Capítulo 182
CAPÍTULO 182
— …….
A voz de Kim Marvin, ouvida em uma situação tão inesperada, fez Jang Jin-woo congelar no lugar.
Seus olhos se tencionaram profundamente. Ele fez um sinal com a mão para a mulher que lhe entregara o celular, indicando para que esperasse um momento, e mudou de lugar.
Caminhando em direção ao ponto mais distante da porta de saída, ele ajeitou o aparelho na mão. Nada mais importava. A única coisa que ele realmente queria saber era uma só.
— Você está bem?
Era a pessoa que, diante dos seus olhos, arriscara a própria vida, arremessando-se ao nada antes de desaparecer. Mesmo já tendo a confirmação de que ele estava vivo, queria ouvir sobre a sua segurança da boca do próprio.
— Sim.
Só então Jang Jin-woo soltou o ar que mantinha preso no peito. Com isso, bastava. Do outro lado da linha, Kim Marvin acrescentou uma frase em tom baixo:
— Me desculpe. Não imaginei que entraria em contato com o promotor desta forma.
Não havia como saber se ele lamentava o método de contato ou o fato de não ter conseguido desaparecer por completo. No entanto, nada disso importava. Aquela era uma oportunidade que jamais surgiria duas vezes para Jang Jin-woo.
— Onde você está? Vamos nos encontrar agora mesmo.
Ele ergueu a cabeça e olhou ao redor. A maioria das pessoas já havia deixado o tribunal, e o ambiente estava calmo. Apenas alguns policiais da guarda e funcionários da organização permaneciam no local, conversando entre si.
A mulher encarregada da tarefa de Kim Marvin olhava de relance para Jang Jin-woo com uma expressão inquieta vinda da plateia. Após enviar a ela um olhar pedindo que esperasse só mais um pouco, ele tentou convencer Kim Marvin mais uma vez.
— Eu vou até você. Apenas me diga onde é. Temos muito o que conversar.
— …….
Ele não respondeu de imediato. Cada som da respiração que ele soltava suavemente deixava os nervos de Jang Jin-woo à flor da pele.
— …Não sei. Não me parece uma ideia muito boa.
Jang Jin-woo balançou a cabeça imediatamente e levou a mão à testa. Não, aquilo não serviria. Ele não podia perdê-lo de vista ali novamente.
— Não sei com o que você está preocupado, mas não se importe com seja lá o que for. Vamos nos olhar de frente e conversar. Você pode fazer a minha vontade ao menos uma vez, não pode?
A resposta continuava não vindo. Ficava evidente que ele jamais esperava que um contato acontecesse em um momento como aquele.
Jang Jin-woo imaginou a mente dele hesitante naquele instante. Ele podia estar preocupado que o plano que pretendia executar fosse atrapalhado. Ou talvez estivesse com medo de perder mais alguém ao seu lado novamente.
Se fosse esse o caso, as chances seriam remotas. Mesmo que apresentasse milhares, dezenas de milhares de razões pelas quais deveriam se encontrar, nada superaria o único motivo pelo qual ele queria recusar.
Dizer que só queria ajudar, que não atrapalharia em nada e pedir apenas para conversarem pessoalmente parecia ser inútil. A lógica não tinha valor. Não era mais com esse tipo de coisa que conseguiria convencer Kim Marvin. Sendo assim…
— Eu continuei esperando. O tempo todo, desde aquele dia.
Apelar para os sentimentos era uma das coisas que ele mais detestava fazer, mas, naquele exato segundo, não havia outra saída. Pressionado pelo medo de que Kim Marvin pudesse desligar a chamada a qualquer momento, Jang Jin-woo expôs sem hesitar a verdade nua e crua mantida oculta dentro de si.
— Alguém como eu talvez já tenha se tornado um fantasma deixado para trás no seu passado. Pode ser por isso que você está fazendo de tudo para não aparecer na minha frente… Mas para mim não é assim.
— …….
— Eu não passei um único dia sem esperar por você.
A respiração do outro lado da linha mudou de maneira quase imperceptível.
— Você não me deu explicação alguma. Se você for capaz de compreender, ainda que um pouco, o que se passou no meu peito há 7 meses, quando tive que apenas assistir o Kim Marvin saltar diante dos meus olhos… Reconsidere o que acabou de dizer.
— …….
Silêncio. A quietude prolongada se transformava em ansiedade. Nem mesmo quando aguardava a sentença do julgamento mais difícil de sua vida ele ficara daquele jeito; era impossível prever o que viria.
Mesmo se fosse recusado, não haveria o que fazer. A decisão, no fim das contas, pertencia inteiramente a ele.
Se ele mandasse esperar mais, não haveria escolha senão esperar.
Jang Jin-woo encostou as costas na parede em silêncio. A ligação ainda não fora encerrada. O tribunal antes vazio aos poucos começava a ser ocupado pelos envolvidos no próximo caso. Foi no momento em que sentiu que a probabilidade se tornava cada vez mais remota.
— …Você se lembra do local onde comemos hambúrguer em Seongsu-dong?
Jang Jin-woo endireitou o corpo que estava inclinado. Foi como avistar um ponto de luz na imensidão de um mar escuro.
— É claro que me lembro.
— Por volta das 10 horas da noite, se tivermos sorte, nos vemos lá.
— O que quer dizer com “se tivermos sorte”?
Embora tivesse obtido a resposta almejada, não podia ignorar o detalhe que o incomodou. Como esperado, ouviu-se Kim Marvin suspirar levemente do outro lado da linha.
— Há olhos me vigiando, promotor. Vamos torcer para que hoje não estejam lá.
A testa de Jang Jin-woo se franziu. Torcer para que hoje não estejam lá. Isso significava…
— Quer dizer que você já veio me procurar antes?
Mais uma vez o silêncio se fez presente. Kim Marvin se tornara alguém de poucas palavras.
— …É melhor desligar. Pode devolver o celular para a dona agora?
O motivo da esquiva era óbvio. Ele realmente tinha vindo.
Embora quisesse pressioná-lo com mais detalhes, deixou para lá por pensar que isso poderia surtir o efeito contrário. Por hora, ouvir aquilo já era o bastante. Afinal, significava que ele não fora uma pessoa esquecida. Jang Jin-woo substituiu a emoção por um sorriso discreto.
O celular logo retornou às mãos da verdadeira proprietária. A despedida final foi seca.
Nos vemos em breve.
Desde que nada desse errado no meio do caminho, ou desde que ninguém aparecesse para atrapalhar, seria possível encontrá-lo hoje.
Para que isso acontecesse, o dia precisaria ser preenchido com perfeição. Tinha de fluir sem o menor erro, coincidência ou acidente.
Agora ele retornaria à promotoria como de costume para ler jurisprudências e examinar relatórios de investigação. Quando chegasse a hora, entraria em reuniões, receberia relatórios, discutiria, daria ordens e receberia orientações.
É claro que talvez precisasse prestar um pouco mais de atenção do que o normal. Se não mantivesse a cabeça no lugar, poderia se pegar ao volante a caminho de Seongsu-dong sem nem perceber.
A tal paciência, a partir de certo momento, tornara-se uma qualidade muito distante de si. Obviamente, era algo que se aplicava a uma única pessoa. Porém, o próprio Jang Jin-woo sabia melhor do que ninguém o quão notável era essa mudança por si só.
O motivo da sua obsessão por Kim Marvin era evidente. No entanto, por nunca ter imaginado que algo tão óbvio aconteceria consigo, o tempo gasto vagando sem rumo fora longo.
Quando se encontrassem novamente, queria lhe dizer isso.
Queria confessar que não sabia, mas também era um sujeito comum. E que, por isso mesmo, achava uma sorte sem tamanho. Não se importaria se fosse alvo do deboche ou das piadas dele. Nele próprio, muita coisa já havia mudado.
Incapaz de organizar a cabeça abarrotada de pensamentos pessoais, ele deixou o tribunal rapidamente. Durante toda a tarde, as atitudes atípicas do promotor viraram assunto entre a equipe do gabinete. Ninguém acertou o motivo real, mas houve quem chegasse perto da resposta.
Provavelmente ele iria se encontrar com alguém.
Uma figura importante da política, ou talvez um grupo de empresários de porte equivalente. No entanto, que ele estava prestes a se encontrar com a pessoa que detinha a sua própria linha da vida, isso ninguém foi capaz de prever.
O tempo passou ainda mais devagar do que o esperado.
Algumas horas depois, sentado sozinho em um banco, Jang Jin-woo pensava sobre o ato de “levar um bolo”. Embora não pudesse falar levianamente sobre uma experiência que nunca vivera, o Jang Jin-woo do passado cravava que aquilo traria consigo um sentimento bastante desagradável.
Ele estipulava o tempo máximo de espera por alguém em 30 minutos, considerando que qualquer coisa além disso não faria sentido. Em uma sociedade moderna com redes de comunicação altamente desenvolvidas, o fato de alguém não aparecer sem dar notícias só poderia significar uma imensa hostilidade em relação ao outro ou que sofrera um acidente. Em outras palavras, se passasse dos 30 minutos, devia-se considerar que o compromisso fora quebrado.
Mas, neste exato momento, Jang Jin-woo era obrigado a admitir que todos os critérios que ele próprio estipulara estavam completamente errados. Já passava das 11 horas da noite, e ele continuava em Seongsu-dong esperando por Kim Marvin. E não sentia o menor desconforto com aquele ato.
Jang Jin-woo observava os pedestres enquanto permanecia sentado no banco de ferro onde comeram hambúrgueres juntos. Procurava por um único rosto, mas o dono dele não dava as caras há horas.
Por volta da meia-noite, desligou o próprio celular. Fez isso bloqueando os contatos por medo de que ele pudesse surgir tarde demais apenas para inventar uma desculpa e fugir. Queria fazê-lo vir correndo, nem que fosse por remorso, mas por mais de uma hora ninguém se aproximou dele.
Ao passar da 1 hora da manhã, sua respiração começou a condensar no ar frio. Já não se viam mais pedestres caminhando. As lojas encerravam o expediente uma a uma e deixavam a rua vazia. Apenas o homem que menos combinava com Seongsu-dong guardava o banco vestindo seu terno.
As mãos dentro dos bolsos do sobretudo ficavam cada vez mais geladas, fazendo-o fechar os punhos, mas ele não se levantou do lugar. Não havia o menor ressentimento em relação à pessoa que não vinha. O simples ato de esperar como uma estátua de pedra era entediante, e ele só desejava que houvesse algo para distrair os olhos, mas tudo o que se via eram os faróis de carros passando ao longe. Um copo de café descartável jogado ao vento fazia barulho ao rolar, mas até isso logo desapareceu em algum canto.
Jang Jin-woo respirou o ar frio do inverno e reclinou a cabeça no encosto do banco. A lua brilhava cheia no céu. Se servia de algum consolo, era saber que ele não era o único a dar voltas infinitas em uma órbita.
Se não for hoje, não haverá o que fazer.
Contudo, queria permanecer ali até o sol nascer. Afinal, não achava que a probabilidade de uma em dez mil contida na expressão “se porventura” seria preenchida por meras quatro horas de espera.
E assim, somando mais uma hora e atingindo a marca de cinco horas de espera, às 3 horas da manhã, diante dos olhos de Jang Jin-woo, que admirava a lua, aquele um em dez mil se moveu. O som cadenciado dos sapatos de alguém se aproximando. O aroma cítrico ficando cada vez mais denso.
Ele caminhou até parar bem à frente de Jang Jin-woo. E disse com uma voz extremamente baixa:
— Achei que já tivesse ido embora.
Cessando a sua órbita, Jang Jin-woo ergueu o rosto de frente para encarar Kim Marvin. Como sempre, vestia roupas inteiramente pretas, a franja cobria-lhe a testa, e o olhar tremia tomado pela ansiedade; era a exata imagem de 7 meses atrás.
— Que mentira. Se pensasse assim, não deveria ter vindo.
Jang Jin-woo estendeu os braços. E, envolvendo a cintura de Kim Marvin, que ficara gelada por passar o tempo todo o observando de algum lugar, puxou-o diretamente para um abraço. Com o movimento repentino, os olhos de Kim Marvin se arregalaram. Pelo impacto, ele segurou os ombros de Jang Jin-woo sem perceber. Os dois permaneceram entrelaçados naquela postura.
Como se só agora tivesse voltado à vida, Jang Jin-woo afundou o rosto abaixo do peito de Kim Marvin e soltou um suspiro profundo.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello