Capítulo 135
CAPÍTULO 135
O que começou como um ou dois copos para acompanhar a comida já ia na segunda garrafa de soju. Embora o álcool bebido com pesar devesse ser evitado, segundo a teoria de Woo Hyeon-woo, os copos por uma celebração eram sempre melhores quanto mais se bebesse. Com o rosto aceso pela alegria, ele colocou o último pedaço de carne sobre a grelha.
— Então, falta apenas fazer o negócio com a mercadoria? Fazemos aqui mesmo?
Dos grossos pedaços de carne cortados ao estilo coreano começaram a brotar sucos.
— Não.
— Oh, então já estamos indo embora?
Woo Hyeon-woo estalou os dedos com a pinça que usava para assar a carne, fazendo um O com os lábios. Marvin, sem responder, apenas sorriu subtilmente e esvaziou seu copo de soju. Ao captar a mensagem, Woo Hyeon-woo também se animou e serviu outro copo rapidamente.
Ao tentar encher os copos novamente, mal conseguiu cobrir a metade antes que as gotas começassem a cair. Ao levantar a garrafa vazia e pedir outra, os olhares se dirigiram a eles. Alguns locais observavam com curiosidade os dois homens que já acumulavam garrafas desde pleno dia.
Talvez sem entender bem, mas pensando que era assim que se comia comida coreana, várias mesas começaram a pedir soju também. O dono, satisfeito, levou aos dois jovens patriotas um ovo cozido no vapor como cortesia da casa.
— Oh, muito obrigado.
— Sim, bom apetite.
Woo Hyeon-woo pegou uma grande porção do fumegante ovo cozido no vapor, misturou-o com arroz em sua tigela e empurrou a panela de barro na direção de Marvin, como se o convidasse a comer o resto.
— Mas hyung… o senhor não vai ter problemas para voltar à Coreia? Afinal, o senhor deixou tudo para trás e fugiu, não é? Agh, que calor!
Justo quando colocava uma grande colherada de arroz com ovo cozido no vapor na boca, queimou a língua e cuspiu a comida surpreso. Bebeu água em goles longos.
— Agh, merda, que quente!
Enquanto Woo Hyeon-woo ofegava com a língua para fora como um cachorro, Marvin limitou-se a esvaziar outro copo de soju.
Tal como ele havia dito, a esta altura o passaporte preparado pela agência secreta já estaria registrado no Ministério da Justiça. Entrar na Coreia com aquilo era um risco.
— Sair daqui não é problema. Não estamos sob jurisdição coreana. A menos que haja um mandado de prisão da Interpol, os outros países não se importam se você tem uma mancha no histórico ou não.
— Oh, sério?
— O problema é quando você chega à Coreia. Assim que colocar o passaporte no controle de imigração do aeroporto de Incheon, o Ministério da Justiça vai detectá-lo e levá-lo direto para a sala secundária.
— Droga, que merda! Então o que a gente faz? Tem jeito?
— Não. Não dá para enganar as máquinas.
Woo Hyeon-woo protestou, frustrado com aquela resposta tão fria. Mas Marvin, calmo, continuava apenas cortando a carne com uma tesoura.
Colocou a maior parte da carne no prato de Woo Hyeon-woo e deixou apenas um par de pedaços para si. Em seguida, olhando para o outro com sua expressão inabalável, acrescentou uma frase:
— Não dá para enganar uma máquina, mas as pessoas, sim.
Marvin esvaziou o copo que ainda estava meio cheio. Depois, encheu também o copo vazio de Woo Hyeon-woo.
— Hyun-woo, você é bom atuando?
Ao perceber que havia algo mais por trás, os olhos de Woo Hyeon-woo começaram a brilhar.
— Atuando? Claro! Eu sou ótimo atuando! Por quê? O que foi? O que é?
Enquanto observava aquela expressão tão cheia de entusiasmo, Marvin tirou o celular do bolso e procurou algo. Em seguida, passou-o para Woo Hyeon-woo.
O que aparecia na tela era a conta de rede social de um diplomata.
— O que achou? Acha que se parece?
Marvin de repente tirou os óculos do bolso do casaco e os colocou. Eram parecidos com os que o diplomata usava na conta de rede social.
Woo Hyeon-woo franziu a testa. Embora à primeira vista pudesse parecer, qualquer pessoa com bom olho não se deixaria enganar. Um dos dois tinha uma aparência anormalmente superior.
— Então daqui a dez dias tem um fórum do Ministério do Meio Ambiente em Viena? Como é um evento em nível de vice-ministro, ele vai acompanhado por um diplomata. Por sorte, esse cara sempre publica fotos com segundas intenções sempre que viaja para o exterior. Olhe a data da passagem, viu? Esse cara com certeza vai para Viena.
— Não, mas hyung… estou te dizendo que eles não se parecem.
Ele não sabia o que Marvin pretendia, mas o pressentimento não era bom.
Sempre notara aquilo: Marvin tinha uma aparência bastante desfavorável para operações encobertas. Embora tentasse disfarçar com roupas simples, qualquer pessoa com bom olho não conseguiria ignorar aquele rosto. Era uma daquelas aparências que obrigavam as pessoas a olhar duas vezes.
— Isso é porque você já me conhece pessoalmente. Não precisa criar um doppelgänger perfeito. Nesse tipo de coisa, basta gerar uma imagem parecida. Nesse sentido… vamos dar um passeio em Viena.
— Vamos roubar o passaporte?
Marvin franziu levemente a testa, como se não pudesse acreditar que ele havia pensado em algo tão simples. Se o passaporte de um funcionário do Ministério das Relações Exteriores desaparecesse, era óbvio que seria relatado imediatamente.
— Não? Então o quê?
Sem ter a menor ideia de que Marvin estava tramando, Woo Hyeon-woo colocou lentamente o pedaço de carne restante na boca e começou a mastigar. Conforme ruminava, seu ritmo voltou a se acelerar. Mesmo tendo pedido uma porção para quatro entre os dois, parecia que não era suficiente; ele até terminou todos os acompanhamentos até o último bocado.
— Enfim, o hyung com certeza já tem tudo planejado. Eu farei o que o senhor mandar, então não se preocupe. Agh, mesmo assim dá um pouquinho de pena ir embora… Talvez eu compre um monte de chocolate suíço para levar. Embora o senhor já tenha uma montanha no quarto, gosta tanto assim de doces?
Diante da pergunta inocente de Woo Hyeon-woo, Marvin esboçou um sorriso seco.
— Sim, por circunstâncias da vida… acabei pegando gosto.
Devia ter evitado isso até o fim.
Bebeu outro gole de soju. Talvez tenha sido o amargor da bebida descendo pela garganta, arranhando-o por dentro, que quase o arrastou para a melancolia.
O álcool é o inimigo.
Era uma emoção que ele decidira nunca mais abrir. O que ele ganhava trazendo-a à tona agora?
— Vamos logo. Chega de lavar louça sozinho.
Não restava nada na mesa. Woo Hyeon-woo lambeu os lábios e comeu até a última gota do tempero dos pepinos em conserva. Quando teria a oportunidade de comer comida coreana decente de novo? Para quem paga, ver alguém desfrutar assim da comida faz com que o gasto não doa.
— Sim, muito obrigado. Até logo.
O dono também pareceu satisfeito, pois foi até a porta se despedir deles. Lá fora estava nevando. Ambos encolheram os pescoços como tartarugas e enfiaram as mãos nos bolsos ao mesmo tempo. Sem dizer uma palavra, dispararam a correr em direção à acomodação.
O frio cortava até os ossos. Woo Hyeon-woo retirou internamente o que dissera sobre sentir pena de ir embora. Ao sentir os flocos de neve caindo sobre sua cabeça, compreendeu que não devia ter esse tipo de emoção. Ele estava realmente agradecido por sua estadia na Suíça terminar com a simples vida de um mês.
25 de fevereiro, espaço aéreo da República da Coreia.
Após o último aviso do comandante, o avião iniciou as manobras de aterrissagem. Marvin largou o jornal que lia.
[A promotoria avalia a carta de uma unidade especial diante de um escândalo sem precedentes]
Na primeira página, o título destacava-se em letras maiúsculas. Bem no centro, uma foto de página inteira do edifício da Promotoria Central de Seul.
A investigação, que começara com um caso de contrabando massivo da chamada “droga de manifestação de curto prazo”, detonara outra bomba: os ensaios clínicos ilegais de uma grande farmacêutica. Enquanto o governo e o partido governista apoiavam a postura negacionista da SN Bio, a oposição intensificou sua ofensiva.
A promotoria, embora afirmasse manter uma postura neutra, insistia que não podia deixar de apresentar acusações, já que certos nomes haviam surgido durante o processo de investigação.
Marvin virou a cabeça com um sorriso irônico. Que espetáculo patético.
De qualquer forma, a linha temporal de Jang Jin-woo parecia estar se desenvolvendo sem um único erro. Por sorte, o foco do caso estava completamente centrado na SN Bio. Não havia sequer uma menção ao Serviço de Inteligência de Segurança.
Eles ainda não sabem, pensou, embora o que realmente o inquietasse fosse saber que ele — Jang Jin-woo — continuava cumprindo sua promessa. Não há razão para ser grato. Aquele homem considerava a incompetência um pecado, então com certeza só estava cumprindo o que dissera por orgulho.
Marvin fechou o jornal com um golpe seco e o enfiou entre as revistas do bolso dianteiro. Nesse momento, uma comissária de bordo aproximou-se com uma expressão penalizada.
— Lamentamos que o senhor não tenha conseguido comer. Quer que eu prepare um sanduíche para viagem, caso sinta fome ao desembarcar?
Por mais estranho que fosse, durante o voo acumulara todo o sono não dormido até então e adormeceu profundamente. Não havia comido, mas sua mente estava mais clara do que nunca.
— Tudo bem, obrigado.
— Como vi que o senhor gostava de chocolates, trarei pelo menos alguns a mais. Espere um momento.
Apesar de ser a hora de preparar a aterrissagem, ela parecia incapaz de ignorar o fato de um passageiro ter pulado a refeição.
Marvin agradeceu quando ela voltou com um punhado de chocolates da classe executiva e voltou a olhar pela janela.
As nuvens haviam se dissipado, revelando o Mar Amarelo que se estendia ondulante ao longe. Superposto a essa paisagem, refletia-se o rosto de Marvin com óculos. Sua expressão havia mudado completamente desde antes de embarcar.
D083A6630. Ele repassou o número do passaporte na cabeça mais uma vez.
Marvin saíra antes, em um voo que decolou 30 minutos antes do de Woo Hyeon-woo. Se ele tivesse feito sua parte direitinho, o dono original daquele número de passaporte estaria sentindo agora mesmo um olhar estranho.
Se ele não tivesse comido muito a bordo, conseguiria aguentar até a aterrissagem. Mas se tivesse comido bem… o resultado seria bastante catastrófico.
Marvin, antecipando o desastre que cairia de forma repentina, ofereceu um pedido de desculpas mental silencioso aos passageiros que estivessem sentados ao lado dessa pessoa.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello