Capítulo 195
CAPÍTULO 195
Dizendo que o café da manhã não devia ter caído bem, o chefe de investigações do gabinete do Promotor Choi Woong foi mais uma vez ao banheiro. Ao ouvir a queixa dele de que nada saía direito e que continuava apenas em pingos, a funcionária que digitava à sua frente franziu profundamente a testa.
“Precisava mesmo falar isso em voz alta?”
Duvidando se ele ao menos tinha lavado as mãos, ela lançou um olhar desconfiado na direção do pulso dele. No entanto, as mangas do suéter grosso de tricô que ele vestia por cima da camisa não pareciam ter sido dobradas uma única vez no dia, cobrindo quase até a metade das costas da sua mão.
O investigador Kim Ho-seok deu um leve toque no ombro da funcionária e passou por trás dela, num sinal para que não esquentasse a cabeça.
— Chefe, não foi porque o senhor bebeu demais ontem?
Ele se sentou ao lado da funcionária e começou a bater no teclado do computador.
— Até onde fomos mesmo? Quer dizer que aqueles 10 milhões de won foram creditados na conta? Ah, não, peraí.
Ao conferir os documentos, o investigador Kim Ho-seok percebeu que tinha transcrito algo errado e pressionou a tecla de apagar para deletar algumas linhas.
— Na verdade, foram 120 milhões entregues em dinheiro vivo, mas o presidente da associação alega ter recebido apenas 10 milhões como taxa de associação e só passou o recibo desse valor. Já o Sr. Bae Joong-ki diz que não, que entregou 10 milhões de cada vez, totalizando doze vezes. Caramba, o cara parcelou em 12 vezes sem juros, é?
Eles estavam revisando um caso de fraude financeira encaminhado pelo Departamento Criminal 1. O Promotor Choi Woong, designado para a acusação do caso, achou que o gabinete do promotor responsável enviou materiais incompletos e, desde ontem, vivia entrando e saindo do gabinete do Promotor-Chefe Jang Jin-woo. Diante da sugestão de Jang Jin-woo para rejeitar a denúncia se estivesse tão ruim, Choi teimava em dizer que não era para tanto.
Enquanto os dois investigadores trocavam impressões, o Promotor Choi Woong abriu a porta e colocou a cabeça para dentro. O chefe de investigações olhou para trás e o cumprimentou:
— Ah, Promotor. Estou reescrevendo a ficha da acusação agora.
— Ótimo.
O Promotor Choi assentiu, encorajando o trabalho. Em seguida, perguntou ao investigador Kim Ho-seok, sentado do outro lado:
— E o Chefe? Está lá dentro?
— Sim, está na sala dele.
Ele entrou de mansinho e estava prestes a bater na porta interna do gabinete do Promotor-Chefe quando a porta se abriu de golpe e Jang Jin-woo apareceu. Pegor de surpresa pelo encontro repentino, o Promotor Choi deu um passo para trás sem querer.
— Ah! Não foi almoçar?
O olhar de Jang Jin-woo, transparecendo algum desconforto, voltou-se para ele.
— Eu pedi a comida.
Ao mesmo tempo, entregou os documentos de aprovação para a funcionária. A mulher, que digitava em ritmo acelerado, recolheu rapidamente o maço de papéis.
— Ouvi dizer que o senhor foi para a sala do Chefe Adjunto logo cedo, então pensei que os dois fossem almoçar juntos.
O Promotor Choi apressou-se em se juntar a ele. Nesse meio-tempo, a funcionária examinava o envelope com os recibos grampeados dentro da pasta. Jang Jin-woo observava a verificação dela enquanto respondia ao Promotor Choi:
— Olhando o termo de transferência, não parece ter nada de errado. Há mesmo necessidade de uma investigação adicional? Dá para decidir isso depois dos procedimentos iniciais na data da audiência.
— Ah, aí vai ser tarde demais. Vou marcar uma audiência preliminar primeiro. Do outro lado contrataram cinco advogados, acha que vão confessar mansamente? Dizem que é a Hanul, o escritório que mais pega esses casos de fraude financeira ultimamente. Eles colocam pelo menos três advogados no caso, então para o cliente deve ser ótimo, dá uma sensação de atendimento VIP. Quem se dá mal são os promotores como a gente. Ficar enfrentando 3 contra 1, 5 contra 1 o tempo todo… se vacilar, a gente passa vergonha.
Jang Jin-woo não respondeu à falação contínua do Promotor Choi. Ele apenas olhava em silêncio para a tela do celular. Sua expressão era tão grave que o Promotor Choi o encarou com estranheza. No momento em que ia perguntar se tinha acontecido algo, a funcionária, tendo terminado de checar os recibos, falou primeiro com Jang Jin-woo:
— Promotor, está faltando um.
O olhar de Jang Jin-woo, até então fixo no celular, voltou-se para ela.
— Qual?
— Aquele do mês passado, para a inspeção no local com as vítimas do Ocean World, quando fecharam uma piscina inteira. Eu deixei marcado aqui, mas não está.
— Ah, o dono do estabelecimento disse que só aceitava dinheiro vivo, aí o Promotor transferiu do próprio bolso, não foi? O recibo não entrou?
O investigador Kim Ho-seok, que escutava em silêncio, levantou-se da cadeira e estichou o pescoço. Vendo a funcionária balançar a cabeça negativamente, ele fez uma cara de preocupação. Poxa… foram mais de 500 mil won. Murmurando sozinho, Kim Ho-seok olhou discretamente para Jang Jin-woo. No entanto, o próprio dono do dinheiro nem prestava atenção na conversa, mantendo os olhos cravados no aparelho.
— Promotor.
— Quer que eu ligue para o Ocean World?
— Promotor?
Apesar de todos estarem olhando para ele, Jang Jin-woo apenas encarava o dispositivo em suas mãos, sem dar resposta. Incapaz de assistir àquilo sem fazer nada, o Promotor Choi aproximou-se devagar para tentar ver o que ele olhava na tela. Naquele exato instante, Jang Jin-woo virou-se bruscamente, entrou na sala e voltou trazendo o sobretudo.
— Vou dar uma saída rápida.
— O quê? Agora?
Pego de surpresa pela situação repentina, todos se levantaram às pressas das cadeiras. “E o tonkatsu?”, acrescentou o investigador Kim Ho-seok, mas Jang Jin-woo saiu do gabinete sem responder.
— O que deu no Chefe? Leva bronca do Chefe Adjunto?
— Acho que não foi isso…
Sem entender o motivo, todos se entreolharam estupefatos. Ainda assim, achando que deviam continuar o que estavam fazendo, sentaram-se novamente.
É, bom… ele anda meio estranho ultimamente. Murmurando para si mesmo, o investigador Kim Ho-seok perguntou ao Promotor Choi Woong, que continuava parado olhando para a porta: “O senhor por acaso gosta de tonkatsu?”. Já era exatamente o horário do almoço.
Definitivamente, algo estava errado. Os movimentos de Marvin estavam estranhamente lentos. Ele tinha dito que reduziria seu raio de ação, mas isso não deveria significar passar metade do dia no meio do centro de Seul sem propósito algum. Era um comportamento totalmente incompatível com sua intenção de se esconder.
Ele não tinha lido as mensagens enviadas e nem atendia às ligações. Assim que o mau pressentimento começou a tomar conta, Jang Jin-woo não conseguiu mais focar no trabalho. A ansiedade acelerava a cada segundo, até fazê-lo sair correndo.
Jang Jin-woo pisou mais fundo no acelerador. A localização de Marvin apontava para dentro do Parque Olímpico.
À medida que a distância diminuía, todo tipo de pensamento ruim começava a surgir em sua mente. O pior deles era a cena de encontrar apenas o celular largado sozinho. O cenário em que ele desaparecia, deixando-o só novamente. Sem perceber, puxou o ar com força. Sentiu mais uma vez a sensação sufocante de ter todas as vias respiratórias bloqueadas.
A urgência tomava conta do seu peito, mas o trânsito estava travado. O fluxo começou a diminuir desde a via expressa Olympic e virou um congestionamento pesado na entrada em direção a Jamsil. Tentou ligar repetidamente para Marvin, mas ele não atendia. Suas mãos apertavam o volante com força involuntária. Tentava manter a paciência batendo os dedos no painel, mas era impossível se acalmar.
O trajeto que levaria 25 minutos já durava mais de 40. Parecia haver algum evento no local, pois a circulação de veículos perto do parque parecia duas ou três vezes maior do que o normal. Percebendo que não daria certo ir de carro, ele estacionou nas proximidades e foi a pé.
O ar frio do inverno invadiu o fundo dos seus pulmões. Não teve tempo nem de abotoar o sobretudo. Jang Jin-woo atravessou a rua e correu para dentro do Parque Olímpico pelo portão dos fundos. A localização de Marvin na tela do celular ficava cada vez mais próxima.
O parque estava movimentado. Ele passou por um grupo barulhento de turistas estrangeiros e seguiu em direção aobebedouro. Era com certeza por ali. Procurou minuciosamente pela área dos bancos e pelo gramado. Ainda assim, a figura de Marvin não aparecia.
Enquanto Jang Jin-woo permanecia estático, crianças de um jardim de infância em passeio escolar passaram por ele. Nem o alvoroço das crianças que mal batiam na altura do seu joelho, nem qualquer outro som chegavam aos seus ouvidos.
Seus olhos e ouvidos estavam abertos para uma única pessoa. Ele refez mentalmente o caminho percorrido. O rastreamento terminava ali; com certeza havia algo que deixara passar.
Jang Jin-woo avistou um grande ginkgo subindo alto no lado direito do caminho. Deu a volta lentamente ao redor da árvore. Então, viu um homem sentado, reclinado contra o tronco. Seu peito subia e descia rapidamente, revelando uma respiração descompassada. Não havia dúvidas sobre quem era.
Com passos largos, Jang Jin-woo se aproximou e segurou a mão de Marvin.
— Haah…, haah…
Com os olhos profundamente avermelhados e injetados, a fisionomia de Marvin ao olhá-lo estava extremamente debilitada.
— Eu ia… te ligar…
Reconhecendo Jang Jin-woo imediatamente, Marvin deixou a mão presa amolecer completamente enquanto lutava para puxar o ar. Nem dava para imaginar há quantas horas ele estava ali aguentando sozinho. Ele parecia ter dificuldades até para respirar, com o corpo mole como se estivesse derretendo. Jang Jin-woo se ajoelhou e o puxou para junto de si.
— Eu te encontrei, então está tudo bem.
A testa dele estava em brasa. Chegava a ser um milagre que ainda mantivesse a capacidade cognitiva diante de um cio tão severo. Ele precisava tomar o supressor, mas parecia ter perdido o momento certo, e seu corpo estava completamente em chamas.
Como se tudo aquilo fosse culpa sua, Jang Jin-woo abraçou Marvin com força contra o peito.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello