Capítulo 109
A marca de “lido” apareceu imediatamente, mas a resposta não veio de pronto. A indicação de que ela estava digitando apareceu e desapareceu várias vezes, como se estivesse escrevendo e apagando repetidamente. Enquanto esperava por isso, Jang Jin-woo saiu do quarto.
Ele já tinha se trocado, tirando o terno amassado, e finalizado os preparativos para descer de volta a Oseong. Mesmo já passando das 21h, ele não parecia ter qualquer intenção de descansar.
— Voltarei no fim de semana. Fique aqui até lá. De qualquer forma, não há nada para o Sr. Kim Marvin se expor no momento.
Marvin assentiu, concordando com as palavras dele.
— Você se encontrou com o Diretor Executivo Heo?
— Sim. Por enquanto, como os ferimentos externos são graves, eles parecem ter julgado que, mesmo que uma sentença seja proferida, há uma alta probabilidade de conseguir liberdade sob suspensão da execução da pena. Então ele está cooperativo, mas ainda não podemos relaxar. Ah, você se lembra do cara loiro que encontramos naquele restaurante de sashimi? O sujeito que grava vídeos com os influenciadores que usavam drogas da Dongyang.
— Sim.
Ele era a pessoa que assumia o papel de Alpha nos vídeos que o Diretor Executivo Heo estava distribuindo para a promoção de drogas de manifestação de curto prazo.
— Eu só o vi de passagem, então não me lembro bem do rosto dele, mas se vídeos sexuais com aquele sujeito ainda estiverem circulando pela internet, você poderia coletar alguns e me enviar?
— Você vai intimá-los juntos?
— Estou apenas me preparando com antecedência. Coisas provocativas precisam continuar sendo reveladas para que a opinião pública não esfrie facilmente.
De fato, era perfeito para criar manchetes de jornal. Parecia que o que aqueles que gravaram aqueles vídeos tanto desejavam estava prestes a acontecer. Um pico de visualizações. Claro, o fim disso levaria à suspensão da geração de receita devido ao conteúdo ilegal.
— Eu disse à administração do prédio para não limpar aqui por enquanto. Fique à vontade. Ligue se precisar de algo. Bom, até mais.
Jang Jin-woo olhou para o relógio como se estivesse atrasado e caminhou em direção à porta da frente. Marvin de repente sentiu uma necessidade urgente. Ele ainda não se despedira dele adequadamente.
— Promotor.
Marvin chamou Jang Jin-woo abruptamente. Ele se virou lentamente e esperou pelas palavras seguintes.
— Obrigado.
Ele queria ter dito essas palavras desde que acordara, mas tinha perdido a oportunidade. A expressão dele enquanto olhava silenciosamente para Marvin perguntava: “Pelo quê?”
— Por hoje. Apenas… por muitas coisas.
Mesmo que fosse um assunto em que a vida de Marvin estivesse em jogo, para o público externo era meramente um acontecimento que ninguém reconheceria. No fim das contas, Marvin sabia melhor do que ninguém que o próprio Jang Jin-woo tinha que compensar o tempo gasto hoje.
Diante da atitude educada de Marvin, ele se virou e caminhou em sua direção com passos firmes. Então, sobrepôs seus lábios aos de Marvin, que ainda carregavam o aroma do café. Uma sensação de formigamento fluiu por sua espinha enquanto um beijo breve e leve se seguia. Ele não tinha dito aquilo esperando por algo assim, mas, por outro lado, era exatamente o que Marvin queria agora.
— Recebi bem os seus agradecimentos. Levarei o resto no sábado.
Ele sussurrou após afastar os lábios. Marvin quase segurou a mão do homem que lhe deu as costas novamente sem nenhum remorso prolongado. Apenas depois que a porta da frente se fechou e trancou automaticamente é que ele pôde soltar um suspiro cheio de um apego remanescente. Marvin passou a língua pelos lábios e murmurou para si mesmo.
Estritamente falando, não é um relacionamento onde apenas fazemos sexo.
Um relacionamento em que ocasionalmente compartilham um beijo que não leva à cama. Ele se perguntava o que diabos era esse relacionamento. Marvin bebeu seu café morno e acalmou lentamente seu coração, que Jang Jin-woo tinha agitado intensamente antes de partir. Esse processo levou mais tempo do que antes.
Seul, vista do alto da fortaleza de Jang Jin-woo, fluia como uma TV com o som desativado. Várias vezes ao dia, Marvin se sentava na sala de estar e observava o mundo.
Em dezembro, à medida que a cidade entrava no limiar de uma onda de frio, um vento cortante soprava. Todos os seres vivos tinham se escondido. As únicas coisas que se moviam atarefadas nas ruas eram as máquinas que os carregavam e as decorações de Natal balançando ao vento.
E depois de quatro dias, Marvin se rejuntou ao mundo. Como tinha descartado sua bolsa enquanto era perseguido, não tinha roupas sobressalentes, então vestiu algumas de Jang Jin-woo sem pensar muito. Para se misturar a uma multidão o máximo possível, pegou o metrô e alcançou seu destino após várias baldeações sem sentido. Em meio à multidão agitada sem espaço para dar um passo e ao clamor barulhento dos brinquedos do parque de diversões, olhos de vigilância e rastreamento eram impossíveis. Após confirmar que não havia olhares o perseguindo, Marvin localizou sua parceira de encontro sem muita dificuldade.
— Ah, você chegou?
Ao lado de Kim Ji-a, cujas atitudes transpareciam um constrangimento evidente, seu filho brincava com um brinquedo que parecia ter sido adquirido recentemente. Um saco de hambúrguer vazio estava visível sobre a mesa.
— Quer comer alguma coisa?
— Não.
Marvin puxou uma cadeira e se sentou em frente a eles. Essa era praticamente a primeira vez que conversavam pessoalmente cara a cara assim. Mesmo durante o tempo em que estiveram no Centro, os dois nunca tinham compartilhado uma conversa longa.
— Você deve ter ficado surpreso com o pedido repentino para nos encontrarmos.
— Um pouco.
— Está ocupado?
— Estou bem.
Apesar dos esforços dela para conduzir a atmosfera de alguma forma, as respostas de Marvin eram curtas. Era porque o conteúdo da mensagem que ela enviara pesava em sua mente.
— Por que você está dizendo que vai parar o tratamento?
Ele foi direto ao ponto principal, como se conduzisse um interrogatório. Pretendia ficar com raiva se ela não fornecesse uma resposta adequada. Como se provocasse Marvin por seu clima pesado, ela deu uma risada curta. Estava usando um chapéu de lã grosso, talvez porque seu cabelo tivesse caído devido ao tratamento.
— Por que você está fazendo essa cara tão séria? Não é que eu vá parar totalmente. Mudei de hospital. Hospitais universitários de qualquer forma eram um peso porque os custos eram muito altos.
Marvin franziu a testa, momentaneamente sem entender. Até onde ele sabia, não havia hospitais secundários para os quais ela pudesse se mudar.
— Na verdade, eu entrei nisto aqui.
Kim Ji-a tirou um documento de sua bolsa e o entregou a Marvin. Era um guia de admissão para o Centro Nacional do Câncer. Detalhava precauções para internação, informações sobre instalações, cláusulas de confidencialidade de acordo com o contrato e os processos de tratamento fornecidos. Na última página, o nome de Kim Ji-a e seu número de registro de residente já estavam impressos, e os outros espaços em branco estavam preenchidos com sua caligrafia bonita.
— É incrivelmente difícil entrar aqui. Todo mundo quer ir. Como é apoiado pelo Estado, você só precisa pagar as despesas básicas de subsistência. A medicação é gratuita e não há taxa de quarto. Você pode até sair nos fins de semana. Então, você pode parar de enviar dinheiro agora.
Marvin tirou os olhos do documento e olhou para ela. No fim, esse era o ponto. Ela não queria mais ficar devendo.
— Eu nunca mandei dinheiro.
— Você comprou minhas pinturas. Todo esse tempo.
— Aquilo foi pagar o preço pelas pinturas; eu nunca simplesmente mandei dinheiro.
Kim Ji-a curvou um lado do lábio como se quisesse dizer “vamos parar por aqui” e recuou primeiro. Talvez por causa da reação sensível de Marvin, não acrescentou mais palavras.
Marvin não conseguia confiar totalmente em sua situação repentinamente revertida. Vendo o Ministério da Saúde e Bem-Estar Social listado como uma agência cooperativa, não parecia um golpe, mas o nome da organização que gerenciava a instalação era desconhecido. Centro Nacional do Câncer. O fato de nem mesmo um único substantivo próprio estar incluído no nome parecia suspeito.
Ela acariciou a cabeça do filho, que desenhava sozinho ao seu lado, e trouxe um tópico diferente à tona.
— A pessoa responsável pela minha galeria me contou. Disseram que tenho um fã enorme. Perguntaram se eu já tinha me encontrado com a pessoa que sozinha gerou 230 milhões de won em vendas. Eu não sabia. Não percebi que tinha acumulado tanto. Eu sempre estava ocupada demais gastando o dinheiro assim que ele entrava. Mas você ganha muito?
Ela fez uma piada, não querendo que a atmosfera ficasse séria demais.
— Digamos que sim. Isso não é o importante.
Marvin desconversou. A situação atual, em que não podia dar uma resposta de verdade, parecia irônica.
— De qualquer forma, você não precisa mais se forçar a comprar pinturas que nem gosta. Obrigada por tudo. Pedi para nos encontrarmos para lhe dizer isso. Uma pessoa deve ter consciência; afinal, coisas assim devem ser ditas cara a cara.
— A Madre sabe disso?
— Sim. Quem pesquisou isso para mim foi a Madre Superiora. Ela até escreveu uma carta de recomendação. Ficou muito feliz com isso.
Se fosse esse o caso, significava que não era um lugar estranho…
Marvin puxou sua cadeira para trás e leu o documento mais uma vez. O centro ficava localizado na província de Gangwon. Não só era longe de Seul, mas também significava que ficava muito mais distante de Oseong. Marvin tirou uma foto do endereço e das informações de contato com seu telefone antes de devolver o documento.
Ele ficou curioso sobre o que aconteceria com a criança.
— Podemos ir juntos. Há uma instituição próxima para crianças. Parece que o governo local apoia isso. Como você também pode receber novas drogas, se tiver sorte, algumas pessoas saem de lá completamente curadas.
Ela parecia mais radiante do que nunca. Ele só a tinha encontrado algumas vezes desde que se tornaram adultos e, como suas memórias eram em sua maioria de seu rosto pálido e moribundo, era a primeira vez que via tal expressão. Por outro lado, sentiu alívio por poder encará-la em um estado tão saudável.
— Na verdade, eu tinha interesse em você quando éramos crianças. Não, bem, não havia uma única garota no dormitório do nosso Centro que não gostasse de Kim Marvin, então não era nada demais. Mas, mesmo assim, eu tinha um motivo separado. A Madre disse que você e eu temos o mesmo aniversário. Fiquei louca dando sentido a isso, me perguntando se aquilo não era uma grande reviravolta do destino…
Ela riu para si mesma enquanto guardava cuidadosamente o documento devolvido na bolsa.
— Mais tarde, depois de descobrir o motivo pelo qual nossos aniversários eram os mesmos, agi de forma um pouco patética por conta própria. Subi para o terraço sozinha, bebi e chorei, pensando que um amor proibido tinha chegado para mim… Engraçado, né?
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello