Capítulo 172
CAPÍTULO 172
Seria esse o papel do protagonista, aparecendo infalivelmente no momento mais dramático? Marvin deu um riso fraco e ergueu um dos cantos da boca. O rosto de Jang Jin-woo diante de seus olhos parecia estranhamente alheio hoje.
Atrás dele, o céu pesava de forma densa. Nuvens carregadas, impregnadas de vapor de água até o limite, emitiam um som estrondoso como se prestes a descarregar uma enorme tempestade. Em breve choveria.
— Por que o promotor está com essa cara?
Afinal, era ele quem estava à beira do abismo, e não Jang Jin-woo.
O olhar de Jang Jin-woo era gélido. As rugas vincadas entre suas sobrancelhas pareciam mais profundas e sombrias do que nunca.
Com um olhar desolado e desesperado, ele varreu Marvin de cima a baixo. Parecia ter percebido absolutamente tudo: as roupas rasgadas e manchadas de sangue aqui e ali, e até o ferimento na cintura.
Marvin deu um sorriso amargo.
— Estou bem. Não é um ferimento grave.
Marvin se esquivou do toque de Jang Jin-woo e recuou alguns passos. Não era a primeira nem a segunda vez que ele se mostrava ferido, então não havia nada de novo nisso. Na verdade, o que causava estranhamento era vê-lo reagir até aquele ponto.
Não parecia com Jang Jin-woo. Ele era alguém que sempre preferia manter uma intervenção mínima. Mesmo quando estendia a mão em um momento decisivo, agia da mesma forma. Para evitar que o equilíbrio da relação se rompesse, era o tipo de pessoa que descartava emoções pessoais e tomava decisões puramente racionais.
Porém, seu comportamento agora era estranho. Ele exibia uma expressão além do necessário. Observava-o como alguém que testemunhava a provação de um ser humano extremamente infortunado.
Por quê?
Seu estado estava tão miserável assim?
Marvin baixou a cabeça e olhou para si mesmo. Foi quando Jang Jin-woo falou em tom baixo:
— Você chorou?
No mesmo instante, Marvin ergueu o rosto e encarou os olhos dele. Como se o sangue escorresse da ferida, a região de seus olhos estava úmida.
*Haha.*
“Que conversa é essa…”
Marvin forçou um riso involuntário e limpou o rosto rapidamente. As marcas das lágrimas deviam ter borrado. Ou talvez ele estivesse confundindo o suor com lágrimas.
— Não. Isso é só…
— Você parece estar sentindo muita dor.
— …
Mais uma vez, faltaram-lhe palavras. Marvin mordeu a parte interna da bochecha e engoliu de volta a emoção que se elevava do peito.
Se estivesse perguntando sobre a dor física, sim. Ele podia garantir que aquilo não era nada. No entanto, o olhar de Jang Jin-woo não se voltava para as partes esfaqueadas ou cortadas, mas sim para os dois olhos de Marvin. Ele nem olhava para outro lugar, como se soubesse que a ferida fatal fora em outro ponto. Parecia que não era mais possível esconder nada dele.
— Estou bem. É que…
*Huu.*
Marvin virou o rosto e passou a mão seca pela face. Tinha uma vontade imensa de ser consolado, mas a situação não era favorável.
Já era visível a agitação entre os policiais. Eles trocavam mensagens urgentes pelo rádio, olhavam para lá com expressões surpresas e voltavam a conversar com gravidade. Tudo indicava que haviam encontrado o cadáver de Woo Hyeon-woo no subsolo do hotel.
Sendo assim, não havia tempo.
— Promotor, na verdade…
— Não precisa me explicar nada. Não importa o que tenha acontecido.
Percebendo a situação do outro lado, Jang Jin-woo também deu um passo em direção a Marvin. Sua expressão tornou-se profundamente séria.
— Eu me encarregarei de resolver tudo. Não há nada com que se preocupar.
Jang Jin-woo estendeu a mão. Era um convite para irem juntos.
Marvin ficou olhando em silêncio para a ponta daqueles dedos, sem conseguir dizer nada. Vendo Marvin hesitar em aceitar, Jang Jin-woo tentou convencê-lo novamente:
— Resolver as coisas assim aqui não vai mudar nada. Se está difícil, não precisa mais lutar. Fique escondido atrás de mim sem se mexer. Use-me. Você sabe o que isso significa.
— …
As pupilas avermelhadas de Marvin tremeram levemente. Talvez tivesse colocado força demais para esconder as emoções que transbordavam. A garganta comprimida doía.
Fingir indiferença já não funcionava mais. Aquele homem sempre surgia no momento decisivo para tocar em seu ponto mais vulnerável. Se a realidade tivesse sido apenas um pouco mais generosa, ele certamente teria agarrado aquela mão.
Marvin soltou um riso triste e passou a mão pela bochecha mais uma vez. Em algum momento, seu rosto ficara quente e ardente.
— O promotor é a primeira pessoa que me diz algo assim.
“É uma sensação boa.”
Para tentar conter o coração que balançava sem rumo, forçou um sorriso com esforço. Parecia que, se não levasse aquilo como uma brincadeira, desmoronaria imediatamente.
— Vamos isolar a cena! Entreguem o suspeito!
Os policiais gritaram em direção a Jang Jin-woo. Exigiam que parasse de enrolar e o entregasse a eles. Jang Jin-woo franziu as sobrancelhas e olhou de relance para eles. Não havia outro jeito. Ele deu mais um passo em direção a Marvin. Acenou com a cabeça como se pedisse para confiar nele e não neles, tentando segurar o braço de Marvin.
Porém, Marvin gesticulou com a mão e voltou a se distanciar. Diante da recusa de Marvin, a feição de Jang Jin-woo escureceu.
— Nós vamos intervir! Saia daí agora!
A pressão insistente da polícia ressoava. O sorriso que pairava perigosamente no canto dos lábios de Marvin desapareceu. Ele olhou para Jang Jin-woo e disse:
— Tenho um pedido a fazer ao promotor.
Um brilho de ansiedade cruzou o olhar de Jang Jin-woo. Lendo a expressão incomum de Marvin, ele se antecipou:
— Se estiver pensando em fazer alguma besteira, é melhor parar…
— Viu a amostra que eu deixei? Vou entregá-la ao promotor. Não importa como decida usá-la. Espero que o promotor ponha um fim nisso à sua própria maneira.
Eram palavras enigmáticas. Agora, o medo se estampava no rosto de Jang Jin-woo.
— O que isso quer dizer?
Os policiais se aproximavam aos poucos. Os investigadores da Promotoria, que ganhavam tempo tentando contê-los, agora apenas observavam com as mãos na cintura, como se não pudessem fazer mais nada. Percebendo a situação, a voz de Marvin tornou-se um pouco mais apressada:
— Eu tenho algo que preciso fazer. E esse algo não é exatamente legal.
— Espere…
Tentando convencê-lo mais uma vez, Jang Jin-woo hesitou e se calou. Marvin retirava algo de dentro do paletó.
— Provavelmente, a partir deste momento, teremos que fingir que não nos conhecemos.
— …
Marvin apontou a arma na direção do rosto gravemente contorcido de Jang Jin-woo. No mesmo instante, os policiais que se aproximavam se assustaram e assumiram posição de tiro no ato.
— O quê?! Ele tirou uma arma? Pelo flanco! Abram campo de visão!
Do outro lado dos veículos, os investigadores da Promotoria também arregalaram os olhos, desnorteados. Os policiais gritaram imediatamente para Marvin:
— Solte a arma!
— Se não se render, vamos atirar!
O tumulto se espalhou ao redor da via. Os policiais cercaram os dois mantendo distância. Transformado subitamente em refém de Marvin, Jang Jin-woo fechou e abriu os olhos com a fisionomia pesada.
As coisas estavam se enredando perfeitamente do jeito errado. Ele tentou convencer Marvin, que apontava o cano da arma para ele:
— Não faça isso.
— É munição de festim. Não precisa ter medo.
— Acha mesmo que é com isso que estou preocupado agora? Você sabe que não é assim que se resolvem as coisas.
Aviso para soltar a arma e se render ecoou mais duas ou três vezes. Não dariam muito tempo. Marvin recuou um passo com calma.
Atrás de suas costas, as águas geladas do rio Han balançavam. Sabendo perfeitamente que aquilo não era um cenário falso feito por computação gráfica, a expressão de Jang Jin-woo se desfez por completo. Ele balançou a cabeça, tentando impedir Marvin:
— Vamos achar outro jeito. Não vá além disso. Se fizer isso, não haverá mesmo mais volta.
Diante da atitude dele, que tentava convencê-lo com mais gravidade do que nunca, Marvin puxou o ar profundamente.
Sabia que aquelas palavras não eram da boca para fora. Ele não era o tipo de pessoa que enganava a si mesma para escapar de um momento. Provavelmente faria de tudo para ficar ao seu lado.
No entanto, Marvin deu mais um passo para trás. O guarda-corpo frio tocou suas costas.
— O senhor sabe muito bem que já é tarde demais para isso.
Marvin rangeu os dentes com força. Do ponto de vista de quem precisava continuar uma luta com fortes indícios de derrota, a fuga da realidade era uma tentação extremamente doce, mas ele jamais poderia seguir por esse caminho. Havia pessoas demais ali que ele não podia perdoar.
Ele já havia tomado sua decisão e, por isso, puxou o gatilho sem hesitar.
*Bang!*
Junto ao disparo apontado para o alto, as pupilas de Jang Jin-woo se dilataram intensamente. Ele se virou rapidamente para trás e gritou:
— Não atirem! Cessem o fogo!
Mas, infelizmente, a situação já saíra do controle. Disparos ecoavam em sequência do outro lado também. Era uma situação em que nem se sabia o quanto fora disparado, entre munição de festim e munição real.
O rosto pálido de Jang Jin-woo voltou-se novamente para onde Marvin estava. Como esperado, sua figura já havia desaparecido. Teria sido atingido? Teria caído lá embaixo por ter sido baleado? Tomado de fúria e pavor, ele correu até o guarda-corpo e olhou para baixo. Porém, as águas escuras do rio fluíam em silêncio, como se nada estivesse acontecendo.
Os policiais também se aproximaram em bando, com rostos surpresos. Todos eles se dobravam pela cintura a ponto de doer a barriga para olhar abaixo do guarda-corpo.
— O quê? Ele pulou?
— Ficou louco com esse tempo?
No meio daquela agitação inútil, Jang Jin-woo agarrou um dos policiais e esbravejou:
— Chamem a equipe de resgate aquático!
— Como?
— Mandem a equipe de resgate para tirá-lo de lá agora mesmo!
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello