Capítulo 89
Capítulo 89
Marvin segurava o celular, a ansiedade o corroendo enquanto esperava pela decisão de Jang Jin-woo. O tempo estava se esgotando. Se fossem fazer uma operação no local, a ordem precisava ser dada imediatamente. Deveria depositar sua confiança na polícia, apesar de suas dúvidas, ou deveria encontrar um caminho totalmente diferente?
Jin-woo pesou a necessidade de rapidez contra a cautela. Fiel à sua natureza, não hesitou por muito tempo.
— Entendido. Vou tentar solicitar uma equipe de resposta criminal da Agência Policial de Daejeon por canais não oficiais. Quer funcione ou não, vai levar tempo. Vou enviar um dos nossos investigadores até você. Você já o viu antes, então vai reconhecê-lo. Apenas coordene com ele no local.
— Certo.
— Vocês dois precisam atrasar o descarregamento o máximo possível. Estou indo para aí agora mesmo. O xis da questão é deixar provas de que o navio da Jingang estava transportando a mercadoria. O objetivo não é prender alguns capangas da Dongyang. É provar que o carregamento existia. Entende o que quero dizer?
— Então só preciso enrolar até você chegar e garantir que nada seja descarregado?
— Exatamente. Mas tente evitar confrontos físicos se puder. Não quero que você se machuque — ou machuque alguém e complique as coisas. Apenas… fique em segurança.
Marvin soltou uma risada curta. Era quase tocante ver Jin-woo se preocupando com ele daquela forma. Mesmo que fosse apenas para evitar a amolação da papelada, ainda era bom ouvir. Ele não estava exatamente ansioso para passar outra noite em uma cela de detenção congelante.
Pelo telefone, ouviu Jin-woo dando instruções a alguém — provavelmente um motorista de táxi. O promotor ofereceu cinco vezes o valor da corrida em dinheiro se o motorista o levasse rapidamente ao Porto Seohae de Oseong.
O motorista hesitou. — Oseong? Sério? — Mas depois de digitar “Seo.hae.Hang.” no GPS, uma sílaba de cada vez, deve ter feito as contas. Viagem de ida e volta mais um gordo bônus? Só um tolo recusaria.
— Vejo você em breve.
— É.
Eles encerraram a chamada.
Marvin encarou a escuridão na doca distante. Sem contrabandistas, o descarregamento pareceria rotineiro. O problema? Ele não tinha ideia de onde os supressores de curto prazo estavam escondidos.
Com o gerente do porto envolvido no esquema, gritar sobre atividade ilegal só o faria parecer piada. E como Jin-woo dissera, agarrar alguém para interrogar não resolveria nada. Aquilo exigia cérebro, não força bruta.
Seu telefone tocou. Era um número desconhecido. A voz do outro lado era familiar.
— Olá. Você é rápido. Estou no estacionamento leste. Você vai avistar o carro do promotor. Sim.
O investigador de Jin-woo chegaria em 15 minutos. Uma velocidade impressionante. Marvin preferia eficiência à preguiça, e aquilo funcionava para ele. Eles precisariam traçar uma estratégia.
19h30. Um navio de carga de 1.000 toneladas, com o casco desgastado por 20 anos de sal e vento, avançava lentamente em direção à doca esquerda do Porto de Oseong. A palavra JINGANG brilhava em sua lateral enquanto ele encostava no pier. Uma dúzia de trabalhadores do porto e figuras sombrias vestidas com roupas escuras se alinharam, esperando.
O navio finalmente parou. Cordas deslizaram da proa e os trabalhadores se apressaram para prendê-las. Em seguida, a tripulação apareceu, com alguns desembarcando na doca.
Primeiro vieram as caixas, pacotes de aparência inofensiva vindos da China, empilhados em redes e içados para a terra firme. Carga de rotina para o negócio de logística da Jingang. Um caminhão que esperava foi carregado, liberado pela alfândega em segundos e acelerou em direção ao centro de distribuição.
— Estamos sem tempo hoje. Diga a eles para terminarem o trabalho do guindaste amanhã. O motorista disse que estaria aqui cedo.
As palavras do gerente do porto receberam um aceno de cabeça do Diretor Jo. Os supressores eram a prioridade deles. O resto podia esperar.
Com o navio totalmente atracado, as portas do compartimento de carga se abriram. Uma rampa se estendeu da doca, conectando-se à embarcação.
— Dirijam os caminhões para dentro.
— Sim, senhor.
Os dois caminhões de 5 toneladas avançaram, desaparecendo no compartimento de carga. O plano era carregá-los diretamente e enviá-los imediatamente. Vários homens da Dongyang subiram atrás deles.
O Diretor Jo gesticulou para dois funcionários do porto que vinham atrás, um sinal silencioso para olharem para o outro lado. Ele já havia prometido a cada um deles 5 milhões de won. Não havia necessidade de mencionar os 100 milhões que iriam para o seu bolso. Esse era o seu corte.
Assim que o descarregamento começou, o Diretor Jo fez uma ligação discreta.
— Chegamos. Carregando agora. Deve levar cerca de uma hora.
Dez toneladas, 500 caixas de 20 quilos cada. Com maquinário, uma hora seria suficiente. A ordem ríspida de “reporte quando estiver concluído” fez o Diretor Jo amarrar a cara ao desligar.
O erro da última vez lhes custara a confiança. Mas não fora de todo ruim. Forçara-os a se moverem mais rápido, a se adaptarem.
Ele havia plantado alguns informantes na polícia, por precaução. Um deles o alertara, salvando tanto o carregamento quanto a sua pele. Claro, ninguém jamais reconheceria seu esforço.
— Porra.
Ele acendeu um cigarro, o vento marítimo do inverno castigando mais forte do que o esperado. Ignorando a tagarelice do gerente no rádio, ele se esgueirou para o banheiro.
Quando voltou, um de seus homens estava do lado de fora do compartimento de carga, com a luz do celular varrendo o chão.
— Droga, quem trancou essa coisa?
O homem deu um pulo quando a sombra do Diretor Jo caiu sobre ele. — Ah, chefe! O motorista do caminhão perdeu a chave do compartimento de carga. Eu juro que estava aberto quando checamos primeiro, mas agora—
O rosto do Diretor Jo se contorceu. Ele não esperou a desculpa terminar. Soltando o cigarro, pisou firme em direção ao caminhão.
O compartimento brilhantemente iluminado lembrava um vasto e vazio salão de conferências que tinha menos de 10% de sua capacidade ocupada. Perfeito para um trabalho rápido. Os dois caminhões estavam no centro, cercados por paletes de caixas e uma empilhadeira.
— Era para eles estarem descarregando, mas esses desgraçados estão enrolando!
Nenhuma das portas dos caminhões estava aberta. O Diretor Jo checou o relógio, a fúria aumentando.
— Abram isso. AGORA.
O motorista coçou a cabeça, se aproximando. — Eu juro que a chave estava no meu bolso. Devo ter deixado cair depois da inspeção. Me desculpe mesmo—
O outro motorista, usando um boné de beisebol, curvou-se. — Minhas desculpas. — Mas nenhum dos dois parecia nem um pouco culpado. Uma extorsão clássica, segurando o trabalho para conseguir um dinheiro extra.
Capangas.
O Diretor Jo escaneou a área. Seus olhos pousaram em um pé de cabra de metal usado para mover cargas. Ele o pegou e caminhou a passos lentos até o primeiro caminhão.
— Perdeu a chave?
— S-sim. Não faço ideia de para onde foi—
Com isso, o Diretor Jo desferiu o pé de cabra contra o vidro do lado do motorista. CRASH. O motorista encolheu-se, trocando olhares com seu parceiro. Antes que pudessem reagir, o Diretor Jo deu a volta para o lado do passageiro.
— Cheque o porta-luvas. Talvez tenha caído lá dentro.
SMASH. O vidro do passageiro explodiu. O Diretor Jo passou por cima dos cacos de vidro, movendo-se para o segundo caminhão. O motorista de boné de beisebol cedeu imediatamente.
— Aqui está a chave. Eu vou carregar. Desculpe. Só pensei que pudéssemos pechinchar por um pouco a mais. Não vai acontecer de novo.
As portas de carga se abriram. Os homens da Dongyang praguejaram, aglomerando-se no compartimento enquanto a empilhadeira roncava vida afora. Eles começaram a empilhar as caixas.
— Deixem-nas na frente. Nós as moveremos para dentro.
Os motoristas se ofereceram para ajudar, mas o olhar fulminante do Diretor Jo os deteve.
— Não toquem em nada.
Com o punho ainda firme no pé de cabra, ele encarou o motorista de boné de beisebol. Os homens ao seu redor tensionaram. O chefe estava prestes a golpear novamente?
Mas o Diretor Jo não atacou. Em vez disso, acenou para o motorista se aproximar, analisando-o devagar da cabeça aos pés.
— Você tem porte para isso. É bonito demais para ficar apenas dirigindo caminhões o dia todo.
— Ah, er… ha, obrigado. Esse garoto ainda está aprendendo os macetes. Teve que trabalhar duro para chegar onde está.
— Você está parecendo meio amolecido, velhote.
O motorista mais velho encolheu-se sob o olhar afiado do Diretor Jo, calando a boca imediatamente.
— Eu não me esqueço de um físico como este.
O Diretor Jo deu um passo à frente, encostando bem perto do motorista, e ergueu o pé de cabra para tirar o boné dele. Plop. O boné caiu no chão. O rosto revelado fez o Diretor Jo abrir um sorriso largo.
— Veio buscar mais? Veio me mostrar a mercadoria de verdade desta vez?
Marvin amarrou a cara, como se estivesse ofendido pela observação vulgar, e pegou o boné para enfiá-lo de volta na cabeça.
— Não exatamente. É que gostei tanto do último lote que pensei em levar mais um pouco para casa.
O Diretor Jo caiu na gargalhada, balançando a cabeça em descrença.
Esse cara.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello