Capítulo 28
Dois administradores da universidade imediatamente se adiantaram:
— Moça, o Sr. He não gosta de ser incomodado…
No entanto, He Siyu não parecia incomodado. Em vez disso, demonstrou uma rara demonstração de cordialidade:
— Ela se deu ao trabalho de procurar uma revista de anos atrás. Isso é dedicação.
— Hã?
Os administradores ficaram atônitos.
— Quer um autógrafo?
Seu tom era casual.
Nan Sangning ficou imóvel por um instante, encontrando os olhos escuros e preguiçosos dele, olhos que pareciam enxergá-la por completo.
— Eu só estava ajudando u—
— Que esforço.
He Siyu tirou casualmente uma caneta-tinteiro, destampou-a e, com seus dedos longos e bem definidos, assinou rapidamente o nome na capa da revista.
Ele a devolveu, tampou a caneta, guardou-a e passou por ela com passos elegantes e despreocupados.
Sangning permaneceu parada no mesmo lugar, ligeiramente atordoada. Baixou os olhos para a revista em seus braços, onde seu nome — “He Siyu” — estava escrito com traços fortes e elegantes.
— Meu Deus!!!
Ye Qian segurou a revista, incrédula, e quase esmagou Sangning em um abraço de tanta empolgação.
— Sangning! Você é meu amuleto da sorte! Você realmente conseguiu o autógrafo dele para mim!
Sangning quase ficou sem ar com o abraço apertado.
— Eu só encontrei com ele por acaso.
— Achei que, depois do que aconteceu, o Jovem Mestre He nunca mais daria atenção aos estudantes da Universidade Jing. E, mesmo assim, ele assinou!
Sangning respondeu sem emoção:
— Ele disse que você era… dedicada.
— Eu sabia! Eu sabia que ele não era tão frio quanto as pessoas dizem!
Sangning permaneceu em silêncio.
Ela se lembrou da maneira como He Siyu havia olhado para ela enquanto assinava, aquele brilho levemente presunçoso em seus olhos. Será que ela tinha imaginado?
Uma pontada de irritação tomou conta dela.
Ye Qian estava radiante, abraçando a revista como se fosse um tesouro.
— Da próxima vez, eu pago o jantar!
— Claro.
Enfim. Já tinha passado. Não havia motivo para ficar pensando nisso.
Depois do fim das aulas, Sangning ligou para o tio Zhang e esperou pelo carro no portão da universidade.
Enquanto estava ali, um Maybach parou repentinamente à sua frente.
Ela piscou. Seu avô havia designado um Audi para buscá-la, será que tinham trocado o carro sem avisá-la?
O vidro traseiro baixou, revelando um par de olhos preguiçosos.
Ela ficou tensa.
— Sr. He?
Ela pensou que ele tivesse deixado a Universidade Jing há muito tempo. O que ainda estava fazendo ali?
O olhar dele percorreu seu rosto.
— Está de guarda?
— …Estou esperando meu carro.
— Entre. Eu levo você.
— Não precisa. O tio Zhang estará aqui em breve.
— Tenho algo para perguntar a você.
Ele fez uma pausa e então arqueou uma sobrancelha.
— Considere uma oportunidade de conseguir outro autógrafo.
…
Sangning respirou fundo e engoliu a irritação.
Abriu a porta e entrou.
— Por que o Sr. He ainda está na Universidade Jing?
— Acabei de resolver alguns assuntos.
Que assuntos? O evento de aniversário havia terminado horas atrás.
Mas Sangning tinha limites bem definidos. Mesmo que estivesse curiosa, não faria perguntas indiscretas. Ye Qian chamava isso de… alta inteligência emocional.
Sangning gostava desse elogio.
Ela mudou de assunto.
— O que queria me perguntar?
— A Vovó He estava curiosa sobre aquela peça sem nome que você tocou da última vez. Ela tem partitura?
Durante sua última visita à residência dos He, Sangning havia tocado algumas peças conhecidas e uma de suas próprias composições, algo que havia escrito apenas por diversão. Por impulso, tocara a música para a Vovó He, que havia simplesmente adorado.
Sangning balançou a cabeça.
— Não, mas, se a Vovó He gostou, posso escrevê-la e mandar para ela.
— Hum.
O Maybach deslizava suavemente pelo trânsito.
Depois de uma pausa, Sangning acrescentou:
— Mas tenho aulas esta semana. Talvez eu não consiga entregá-la pessoalmente. Poderia repassá-la para ela por mim?
He Siyu deu de ombros.
— Tudo bem.
Sangning hesitou antes de perguntar cautelosamente:
— Poderia me passar o contato do seu assistente?
Ele lhe entregou um cartão de visita.
Ela o pegou. No cartão havia apenas três palavras: “He Siyu”. Abaixo, um número de telefone. O verso estava em branco: sem cargo, sem empresa, sem nada.
Como se apenas seu nome já fosse suficiente.
Sangning ficou surpresa. Considerando a cautela habitual dele, esperava, no máximo, receber o número de um assistente.
Ao notar sua expressão atônita, ele lançou um olhar para ela.
— Não está satisfeita?
— Eu só…
— Também precisa do meu autógrafo?
Sangning: ???
He Siyu tirou o cartão de seus dedos, virou-o e, com um floreio da caneta, assinou novamente o próprio nome.
Ele devolveu o cartão.
— Feliz agora?
Sangning apertou o cartão entre os dedos, repetindo mentalmente: “Não provoque He Siyu. Não vale a pena.” De novo e de novo.
Ela forçou um sorriso.
— Obrigada pela gentileza, Sr. He.
Ele soltou um bufo.
— Por que está fazendo um curso de administração?
— Meu avô insistiu. Disse que eu deveria ampliar meus horizontes.
Ele a observou. Ela não lhe parecia o tipo obediente. Claramente, estava tentando desconversar.
Mas, quando encontrou o olhar dele, seus olhos estavam cheios de inocência.
Então ele se lembrou do vídeo que Gu Xingchen havia enviado: ela encarando, completamente fascinada, algum homem.
Como se nunca tivesse visto um homem antes.
Os lábios dele se curvaram friamente.
— Você realmente precisa ampliar seus horizontes.
Sangning: ???
Aquilo foi um insulto? De novo?
Será que suas primeiras palavras quando bebê já tinham sido respostas afiadas?
Era pedir demais por um mínimo de educação? Eles não tinham nenhuma inimizade, mas ele continuava provocando-a. Quanto ela deveria aguentar?
Ter alta inteligência emocional não significava ser um capacho.
O carro parou suavemente diante da residência dos Nan.
O tom de He Siyu era despreocupado.
— Chegamos. Não se esqueça da partitura.
Sangning respirou fundo. Sua paciência estava por um fio.
— Sr. He.
Sua voz estava assustadoramente calma.
— Hum?
Ele respondeu, divertido.
Ela se virou para ele, com uma expressão impassível.
— Obrigada pela carona, mas houve um mal-entendido. Gostaria de esclarecer: a revista não era minha. Era da minha colega de classe. Também não estava esperando pelo senhor. Eu apenas estava passando por ali. Além disso…
Ela segurou o cartão de visita entre dois dedos.
— Não tenho o menor interesse no seu autógrafo.
O sorriso presunçoso de He Siyu congelou.
— Mas, já que precisamos manter contato para tratar da partitura, vou ficar com isto, mesmo a contragosto.
Ela tomou o cartão de volta para a palma da mão.
A têmpora de He Siyu pulsou. A contragosto?!
— O senhor tem razão. Eu realmente preciso ampliar meus horizontes. Vou levar seu conselho a sério. Em troca, permita-me oferecer um conselho também.
Ela sorriu docemente.
— Não se ache tanto.