pesquisei se poderia entrar com um processo, o quanto isso era uma invasão de privacidade e se o jornalista poderia simplesmente postar um artigo como esse.
— ……
— E você chama isso de pena?
— Então, o que eu deveria dizer?
Wooyeon respondeu e abaixou o garfo. Sua mão estava quente de segurá-lo com muita força por muito tempo.
— Coisas assim não acontecem apenas uma ou duas vezes. Para ser franco, isso continuará acontecendo no futuro. Então, toda vez que algo assim acontece, eu deveria deixar todo mundo se preocupar comigo?
— Por que não?
— O quê?
A voz de Wooyeon ficou cortante. Ele inconscientemente mordeu o lábio e franziu a testa. Garam olhou para ele com uma expressão confusa.
— A preocupação não tem limite. Quando você está com problemas, pode pedir conforto aos outros, certo? Você nunca recebeu cuidado na sua vida?
— Uma ou duas vezes.
Seongyu virou a cabeça, seu olhar brevemente piscando em direção a Wooyeon com confusão. Wooyeon cerrou os punhos e falou com dificuldade.
— Eu recebi uma ou duas vezes.
Garam levantou uma sobrancelha. Seus olhos castanhos escuros fixaram-se firmemente em Wooyeon, inabaláveis. Wooyeon lutou para controlar suas emoções e falou lentamente.
— Mas e se eu me acostumar?
Era isso que Wooyeon mais temia. O pensamento de se acostumar ao calor, ao conforto, às emoções que ele pensou que nunca experimentaria.
— As pessoas não podem continuar fazendo tudo por mim.
Enquanto caminhava para a sala e ao longo de toda a aula, Wooyeon deu-se conta de sua própria ingenuidade. Ele deveria ter mantido uma distância razoável, mas baixara a guarda muito facilmente. Não havia garantia de que essa gentileza duraria para sempre.
— Se algo assim acontecer de novo…
— Eu vou te comprar um bolo de novo.
Foi um comentário bem-humorado. Garam entregou o garfo a Wooyeon novamente e reclamou.
— Por que complicar? Essas coisas nem custam 50.000 wons, e eu posso comprá-las sempre que algo acontecer.
Wooyeon olhou para Garam, perplexo. O calor das pontas dos dedos dela não o incomodava mais como antes. Ele já pensou que até mesmo tocar em um Alfa o deixaria desconfortável, mas agora os feromônios de Garam o faziam se sentir aquecido.
— Quando você estiver cansado disso e me disser para não fazer mais isso, eu vou confortá-lo. Agora coma seu bolo e pare de falar bobagens.
Wooyeon não conseguiu evitar rir. Seongyu estava observando secretamente, Garam estava um pouco envergonhada, e a pilha de bolos na mesa parecia surreal.
— … Eu não posso comer tudo isso.
Ele protestou fracamente, mas Garam não se importou. Ela pegou o pedaço de bolo que ele estava cutucando e deu uma grande mordida. A visão de Garam comendo o bolo tão ansiosamente fez Wooyeon se sentir estranho.
Wooyeon pegou seu garfo e cutucou o bolo de morango. Os olhos de Garam e Seongyu seguiram instintivamente cada movimento seu. Quando Wooyeon pegou o morango do bolo, Garam sorriu.
— Eu sabia que você gostaria desse.
A atmosfera imediatamente suavizou. Os três dividiram os doces como se nunca tivesse havido uma discussão. O bolo estava seco e o creme era barato, mas Wooyeon comeu sem reclamar.
Eles passaram muito tempo conversando sobre coisas triviais. Não havia mensagens de Dohyun, e Wooyeon se sentiu estranho olhando para seu telefone silencioso. Não apenas de Dohyun, mas também não havia comunicação de mais ninguém.
— Mas eles podem realmente escrever um artigo baseado na postagem de outra pessoa? Não há problema com isso?
— Claro que há um problema. Aqueles jornalistas malucos.
Garam e Seongyu não conseguiam parar de expressar sua raiva, revezando-se para xingar os jornalistas e o escritor, como se estivessem pessoalmente envolvidos. Especialmente Garam, que estava ocupada clicando em “deslike” em todos os artigos relacionados a Wooyeon.
— Então, você consegue adivinhar quem tirou as fotos?
Depois que metade da refeição foi comida, Seongyu perguntou suavemente. Wooyeon largou o garfo e começou a pensar.
— A pessoa que eu suspeito é…
Na verdade, Wooyeon suspeitava de alguém. A menção de “um colega de escola” havia levantado suas suspeitas antes, e quando ele viu as fotos tiradas na sala de aula, essas suspeitas se tornaram ainda mais fortes. Embora não houvesse nenhuma evidência, o sentimento era muito claro. A única coisa da qual ele não tinha certeza era que, desde o festival, ele não tinha visto o rosto da pessoa.
— Ei, eu fiz algumas pesquisas, nós poderíamos processar. Vamos fazer isso. Pessoas assim merecem ser esmagadas.
Garam rangeu os dentes, parecendo extremamente brava. Em contraste, Wooyeon permaneceu estranhamente calmo.
— Mesmo se processarmos, isso não mudará nada, e eu realmente não fui prejudicado.
— Nenhum dano? O que você quer dizer?
Seongyu perguntou com um olhar preocupado. Na realidade, as informações pessoais de Wooyeon vazaram, e rumores estavam se espalhando por toda a escola. Apenas saindo do portão da escola, repórteres estavam por toda parte, mas Wooyeon disse que não houve dano? Mas o pensamento de Woo era diferente.
— De qualquer forma, você pode encontrar minhas informações pessoais online.
Se você digitar “Jisoo Hyang” no portal de informações, sua data de nascimento, local de residência, histórico educacional e até mesmo o nome de sua mãe, “Ji Kyung Sook”, apareceriam. Mais cedo ou mais tarde, Wooyeon teria que enfrentar a revelação pública, então ele não tinha medo de seu segredo ser exposto.
— Os artigos e fotos serão retirados em uma semana, e a empresa cuidará do resto.
Ações judiciais não eram responsabilidade de Wooyeon. O departamento jurídico da Seonjeong Corporation coletaria evidências e lidaria com tudo discretamente.
— Haverá uma investigação sobre a admissão na universidade e as notas, mas não haverá problemas.
Embora seu estudo no exterior fosse um tanto questionável, não era ilegal. Wooyeon havia entrado na universidade por meio das admissões de estudantes internacionais e estudado mais do que qualquer outra pessoa. Então, Wooyeon não tinha nada com que se preocupar.
— É por isso que eu disse que estou bem.
— ……
— ……
Os dois olharam para Wooyeon com expressões de surpresa. Seus rostos perplexos eram completamente diferentes da preocupação que haviam demonstrado antes. Como herdeiro da Seonjeong Corporation, um herdeiro chaebol, pode parecer muito, mas esta foi a primeira vez que eles realmente conheceram alguém assim.
— Você realmente… vive em um mundo diferente do nosso.
Garam disse em espanto. Wooyeon respondeu com um tom um tanto amargo.
— …Estamos vivendo no mesmo mundo.
Por um momento, ele se sentiu um pouco ansioso. E se eles mudassem de atitude e começassem a se sentir distantes? Mas, em contraste com a preocupação de Wooyeon, todos continuaram a conversa seriamente.
— Comer doces baratos como este pode realmente confortá-lo? Com seu dinheiro de bolso, você provavelmente poderia comprar o café inteiro, não apenas os bolos, certo?
— Wooyeon, você tem uma noiva?
— Ei, se Kim Dohyun ouvir isso, você vai levar uma bronca.
— …Dohyun vai mesmo me dar uma bronca?
Wooyeon soltou uma risada impotente e balançou a cabeça, então disse que não tinha uma noiva. Garam riu ironicamente, dizendo que o que eles viam nos filmes era tudo inventado. O fato de Wooyeon não ter uma noiva era só porque ele ainda não tinha tornado isso público. Ele não queria explicar o motivo nessa situação.
— Se você é um chaebol, você deve ter tutores particulares, certo?
O rosto de Wooyeon enrijeceu de repente. Por um breve momento, ele até se sentiu desconfortável com os feromônios de Garam. Wooyeon tentou acalmar e engoliu em seco.
— Antes… eu fazia isso.
— Uau, isso é interessante. Aposto que você só convidou as melhores pessoas em cada área, certo?
Wooyeon não conseguia nem sorrir porque era verdade. Como ele tinha estudado em casa no ensino fundamental, ele tinha um professor particular para cada matéria. Sua mãe lidava com tudo com dinheiro, então se eles não fossem os melhores, ela não se importaria.
“Dohyun é a única exceção.”
Dohyun era um caso especial. Embora fosse aluno de uma universidade de prestígio, na época ele tinha apenas 20 anos e estava no primeiro ano.
— Mas por que Kim Dohyun ainda não veio?
— Parece que demorou muito para consertar o telefone dele.
— Por que consertá-lo agora? Ele poderia simplesmente continuar usando.
Wooyeon tentou afastar as memórias do passado e pensou em Dohyun. De qualquer forma, estava tudo acabado agora, e ele não precisava mais se preocupar com velhas feridas. Felizmente, só de pensar em seu rosto sério foi o suficiente para fazê-lo se sentir feliz.
— Ah, e…
Wooyeon falou suavemente e olhou para seus dois amigos. Embora não fosse tão importante, ele sentiu que deveria esclarecer para evitar mal-entendidos. Afinal, não era um grande segredo.
— Eu não sou um filho ilegítimo.
— …Huh?
Os olhos de Garam se arregalaram de surpresa. Era algo que ela não ousou perguntar, mas Wooyeon trouxe à tona. Wooyeon continuou como se não fosse grande coisa.
— Minha mãe é casada.
***
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna