Spin Off 05
❀ 7 Minutes Of Heaven 5
Spin Off – Proposal Protocol
Jeong-in sentou-se com Justin em um pequeno pub chamado [King’s Cask] na Felton Street, dentro da Harvard Square. Apenas ouvindo o nome, alguém poderia imaginar um pub com uma atmosfera de cervejaria antiga, mas, na realidade, este lugar era muito mais parecido com um bar de bairro casual.
Com seu exterior de tijolos desgastados e um interior antigo e cafona, além de um cardápio com apenas alguns itens, o local estava, no entanto, sempre lotado de clientes. Com tantas pessoas, missões de reconhecimento de solteiros erguendo seus copos aconteciam em todos os lugares.
Sempre que Justin era solicitado a decidir um local de encontro, ele sempre escolhia este lugar. Chase uma vez brincou com Justin dizendo que, se aquela loja tivesse cartões de fidelidade, ele provavelmente já teria vários totalmente preenchidos a essa altura.
Quando questionado sobre por que visitava o local com tanta frequência, Justin disse que este lugar era seu campo de estudo. Para observar como pessoas que se encontram pela primeira vez conversam entre si, como riem e como vão embora juntas.
Mesmo assim, ele não tinha coragem de se aproximar das mulheres primeiro. Ele tentou algumas vezes pegando emprestada a “coragem líquida”, mas os resultados não foram impressionantes. Em vez disso, a partir de então, o ato de falar com estranhos em si parecia ter permanecido como um trauma.
— Jay, você pode beber?
— Estou todo curado, então por que não.
Os dois amigos que se encontraram aqui hoje erguiam canecas de cerveja com batatas fritas com chili como petisco.
— Me mostre onde você se machucou.
Às palavras de Justin, Jeong-in levantou a manga para mostrar o antebraço. Olhando de perto para a ferida com marcas de pontos tênues restantes, Justin exclamou em admiração.
— Oh, você poderia dizer que é uma ferida de quem lutou contra um ladrão, não poderia?
Jeong-in soltou uma pequena risada. Enquanto puxava a manga de volta para baixo, duas garrafas de cerveja foram colocadas sobre a mesa. Jeong-in olhou para o funcionário com uma expressão confusa.
— Nós não pedimos estas.
— Uma moça naquela mesa as enviou.
Seguindo o olhar do funcionário e virando a cabeça, uma mulher sentada na mesa do bar em frente a eles estava acenando com um sorriso brilhante.
Jeong-in reflexivamente virou a cabeça e disse ao funcionário para apenas levar as cervejas embora. Receber algo de graça não era diferente de estar em dívida no coração.
O funcionário assentiu e levou as garrafas de cerveja de volta.
— Por que você as mandou de volta? Elas poderiam ser para mim.
Às palavras de Justin, os ombros de Jeong-in estremeceram. Ele não tinha pensado nisso. Assumir que foram enviadas para ele sem questionar, que coisa narcisista de se fazer. Seu rosto ficou vermelho instantaneamente, sentindo pena de Justin e vergonha de si mesmo.
— D-desculpe. Devo pedir para trazerem de volta?
— Esqueça. É tão certo quanto o Teorema de Pitágoras que eram para você.
Justin suspirou profundamente mais uma vez.
— Jay, você é o pior wingman.
“Wingman” referia-se originalmente a uma aeronave companheira que apoia a aeronave principal em uma formação de caças da força aérea. Mas também significava um ajudante que anima a atmosfera de lado para que um amigo possa se dar bem com alguém em quem está interessado, dando-lhe apoio entusiasmado e, em seguida, afastando-se no momento certo.
— Ainda assim, sou melhor que o Chase, não sou?
— Isso é verdade.
Justin, que concordou imediatamente, deu de ombros e assentiu com indiferença.
— Pensando bem, o aniversário do Pres está chegando.
Às palavras de Justin, Jeong-in assentiu silenciosamente. Sua expressão era, de alguma forma, significativa.
Após examinar brevemente aquele rosto, Justin cerrou os olhos e lançou um olhar suspeito.
— O que você planeja dar a ele de presente de aniversário este ano?
Justin criticava o senso de presentes de Jeong-in todos os anos, dizendo que não era bom.
Desde que começou a trabalhar e ganhar dinheiro, Jeong-in dava presentes que custavam o que ele considerava quantias substanciais para o aniversário de Chase a cada ano. Um smartwatch capaz de rastreamento de dados biométricos de alto desempenho, um tablet com sensibilidade de entrada muito boa e ampla capacidade de armazenamento, os fones de ouvido mais modernos para usar enquanto corre. Sem exceção, eram itens práticos centrados na função.
Este ano também, Justin esperou pela resposta de Jeong-in com uma expressão que não mostrava expectativas particulares.
— Originalmente, eu estava pensando no Baron Edge X com o novo chip S5. Ele é muito fino e, com o corpo de liga de carbono, pesa menos de 900g.
— Ugh.
É claro, era um laptop extremamente caro e de altíssima tecnologia, do modelo mais recente lançado há menos de dois meses. Mas não havia romance.
Justin balançou a cabeça com uma expressão que dizia que ele era patético.
— Pense no que o Chase te deu de aniversário.
No último aniversário, eles fizeram uma viagem surpresa para Cancún. No aniversário anterior, ele fez uma doação em nome de Jeong-in para pacientes que sofriam da mesma doença que o pai dele teve.
O que mais houve?
Uma vez, ele fez uma sopa de algas que estranhamente tinha o gosto da que sua mãe fazia e, enquanto Jeong-in estava feliz, mas sentindo-se melancólico por algum motivo, Suzy apareceu escondida com um bolo de aniversário. Chase havia convidado Suzy secretamente.
O presente de aniversário daquele ano foi uma viagem pela costa leste americana com Suzy. Jeong-in e Chase viajaram lentamente descendo pela costa da Nova Inglaterra com Suzy, passando três dias juntos.
Cada presente que Chase preparava era personalizado para Jeong-in e meticulosamente romântico. Eram o tipo de presente que surpreendia no momento do recebimento, mas que também se tornava inesquecível com o tempo.
Jeong-in cutucou as batatas fritas com o garfo sem motivo e disse como se desse uma desculpa:
— Quem disse que eu ia dar um laptop de verdade? Eu disse que estava “originalmente” pensando em um laptop.
— Então quer dizer que seu pensamento mudou?
— Sim.
Por vários dias, Jeong-in estivera em profunda contemplação. No caminho para o trabalho, enquanto tomava banho, até enquanto esperava a torradeira subir o pão.
Não importa o quanto ele pensasse sobre isso, não havia outra maneira de declarar ao mundo que eles pertenciam um ao outro além “disso”. O aniversário dele estava chegando, então o momento também era apropriado.
— Pode ser uma ideia meio louca…
Embora tenha dito que era uma ideia louca, quanto mais pensava nisso, mais parecia a resposta certa. Como encontrar subitamente a solução para um problema de matemática com o qual vinha lutando há dias, o coração de Jeong-in batia com uma excitação sutil.
— Se for outro dispositivo eletrônico ou algo assim, nem se dê ao trabalho. — Justin disse rispidamente enquanto movia o garfo ocupado. Sua expressão não mostrava nem um pingo de expectativa.
Finalmente, Jeong-in abriu a boca.
— Eu nunca fiz nada louco antes. Vou tentar desta vez.
— Por quê? Você vai ousar escolher um tablet em vez de um laptop desta vez?
Quando Justin perguntou sarcasticamente, Jeong-in balançou a cabeça.
— Eu já dei isso no último aniversário dele. Este aniversário… eu vou pedir ele em casamento.
Clang—
O garfo que Justin segurava escorregou de sua mão e caiu no chão. Ao som do metal atingindo o azulejo, os olhares das mesas próximas se reuniram brevemente e depois se dispersaram.
— Eu fiz o Chase passar por muitas dificuldades todo este tempo.
Justin encarou Jeong-in com a boca entreaberta, esquecendo-se até de pegar o garfo.
— Coisas como expressões de afeto, eu sempre estive do lado que recebia. Como você sabe, estou longe de ser romântico.
Justin não se moveu, como uma tela pausada, e apenas Jeong-in continuou falando.
— Acho que agora é a minha vez de dar o primeiro passo. Sempre foi o Chase primeiro, mas quando se trata de propor… só desta vez, eu quero ser o primeiro.
— Jay…
As narinas de Justin se dilataram e seu queixo tremeu.
— Justin?
Jeong-in chamou confuso, mas Justin não conseguiu segurar as lágrimas. Ele finalmente pegou um guardanapo e começou a fungar seriamente.
Jeong-in tornou-se urgentemente consciente dos olhares ao redor. As pessoas estavam dando olhadas para aquela direção.
Justin de repente gritou para as pessoas na mesa ao lado que estavam lançando olhares furtivos para ele:
— Meu amigo vai pedir em casamento o namorado com quem ele está desde o ensino médio!
— Justin!
Ele tentou pará-lo urgentemente, mas já era tarde demais. Uma mulher na mesa ao lado ergueu o copo e gritou: — “Meu Deus, parabéns!” — Os outros acompanhantes responderam como uma plateia.
Justin puxou outro guardanapo e secou as lágrimas que brotavam nos cantos dos olhos.
— Estou tão feliz. Estou tão feliz por você.
— …
Diante da reação mais intensa do que o esperado, Jeong-in não conseguiu continuar e pressionou os lábios com força. Sem motivo, até seus olhos pareceram esquentar e um lado de seu peito doeu.
Justin disse com a voz trêmula:
— Eu sou uma testemunha viva. Nós odiamos o Pres juntos, e o admiramos… Eu estava lá quando você teve aquele lance com o Pres… desde o momento em que vocês começaram a namorar oficialmente até agora, continuamente…
Jeong-in também rastreou um a um em sua mente a trajetória dos anos que Justin pontuou. O momento em que escreveu pela primeira vez os caracteres chineses para “Livro da Vergonha” em uma capa de livro vermelha, as costas de Chase Prescott que ele observava secretamente, o primeiro contato visual, a primeira conversa, o primeiro beijo, a primeira briga… Tudo fluiu por sua mente como um flashback.
— Vocês dois são um casal que prova que o amor destinado e imutável existe. Como um gene raro que aparece repetidamente em um mundo cheio de caos e aleatoriedade… uma prova de esperança.
Justin agarrou o guardanapo, assoou o nariz com força e caiu em um choro pleno. Somente depois de um longo tempo ele se recompôs.
— Então, qual é o plano?
— Hm?
— O pedido. Como você vai fazer?
Jeong-in, que ainda não tinha pensado tão concretamente nisso, desviou o olhar com um aspecto ligeiramente perturbado.
— Primeiro eu preciso comprar um anel, certo? Vou entregá-lo no aniversário dele e pedir para ele se casar comigo.
Justin olhou para Jeong-in com uma cara de incredulidade.
— Só isso?
— Como assim “só isso”? Eu vou comprar um anel muito caro.
— É o que eu quero dizer. É só isso?
— …Eu preciso de mais?
— Sabe, tipo fogos de artifício, uma festa em um barco, mini orquestra, show de drones ou projeção 3D.
Embora fossem exemplos ridículos, os pedidos que viralizavam nas redes sociais ou nos Shorts hoje em dia eram todos assim, inovadores e chamativos. Jeong-in ficou sem fala por um momento, mas logo soltou um suspiro profundo e lamentou:
— Hoje em dia parece que as pessoas pedem em casamento e se casam para postar no Instagram. Eu realmente preciso fazer um pedido chamativo?
— Você vai se arrepender se não fizer. — Justin assegurou. Ele continuou com uma expressão séria. — Sabe, desde pequeno, eu achava que colocar abacaxi na pizza era praticamente um crime. Eu absolutamente não comia. Então, recentemente, pedi uma pizza havaiana pela primeira vez para experimentar.
— E como foi?
— Eu quase vomitei. Foi verdadeiramente o pior.
Jeong-in inclinou a cabeça como se perguntasse o que ele estava tentando dizer.
— Se eu não tivesse comido, eu nunca saberia. Que sou alguém que odeia pizza com fruta até os ossos.
No fim, ele estava dizendo para apenas tentar. Era um conselho absurdo, mas de alguma forma estranhamente persuasivo.
— Nunca se sabe. Talvez você realmente tenha um talento para eventos.
Jeong-in inspirou e expirou longamente, como em uma respiração profunda, então assentiu com um rosto determinado.
— …Tudo bem. Eu vou tentar.
Justin cerrou o punho.
— Ótimo! Que tal pensarmos em ideias durante o fim de semana e nos encontrarmos novamente na segunda? Eu vou pensar um pouco também.
— Sim. Vamos fazer isso.
Os dois ficaram com rostos sérios, como se estivessem se preparando para um colóquio acadêmico.
Justin tirou uma caneta da bolsa e virou o descanso de copo que estava sob o copo de cerveja, começando a escrever algo nele.
— O que você está fazendo?
— Decidindo o nome do projeto.
Jeong-in caiu na risada, mas Justin ainda estava sério. O nome do projeto escrito no descanso de copo era [Protocolo de Pedido].
* * *
Os dois garantiram um lugar no canto mais isolado do pub. A loja estava barulhenta como de costume, mas uma tensão estranha fluía sobre a mesa deles. Uma solenidade pairava no ar, como agentes se encontrando em um ponto de contato em um filme de espionagem.
Justin nem sequer olhou para os nachos colocados à sua frente; em vez disso, pegou o telefone com uma expressão séria e abriu o aplicativo de notas.
— Eu vou primeiro. Apenas três palavras. Fenway Park, kiss time, jumbotron.
— Uau, isso é bom!
Os olhos de Jeong-in brilharam.
O Fenway Park era o estádio oficial do Boston Red Sox e o parque de beisebol mais antigo da América. Famoso por sua atmosfera clássica e pelo fervor dos fãs locais, eles tinham um momento durante os jogos chamado “kiss time”.
Era um evento onde, quando um casal nas arquibancadas era capturado pelo ângulo da câmera, eles compartilhavam um beijo com o incentivo de todos. E essa cena de beijo seria transmitida em tempo real no jumbotron, o enorme placar eletrônico pendurado no centro do estádio.
E se eles avisassem a equipe com antecedência e fizessem o pedido durante o “kiss time”? Era um clichê, mas seria emocionante. Se solicitassem a filmagem, poderiam guardar esse registro para sempre.
Mas a imaginação terminou bem ali.
— Infelizmente, isso não vai rolar. No aniversário do Chay, o Fenway vai realizar o Dia do Bem-Estar da Terceira Idade. O jumbotron só vai mostrar vídeos de idosos fazendo ioga.
— Ah, não…
— Depois eu pensei em um balão de ar quente…
— O quê? Isso é um pouco…
Jeong-in, que tinha um leve medo de altura, agarrou seu copo surpreso. Vendo seus olhos se arregalarem, Justin acenou com a mão.
— Não se preocupe. A prefeitura disse não de qualquer maneira. Controle de espaço aéreo? Algo assim existe.
Jeong-in massageou o peito, aliviado.
O briefing de Justin continuou. Ele parecia mais um organizador de festas planejando uma performance de grande escala do que alguém preparando um pedido de casamento.
Tudo o que ele havia pensado ostentava uma escala tremenda. Desde coisas pequenas, como alugar um cinema inteiro para exibir um filme apenas para os dois, até coisas grandes como skywriting, usando um avião para escrever letras no céu.
— A opção mais viável era provavelmente usar drones. Como você sabe, eu tenho licença para drones, certo?
Justin não esqueceu de erguer o queixo e se gabar por um momento.
— Prender faixas em vários drones para exibir a frase “Quer se casar comigo?” no céu, e fazer o último drone entregar o anel. Honestamente, quando tive essa ideia, achei que pudesse ser um gênio. Mas o problema é… a previsão do tempo indica chuva para o aniversário do Pres.
Jeong-in, que estivera ouvindo em silêncio, franziu a testa ligeiramente.
— Então qual é a conclusão? No fim das contas não tem nada, certo?
— Bem… pode-se dizer que falhou. Estou contando com você, Jay. E aí? Pensou em algo?
Jeong-in soltou um suspiro profundo e vasculhou sua bolsa. Então, tirou algo e colocou sobre a mesa. Como um trabalho dos tempos de faculdade, folhas A4 estavam organizadas ordenadamente com o canto superior esquerdo fixado por um grampo.
Justin cerrou os olhos e perguntou:
— O que é isso?
— Como assim? É um plano.
Justin olhou para o papel que Jeong-in havia colocado na mesa e soltou o ar como se fosse um absurdo. O documento parecia ter cerca de cinco ou seis páginas, e a primeira página tinha um título e sumário limpos, com subtítulos numerados em cada página.
— Oh, droga… Jay…
— Eu condensei o máximo que pude.
Justin pegou os papéis e folheou as páginas.
— Capítulo 1. A Resposta Emocional e Receptividade Cognitiva do Alvo do Pedido… Bela fonte.
— Usei Cheltenham. Se é a fonte usada na seção de casamentos do New York Times, imaginei que não seria ruim para um plano de pedido de casamento.
— É, suponho que não.
Assentindo em concordância, Justin leu o plano com uma expressão erudita, como se estivesse analisando um artigo acadêmico.
Jeong-in rastreou cuidadosamente as palavras e ações de Chase, inferindo cautelosamente sua psicologia. Ele continuou sua contemplação, seguindo o cerne da personalidade habitual de Chase e a textura do relacionamento que haviam construído até agora.
O ponto-chave derivado do Capítulo 1 era claro: Chase queria revelar seu relacionamento com Jeong-in para o mundo. Essa conclusão levou naturalmente ao Capítulo 2, explorando métodos concretos de pedido.
— Então, basicamente, um pedido público na frente de uma plateia. Bem, você tem sido bem reservado sobre tudo.
Jeong-in assentiu, admitindo prontamente.
Justin continuou examinando o plano.
— Hmm, isso é bom. É uma estratégia que o pega desprevenido enquanto permanece fiel a quem você é.
Qualquer coisa muito chamativa ou ornamentada não combinaria com a disposição de Jeong-in. O importante era preservar a modéstia de Jeong-in sem perder a especialidade condizente com um evento de pedido de casamento. E fazer com que pudessem receber os parabéns de muitas pessoas.
— Então, Justin, eu preciso da sua ajuda.
A estratégia de Jeong-in era esta: primeiro, teriam um jantar de aniversário juntos como de costume. Comeriam em um restaurante francês atmosférico e entregariam o presente de aniversário lá.
O presente seria deliberadamente algo um pouco abaixo das expectativas. Era uma base para ampliar a emoção que viria a seguir.
O que Jeong-in havia preparado era um par de tênis de corrida de edição limitada de uma colaboração entre a marca esportiva favorita de Chase e uma famosa casa de luxo. Ele os entregaria com o sentimento de que, embora a agenda excessivamente ocupada de Chase o tivesse afastado de suas corridas ao amanhecer ultimamente, ele esperava que pudesse recomeçar em breve.
Chase pensaria que seu aniversário estava terminando ali. Mas o evento estaria apenas começando.
Quando voltassem para casa, uma festa surpresa estaria à espera. Balões e bolo, e amigos próximos e conhecidos fazendo aparições surpresa.
No auge de toda aquela celebração, Jeong-in planejava tirar o anel e pedir Chase em casamento.
— Justin, você precisa ajudar a preparar a festa. Enquanto estivermos jantando.
— Tudo bem. Vejamos… eu cuido das pessoas que consigo contatar.
Justin passou os olhos pela lista de convidados ao final do plano e marcou nomes de pessoas que conheciam em comum.
— Sério?
— Com certeza.
Seu coração sentiu-se tranquilo, como se tivesse ganhado um exército poderoso.
A lista incluía vários amigos dos tempos de Wincrest e colegas de Harvard. Ele também planejava contatar e convidar secretamente os colegas da faculdade de medicina de Chase.
Claro, os amigos de Jeong-in também estavam na lista. Incluindo seu colega de quarto em Harvard, Mikey, Andrea Sherman, Zachary Wise, que fora o monitor do dormitório de Jeong-in, e até Abigail, sua chefe e amiga no trabalho.
— O Chay vai achar que é apenas a festa de aniversário dele, mesmo quando as pessoas estiverem gritando “surpresa”. Ele não vai sonhar que é uma festa de celebração de noivado.
Justin caiu na risada como se estivesse tramando uma conspiração.
Ele parecia verdadeiramente encantado e feliz. Justin, que outrora fora o fundador do Clube de Ódio ao Chase e coautor do livro da vergonha, agora estimava e amava Chase mais do que qualquer um.
— Oh! Devo trazer o Milo?
Parecia que ele estava trazendo um amigo, mas não era. Milo era um robô companheiro de IA de próxima geração que estava sendo desenvolvido pela divisão de pesquisa robótica na empresa de Justin.
O robô, com sua aparência redonda e adorável, tinha rodas omnidirecionais na parte inferior e era equipado com um sistema de navegação totalmente autônomo que lhe permitia ajustar sua rota enquanto evitava obstáculos em espaços internos.
A tela OLED de alta resolução montada em seu peito podia exibir textos, emoticons e até interfaces de RA dependendo da situação, e seus braços mecânicos multiarticulados podiam executar facilmente movimentos finos, como pegar com precisão uma caixa de anel.
— Você pode tirá-lo de lá?
— Ele apareceu no The Tonight Show um tempo atrás, então por que não. Ele até já foi a um acampamento de ciências de escola primária.
— Por mim tudo bem, mas…
— Eu deveria fazer ele entregar o anel!
Os olhos de Justin brilharam. Em sua mente, ele reproduzia vividamente a cena do ápice da tecnologia de ponta avançando lentamente com o anel por trás das pessoas que gritavam “Surpresa!”.
— A única falha é que você não considerou a possibilidade de rejeição de jeito nenhum, mas é um ótimo plano.
— O Chay não vai dizer não.
Jeong-in estava confiante. Como se tivesse ido ao futuro e visto por si mesmo.
— Jay! Quer criar uma sala separada?
— Hein?
— Tipo no Slack ou Telegram. Um chat secreto.
— Por quê? Como se estivéssemos tramando algo?
— Tramando? Estamos apenas planejando algo secretamente pelas costas de alguém.
— Isso é literalmente a definição de dicionário para “tramar”.
Os dois instalaram um novo aplicativo de mensagens que diziam ter forte segurança e até escolheram codinomes para criar a sala de chat. Justin estava incrivelmente animado, dizendo que se sentia como um espião do MI6, o serviço secreto britânico.
Faltava exatamente uma semana para a data de início da operação.
* * *
Acordado pelo alarme estridente, Chase sentou-se com cuidado. Felizmente, Jeong-in estava dormindo profundamente sem sequer se revirar.
O sexo de véspera de aniversário que começou por volta das 22h não deu sinais de terminar mesmo passando da meia-noite, eventualmente continuando como um sexo de celebração de aniversário que não findou até bem depois das 2h da manhã. Por isso, não era de se admirar que Jeong-in tivesse apagado desse jeito.
Ele sentou-se na beira da cama e pegou o telefone. Mensagens de aniversário que se acumularam enquanto ele dormia preenchiam a janela de notificações. Colegas de classe de Wincrest, companheiros da faculdade de medicina, até mesmo uma enfermeira com quem ele havia trabalhado ontem.
Rolando um pouco mais para baixo, uma mensagem que chegara bem à meia-noite chamou sua atenção. Era da mãe de Jeong-in, Suzy.
Suzy sempre o chamava de seu e fazia questão de lembrar seu aniversário. Chase também pensava nela como uma outra mãe e nunca esquecia de enviar flores em todos os Dias das Mães. Laços unidos pelo afeto, em vez de sangue, eram às vezes mais fortes que a família real.
[Sophia Prescott: Feliz aniversário, perdedor]
[A vida é um sofrimento, mas você sobreviveu a mais um ano]
Após verificar até a mensagem cínica de sua irmã que chegara de madrugada, ele pousou o telefone silenciosamente.
Ele precisava sair da cama, mas seu corpo não se movia prontamente. Como se ainda estivesse retido pelo arrependimento, ele se abaixou novamente e beijou suavemente a testa de Jeong-in.
Ele tinha que ir para o hospital hoje como sempre, mas Jeong-in dissera que havia tirado o dia de folga com antecedência. Graças a isso, na noite passada, eles puderam se entregar totalmente. Era a maneira perfeita de começar um aniversário.
— Você está livre amanhã à noite? Quer jantar no Amelia às 19h?
O Amelia, onde Jeong-in disse ter feito uma reserva, era um dos melhores restaurantes franceses da região. Por seu rosto e tom ligeiramente animados, parecia que ele planejava entregar o presente de aniversário lá.
Jeong-in achava que estava escondendo perfeitamente, mas Chase havia descoberto uma caixa de sapatos escondida debaixo da cama no último fim de semana. Dentro havia tênis de corrida no seu tamanho. “Então esse é o meu presente de aniversário este ano”, ele pensou com um breve sorriso antes de colocar a caixa de volta sob a cama, fingindo não saber.
Na verdade, Chase estava planejando abordar algo importante com Jeong-in durante o jantar de hoje à noite.
Alguns dias atrás, ele recebeu uma oferta de especialização de um diretor de programa de um grande hospital na Costa Oeste. Foi uma oferta sem precedentes por ser tão cedo, provavelmente devido ao nome Prescott. Embora a combinação oficial não acontecesse até o terceiro ano, eles queriam causar uma impressão de antemão.
Claro, não era uma oferta oficial. Apenas um convite para ir ver a atmosfera do hospital e almoçar com a equipe para compartilhar ideias. Mas Chase sabia que tais convites não vinham para qualquer um.
Ele pensou que não seria ruim dar uma olhada com antecedência, e queria perguntar a Jeong-in se ele gostaria de ir com ele. O problema era como transmitir isso sem mal-entendidos.
Ele temia que Jeong-in pudesse pensar que ele queria voltar para a Califórnia e se sentisse sobrecarregado por isso.
Mas dizer apenas que era meramente uma visita também seria enganoso.
A Califórnia era sua terra natal e, em um canto de seu coração, ele tinha o desejo de voltar para lá. Mas o único lugar que ele poderia verdadeiramente chamar de “lar” era onde quer que Jeong-in estivesse.
Colocando os pensamentos complicados de lado por agora, ele foi para a sala e preparou um café forte. Após terminar seu banho, o café havia esfriado até a temperatura ideal para beber.
Ele esvaziou a xícara e estava pegando as chaves do carro após terminar sua rotina matinal quando notou o telefone de Jeong-in sozinho no sofá. Ele geralmente tinha o hábito de colocá-lo no carregador sem fio na mesa de cabeceira, mas deve ter esquecido na noite passada.
Pensando bem, a culpa era dele mesmo. Como eles haviam começado no sofá e se mudado para a cama, Jeong-in não teria tido tempo para pensar nisso.
Ele estava pegando o telefone para carregar quando a tela acendeu, sentindo o movimento, e uma notificação de mensagem que havia chegado por volta das 23h da noite passada apareceu na visualização.
[Professor XOXO: Mal posso esperar por amanhã]
A mensagem na tela era de um aplicativo de mensagens desconhecido chamado Chamber, um que Chase nunca havia usado.
Chase sabia quais aplicativos de mensagens Jeong-in usava: o padrão do sistema, o WhatsApp e o Slack, que ele utilizava principalmente para o trabalho.
O Chamber era um aplicativo de código aberto e alta segurança que priorizava o anonimato acima de tudo. Nele, era possível criar uma conta sem informações de identificação pessoal, como números de telefone ou e-mails, e todas as mensagens eram roteadas por caminhos criptografados. Ele sequer mantinha registros em servidores.
Nas comunidades de tecnologia, era chamado de o ápice dos aplicativos de privacidade, embora também fosse controverso por ser frequentemente utilizado por comunidades da dark web, casos extraconjugais e transações ilegais.
Por que Jeong-in estaria usando um aplicativo assim?
A próxima coisa que atraiu a atenção de Chase foi o ID do remetente.
[Professor XOXO]
Na verdade, era um ID infantil que Justin havia criado combinando “Professor X”, um personagem de seu quadrinho favorito, X-Men, com “XOXO”, que significa beijos e abraços. Mas, é claro, Chase não tinha como saber disso.
Chase franziu a testa e encarou a tela por um longo tempo.
Ele sabia que Jeong-in estava pesquisando programas de doutorado ultimamente. Mas que tipo de professor enviaria esse tipo de mensagem? Às 23h? Seria realmente um professor? Por que o “XOXO”, que indicava intimidade, estava anexado ao final?
Ele sentiu o impulso de perguntar a Jeong-in imediatamente, mas era muito cedo agora. E, acima de tudo, independentemente das circunstâncias, o simples fato de ter visto a tela do telefone de Jeong-in seria difícil de justificar. Ele não queria dar a impressão de que não confiava nele.
Mesmo enquanto conectava o telefone de Jeong-in ao carregador, mesmo enquanto saía apressado pressionado pelo horário de trabalho, a mente de Chase permanecia complicada.
Em seu aniversário hoje, de alguma forma, ele teve o pressentimento de que seria um dia longo.
— O anel?
Às palavras de Justin, Jeong-in trouxe o estojo do anel que havia escondido. O logotipo em relevo dourado brilhava suavemente na caixa de textura de cetim cor creme.
— Aqui.
— Coloque-o naquela mesa por um momento.
Quando Jeong-in pousou o estojo na mesa de centro da sala, Justin abriu seu laptop e digitou no teclado com dedos treinados.
Então Milo, que estava parado em um canto da sala, rolou lentamente para frente. Com um som mecânico suave, a parte superior de seu corpo se inclinou e seus braços em forma de pinça se moveram com precisão para pegar o estojo do anel.
— Uau… — Jeong-in exclamou em admiração.
Justin, que disse ter tirado meio dia de folga hoje, apareceu ousadamente dirigindo uma van com o logotipo de sua empresa. De alguma forma, ele conseguiu permissão e realmente trouxe Milo na parte de trás.
— Mas você pode realmente tirá-lo assim? — Quando Jeong-in perguntou cuidadosamente, Justin deu um tapinha casual na cabeça redonda de Milo como se não fosse nada.
— Esse garoto dançou no bar mitzvah do filho do nosso líder de equipe. Isso aqui não é nada. É claro, eu disse que ia pedir alguém em casamento, mas vou apenas dizer que fui rejeitado.
Justin pegou o estojo do anel do braço mecânico de Milo e o deslizou cuidadosamente para a carteira estilo pochete que usava na cintura. Após verificar o zíper várias vezes para garantir que estava bem fechado, ele resmungou para Jeong-in:
— Por que você comprou um anel tão caro… Estou morrendo de ansiedade aqui.
Justin estalou a língua enquanto mexia na carteira que continha o anel.
Para Jeong-in, um novato nessa área, escolher um anel não fora uma tarefa fácil. Começar por qual marca escolher foi o primeiro obstáculo.
Jeong-in acabou pensando na pessoa que conhecia que era mais entendida no assunto: Vivian Sinclair. Atualmente em um relacionamento público com uma famosa estrela do futebol americano, ela entendia de joias de luxo mais do que ninguém.
Quando soube que ele ia pedir Chase em casamento, Vivian gritou por um longo tempo, incapaz de conter a empolgação. Então, recomendou uma marca francesa de altíssimo nível e exclusividade.
Por sorte, essa marca tinha uma boutique em uma loja de departamentos em Back Bay, no centro de Boston. Lá, Jeong-in descobriu um anel que o cativou à primeira vista e o comprou imediatamente. Desde o momento em que o viu, foi um anel fatídico que naturalmente conjurou a imagem dele na mão de Chase.
Para comprar o par de anéis, Jeong-in pagou uma quantia equivalente à compra de um carro compacto. Sem dúvida, fora a maior compra de sua vida. Parecia improvável que ele gastasse tanto de uma vez novamente, a menos que estivesse realmente comprando um carro.
Mas sentia que qualquer coisa menos do que isso não combinaria com alguém chamado Chase Prescott.
— O Pres te deu uma viagem para Cancún, e se você der apenas um par de tênis… — Justin deixou a frase no ar, rindo como se o pensamento por si só fosse delicioso. Ele parecia mais animado do que se o assunto fosse dele.
Jeong-in também sentia há dias como se seus pés estivessem pairando alguns centímetros acima do chão. Se ele não tivesse sido exaurido por Chase na cama na noite passada — ou melhor, até esta manhã —, ele poderia ter passado a noite inteira acordado de puro nervosismo.
Um tempo depois, as pessoas enviadas pela empresa de eventos chegaram.
Balões de hélio foram pendurados no teto e uma cabine de fotos comemorativas foi montada em um canto da sala. Uma mesa simples de bufê foi organizada e, com luzes fofas e decorações adicionadas aqui e ali, o espaço gradualmente se transformou em uma atmosfera de festa.
— Com tudo isso montado, parece exatamente um baile de formatura. — Justin olhou ao redor com um olhar nostálgico e admirado. Na noite do baile, ele não teve par e passou a noite jogando videogame com seus amigos da Sociedade de Atletas da Matemática. Talvez por isso essa cena evocasse um sentimento tão especial para ele.
Enquanto Justin se movia ocupado dando instruções à equipe, Jeong-in foi para o closet se trocar.
Embora ganhasse um bom dinheiro, o guarda-roupa de Jeong-in, fiel a um estilo de vida modesto, era bem ralo. Dito isso, ele não podia usar qualquer coisa em um dia especial. Jeong-in escolheu roupas que não fossem excessivas, mas que eram o melhor que ele tinha. Vestiu uma camisa branca que comprara com a resolução de usar apenas em dias importantes, calças de sarja bege impecavelmente passadas e mocassins marrons.
Jeong-in arrumou o cabelo em frente ao espelho, pegou seu telefone e a sacola de papel contendo a caixa de sapatos e saiu para a sala. Justin estava dando conselhos sobre como a equipe da empresa de eventos deveria pendurar a faixa.
— Justin, estou indo.
Como se estivesse se despedindo de um cavaleiro indo para a batalha, Justin assentiu com uma expressão solene.
— Certo. Não se preocupe com as coisas aqui. Vou preparar tudo perfeitamente.
Jeong-in, que estava prestes a caminhar em direção à entrada, virou-se e fez questão de lembrá-lo:
— Não dê álcool para as pessoas antes da hora.
— Claro que não. Em que era você acha que estamos, deixando as pessoas beberem e causarem confusão? Vou esconder tudo o que tiver álcool, até enxaguante bucal, então não se preocupe.
Jeong-in assentiu, respirou fundo uma vez, abriu a porta e saiu. Uma noite para ser lembrada por muito tempo havia começado.
— Para a primeira entrada, crudo de lagosta com purê de raiz de aipo.
Com uma voz cortês, o garçom depositou cuidadosamente o prato. Na porcelana com bordas de prata, a lagosta fatiada finamente estava organizada de forma tão impecável quanto pétalas de flores. O purê por baixo adicionava um sombreamento suave cor de creme por todo o prato.
O interior do restaurante era aconchegante graças à iluminação suave. Sob um fundo de música clássica e conversas baixas, Chase e Jeong-in estavam sentados em uma mesa reservada perto da janela.
Através do vidro, podia-se ver o Rio Charles à distância com ondulações gentis e, do outro lado do rio, as luzes se acendiam uma a uma nos prédios de Cambridge, completando a cena noturna.
— Aconteceu algo incomum no hospital hoje?
— Não, e você? Ficou em casa o dia todo?
— Bem, sim.
Perguntas e respostas familiares foram trocadas, mas o ar que fluía entre eles parecia um pouco estranho. Conversas que normalmente teriam continuado longas e confortáveis continuavam se quebrando.
Justo naquele momento, os pingos de chuva batendo contra a janela tornaram-se um novo tópico de conversa para a mesa desajeitada.
— Huh? Está chovendo.
— Pois é. Estamos sem guarda-chuva.
Quando a breve conversa se desvaneceu, o silêncio preencheu o espaço novamente. Parecia que ambos estavam se vigiando. Chase se viu pegando e pousando o copo de água repetidamente, enquanto Jeong-in mexia no purê que não ia comer com a ponta do garfo.
Gastronomia refinada ou não, Jeong-in não conseguia sentir o gosto de nada. Sua cabeça estava mais ocupada que sua língua.
Ele ergueu os olhos cautelosamente para olhar para Chase e seus olhares se cruzaram. Ambos sorriram sem jeito ao mesmo tempo.
O olhar de Jeong-in continuava derivando para o telefone sobre a mesa. As preparações estavam indo bem? Todos os convidados haviam chegado em segurança? Seus pensamentos espiralavam sem fim.
Ele parecia achar que estava agindo de forma discreta, mas observar Jeong-in olhando de relance para a tela do celular deixava Chase inquieto.
Seria ele esperando o contato daquele professor não identificado que enviara a mensagem na noite passada?
Ele não suspeitava que Jeong-in estivesse traindo. Mas a própria possibilidade de que Jeong-in pudesse estar escondendo algo dele, de que houvesse um lado dele sobre o qual não falava, deixava Chase desconfortável.
— …Você está esperando algum tipo de ligação?
— Hein? Não?
Os olhos de Chase se estreitaram diante da reação exageradamente surpresa de Jeong-in. Ele teve uma intuição, não, uma convicção, de que Jeong-in realmente estava escondendo algo dele.
Um silêncio constrangedor continuou por um momento. Sentindo a necessidade de mudar a atmosfera, Jeong-in colocou apressadamente a sacola de papel sobre a mesa.
— Ah, aqui. Feliz aniversário.
Como Chase esperava, o que Jeong-in entregou foram os tênis de corrida que estavam escondidos debaixo da cama. Chase agiu com surpresa, como se os visse pela primeira vez, sorriu agradecido e abriu a caixa com admiração.
Mas a atmosfera alegre não durou muito, e Jeong-in lutava para encontrar algo para dizer.
— Você recebeu algum desejo de aniversário da sua família?
— Só da minha irmã.
— Entendo.
A conversa chegou a outro beco sem saída com essas palavras.
Já eram 19h30. Tempo suficiente para as pessoas terem chegado ao local da festa. Jeong-in queria verificar a situação lá apenas uma vez.
— Desculpe. Preciso usar o banheiro.
— Tudo bem.
Jeong-in, que disse que ia ao banheiro, levantou-se com seu telefone. Em sua pressa para sair, ele não viu o olhar silencioso de Chase em seus dedos, nem sua expressão brevemente contorcida.
Caminhando para fora do salão em direção ao banheiro, os olhos de Jeong-in captaram a placa de saída de emergência perto da porta e ele inconscientemente virou para aquele lado.
Além da porta de saída de emergência havia uma visão completamente diferente da frente glamorosa do restaurante. Era um beco pobre com grandes latas de lixo onde o restaurante descartava seus resíduos e caixas empilhadas de qualquer jeito.
E ali paradas estavam pessoas que não combinavam em nada com o cenário. Quatro pessoas em trajes formais, segurando dois violinos, uma viola e um violoncelo, andavam de um lado para o outro. Uma delas olhava ansiosamente para baixo para um telefone, aparentemente esperando a ligação de alguém.
Jeong-in moveu-se para um ponto um pouco afastado deles e ligou para Justin. Mas antes que a chamada conectasse, a conversa que fluía entre aqueles músicos chegou naturalmente aos seus ouvidos.
— Estou com fome. Quanto tempo temos que esperar?
— Disseram para ligarmos quando a sobremesa vier, então teremos que esperar mais um pouco.
— Espero que não haja um desastre como da última vez em que colocaram o anel no bolo e alguém o engoliu.
Não havia mais nada para ouvir. Alguém planejava propor casamento neste restaurante hoje.
Naquele momento, subitamente ocorreu a Jeong-in que Chase estivera de alguma forma diferente hoje. A conversa que não fluía suavemente, sua expressão desajeitada como se suportasse algo, a maneira como ele parecia vigiar Jeong-in.
Certamente a pessoa planejando propor com aqueles músicos não era Chase.
— Alô. Alô? Jay?
À voz de Justin, Jeong-in tardiamente balançou a cabeça para limpar os pensamentos.
— Ah, Justin.
Isso não poderia ser. Ele, que nem sequer tinha tempo para dormir, não poderia ter preparado tal evento. Além disso, Jeong-in foi quem fez a reserva neste restaurante, e ele só contou a Chase sobre isso ontem à noite.
— Por que você está ligando a esta hora… aconteceu algo errado?
Como está o clima por aí, as pessoas já começaram a chegar ou o Justin ainda está escondendo as bebidas de todo mundo?
— Não, só queria saber se está tudo bem por aí. As preparações estão indo bem?
— Claro!
O som de pessoas agitadas veio pelo receptor. Felizmente, parecia que muita gente tinha ido.
Depois de ouvir que tudo estava progredindo sem problemas e desligar, Jeong-in seguiu em frente com a mente um pouco mais relaxada.
Passando pelo corredor e entrando no salão, ele viu Chase. Ele estava olhando pela janela para a chuva que caía com uma expressão séria. Fosse pelo barulho das gotas batendo no vidro, ou porque estava profundamente absorto em seus próprios pensamentos, ele não percebeu Jeong-in se aproximando.
— Chay.
— Ah, sim.
Não importava o quanto ele pensasse sobre isso, Chase estava um pouco estranho hoje.
— Agora que você voltou, devo pedir para trazerem o prato principal.
— Desculpe. Tive que atender uma ligação.
Chase silenciosamente ergueu a mão e chamou o garçom para solicitar que continuassem o curso.
Logo, bifes suculentos foram colocados diante de ambos. A manteiga de ervas derretia lentamente sobre a carne ao ponto, aumentando o aroma.
A carne estava surpreendentemente suculenta e macia, mas ele ainda não conseguia sentir o gosto de como era.
Os pratos de bife foram retirados e logo a sobremesa foi colocada na mesa. A sobremesa cuidadosamente arrumada em um prato quadrado era um folhado crocante com creme de baunilha.
Chase percebeu que não podia mais adiar. Agora era o momento mais apropriado.
Ele tinha que dizer honestamente a Jeong-in que um hospital na Califórnia havia entrado em contato com ele. Mesmo que na melhor das hipóteses fosse em dois anos, o coração de Chase já estava balançando.
Uma cidade familiar, clima ameno o ano todo, um lugar com luz solar sempre deslumbrante e o oceano. Sua cidade natal e o próprio lugar onde conheceu Jeong-in.
Claro, Jeong-in tinha um bom emprego agora, mas nunca se sabe. Talvez Jeong-in também estivesse com saudades da Califórnia. Se sim, ele poderia apenas sugerir que fossem juntos.
Chase abordou o assunto com muito cuidado.
— Tem algo que eu quero te perguntar, Jeong-in.
Aquelas palavras fizeram Jeong-in quase derrubar a colher que segurava.
Jeong-in ficou cada vez mais ansioso. Ele sentia que Chase estava prestes a fazer primeiro a própria pergunta que ele planejava fazer esta noite. Como se confirmasse essa premonição, por cima do ombro de Chase ele pôde ver o quarteto em trajes formais que vira antes entrando. Sua mente ficou em branco.
Todos aqueles planos não podiam fracassar. Ele era quem tinha que pedir.
Na situação repentina e com os pensamentos emaranhados como fios, Jeong-in começou a perder a compostura.
Chase pegou cuidadosamente uma das mãos de Jeong-in. Uma vela em um lado da mesa oscilou, refletida em seus olhos fervorosos.
E, finalmente, Chase abriu a boca.
— Jeong-in, você talvez viria comigo—
— Oh, não!
Jeong-in deu um pulo da cadeira sem pensar. Sua voz perturbada cortou o restaurante, e a mão de Jeong-in escapou do aperto de Chase.
Chase permaneceu congelado, ainda mantendo a posição onde estava segurando a mão de Jeong-in, olhando para ele. Seu rosto mostrava surpresa com a reação repentina de Jeong-in.
E, naquele momento, algo que Jeong-in não previra aconteceu.
O quarteto de cordas passou bem pela mesa onde os dois estavam sentados. A cabeça de Jeong-in virou lentamente para acompanhá-los. O lugar onde as pessoas segurando instrumentos pararam foi na mesa logo atrás deles.
Enquanto a melodia dos instrumentos de cordas se espalhava suavemente, o homem na mesa de trás levantou-se da cadeira e ajoelhou-se diante da mulher à sua frente. Ele tirou um estojo de anel do bolso e perguntou: “Quer se casar comigo?”. A mulher respondeu: “Sim!”, e os convidados das mesas ao redor bateram palmas para parabenizá-los.
Os únicos dois que não aplaudiram o novo casal de noivos foram Jeong-in e Chase.
O rosto de Jeong-in ficou vermelho brilhante enquanto ele se sentava rapidamente de volta, e uma sombra escura caiu lentamente sobre o rosto de Chase.
— Jeong-in, você… — Chase perguntou em voz baixa com uma expressão murcha. — Agora pouco… o que você achou que eu ia perguntar, e o que você estava respondendo?
— Eu, eu… quero dizer…
Jeong-in estava tão nervoso que suas palavras travaram, como se algo estivesse preso em sua garganta.
O que ele deveria fazer? Deveria contar a verdade sobre o plano de hoje, sobre tudo o que havia preparado secretamente para ele?
Enquanto os olhos de Jeong-in dardejavam ao redor, ele ergueu o olhar ao som de algo raspando no chão. Chase estava se levantando de seu assento.
Ele olhou para Jeong-in com olhos onde emoções difíceis de descrever em palavras estavam emaranhadas. E, sem dizer nada, ele se virou e saiu direto do restaurante.
Jeong-in ficou sentado ali por um tempo, apenas piscando estupidamente. Como se alguém tivesse pressionado o botão de mudo, ele não conseguia ouvir nada. Nem as vozes das pessoas, nem a música do restaurante, nem mesmo o som da chuva lá fora.
Seu olhar vagando no ar parou na mesa. Ele viu a sacola de papel sentada ali sozinha. Chase tinha ido embora sem nem levar o presente.
Jeong-in deu um pulo de seu assento, agarrou tanto a sacola quanto a conta, gesticulou rapidamente para o garçom e liquidou apressadamente a despesa.
No momento em que ele empurrou a porta do restaurante, a chuva torrencial cobriu todo o seu corpo. Um pouco adiante, sob a luz fraca do poste, a figura de Chase se afastando estava ficando distante.
Jeong-in correu em sua direção como um louco.
— Chay! Chay!
Chase parou abruptamente. À medida que o som dos passos de Jeong-in correndo pelo pavimento encharcado pela chuva se aproximava, ele se virou lentamente.
Jeong-in olhou para Chase, respirando pesadamente.
Seu cabelo, escurecido um tom para parecer cor de caramelo, parecia pesado, encharcado pela chuva. Gotas de água caíam continuamente das pontas daqueles fios.
Os olhos revelados sob os cílios molhados ondulavam como águas profundas. Aquele tom azul mergulhado em melancolia tentava não revelar emoção, mas ainda continha plenamente a mágoa que não conseguia esconder, no final das contas.
Como se dissesse “fale primeiro se tiver algo a dizer”, Chase permaneceu em silêncio.
— Eu sei o que você está pensando agora… é um mal-entendido.
— Qual parte? Você achou que eu estava pedindo em casamento agora há pouco. Não achou?
Jeong-in abriu a boca pela metade, mas no fim não conseguiu dizer nada. Deveria confessar a verdade mesmo agora, ou deveria seguir em frente com o plano? Em sua indecisão, incapaz de escolher qualquer uma das opções, apenas o silêncio cresceu.
— Eu… é que…
— O “não!” que você gritou alto o suficiente para ecoar pelo restaurante todo, essa foi a sua resposta.
Chase passou a mão pelo cabelo molhado com uma expressão murcha.
— Você estava planejando apenas namorar comigo assim e terminar?
— …
— Eu pensei que estivéssemos indo em direção a algum destino juntos. Você não? Um relacionamento onde qualquer um pode simplesmente ir embora a qualquer momento, era esse o destino final que você vislumbrava para nós?
Sua capacidade de pensar teria sido lavada pela chuva? Jeong-in não conseguia dizer nada. Chase gritou urgentemente para Jeong-in, que apenas continuava movendo os lábios.
— O gato comeu sua língua? Você é alguém que sempre tem uma resposta clara! Diga alguma coisa!
Parecia que sua própria existência estava sendo negada.
Ele acreditara que algum dia construiria uma família com Jeong-in, e pensara que Jeong-in sentia o mesmo. Ele até fantasiara em pedir Jeong-in em casamento de várias maneiras.
Mas será que Jeong-in não se sentia da mesma forma?
Uma frustração que excedia em muito a decepção e um desespero indescritível chegaram como ondas.
Jeong-in olhou para Chase com uma expressão totalmente desolada. Seu rosto pequeno e seu cabelo estavam completamente encharcados pela chuva. Sua camisa branca grudava na pele, saturada de umidade, e sob ela o contorno de seus ombros finos era levemente visível. O corpo envolto no tecido fino tremia delicadamente.
Chase estava furioso. Mesmo nesta situação, ele estava preocupado que Jeong-in pudesse estar com frio, e se sentia como o maior idiota do mundo por estar desconfortável que alguém pudesse ver o corpo de Jeong-in visível através de suas roupas molhadas.
Chase achou-se ridículo por sentir que poderia realmente tirar sua própria camisa e jogá-la sobre Jeong-in. Em um humor que misturava raiva e impotência, ele se virou bruscamente.
Ele começou a caminhar em direção ao estacionamento a uma curta distância com passos determinados. Mas, após apenas alguns passos, percebeu que não conseguia ouvir passos seguindo-o por trás.
Quando ele olhou para trás, Jeong-in estava parado no mesmo lugar, de cabeça baixa.
— Hah…
Chase soltou um longo suspiro, limpando o rosto molhado com a palma da mão de forma bruta. Então, ele se virou e caminhou pesadamente de volta para Jeong-in, segurando-o pelo pulso.
— Vamos para casa primeiro. Conversaremos lá.
Suas palavras e expressão transbordavam raiva, mas a mão que apertava o pulso não exercia força. Ver Chase incapaz de ser rude mesmo naquele momento fez o coração de Jeong-in pesar.
Chase caminhou em direção ao estacionamento sem dizer uma palavra, conduzindo Jeong-in pelo pulso. Ao chegarem ao carro, ele abriu a porta do passageiro primeiro e, após confirmar que Jeong-in havia entrado em silêncio, fechou a porta e sentou-se no banco do motorista.
O carro, com o motor ligado, saiu do estacionamento.
Apenas o som suave do motor, a chuva batendo na lataria e os limpadores afastando a água podiam ser ouvidos; os dois não trocaram uma única palavra até chegarem em casa. Chase não olhou para Jeong-in nenhuma vez, e Jeong-in também não ousou olhá-lo.
Depois de estacionar no subsolo e sair do carro, Chase não segurou a mão de Jeong-in como de costume, mas caminhou pesadamente à frente. Seus sapatos encharcados faziam sons de sucção e deixavam pegadas úmidas no corredor acarpetado.
Durante toda a subida no elevador e a caminhada pelo corredor novamente, Chase não olhou para trás. Jeong-in seguia suas costas com olhos tristes enquanto ele se afastava.
Esse mal-entendido seria resolvido em breve. Em um instante, Chase saberia de tudo e estaria cercado de pessoas os parabenizando. Mas esse fato não trazia conforto. Ele sentia culpa em vez de antecipação.
Será que a mágoa que ele acabara de receber e o desespero que deve ter sentido em seu equívoco poderiam ser simplesmente apagados?
De repente, parecia um daqueles programas de variedades que enganam os participantes para extrair lágrimas e confusão, explorando-os em busca de risadas.
Ele se arrependeu tardiamente, mas não havia mais volta. Jeong-in só pôde ficar parado, impotente, em frente à entrada, observando Chase inserir a chave na fechadura e girá-la.
Logo, com um clique, a porta se abriu.
No momento em que Chase deu o primeiro passo para dentro de casa, luzes que ele não havia aceso brilharam intensamente. E gritos de pessoas escondidas na escuridão explodiram.
— Surpresa!
Após esse breve clamor, o silêncio caiu por um momento.
As pessoas que enchiam a sala com expressões animadas trocaram olhares confusos. Os dois donos da casa haviam entrado parecendo ratos molhados e com expressões sombrias, como se estivessem brigando.
Chase ainda tinha o rosto rígido, e Jeong-in, ao seu lado, não sabia o que fazer e observava Chase nervosamente.
Enquanto o silêncio constrangedor fluía, um robô redondo rolou em direção à porta com pequenos sons mecânicos. Sua aparência cômica não combinava em nada com aquela atmosfera séria.
O robô, vibrando sempre que prendia no tapete, parou entre Chase e Jeong-in ao se aproximar. Então, com um som de zumbido, ergueu seu braço mecânico.
Click, a mão do robô parou, segurando um estojo de anel cor de creme.
O olhar de Chase moveu-se das pessoas que enchiam a sala para o robô misterioso que surgira subitamente diante dele, para o estojo de anel que o robô segurava, e então de volta para Jeong-in. Ele ainda parecia desorientado, como se não entendesse.
Então, uma música familiar começou a fluir do alto-falante acoplado ao robô. Uma introdução alegre começando com metais. Era a intro de “Sweet Caroline”, que Chase escondia em sua playlist e ouvia secretamente.
Aquela canção familiar a todos, frequentemente usada como um grito de guerra. Aquela música que ecoava durante as marchas de incentivo antes dos jogos de futebol americano nos dias de escola. Uma música que trazia todos de volta aos seus momentos mais vibrantes e brilhantes.
Jeong-in pegou o estojo do anel e ajoelhou-se sobre um joelho diante de Chase. O som de pessoas prendendo a respiração podia ser ouvido aqui e ali.
Jeong-in abriu o estojo e o estendeu para Chase, dizendo:
— Chase Alexander Prescott. Você quer se casar comigo?
A luz caiu sobre o estojo do anel que Jeong-in segurava cuidadosamente. O anel repousando sobre o tecido de veludo emitia um brilho suave.
Chase olhou para baixo, para Jeong-in, com um rosto atordoado, como se tivesse perdido as palavras. Seus ombros subiam e desciam, e sua respiração tornava-se gradualmente mais intensa.
A voz calorosa de Neil Diamond cantando o primeiro verso começou a alcançar os ouvidos de Chase. A letra soava como se tivesse transcrito a história dos dois.
Emoções que não podiam ser datadas com precisão de quando começaram, mas que cresceram pouco a pouco e lentamente se solidificaram.
O tempo que os dois passaram para chegar a este lugar, entre desentendimentos, mal-entendidos e mágoas mútuas.
A testa de Chase franziu-se profundamente. Seus olhos azuis ondularam como pequenas vagas, depois tornaram-se úmidos e, finalmente, uma única lágrima rolou silenciosamente por sua bochecha.
Olhando para Jeong-in ajoelhado sobre um joelho diante dele, estendendo um anel como o protagonista de um filme de romance, Chase respondeu com a voz trêmula:
— …Sim. Um milhão de vezes, sim.
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna