𓇼 Capítulo 4.2 𓇼
𓇼 Capítulo 4.2 𓇼
— 𓇼 —
Os prometidos 32 minutos já tinham passado. Mesmo no meio de uma conversa profunda, Seowoon ficava olhando de relance para a entrada. Notando isso, seus amigos zombaram dele.
— Ei, foco. Você está morrendo de vontade de vê-lo, né?
— Não é isso.
— Cara. Você viajou totalmente.
— Não, é só estranho. Ele já devia estar aqui a essa altura…
— As ruas provavelmente estão congestionadas. É sexta-feira.
Hoje era sexta-feira e, para piorar as coisas, o ponto de encontro deles era em Gangnam, um lugar fervilhando de gente e carros. Não era que ele não soubesse disso, mas ele não conseguia deixar de se preocupar, considerando quem estava esperando. Ainda assim, o pensamento de ligar para ele não lhe passou pela cabeça. Ele podia estar dirigindo.
Claro, aquilo era só desculpa. A verdade é que eles não eram próximos o suficiente para fazer uma ligação casual. Iam se casar dali a poucas semanas, mas ainda existia uma coisa como distância emocional entre as pessoas. Era também a coisa que os dois mais careciam.
— Seowoon, você tem uma liga—
— Alô!
O Jeong Seowoon é de outro nível. Ele deve estar caidinho. Seus colegas cochichavam abertamente. Eu consigo ouvir vocês, sabiam? Seowoon, embora envergonhado, se concentrou na ligação. — Seowoon-ssi — uma voz grave e educada chamou seu nome. Felizmente, parecia que nada estava errado. Só que ele soava um pouco ofegante.
O trânsito estava pesado, então cheguei nove minutos atrasado. Peço desculpas. Estou ligando agora porque estava dirigindo.
— Ah, você ficou preso no trânsito. Tudo bem. Provavelmente é porque é sexta-feira.
Isso mesmo. Sexta é um bom dia para trabalhar até tarde. Parece que não sou o único que pensa assim. Estacionei e estou subindo agora.
O quê? Existe uma coisa como um bom dia para isso? Ele disse que trabalhava na filial dos EUA, então por que tinha mais uma mentalidade coreana do que ninguém? Havia muitas coisas que ele queria perguntar, mas não se deu ao trabalho. Beleza, tanto faz. É o que é. Ele só deixou para lá. Yijin era diferente demais dele para ser compreendido através da sua própria perspectiva estreita. Com pessoas assim, você só tinha que aceitá-las. Então é esse o tipo de pessoa que ele é. Pessoas assim também existem, ele pensou.
— Quando você sair do elevador, a gente está bem à esquerda. A gente é muita gente, então estamos na mesa lá no fundo—
Antes que pudesse terminar, a porta de entrada se abriu. Um homem alto e bem constituído de terno entrou, sua altura óbvia mesmo à distância. Seu peito largo subia e descia, como se ele tivesse subido a escada correndo. O homem caminhou direto em direção a Seowoon, com os olhos fixos nele. Toda vez que respirava fundo, o peito de sua camisa se retesava. Antes que percebesse, os olhares de seus colegas também estavam fixos no mesmo ponto.
O homem avançou a passos largos em direção ao grupo de Seowoon e afrouxou a gravata, como que se sentindo sufocado. — Uau… — alguém ao lado dele soltou um pequeno suspiro. Seowoon encarava Yijin perplexo. Yijin primeiro se desculpou com Seowoon.
— Me desculpe por estar atrasado.
Não. Obrigado. Muito obrigado. Seowoon quase disse isso sem pensar. A alta do álcool que ele achava que tinha sumido devia ainda estar persistindo. Caindo em si, Seowoon apresentou Yijin aos colegas. Yijin abaixou a cabeça mais uma vez em cumprimento.
— Boa noite. Sou Ahn Yijin. Obrigado por esperarem.
— Ah, uau… Imagina. Não há de quê!
— Prazer, Jinny-ssi!
— Prazer!
Palmas, palmas, palmas! De repente, seus colegas começaram a aplaudir. Ah, essa eu conheço. Vi essa na reunião de família também. Sem saber por quê, Seowoon se viu recebendo uma salva de palmas ao lado de Yijin. Yijin, que ele esperava que fosse a pessoa mais desconfortável naquela situação, estava recebendo as boas-vindas com bastante naturalidade. Ele era feito um herdeiro de chaebol numa coletiva de imprensa.
Quando Yijin ergueu a mão, seus colegas pararam de aplaudir sem perceber. Seowoon achou a situação completamente absurda. Que isso? Que medo… Tendo silenciado a plateia com habilidade, Yijin prosseguiu para a próxima etapa.
— Então, vou começar com uma breve apresentação de mim mesmo.
Essa eu conheço também. Acho que ele fez exatamente a mesma coisa na reunião de família. Se deixado à solta, ele parecia prestes a recitar tudo, desde seu Fenótipo até os Fenótipos dos membros da família, junto com todo o seu histórico educacional e profissional. Feito um intruso barulhento invadindo uma coletiva de imprensa, Seowoon apressadamente cortou a apresentação de Yijin.
— Eu já fiz tudo isso, então só se senta. Você pode fazer isso sentado.
— Você fez? Obrigado pela sua consideração.
— Uau, eles usam fala formal um com o outro.
— Primeiro, tome um drink! Ei, abram espaço.
— Que foi aquilo? Por um segundo, achei que estava olhando pro vice-presidente da nossa empresa…
— Eu estava pensando em diretor sênior…
Era um caos completo. Ele não teria se sentido assim nem se tivesse deixado uma criança à beira da água. Pelo menos você conseguia içar uma criança nos ombros. Seowoon lutava sozinho no pandemônio. Ele conseguiu sentar Yijin e então afastou os colegas que tentavam empurrar uma taça de álcool para ele, dizendo que Yijin não podia beber porque tinha dirigido.
— Você está mesmo cuidando dele.
— Vocês dois combinam!
— Vocês são um ótimo par!
Seus malucos desgraçados, parem com isso. Parem logo! Seowoon se sentiu injustiçado pela situação. A Fada ao seu lado, que deveria produzir um output para cada input, parecia pensar diferente.
— Obrigado.
Seus modos eram impecáveis. Seus colegas, um por um, também abaixaram a cabeça. Mesmo com uma boa alta, seus instintos de etiqueta de trabalho entraram em ação. Por algum motivo, Seowoon se sentiu um pouco triste. Todo mundo está passando por dificuldade. Não sou o único me esforçando para ganhar a vida.
— Jinny-ssi!
Guh. Seowoon, que vinha bebendo água gelada, se engasgou. O dia da reunião de família passou diante de seus olhos feito um déjà vu. Será que ele ouviu? Não tem como ele ter ouvido, né? Seowoon sinceramente torceu para que Yijin não tivesse ouvido.
— Soube que Jinny-ssi é um ano mais novo que a gente.
— Uhh, um homem mais novo!
Estou enlouquecendo. Por que esses lunáticos estão tão animados! Os olhos de Seowoon dispararam por ali enquanto ele nervosamente olhava de relance para Yijin. Felizmente, ele não parecia descontente.
— Isso mesmo. Sou um ano mais novo que Seowoon-ssi. Você tem a mesma idade que Seowoon-ssi?
— Isso. A gente era colega de faculdade. Isso deve ser destino, então vamos falar à vontade um com o outro. No mundo real, uma diferença de um ano de idade faz de vocês amigos!
— O quê?!
— Você me assustou! Por quê?
Quando se parava para pensar, não era uma cena estranha. Movido pelo álcool, tentar ficar de boa com o cônjuge de um amigo era uma ocorrência comum. Isso era verdade, mas ainda assim, parecia meio fora do lugar. Seowoon nem sabia o que ele mesmo estava pensando.
— Sim. Por favor.
— O que você disse?
Caramba… A reação alta de Seowoon só assustou seus colegas inocentes. Sou eu quem está mais surpreso! Seowoon ficou ainda mais chocado por Yijin ter concordado tão prontamente. A única pessoa imperturbada por tudo aquilo era Yijin. Que raios ele está pensando? Ele quer mesmo ficar próximo dos meus amigos? Espantosamente, esse pensamento de fato lhe passou pela cabeça.
— Mas por que você ainda não largou as formalidades com Jinny-ssi?
— Jinny-ssi por acaso não tem um apelido carinhoso para Seowoon?
Uma saraivada de perguntas de alto nível que ele nunca tinha vivenciado antes desabou sobre ele. Fica atento. Um deslize e acabou. Seowoon encarou a quest sombriamente.
— Não larguei porque seria falta de educação. Não há apelido carinhoso. É necessário um?
Seu tempo de resposta era desnecessariamente rápido. A única salvação era que todos, exceto Seowoon e Yijin, estavam moderadamente bêbados. Antes que seus colegas pudessem sentir o clima estranho, Seowoon rapidamente se meteu para complementar.
— Ha, haha. A gente vai fazer um em algum momento. A gente tem bastante tempo.
— Entendo. Vou levar isso em conta.
— O que tem para levar em conta… Pessoal, por favor, sejam gentis. Como vocês podem ver, a gente ainda está no nosso estágio muito, muito fresco e novo.
— O que significa “fresco e novo”?
— Eu respondo todas as suas perguntas de uma vez quando a gente estiver a sós.
Seowoon sussurrou só alto o suficiente para Yijin ao seu lado ouvir. Era uma habilidade beirando o ventriloquismo. — Sim, eu entendo. — Yijin baixou a voz por sua vez. Será que ele sequer sabe por que está fazendo isso? Provavelmente não. Como sempre, Yijin era um enigma. Seus modos, suas habilidades sociais, sua perspicácia — era tudo peculiar. Curiosamente, não era que ele não tivesse nenhuma dessas coisas. A essa altura, quase parecia justo.
— Mas como Jinny-ssi virou Jinny?
— Não é por causa do nome dele? Vi que o nome dele termina com Jin.
— Ah, o quê? É só isso?
Sim. É só isso, então vocês poderiam por favor parar com essa história toda de Jinny? Seowoon queria dar um tapa em si mesmo de uma hora atrás.
— Isso mesmo. É do último caractere do meu nome. Meu pai gosta de dar nomes assim. Mas isto é fascinante.
— Hã, o seu pai?
— O que é fascinante?
— Como vocês todos sabiam um nome que só os membros da minha família usam?
— Aqui!
Seowoon ergueu a mão de supetão. Os olhares que estavam focados em Yijin foram, por menor que fosse, desviados. Seowoon gritou animadamente.
— Podem trazer um cardápio, por favor!
— Uhh, Jeong Seowoon. Você não está exagerando?
— Não posso deixar o álcool acabar. Ha, haha…
Foi um momento de crise que só Seowoon percebeu. Entregando o cardápio aos colegas, Seowoon desviou completamente a atenção deles. Pensando bem, será que ele jantou? Seowoon olhou para Yijin tardiamente. Seus olhos se encontraram. Seowoon de repente achou a situação insuportavelmente constrangedora.
Foi Yijin quem falou primeiro. Era impressão sua, ou ele tinha uma expressão de admiração no rosto?
— Eles são exatamente como eu esperaria dos amigos de Seowoon-ssi.
— O quê?
— Eles sabem de tudo. É surpreendente que eles saibam até das histórias privadas da nossa família.
Será que ele está falando sério? Ele ponderou por um momento, mas não havia realmente nada para ponderar. Aquele Alfa não fazia piadas. Ele mesmo tinha dito isso, e realmente nunca dizia coisas que não sentia. Antes que aquilo levasse a um mal-entendido maior, Seowoon se apressou a explicar.
— Na verdade, fui eu que contei a eles. Eles perguntaram qual era o seu apelido carinhoso, e Jinny… me veio à cabeça. Me desculpe por ter falado sem pedir.
— Está tudo bem. Não há necessidade de se desculpar. É um fato. Eu entendo que transmitir fatos é uma questão importante.
— …Não é isso, sério, mas… é, bom… Você jantou?
— Sim. Jantei.
— Ah, tá. Que bom pra você.
— ……
— O que foi?
Yijin de repente ficou em silêncio. A área estava barulhenta com gente fazendo pedidos adicionais, mas Yijin estava sozinho, olhando quietamente para Seowoon. Yijin era fundamentalmente uma pessoa que dava um output claro para cada input. Era a primeira vez que uma conversa era cortada assim, e a primeira vez que ele encarava Seowoon unilateralmente no meio de uma conversa. Claro, tudo isso era baseado nos quatro encontros deles, incluindo hoje.
— Seowoon. Vinho está bom?
— É, sim. Está bom. Vocês já escolheram?
— A gente escolheu faz um tempo.
Seus colegas olharam de relance para Yijin. — Vocês dois combinam mesmo. — “Isso não é brincadeira.” “Todos os casais de Alfa e Ômega são assim?” Como se os dois estivessem perdidos em seu próprio mundo, cada um ofereceu comentários calorosos.
Será que está tudo bem eles beberem mais? Desprovido de qualquer emoção particular, Seowoon teve um pensamento bem prático, enquanto Yijin dava um aceno de reconhecimento, dizendo obrigado. Em resposta, alguns de seus colegas reflexivamente abaixaram a cabeça também. Era, mais uma vez, uma cena realmente agridoce. Seowoon rapidamente esqueceu os elogios dos colegas.
— Uau, quantas garrafas são essas? Vamos todos rachar a conta. A comida estava deliciosa.
— Obrigado pela sua consideração—
— Eu vou pagar, então por favor não se preocupem com isso. Vou deixar meu cartão aqui. Eu agradeceria se Seowoon-ssi pudesse guardar o cartão até a gente se encontrar de novo.
Caramba, que descolado! Você é tão descolado, Fada! Não é à toa que te chamam de Jinny! O gênio da lâmpada, Ahn-Jinny! A reação foi explosiva. A essa altura, Seowoon se perguntou se ele estava fazendo de propósito. A vergonha era toda sua para carregar. O rosto corado de constrangimento, Seowoon interveio com calma. Ele não tivera um momento para ficar bêbado.
— Não sei o que foi dito no Pagamento-de-Mães, mas você não precisa fazer isso. São meus amigos e fui eu quem comeu, então eu pago. Você nem tomou um copo de água desde que chegou, Yijin-ssi.
— Se eu beber água, então é aceitável eu pagar?
— Claro! Não, não é isso. Só de vir a este encontro difícil já basta. Obrigado.
— Imagina. Se eu soubesse que tanta gente estava esperando, teria vindo mais cedo. Peço desculpas mais uma vez.
— Eu disse que está tudo bem.
— Seowoon-ssi.
— O que foi.
— Então, você também comeu, Seowoon-ssi?
— Claro. Comi de tudo.
— Muito bem.
— …O que foi muito bem?
— Que você comeu de tudo. Muito bem.
…Então por que isso é um “muito bem”? Diferente do Seowoon confuso, Yijin parecia extremamente orgulhoso.
— Beleza! Jinny-ssi tem que tomar um drink também!
— Eu já disse, ele dirigiu. Ele veio do trabalho e tem que voltar.
— Ah, é mesmo? Ele deve estar super ocupado.
— Então que tal só molhar os lábios? Só um gole!
— Faz sentido. Eu disse que ele tem que dirigir, não disse?
— Não é uma proposta inteiramente impossível.
O quê? O que você disse? Um Seowoon sobressaltado se virou para olhar Yijin. Parecia que ele ainda não conhecia Yijin muito bem. Pensar que Yijin, que ele considerara um manual de instruções vivo e ambulante, diria uma coisa dessas. — Beleza, então pega uma taça primeiro! — um de seus colegas proativamente entregou a Yijin uma taça nova. Yijin aceitou a taça de vinho sem uma palavra, depois imediatamente a pousou e perguntou com calma.
— Posso ter as informações do vinho?
— Este? Como era o nome? Não fui eu que pedi… Ei, que tipo de vinho era este mesmo?
— O nome não é importante. O que importa é o teor alcoólico. O limite legal para dirigir embriagado é uma concentração de álcool no sangue de 0,03%, então, para um cálculo preciso, vou primeiro confirmar o teor alcoólico do vinho que vocês pediram.
Enquanto perguntava, Yijin parecia meio resoluto. Por razões desconhecidas, um ar de determinação sombria irradiava de todo o seu corpo. Claro. Ele tinha que aprontar alguma, mais cedo ou mais tarde. Em vez de se perguntar sobre as ações de Yijin, Seowoon entorpecidamente aceitou aquela realidade. Era o melhor. O que tem que ser, será. Sua mente, curiosamente, ficou calma. Seowoon finalmente encontrou sua paz interior. Isso aconteceu onze minutos antes de Yijin ir embora.
— Você pode fornecer as informações com base em 1 decilitro de sangue.
O que foi que eu acabei de ouvir? As pupilas trêmulas de seus colegas todas diziam o mesmo. Eu sei, eu sei. Conheço essa sensação bem demais. Era hora de invocar a Fada de volta para dentro da lâmpada. Seowoon lidou com a situação com maestria.
— Só não bebe.
— Primeiro, vou confirmar o teor alcoólico—
— Ai, não, não! Você não pode beber e dirigir!
— Claro que não! Isso seria um problemão!
— Aqui, me dá a taça. Jinny-ssi, brinda só com água.
— Se você pudesse só confirmar o teor alcoólico…
— Nossa, a taça pode quebrar. Me dá a taça. Isso, bom menino, isso, muito bem.
Um colega com um filho de dois anos cuidou da situação. Tudo isso aconteceu durante o quarto encontro de Seowoon e Yijin.
— 𓇼 —— 𓇼 —— 𓇼 —
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna