Capítulo 32
32 – Volume 2: Capítulo 32
O silêncio de estar sozinho foi quebrado pelo entregador de comida. A campainha tocou e, quando a porta da frente foi aberta, várias sacolas tinham sido entregues. Torrada, *kimbap* e até *galbi-tang*. Era verdade que a fome estava apertando, mas aquilo era exagero.
Ele comeu um pouco e arrumou alguns dos itens espalhados. A casa era muito vazia. Quando entrou pela primeira vez, estava distraído demais para olhar direito. Além dos móveis embutidos e dos eletrodomésticos, quase não havia pertences pessoais.
A cozinha também estava limpa o suficiente para dizer que nunca tinha sido usada. Ele disse que não gostava de comida feita de qualquer jeito, mas parecia que também não tinha confiança para cozinhar cuidadosamente ele mesmo.
Enquanto isso, ele bebeu mais dois copos de água. Quer os inibidores ainda não tivessem feito efeito total ou não, sua garganta estava seca e o calor não diminuía. Além disso, seu pau estava gradualmente inchando. Marvin pensou que era uma sorte não haver mais ninguém por perto.
Ele checou o celular, mas ainda não havia nenhum contato da sede. Marvin deitou-se no sofá e respirou fundo. Tentou se manter acordado, mas seu corpo exausto e a sonolência que se aproximava quebraram sua vontade.
Não seria nada mal apenas fechar os olhos por um momento.
Ele programou um alarme no celular e se encolheu em uma bola. O sono o envolveu imediatamente. Havia um aroma agradável pairando por toda a casa. Era provavelmente os restos dos feromônios de Jang Jin-woo.
Em momentos como esse, era difícil negar. Seu corpo, transformado em Ômega, instintivamente queria cheirar feromônios de Alfa. Ele se sentia sonolento, como se estivesse inalando um sonífero pelo nariz. E assim, adormeceu rapidamente.
O alarme de Marvin tocou três horas depois. O som mecânico preencheu a sala de estar silenciosa. Mas Marvin, encolhido como um toupeira no sofá, apenas se mexeu ligeiramente. Logo depois, o alarme desligou e, por mais três voltas do ponteiro dos minutos do relógio, Marvin não conseguiu acordar.
Marvin estava tendo um pesadelo do passado. Sua consciência voltou ao dia em que ocorreu a transformação completa do seu traço. Era a sétima manhã morando em um cativeiro seguro com Kim Do-jin. Como de costume, ele foi à cozinha buscar um copo de água, mas seu pé da barriga doía. Justo quando pensou que a dor aguda era incomum, os feromônios explodiram. Ele sentiu náuseas.
Enojado com seus próprios feromônios, ele correu para o banheiro, só então percebendo que algo estava errado com seu corpo. Aquela parte, que ele nunca tinha tocado voluntariamente nem uma única vez, abriu-se lentamente. Sentindo-se tonto, como se tivesse levado uma martelada na cabeça, ele viu Kim Do-jin através da fresta da porta do banheiro. Ele estava observando, segurando o copo de água vazio.
‘Você bebeu tudo?’
Seus olhos queimavam de expectativa. Só então Marvin percebeu que Kim Do-jin tinha colocado algo na água.
‘Veterano, o que é isso?’
A princípio, ele suspeitou que fosse veneno.
‘Apenas um experimento simples. Não se preocupe, você não vai morrer.’
‘Não é isso, meu corpo está tão estranho, *ugh*…’
Um gemido não intencional escapou diante da sensação de formigamento que corria para a parte inferior do seu corpo. Era desconcertante e desagradável.
‘Você está com muita dor? Não é gostoso? Não, não faça isso. Eu vou te ajudar.’
Ele entrou no banheiro, tirando a parte de cima da roupa.
‘Por que você está de repente…’
Mas seu corpo reagiu imediatamente. Uma sensação estranha que ele nunca tinha sentido antes subiu por sua espinha.
O que é isso…
A sensação na parte de trás também era estranha. O buraco secreto entre suas nádegas parecia inflamado e nitidamente estranho. Ele sentiu sede e sua respiração ficou quente. Parecia que ele estava no *heat*. Não um *rut*, mas *heat*.
No momento em que ele percebeu, Do-jin o abraçou por trás. Ele colocou a mão arbitrariamente por dentro das calças de Marvin.
‘Pronto, eu sou o seu primeiro, não sou?’
‘Veterano, você ficou louco? *Ungh*…’
Ele tentou virar o corpo, mas sua força falhou. Ele sentiu vontade de vomitar, mas algo começou a vazar por trás.
‘Não se preocupe. Eu não vou te machucar. Mas você está com um tesão do caralho, Bin-ah.’
Ele queria rasgar aquela cara oleosa em pedaços.
‘Quer tocar no meu? Como é? É grande pra caralho. Eu sinto que estou no *rut* também. Eu só vou colocar para dentro. Eu esperei demais. Vamos fazer uma vez por enquanto.’
E então o som de um tiro.
As memórias fragmentadas daquele dia sempre traziam dor. Depois disso, ele acordava encharcado de um suor desagradável. Com a raiva correndo por seu corpo, querendo rasgar e mutilar o homem já morto, ele escapava do pesadelo.
Mas, estranhamente, desta vez ele não conseguia acordar do sonho. Kim Do-jin, baleado e coberto de sangue, já estava deitado bem mais à frente, mas Marvin ainda estava no *heat*. Por que aquilo não terminava?
Um aroma agradável vinha de algum lugar. Um perfume doce à base de almíscar, não. Isso é canela. Também cheirava a chocolate derretido. Desejando que se aproximasse, ele estendeu a mão.
Respirando com dificuldade, enquanto procurava a fonte, ele tocou a pele e os lábios de alguém. Estavam gelados, mas aquilo era gostoso, então ele os puxou para si.
Só uma vez… Marvin murmurou como se estivesse sussurrando. Sentindo algo como cócegas nadando em seu peito, ele inconscientemente soltou um gemido. O calor do sonho parecia continuar. Todo o desconforto causado por Kim Do-jin tinha desaparecido, substituído por novas sensações.
Era a primeira vez que ele desejava sexo como um Ômega, mas não parecia estranho. Até a sensação do seu corpo se abrindo parecia natural. Como se estivesse mostrando como era um *heat* de verdade, cada parte, da cabeça aos pés, estava queimando de calor.
Sua respiração estava tão rápida que ele mal conseguia fechar os lábios. Seu arfar tornou-se cada vez mais bruto. Ele desejava que o dono daquele aroma entrasse nele agora mesmo, mas não havia resposta.
Sentindo-se ressentido e impaciente, ele torceu mais o corpo. Parecia que poderia atingir o ápice apenas ficando parado. Até um beijo leve seria bom, mas a outra pessoa não se movia de jeito nenhum. Então ele continuou entreabrindo os lábios. Ele rolava a língua, às vezes mordia e erguia o queixo para cheirar. Seu corpo inteiro estava ficando úmido.
Enquanto isso, Jang Jin-woo, que tinha voltado do trabalho, estava parado em silêncio ao lado do sofá da sala de estar escura há algum tempo. Ele estava olhando para baixo, para Marvin, imóvel. Marvin tinha agarrado suas roupas e não as soltava.
A pessoa que claramente tinha dito que iria embora ainda estava ocupando sua casa. Ele torcia o corpo como se estivesse tendo um sonho doloroso. Ele dizia repetidamente que estava difícil e para parar, com a boca aberta.
Então, em determinado momento, ele começou a respirar de forma sensual. Suas mãos apalpavam o ar, procurando por algo. Quando Jang Jin-woo curvou a cintura, Marvin imediatamente tocou seus olhos, nariz e lábios, como se estivesse esperando por aquilo.
Jang Jin-woo parecia tanto irritado quanto intrigado com Marvin tocando seu rosto sem permissão. Ele poderia tê-lo empurrado, mas permaneceu imóvel, permitindo que seu rosto fosse tocado.
— Só uma vez…
Os olhos de Jang Jin-woo vacilaram enquanto observava Marvin implorando em um sussurro. Marvin gemia como se estivesse implorando para que Jin-woo fizesse algo com ele.
Como se respondesse àqueles gestos, Jang Jin-woo curvou ainda mais a parte superior do corpo. E aproximou bastante o seu rosto. Marvin imediatamente envolveu os braços ao redor do pescoço dele e o puxou. Cada expiração vinha misturada com gemidos.
Jang Jin-woo, que estava encarando fixamente aqueles lábios úmidos, aproximou-se como se fosse beijá-lo. Sentindo a respiração dele, Marvin tremeu. Mas a direção mudou. Jin-woo passou direto pelos lábios dele e sussurrou bem baixinho no ouvido de Marvin.
— Você vai se arrepender se fizer isso comigo.
Aquela voz não foi muito alta, mas foi extremamente firme e realista. Tinha o poder de rasgar o sonho de Marvin em um instante, como um furador frio e pontiagudo. Os olhos de Marvin, que estavam vagando na escuridão, abriram-se de golpe. Suas pupilas, que estavam oscilando em um tom dourado, voltaram-se para Jang Jin-woo.
— Ah…
À medida que a razão retornava, suas íris rapidamente perderam o brilho. Marvin, assustado, ergueu o tronco. Seu corpo inteiro estava encharcado de suor.
Merda…!
Percebendo a realidade, a vergonha o dominou. Um calafrio percorreu sua espinha pelo fato de que a pessoa a quem ele estava se agarrando desesperadamente era Jang Jin-woo. O olhar nos olhos dele também era frio e sem emoção.
— Desculpe. Eu devo ter adormecido por um momento. Que horas são agora…
Marvin, olhando ao redor, surpreendeu-se mais uma vez ao ver a janela escura da varanda do lado de fora.
Não pode ser.
Olhando para o relógio da sala, já passava das 20h. Lembrando-se de repente, os olhos de Marvin se arregalaram. Ele checou o celular rapidamente. Havia apenas duas chamadas perdidas de Yang Jin-man. Não havia nenhum contato da sede. Mesmo já tendo se passado um dia inteiro, ninguém tinha entrado em contato com ele.
— Ainda sem contato?
— Ahn? Ah…
Sem saber como responder, ele apenas ficou boquiaberto, de forma pateta. Embora estivesse caindo em si, seu corpo ainda estava quente. Isso nunca tinha acontecido antes, mas seu desejo sexual estava descontrolado. Ele definitivamente tinha tomado inibidores. Talvez por causa disso, ele não tinha dor de cabeça nem outros sintomas. No entanto, não entendia por que estava em *heat* desse jeito.
Ele não conseguia se recompor devido à vergonha. Marvin levantou-se abruptamente.
— É tão tarde. Fui muito indelicado. Já vou indo. Ah, *ugh*…
Esquecer o ferimento no ombro e se apoiar rapidamente no sofá foi o problema. Com o efeito do analgésico tendo passado, a dor da carne rasgada veio com tudo. Jang Jin-woo segurou Marvin, que estava lutando sozinho.
— Você pode simplesmente ficar. Não parece que você tem para onde ir de qualquer forma.
Marvin mordeu o lábio com força, tendo seu ponto fraco apontado de forma tão nua e crua. Claro que era verdade que ele não tinha para onde ir, mas também não podia continuar ali.
— Parece que o momento da aplicação do inibidor não foi bom. Vai passar com o tempo. Apenas fique até receber uma ligação.
— Ah, mas mesmo assim…
Jang Jin-woo deixou Marvin, que estava tendo uma luta interna com uma expressão complicada, e foi trocar de roupa. Ele não parecia se importar muito pelo fato de haver um Ômega afetado pelo *heat* em sua casa. Marvin mordeu o lábio.
Será que foi realmente apenas um problema de momento correto? Era algo que Yang Jin-man sempre dizia por hábito. Espere até que seu pau esteja prestes a tremer antes de injetar. Cedo demais não é bom, tarde demais não é bom. Com a maioria das pessoas dizendo a mesma coisa, agora parecia a verdade.
Além disso, depois que Jang Jin-woo desapareceu da sala de estar, o calor em seu corpo diminuiu um pouco. Parecia que ele realmente tinha reagido aos feromônios dele. E de forma bastante intensa.
Marvin esfregou o nariz e secou o rosto. Fazia muito tempo desde que tinha experimentado um *heat* que realmente parecesse *heat*. Até agora, seus *heats* pareciam mais com doenças comuns. Dizem que melhora com o tempo, mas ele não sabia quanto tempo isso significava.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello