Capítulo 30
30 – Capítulo 30
A expressão de Jang Jin-woo, assim que abriu a porta, fechou-se completamente. Marvin estava arfando em busca de ar, como se estivesse prestes a desmoronar.
— Eu não tinha outro lugar para… *haa*… ir. *Haa*…
Ele passou a mão pelo rosto ruborizado e, inconscientemente, envolveu o próprio ombro com os braços.
— Apenas por um momento, você poderia… *haa*… me esconder?
Jang Jin-woo estava com roupas de treino. Ele devia estar se preparando para sair e se exercitar logo cedo, já que sua franja estava caída sobre a testa. Seu olhar viajou do rosto corado de Marvin para o ombro dele. Só de ver a careta e a postura desconfortável de Marvin, deu para perceber que ele estava ferido.
— Você se machucou?
— Ah, bem, sim, mas é só…
De repente, a porta da frente do apartamento se abriu de par em par. Ele escancarou a passagem, dando espaço para Marvin entrar.
— Entre.
— Obrigado. *Haa*…
Ele meio que esperava ser rejeitado logo na porta, mas tinha conseguido entrar. Marvin cambaleou ao tirar os sapatos e avançar para a sala de estar. Jang Jin-woo segurou seu braço e o ajudou a recuperar o equilíbrio. Isso acabou revelando a camisa manchada de sangue. Ele estalou a língua.
— Você deveria ter ido a um hospital, então deve ter um bom motivo para vir até aqui.
Ele ajudou Marvin a ir até o sofá da sala e foi rapidamente ao quarto procurar algo. Marvin puxou o ar profundamente para regular a respiração.
Ele confiava na própria corrida mais do que qualquer um, por isso fez um longo desvio de propósito. Mesmo logo antes de entrar, ele tinha olhado ao redor, mas não viu nenhuma atividade suspeita. Seis da manhã. Achou que ele ainda pudesse estar dormindo, mas, felizmente, Jang Jin-woo atendeu logo ao primeiro toque da campainha.
— Deixe-me ver.
Ele voltou com faixas e um kit de primeiros socorros. Marvin tirou o casaco e a camisa com a ajuda dele. Seu tronco, brilhando de sangue e suor, ficou à mostra. O sangue fluía da carne rasgada. Não tinha prestado atenção no meio do caos, mas o ferimento parecia mais profundo do que pensava.
Jang Jin-woo olhou para Marvin em silêncio, como se o estivesse repreendendo. Marvin falou rapidamente, como se não fosse nada, temendo ouvir reclamações sobre o transtorno que tinha causado.
— Não é nada demais, sério…
— Não se mexa.
— *Ugh*.
Ele interrompeu Marvin e limpou o sangue. Doeu terrivelmente quando ele tocou na ferida. Aplicou pressão rapidamente com uma toalha para conter o sangramento e pegou o celular imediatamente para ligar para alguém.
— Sou eu. Se não tiver nada urgente hoje, venha para minha casa. Não, não na casa de Seul, aqui. É. Estou com um paciente com ferimento de faca que não pode ir ao hospital. Não posso explicar a situação, apenas venha. Não, só venha.
Ele encerrou a ligação como se estivesse dando uma ordem. Parecia ter um amigo médico. Dizem que os Alfas se ajudam, então parecia que eles levavam uma vida bem confortável.
Além disso, a outra pessoa não pareceu muito irritada, mesmo recebendo uma ligação àquela hora da manhã, como se devesse algo a Jang Jin-woo. Foi uma sorte para Marvin. No meio de tudo aquilo, ele até sentiu um alívio por ter ido ao lugar certo.
— Vai levar duas ou três horas, você consegue aguentar? Ou é melhor irmos para a emergência agora?
— Estou bem. Consigo aguentar.
Sua pronúncia saiu um pouco enrolada porque ele tinha travado muito a mandíbula. Jang Jin-woo, incomodado com o estado de Marvin, que não parecia nada bem, suspirou e trouxe algo da cozinha. Era um analgésico comum. Qualquer coisa era melhor do que nada.
Ele engoliu o remédio com água e respirou fundo por um momento. Jang Jin-woo permaneceu parado de braços cruzados, observando Marvin. Ele sentiu que precisava dar explicações até certo ponto.
— Quando voltei do trabalho, *uf*… havia intrusos na minha casa. Identifiquei três deles e cometi alguns erros enquanto lutava.
Seus sentidos estavam embotados porque estava entrando no *rut*. Foi um ataque de surpresa e ele estava desarmado, então não teve jeito. Fazia tempo que seu corpo todo não ficava em tal estado de tensão.
— De qualquer forma, obrigado. Hotéis são perigosos demais, e pensei que a casa do promotor, que é a menos… *haa*… relacionada a mim, seria o lugar mais seguro.
Jang Jin-woo apenas escutou em silêncio com uma expressão séria, sem dizer nada. Ele se perguntou se ele estava com raiva, por isso continuou adicionando mais detalhes.
— Sinto muito por vir aqui sem permissão. Mas você já sabe minha identidade, então não preciso explicar separadamente e, como você trabalha com esse tipo de coisa, pensei que entenderia melhor do que os outros. Você pode se sentir mal por eu saber onde você mora, mas isso é só…
— Certo, pare de falar e descanse. Saber o endereço da minha casa deve ter sido moleza para um agente de inteligência da ativa. Não estou tão curioso assim.
Ele colocou mais água no copo sobre a mesa e trouxe um cobertor grosso de algum lugar.
— Você parece estar tremendo. Tome.
Marvin pegou o cobertor que Jang Jin-woo lhe entregou e se cobriu. Como ele disse, estava sentindo calafrios. Percebeu que sua condição física estava bastante debilitada. Jang Jin-woo, que o observava, apoiou uma almofada do sofá no ombro dele. Não era nada mau sentir que estava sendo cuidado.
— Obrigado. Por tudo. Como da última vez…
Claro, daquela vez tinha sido uma coincidência, e desta vez ele tinha vindo por conta própria. Ainda assim, estava feliz por ele não tê-lo mandado embora em nenhuma das duas ocasiões. Jang Jin-woo também acenou levemente com a cabeça, como se lembrasse daquela situação.
— É verdade. Na verdade, não gosto muito de me envolver nos assuntos dos outros, mas… Kim Marvin-ssi, continuo me envolvendo com você de forma estranha. Será instinto? Não consigo ignorar um Ômega no *heat*?
Jang Jin-woo perguntou a si mesmo de forma leve e depois arrumou as toalhas manchadas de sangue. As pupilas opacas de Marvin vacilaram ligeiramente.
Ah, ele percebeu.
Parando para pensar, ele tinha dito algo sobre sentir um cheiro e que aquilo não podia ser disfarçado com cigarros. Ele não pretendia esconder, mas toda vez que ele descobria primeiro, isso o fazia se sentir culpado.
— Vou embora em breve. Não pretendo abusar da sua hospitalidade por muito tempo.
— Você tem inibidores?
— Como? Ah…
Sua testa se franziu ligeiramente e um suspiro silencioso escapou. Ele parecia ter percebido o motivo de sua hesitação sem que precisasse responder.
Jang Jin-woo ligou novamente para a pessoa com quem tinha falado antes. Pediu que trouxesse um inibidor do tipo O se ainda não tivesse saído. A outra pessoa parecia estar resmungando, mas Marvin não conseguiu ouvir. Ele apenas se sentiu vazio, questionando se inibidores eram itens tão fáceis de conseguir para eles.
Ele estava tão exausto que uma sensação de impotência o tomou conta. Marvin também encarou o celular com o olhar vago. Felizmente ou infelizmente, ele ainda não tinha recebido notícias da sede. Ele teria tempo suficiente para conseguir um inibidor ali.
— Você acha que foi seguido?
Jang Jin-woo puxou as cortinas da varanda e olhou para fora. O sol estava acabou de nascer.
— Acho que não.
— Você disse que havia três deles? Tipo o bicho-papão1) ou algo assim?
Marvin sorriu fraco. Tinha sentido isso da última vez também, mas Jang Jin-woo parecia gostar secretamente desse tipo de filme.
— Não, esses caras costumam agir sozinhos.
Eles eram bons de briga, mas não eram especialistas em assassinato. Pareciam soldados treinados na Coreia. Faria sentido se a pessoa que encomendou o serviço tivesse contratado mercenários.
Eles falavam russo, mas a intenção não era clara. Quando se movem juntos assim, eles geralmente têm papéis atribuídos. Exceto em situações de extrema urgência, eles nunca sinalizam para aliados usando a voz. Por isso era ainda mais estranho.
— Entendo. De qualquer forma, ainda bem que nada mais grave aconteceu.
Jang Jin-woo cruzou a sala de estar e ligou a TV. A consciência de Marvin, que estava oscilando devido à tela em constante mudança e ao ruído, retornou.
— Vai ser difícil, mas pensei que seria melhor se você tivesse algo em que se concentrar. Aguente firme. Disseram que já saíram, então estarão aqui em uma hora e meia.
— É um médico?
— Sim. Felizmente, é um residente de cirurgia plástica, então você não vai ficar com cicatrizes.
— Tudo bem se ficarem. Meu corpo já está assim mesmo.
O corpo de Marvin tinha seis cicatrizes de ferimentos por faca e uma de tiro. Ele já tinha estado em situações de risco de vida cerca de duas vezes. Graças a isso, tinha voltado para a Coreia e descansado por cerca de meio ano. A cicatriz de tiro abaixo do seu flanco era da época dos Filipinas, e tinha ficado marcada porque o tratamento adequado demorou a ser feito.
Talvez por isso, o olhar de Jang Jin-woo se demorou perto de seu flanco por um longo tempo. Subiu de volta para o peito, desceu pelo abdômen, cruzou a cintura e finalmente chegou ao ombro.
Marvin suportou o olhar que escaneava seu corpo sem hesitar, fingindo não notar, e assistiu à TV. Era um filme que ele nunca tinha visto antes. Era difícil se concentrar porque ele não conhecia o enredo, mas era melhor do que apenas suportar a dor em silêncio, como ele tinha dito.
A história filosófica de dois protagonistas embarcando em uma jornada ecoava no meio da sala de estar. Marvin olhava fixamente para a TV, bebia água e observava Jang Jin-woo, que tinha ido para o quarto e trocado de roupa.
Ele verificou o celular novamente, mas não havia mensagens. Assistiu à TV mais um pouco, olhou para o relógio e ouviu a voz de Jang Jin-woo enquanto ele falava ao telefone em algum lugar e, enquanto suportava e aguentava, alguém realmente chegou.
[Notas de rodapé] ~1) Um tipo de monstro do folclore. É bem conhecido como uma criatura que vive debaixo da cama ou no armário. Na franquia de filmes >John Wick<, do diretor Chad Stahelski, famosa por filmes de assassinos, foi usado como apelido do protagonista assassino.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Fim do Volume 1
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello