Capítulo 200
CAPÍTULO 200
— …Então, todos os membros do alto comando do partido no poder foram eleitos como linha pró-Hong, certo? E agora, como é que vão cortar de repente a ligação com o palácio presidencial? Não importa como se olhe, isso é claramente o partido no poder tentando fazer uma faxina interna antes das prévias. É assim que temos que interpretar.
— Não, então você está dizendo que o deputado Moon sabia de tudo e fingiu que não? Que porra é essa. Isso é nível de faxina interna? Num momento desses, em que até o chefe de gabinete está sendo envolvido? Quem é esse cara? Quem o trouxe aqui?
Uma risadinha saiu do vídeo.
— Não é aquilo?
— Não é! Você acha que disputa eleitoral é brincadeira? Já tem uma alta taxa de opinião pública decepcionada com a capacidade de governar desde o início deste governo, e ainda por cima dizem que três trilhões de impostos foram desperdiçados em erro. Isso é o pior dos piores cenários. Os deputados não conseguem nem cuidar dos próprios distritos eleitorais enquanto tentam encobrir isso!
— É mesmo?
— Senhores, se lerem este assunto de forma muito complicada, os passos vão se embolar. Vamos lá, vou organizar direitinho, então prestem atenção. Tem uma denúncia sobre isso. A oposição não estaria arriscando tudo assim sem uma fonte confiável. Então, acredito que vai estourar em breve. Acima de tudo, o Ministério Público, que estava fingindo neutralidade, agora virou discretamente para o lado da oposição.
— Virou mesmo.
— Esses filhos da puta do Ministério Público não fariam isso sem informação nenhuma! Eles só olham para os assuntos de forma objetiva quando não é algo que vai cortar o sustento deles. São caras que seguem à risca o princípio do julgamento baseado em provas. Portanto, a maior parte do que a oposição alega sobre os erros do Serviço de Inteligência realmente aconteceu. E agora, acredito que estão ajustando internamente até onde vão expor isso. Porque isso é informação ultrassecreta; se vacilarem, podem ser presos por violação de sigilo funcional.
— Ah, esperto, esperto!
— Artigo 127 do Código Penal, hein? Isso é básico, porra…. E na minha opinião, em breve deve sair um mandado de prisão contra o representante Hong Kyung-wook.
— Sério? Mas ele é filho do presidente.
— E daí? Que época você acha que estamos vivendo? Ha… Que falta de noção… Vai fazer a transmissão assim?
Marvin tocou levemente com o dedo na tela da transmissão ao vivo que falava sem parar, sem descanso por um segundo, e colocou no mudo. Mesmo com o som cortado, o apresentador continuava discursando ardentemente.
Começara a assistir para esvaziar a mente, mas só acabou ficando mais desconfortável. O mundo inteiro falava sobre o caso da Maxona. Até mesmo o Serviço de Inteligência Nacional, uma agência que normalmente evita ao máximo a exposição na mídia, estava envolvido, o que aumentava a curiosidade do público. Com tanta visibilidade, nos noticiários e nas mídias independentes, ficavam acrescentando teorias da conspiração.
Nesse meio tempo, a auditoria parlamentar continuava em andamento, e o palácio presidencial ainda não tinha emitido uma posição oficial. Apenas vazavam rumores de que o presidente estava furioso, através de veículos de imprensa.
O partido no poder, às vésperas das eleições, só conseguia ficar a pé. A opinião de que seria melhor fazer uma investigação especial ou formar uma comissão parlamentar especial de inquérito para tratar desse assunto separadamente ganhava força.
Como Jang Jin-woo havia dito, parecia que uma audiência pública seria convocada em breve.
O plano de Marvin sofreu um pequeno atraso. Por causa do ciclo de calor que chegou inesperadamente, ele perdeu o momento de procurar Hong Kyung-wook.
Já fazia quatro dias que Marvin não saía da casa de Jang Jin-woo. Claro, agora a atenção do público estava tão voltada para Hong Kyung-wook que seria difícil encontrar uma oportunidade de qualquer maneira. A essa altura, já se podia dizer que a escala do caso havia crescido tanto que ninguém conseguiria mais direcioná-lo artificialmente.
Por isso, Jang Jin-woo também estaria se esforçando tanto assim.
Nos últimos dias, ele havia passado em casa apenas duas vezes. E, numa delas, entrou de madrugada, enquanto Marvin estava dormindo, descansou um pouco ao seu lado e sumiu em seguida. Ele estava extremamente ocupado e, na verdade, não parecia ter energia para se preocupar com mais nada.
Mesmo assim, ele continuava tentando confirmar que Marvin estava em sua casa. Refeições que não foram pedidas chegavam à porta em todas as refeições, e ele enviava mensagens e ligava periodicamente para saber como estava. E essas saudações sempre começavam com a pergunta sobre como Marvin estava se sentindo.
Uma estranha sensação de déjà vu. Kim Do-jin também fazia a mesma pergunta todos os dias. Como se pressentisse as mudanças que aconteceriam no corpo de Marvin, ele sempre se interessava pelo seu estado.
Se naquela época a sensação era de desconforto, agora era a ansiedade que preenchia sua mente. Até Marvin dizer que estava bem, Jang Jin-woo prendia a respiração a cada momento. Marvin não era tão lerdo a ponto de não perceber isso. Só fingia que não via, porque não queria dar a ele mais um motivo de preocupação.
Marvin se levantou do sofá e observou a casa de Jang Jin-woo. Verificou seu escritório, seu closet, até os pequenos post-its na geladeira da cozinha, mas não encontrou nada de especial.
Por mais que pensasse, a preocupação de Jang Jin-woo parecia vir da mudança em seus fatores genéticos. Ele tinha dito que perguntaria à professora Kim Ju-young sobre a queda nos números e que ainda não tinha recebido resposta. Provavelmente era mentira. Ou ele simplesmente não queria contar, ou não conseguia dizer.
No máximo, não seria virar um beta?
Era mais uma mudança de traço, mas seria algo que ele poderia simplesmente aceitar.
— Ou será que…
De repente, uma ideia passou pela cabeça de Marvin. Ele piscou os olhos, parou ali por um instante e apenas soltou o ar.
Então, como se tivesse feito uma suposição boba, deu uma risadinha e voltou para o quarto. Em comparação com a boca que ria, seus olhos tremiam; piscou várias vezes para corrigir o olhar.
Estava com sono de novo. A marcação já tinha terminado, então não podia ser por causa dos feromônios. Apenas se consolou pensando que a casa dele era muito quente e aconchegante.
Comparado aos últimos meses, em que ele teve que se mudar de um lugar para outro e ficar alerta, acordando com qualquer barulho, aqui era o paraíso.
Sempre sentiu isso, mas a casa de Jang Jin-woo parecia uma espécie de fortaleza. Um castelo que não seria facilmente conquistado, uma torre onde, do andar mais alto, o mundo exterior parecia realmente insignificante. Talvez por se sentir protegido ali, Marvin sempre gostava de passear esperando por ele.
No momento em que ia subir na cama, o telefone tocou. Não era o celular que usava para se comunicar com Jang Jin-woo. Olhou para o relógio e conseguiu adivinhar facilmente quem era.
— Sim, alô.
— Olá! Canal “Passeio de Verdade”! Olá, assinantes. Vou começar a transmissão de hoje.
Com a voz inesperada de uma jovem mulher, Marvin, como já estava acostumado, colocou o celular em pé sobre a mesa e sentou-se rapidamente na cadeira.
— Pode começar.
O que aparecia na tela era o Parque Olímpico. A mulher, fingindo ser uma transmissão de mídia independente, transmitia o interior do parque para Marvin.
Ela era uma pessoa contratada pelo aplicativo “Bico de Bairro”. Foi a mesma que, da última vez, no julgamento de Ko Hyung-joon, fez uma gravação para Marvin e foi pega por Jang Jin-woo. Naquele dia, Marvin ficou preocupado e pagou um pouco mais, e ela disse que achava esse tipo de trabalho muito divertido e pediu para entrar em contato se precisasse de algo mais.
Então, ele pediu a ela um trabalho simples: ir ao Parque Olímpico todas as manhãs e filmar as pessoas. Desde que fingisse estar fazendo uma transmissão pessoal e mostrasse as coisas de longe, estava tudo bem. Era por causa do rastreamento do irmão mais novo do pesquisador Yook Sang-woo. Como a probabilidade de não dar em nada era alta, e ele também não podia sair todos os dias, decidiu usar a ajuda de outra pessoa.
— Hoje, não entre tão fundo, não. Pára por aí.
— Sim, tem muita gente passeando com cachorros por aqui. Ai, que fofo.
A “biqueira” parou naturalmente com a instrução de Marvin e se animou ao ver os cachorros.
— Aquele Spitz alemão lá na frente também veio ontem, e hoje está aqui de novo. O pelo é tão fofo.
A haste da câmera dela se virou para um homem de meia-idade segurando a coleira de um cachorro pequeno, na frente da tela. Naquele instante, os olhos de Marvin brilharam.
— É mesmo? Você o viu ontem também? Vamos segui-lo um pouco. Mas não chegue muito perto.
— Sim, então vamos passear também. Vamos andando.
Ela, fazendo entonações animadas que ele não pediu, seguiu o homem de longe. Talvez por estar ao telefone, o homem não percebeu que alguém o seguia.
Mesmo se ele olhasse para trás, não haveria problema. Ninguém suspeitaria, pois a mulher estava levando a sério a atuação como transmissora pessoal.
— Nós temos vindo ao Parque Olímpico todos os dias esta semana! Parece que o Natal está chegando, colocaram uma árvore de Natal. Olhem aqui na entrada, tchan!
— Ele está saindo. Continue seguindo. Pode desligar a câmera. Fale comigo ao telefone enquanto se move naturalmente.
— Então, por hoje, o passeio termina aqui! Até amanhã!
Logo a tela se apagou e a voz da mulher voltou ao normal.
— O quê? Vamos seguir aquele tio? Ele atravessou a rua! Uau, ele anda muito rápido. Espera aí, vou ter que correr um pouco.
Ela parecia bastante animada, sem esconder a empolgação. Marvin ficou aliviado por ter encontrado a pessoa certa, mas não podia colocar um civil em perigo. Lembrou-a novamente para segui-lo moderadamente e, mesmo que perdesse o trajeto, nunca forçar a barra.
Felizmente, porém, o homem não pegou um carro nem foi para longe. Ele entrou num prédio a uma distância que a jovem conseguiria alcançar facilmente. Era um sobrado de três andares, que à primeira vista parecia um edifício comercial abrigando pequenas empresas. Mas não havia nenhuma placa.
— Ou pode ser uma casa geminada particular, sabe? Aquelas onde a família mora junto. Pais no primeiro andar, filhos no segundo e terceiro, coisas assim.
A mulher, que já tinha ligado a câmera novamente, deu sua opinião pelo fone. Marvin observou atentamente o prédio que ela mostrava na tela.
— Vou apertar a campainha? Para ver quem aparece?
— Não. Não precisa fazer isso. Não faça isso de jeito nenhum.
Assustado, Marvin a repreendeu. Era uma mulher corajosa.
— Vamos parar por aqui hoje. Por favor, tire apenas uma foto do prédio e me envie. Pagarei um adicional de 50 mil won.
Marvin enviou a ela um código de cupom de 50 mil won, que podia ser usado como dinheiro no aplicativo. A ideia de usar cupons como dinheiro vivo foi de Woo Hyun-woo. Ele tinha dito que, como o irmão mais velho não podia fazer transferências bancárias, seria melhor comprar muitos desses para emergências. Vendo que estavam sendo úteis, Marvin pensou que, pelo menos na esperteza, devia reconhecer seu mérito.
Seria bom se ele estivesse aqui.
Ele tinha feito um escândalo dizendo que vingaria o garoto, mas ainda não tinha terminado nada. A honra do Corvo estava em frangalhos. Parecia que conseguia ouvir sua voz zombando, perguntando se ele não deveria se aposentar.
Talvez fosse realmente o caso.
Marvin suspirou baixinho. Não tinha envelhecido, então por que estava tão cansado e com sono sem fim? Depois de colocar o celular de lado, Marvin saiu do quarto e foi arrastando os pés até a cozinha. Talvez por estar com pensamentos ruins, até o sono tinha ido embora.
Era estranho demais para ser apenas uma ressaca do cio. Era como se, a partir desse ciclo de calor, a água que se acumulava do outro lado da barragem tivesse se libertado de uma vez, como um tsunami. O corpo se sentia vazio, como se sobrasse pouca coisa na ruína arrastada pela barragem que desabou.
De repente, Marvin cerrou o punho e o estendeu com força em direção ao ar. Como esperado, não tinha a mesma sensação de antes. Seu lema de longa data era que a força física sempre devia ser usada com cuidado, pois podia matar uma pessoa. Será que agora teria que mudar isso? Fez mais um pensamento bobo.
Foi quando ouviu o som da porta do apartamento se abrindo.
Marvin, que estava parado, rapidamente apagou a expressão séria e se virou. Viu Jang Jin-woo acabando de abrir a porta de entrada e entrando em casa. Marvin arregalou os olhos.
— Ah, promotor. Como é que o senhor está aqui a essa hora…
Marvin se aproximou de Jang Jin-woo, que apareceu de repente. A alegria se derramou sobre seu coração, que estava tão perturbado.
Ao verificar que Marvin estava em sua casa em segurança, o canto da boca de Jang Jin-woo se curvou satisfeito.
— Consegui sair um pouco mais cedo no horário do almoço, então vim comer com você. Como está se sentindo?
— O que há para sentir? Não estou nem um pouco…
Jang Jin-woo largou a bolsa e puxou Marvin para beijá-lo. Marvin, que havia ficado duro sem querer por causa do susto, também fechou os olhos e envolveu a cintura de Jang Jin-woo. Os dois, inspirando longa e profundamente, misturaram as línguas, e beijaram os lábios um do outro com barulho, nariz com nariz.
Jang Jin-woo segurou o rosto de Marvin e sussurrou.
— Pedi uma massa do meu jeito. Disseram que era a que saía mais rápido.
— Deve chegar logo. As entregas aqui são rápidas.
— Hum.
Ele concordava, mas suas ações eram outras. Jang Jin-woo não parecia ter muita intenção de se afastar. Como quem saboreia uma sobremesa escondida em casa, ele engoliu os lábios de Marvin em várias investidas.
Enquanto isso, moveram-se aos poucos para dentro da sala. Marvin, recuando empurrado por Jang Jin-woo, caiu sobre o sofá, agarrou seus cabelos e chupou a parede interna do fundo. Marvin também não se importava em comer.
— Vamos ficar assim pelo menos até a comida chegar.
Marvin acenou com a cabeça e puxou Jang Jin-woo para si.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello