Capítulo 118
— Não seja cínico. O meu ponto era que não tenho intenção alguma de vender você para eles. O cerne do ataque é o dinheiro dos impostos desperdiçado, não um Ômega cuja característica foi alterada à força em campo. Não há necessidade de expor isso. Eu garanto que vou impedir que isso venha à tona.
Os olhos de Marvin, que estavam fixos em um canto da sala, voltaram-se bruscamente para ele. A despeito de sua respiração pesada, Marvin sentiu a tensão em seus nervos relaxar ligeiramente. Jang Jinwoo não era homem de palavras vazias. Especialmente quando se tratava de suas próprias capacidades, ele era implacável.
— … Sem mim, como você pretende provar o caso?
Era uma perda significativa não usar a existência de Marvin — a própria coisa que os culpados tentaram esconder ao explodir um carro.
— Teremos que encontrar um caminho a partir daqui. Não é por isso que você está ao meu lado?
Jang Jinwoo estendeu a mão através da mesa e pegou a garrafa meio vazia. Como para se manter fiel ao propósito do encontro, encheu os copos de ambos até a borda. Marvin hesitou em pegar o seu. Em vez disso, Jang Jinwoo esvaziou o dele primeiro.
— Para constar, se você ouviu sobre a Equipe Especial de Investigação através de Ko Hyungjoon, significa que ele também está no esquema. Essa informação não vazou a ponto de um mero pesquisador simplesmente ouvir por acaso.
— Ele não me pareceu um “mero” pesquisador. Era alguém com acesso ao cerne da questão. Ele afirmava ser uma espécie de cientista louco — não que parecesse realmente insano, no entanto.
Marvin ergueu o copo devagar e voltou à conversa.
— Ele é o único ligado aos mafiosos da Dongyang. Precisamos ficar de olho bem aberto nele. Ele também parecia bem próximo de Hong Gyeong-wook.
— Uma conexão inesperada.
— Sim.
Marvin assentiu e virou seu soju. Ao menos, várias coisas que Ko Hyungjoon dissera revelaram-se verdadeiras. Jang Jinwoo pretendia tornar a operação Maxona pública. Portanto, Marvin tinha que fazer uma escolha.
Teimosia não resolveria nada. Realisticamente, tudo o que o homem pontuara estava correto. Ele já era incapaz de sobreviver por conta própria. Se tivesse que segurar a mão de alguém, o homem à sua frente ainda era aquele com quem mais desejava estar.
O álcool queimou ao deslizar pela sua garganta.
— Tudo bem. Eu me rendo ao uso do caso Maxona como moeda de chantagem. Eu te dei essa informação para esse propósito de qualquer forma. Mas, por favor, não estrague as estruturas do NIS. Eu preciso de um lugar para onde voltar.
Seu objetivo era a reintegração. Não havia sentido em retornar para uma casa que fora completamente demolida.
— Não importa se você se mudar para uma casa recém-construída. Não seria mais confortável se as pessoas de quem você não gosta desaparecessem? Assim que isso se tornar público, não apenas o Diretor, mas até pessoas como o Primeiro Vice-Diretor Choi Hyeongil, que comandou a operação, acharão difícil manter seus cargos.
— O quê?
Marvin, que estava inclinando o copo, ergueu a cabeça bruscamente. Pensou ter ouvido errado, mas a expressão de Jang Jinwoo dizia o contrário. Ele observava Marvin como um predador observando a reação da presa à isca.
— Como… você sabe esse nome?
— Não seria mais estranho se eu não soubesse? Ele é o seu chefe.
A testa de Marvin se franziu profundamente. O que era aquilo agora?
— Ele entrou em contato comigo. Depois que você foi atacado e veio para a minha casa. Ele deve ter percebido imediatamente, já que tinha pessoas seguindo você.
— Por que… você não me contou? Isso foi há eras. Você esteve escondendo isso de mim de propósito…
— Espere. Deixe-me terminar.
Jang Jinwoo acalmou Marvin, que parecia pronto para saltar como uma mola tensionada. Os olhos de Marvin, oscilando de confusão, encaram-no com ressentimento. Ele não conseguia evitar reagir emocionalmente a isso mais do que a qualquer outra coisa.
Ele compartilhava os segredos mais profundos com o Primeiro Vice-Diretor Choi Hyeongil. Foi o Vice-Diretor quem o enviara para Oseong e amarrara suas mãos para que nada pudesse fazer.
Também foi ele quem salvou Marvin e o trouxe até ali e, no papel, ainda era o superior direto de Marvin. Era humilhante que Jang Jinwoo tivesse espiado um relacionamento que envolvia uma vergonha tão pessoal. Descobrir que ele mantivera isso em segredo até agora era um choque ainda maior.
— Eles ofereceram algumas condições a seu respeito, e eu as aceitei. Então, por enquanto, você deve ver nossa relação com eles como cooperativa na superfície. Julguei que isso nos custaria menos do que fazer dele um inimigo, e não mudei de ideia desde então.
Ele expôs os fatos com clareza e até acrescentou seus motivos. Sua atitude — que parecia alertar Marvin para não se incomodar com uma refutação superficial — apenas irritou ainda mais os nervos de Marvin.
— Sim, você é livre para se encontrar com ele. Isso depende inteiramente de você, Promotor. Mas não posso aceitar que você não tenha me contado. Ele não é um qualquer; é um homem do Serviço de Inteligência. Só posso interpretar isso como uma ocultação deliberada.
O Primeiro Vice-Diretor Choi Hyeongil também vinha mantendo uma postura neutra, mas a profundeza da traição que Marvin sentia em relação a ele não se comparava ao que sentia em relação a Jang Jinwoo. Sentia-se tratado não como um parceiro igual, mas apenas como outro assistente substituível. Marvin esvaziou o copo repetidamente. Jang Jinwoo, observando-o, inclinou a cabeça levemente.
— O que você teria feito se eu tivesse te contado?
— Eu teria lidado com isso sozinho, obviamente. Estou dizendo que teria resolvido do meu lado sem você precisar intervir.
Jang Jinwoo não argumentou contra o tom contundente de Marvin. Apenas ficou ali sentado, de boca fechada, encarando-o. Essa pressão silenciosa forçou Marvin a uma autorreflexão involuntária. Eventualmente, Marvin teve que admitir a verdade.
— É claro… não há garantia de que realmente teria sido “resolvido”. Havia uma razão para ele ter me ignorado e contatado você em primeiro lugar.
— Pelo menos você está ciente — disse Jang Jinwoo, com o canto da boca se curvando enquanto enchia novamente o copo de soju vazio de Marvin. Olhando alternadamente entre o líquido ondulante e o rosto do promotor, Marvin perguntou com olhos ressentidos:
— Mesmo assim, isso não faz sentido. Você deveria ter me contado eventualmente.
— E se “eventualmente” for agora mesmo?
Marvin franziu a testa como se tivesse ouvido algo absurdo.
— Você quer dizer assim, de repente? Se eu não tivesse pedido para te ver hoje, duvido que você teria tocado no assunto.
Se ele tivesse qualquer intenção de abrir o jogo, deveria ter feito isso há muito tempo. Eles haviam discutido sobre a Sede múltiplas vezes e, ainda assim, o homem não dera a menor pista. Ele até testara Marvin calmamente perguntando o que a Sede estava dizendo. Jang Jinwoo não negou; confessou a verdade.
— Bom, é verdade que estou trazendo isso à tona de forma um tanto impulsiva agora.
Colocando a garrafa de lado, ele fez um triângulo com as mãos, esfregando o queixo e a ponte do nariz enquanto soltava um longo suspiro. Continuou como se nem ele próprio esperasse dizer aquelas coisas:
— Normalmente… histórias como essa terminam com a outra pessoa ouvindo uma versão truncada de outro lugar, levando a camadas de mal-entendidos e, eventualmente, a uma catástrofe. Eu não sou o tipo de pessoa que costuma se importar com isso, então apenas lidei com a situação do jeito que sempre faço, mas…
Ele entrelaçou os dedos e os apoiou sobre a mesa.
— Vendo sua reação às notícias sobre a Equipe Especial de Investigação agora há pouco, percebi que não queria isso.
O olhar de Marvin, fixo nele, vacilou como uma marola na água. Aquelas palavras soaram quase como uma confissão de que ele não queria que o relacionamento deles desmoronasse. Marvin o testou, com a voz ainda carregada de suspeita:
— Então você está confessando agora para me dar um golpe preventivo, é isso?
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello