Capítulo 31
31 – Capítulo 31
— Prontinho, tudo certo. Levante o braço só um segundo. Certo. Ficou um acabamento ótimo.
Não há necessidade de ir ao hospital separadamente. O tratamento foi perfeito demais.
A mulher se levantou de onde estava, elogiando a si mesma. A faixa meticulosamente enrolada comprimia o ferimento com firmeza. O sangramento havia parado e, graças ao analgésico que ela lhe dera, a dor tinha diminuído consideravelmente.
— Não molhe o ombro e, se possível, não tome banho, está bem? Sem problemas, sem problemas! Não faz mal ficar um pouco sujo por alguns dias!
Ela deu uma risada calorosa e guardou sua bolsa. Jang Jin-woo, que esteve observando, trouxe à tona o assunto dos inibidores.
— Ah, eu os trouxe. Você é realmente do tipo O? Se algo der errado com isso, vou perder minha licença.
— Você disse que não ia clinicar de qualquer forma.
— Há uma diferença entre eu não querer e eu não poder. E eu ficaria chateada se perdesse minha licença. Promotor Jang, você vai assumir a responsabilidade?
Marvin, que ouvia a conversa dos dois, interveio rapidamente.
— Eu sou do tipo O. Pode apenas me entregar. Eu mesmo aplico.
— Bem, eu ainda preciso levar o frasco de volta ao hospital, então eu mesma aplico em você.
Me dê o outro braço! Muito bem!
Ela tratou Marvin como uma criança de jardim de infância enquanto aplicava a injeção do inibidor. Marvin deu um sorriso sem jeito e franziu a testa. Era bom que ela fosse gentil, mas parecia uma simpatia desnecessária. Ela não parecia em nada com uma amiga de Jang Jin-woo. Sua personalidade era extremamente radiante.
Qual era o relacionamento deles? Namorada? Essa era a opção mais fácil de adivinhar. A mulher era bonita e, a julgar pela forma informal como falava com Jang Jin-woo, parecia ter a mesma idade. No entanto, a atitude dela em relação a ele era tão direta que não havia nenhuma tensão sexual no ar.
Parecia um relacionamento que já tinha se desgastado há muito tempo, ou uma relação que não tinha nenhuma possibilidade desde o início. Podiam ser aparentados por sangue ou ter algum vínculo legal.
Seja o que for, parecia claro que eram próximos. Não era um assunto muito importante, mas Marvin ponderou sobre a relação deles durante todo o atendimento da mulher.
A agulha da seringa que havia perfurado seu músculo foi retirada. Os inibidores absorvidos pelo seu corpo circularam rapidamente por todo o organismo, acalmando as sensações ascendentes.
Ele se perguntou se não tinha tomado a injeção cedo demais, mas não estava em posição de pedir mais. No hotel disseram que não tinham extras, então o correto era garantir quando tinha a oportunidade.
Ela checou a condição de Marvin por cerca de cinco minutos para ter certeza de que o remédio estava fazendo efeito adequadamente.
— Descanse um pouco. Ou peça para ele pedir algo gostoso para você comer. Você precisa comer bem para se recuperar rápido. Ah, e se for realmente desconfortável mexer o ombro, vá à farmácia e compre uma tipoia, daquelas com velcro aqui. Compre uma e envolva o braço.
Certo?
A mulher deu um tapinha no peito de Marvin, que estava coberto por um cobertor. Então, sem hesitar, olhou para Jang Jin-woo e disse:
— Terminei, né? Já posso ir?
Ela se levantou sem sequer tomar uma xícara de chá, apesar de ter dirigido por duas horas.
— Obrigado pelo trabalho. Eu te ligo.
Jang Jin-woo também não tentou retê-la. Marvin ficou sem jeito, achando que ele estava sendo frio demais.
— A senhora já vai?
— Sim.
Ela sorriu e acenou com a mão. Dá para sentir quando alguém é uma boa pessoa de coração, e não apenas alguém encenando gentileza. Por isso, ele se perguntou novamente.
Não entendia por que uma pessoa tão boa andava com alguém como Jang Jin-woo. Além disso, ela tinha vindo até ali desde Seul àquela hora da manhã e realmente fez o que ele pediu, sem questionar os motivos ou as circunstâncias.
Será que ele tinha algum grande trunfo contra ela?
Enquanto Marvin deixava sua imaginação fluir, os dois saíram da sala de estar. Vozes podiam ser ouvidas vindas da direção da porta da frente.
— O quê, ele nem tomou anestesia e nem reclamou. Quem é ele? Qual é a relação de vocês?
— Não é da sua conta.
Era uma voz alta o suficiente para ser ouvida na sala de estar, mas ele não parecia se importar.
Isso significava que não se importava se a pessoa em questão ouvisse.
— Você só namorou mulheres até hoje. Seu gosto mudou?
— Não mudou.
— Sério? Mas ele é tão bonito, sabia?
Marvin, que estava acompanhando o fluxo da conversa, travou. A voz da mulher ficou um pouco mais baixa. Desta vez, continha uma intenção inconsciente de não ser ouvida por ele.
No entanto, a resposta de Jang Jin-woo não foi nem um pouco assim.
— Eu sei.
De repente, a mulher deu um guincho de empolgação. O som dos pés dela pisoteando o chão, transmitindo uma agitação incontrolável, foi ouvido claramente. Marvin piscou com os olhos arregalados.
Não pode ser…
Dizer coisas daquelas quando era óbvio que seria ouvido tinha claramente a intenção de provocar. O alvo poderia ser a mulher ou o próprio Marvin. De qualquer forma, não havia necessidade de se abalar com esse tipo de piada.
Ainda assim, Marvin inconscientemente virou o corpo em direção à porta da frente. Ele queria ouvir o que eles estavam dizendo. Então, sem querer, pressionou o controle remoto da TV que estava no sofá.
Surpreso com a TV que ligou de repente, ele se atrapalhou procurando o controle. Quando tentou desligar, a porta da frente já estava se fechando. Jang Jin-woo voltou para a sala de estar. Marvin encarou a tela com o controle remoto na mão. A continuação do filme que ele tinha assistido algumas horas atrás estava passando na TV.
— Ela já foi…?
Foi uma reação extremamente dissimulada e sem jeito. O rosto de Marvin estava corado, mas ele travou o maxilar com força para fingir que estava tudo bem. Jang Jin-woo olhou de relance para a tela da TV que Marvin tinha ligado. Em seguida, olhou para o relógio.
— Tenho que ir trabalhar agora. Você consegue ficar sozinho?
— Como? Ah, sim. Não. Eu também já estou de saída.
Marvin respondeu atordoado. Sua atitude de assistir à TV parecia ser interpretada como uma intenção de permanecer naquela casa sem permissão. Definitivamente não era o caso. Ele só ia descansar um pouco e ir embora. A sede entraria em contato com ele em breve de qualquer forma.
— Você tem para onde ir nesse estado?
— Tenho. Já fiz o relatório.
— Entendo.
Jang Jin-woo observou Marvin com um olhar curioso. Ele parecia interessado no fato de que ele tinha conseguido contatar os superiores. Naquele momento, um som constrangedor ecoou do estômago de Marvin. Como ele não comia nada desde que saíra do trabalho de madrugada, era um fenômeno fisiológico natural. As sobrancelhas de Jang Jin-woo se ergueram ligeiramente ao ouvir o barulho.
— Você não comeu, não é? O que quer que eu peça para você?
— Não, está tudo bem…
— Torrada ou kimbap? A esta hora, lugares como restaurantes de galbi-tang também devem estar abertos.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ele pegou o celular. Ficou encarando Marvin como se esperasse um pedido, então ele não teve escolha.
— Então kimbap, não, vou querer galbi-tang.
Marvin percebeu de repente que todas as suas ações estavam sendo desajeitadas. Além disso, estava excessivamente consciente da presença de Jang Jin-woo. Provavelmente era por causa das coisas desnecessárias que ele tinha dito, mas sentiu-se patético por reagir a palavras ditas deliberadamente para que ele ouvisse. Tentou se esconder atrás da desculpa dos analgésicos e do ciclo de heat.
— Quer uma xícara de chá enquanto espera?
Jang Jin-woo perguntou após finalizar o pedido.
— Não, está tudo bem. Desculpe incomodá-lo quando você está ocupado. Vá trabalhar logo.
Eu vou embora sozinho quando chegar a hora.
Marvin apenas desligou a TV que nem estava assistindo. Foi também para enfatizar que não pretendia ficar muito tempo.
— A comida vai chegar logo. Pedi várias coisas, então coma o que gostar. Há um quarto de hóspedes ao lado, você pode dormir lá se quiser. Apenas feche a porta quando sair.
— Sim, obrigado.
Ele pegou sua bolsa no escritório. Parecia estar indo direto para a porta da frente, mas parou e olhou para Marvin por um momento, perdido em pensamentos. Parecia estar em dúvida se dizia algo ou não. Então, finalmente abriu a boca em voz baixa.
— Há algo que Kim Marvin-ssi precisa saber. Não suporto ficar sem saber o que me deixa
curioso, mas fui muito paciente com Kim Marvin-ssi até agora. Então, vou perguntar apenas uma coisa.
Marvin escutava em silêncio. Pela forma como ele estava preparando o terreno, não parecia uma pergunta leve. Ele acenou com a cabeça seriamente para indicar que responderia, e ele continuou.
— O Chefe de Gabinete Im Sang-wook disse que Kim Marvin-ssi é uma pessoa problemática.
Disse que você matou um colega em sua última missão. Isso é verdade?
Os olhos de Marvin vacilaram. Não conseguia entender por que o Chefe de Gabinete vazaria uma história dessas. Especialmente para alguém que nem conhecia o contexto. Seria um aviso para não se aproximar? Ele não se sentia bem com a intenção de isolá-lo minuciosamente daqueles ao seu redor.
— Eu ia fingir que não sabia porque parecia uma pergunta delicada, mas não consigo evitar de ficar incomodado com isso.
Marvin entendeu perfeitamente as palavras dele. Pensando bem, era uma situação em que alguém que ele não conhecia direito tinha aparecido esfaqueado em sua casa. Ele tinha o direito de saber se ele era uma pessoa má ou não.
— …Se está perguntando se eu o matei fisicamente, não. Cheguei tarde demais para matá-lo diretamente. Mas se está perguntando se eu tinha a intenção de matá-lo, sim. Foi impulsivo, mas eu definitivamente tentei matá-lo.
Para Marvin, essa era a melhor resposta. Dizer simplesmente que não o tinha matado não seria convincente, pois ele já estava suspenso. Mas ele não queria admitir algo que não fez.
Kim Do-jin foi morto pelas forças russas, não por Marvin. Ele não podia explicar todo o processo em detalhes, então não teve escolha a não ser deixá-lo saber sutilmente por que as coisas se voltaram contra ele.
Jang Jin-woo escutou em silêncio com uma expressão rígida. Ele era um advogado. Eles olham para a intenção do acusado. As penas para crimes cometidos por engano e crimes cometidos com intenção eram mundos à parte. Ele se perguntava como o elemento de
“intenção de matar” se aplicaria à reputação de uma pessoa.
— Entendo.
Ele acenou com a cabeça, erguendo uma sobrancelha ligeiramente. Foi apenas por um breve momento, mas viu um leve sorriso passar por seu rosto. Marvin não tinha ideia do que aquilo significava. Não estava claro se era positivo, negativo ou com desprezo.
— Não sei como aquele cara se tornou tão odioso a ponto de você querer matá-lo, mas eu entendo. Não parece uma mentira.
Jang Jin-woo pendurou o casaco que segurava na armação do braço e colocou a mão no bolso.
— Eu já tinha sentido isso antes, mas Kim Marvin-ssi tem algo. Algo que me faz querer investigar. Quando pergunto algo, minha curiosidade não é satisfeita. Só me deixa com mais sede.
Seu olhar se voltou para as faixas, remédios e toalhas manchadas de sangue espalhadas aqui e ali.
— Provavelmente é por isso que estou sendo tão intrometido hoje. Estou surpreso por ter feito tudo isso por alguém, mas, de qualquer forma, é isso.
Ele estava dizendo que aquela gentileza excessiva definitivamente também não fazia parte de sua rotina diária.
— Sinto muito. Vou limpar tudo antes de ir embora.
Marvin teve sentimentos conflitantes. Estava envergonhado e também secretamente satisfeito por poucas pessoas terem recebido esse tipo de tratamento dele. Na verdade, esse último sentimento era duas vezes mais forte.
— Não disse isso para ouvir essas palavras, então não precisa se preocupar com isso.
Descanse um pouco.
Jang Jin-woo virou-se de forma simples e dirigiu-se para a porta da frente. Marvin estendeu a mão como se tivesse mais a dizer, mas parou. Não queria ser visto como alguém que estava apenas lhe causando problemas.
Queria dar a ele algo que ele quisesse. Estava pensando em contar sobre o encontro com o Diretor Heo, mas ainda era apenas um estágio inicial, sem substância, por isso parou.
De repente, pensou em se infiltrar na Dongyang Liquor novamente e cavar mais fontes, como ele havia sugerido da última vez. Era engraçado. Ao contrário de alguns dias atrás, quando estava construindo muros e o antagonizando, de repente queria agir por ele.
Marvin reprimiu a estranha emoção que tentava emergir de um canto do seu coração. Parecia que seu antigo hábito estava prestes a se manifestar novamente. Ele era sempre assim.
Se você vive na sarjeta por muito tempo, quer abanar o rabo como um cachorro mesmo se alguém apenas lhe estender uma mão pequena. Ele já havia repetido o mesmo erro várias vezes. Não devia esquecer que o resultado era a situação atual. Kim Do-jin também foi quem lhe estendeu a mão desde seus dias de recruta, quando ele estava arisco como um ouriço.
Até Jang Jin-woo não escondeu que tinha um propósito desde o início. Se ele se tornasse inútil, ele naturalmente o ignoraria. Ele próprio já lhe tinha dito que era esse tipo de pessoa várias vezes.
Portanto, não se deixe levar. Ele se firmou nessa resolução várias vezes, mas ficou perplexo com essa situação em que estava tirando conclusões estranhas e cerrando os punhos sozinho.
Ficou feliz por Jang Jin-woo não saber disso.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello