Capítulo 11
- Início
- Todos Os Mangas
- Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo
- Capítulo 11 - Desejo em Julgamento
Capítulo 12 – Desejo em Julgamento
A noite se estendia como um véu espesso sobre o Santuário Celeste. O mundo dos Signos dormia, mas dentro da cúpula translúcida de estrelas onde Elian havia sido recolhido, o tempo parecia suspenso.
Scorvan observava-o.
Sentado à beira do leito, os dedos apoiados nas dobras do tecido azul-escuro, ele acompanhava cada respiração do Julgador, como se seu próprio fôlego dependesse daquilo.
Elian dormia, mas inquieto.
O suor colava sua franja escura na testa pálida. As asas quebradas — agora envoltas por uma aura de cura — tremulavam suavemente, como se algo dentro dele ainda lutasse para não desaparecer.
Scorvan se aproximou mais. Tocou sua testa com a ponta dos dedos, afastando os fios úmidos. Elian gemeu baixinho, a voz quase um sopro.
— Scorvan…
— Estou aqui.
— Eu… sonhei que estava caindo.
— E eu… — Scorvan hesitou — sonhei que te segurava.
Elian abriu os olhos. Lentamente. Pupilas claras emolduradas pela sombra do sono. Os dois se encararam. A penumbra ao redor fazia parecer que não havia mais nada no mundo — só o brilho tênue das estrelas filtradas pela cúpula e o calor entre eles.
Elian se ergueu, com esforço, apoiando-se nos cotovelos. Scorvan o ajudou, e os rostos ficaram perigosamente próximos.
— Não se mova assim — advertiu o escorpiano. — Você ainda está fraco.
— Não me diga o que fazer — sussurrou Elian, com um sorriso cansado. — Não agora.
Houve uma pausa. Longa. Densa. Quase irrespirável.
Scorvan engoliu em seco.
— Por que você continua me olhando assim?
— Porque a cada vez que te encaro, me pergunto se estou julgando certo… ou apenas desejando errado.
Scorvan arqueou a sobrancelha, tenso.
— Está me dizendo que não confia mais no próprio julgamento?
Elian assentiu devagar.
— Eu confio. Mas o desejo é uma força tão poderosa quanto a justiça. E às vezes… me sinto dividido entre as duas.
Scorvan riu, sem humor.
— E o que pesa mais, Elian? A balança ou meu corpo?
O silêncio voltou. Mas dessa vez, ardia.
— Você acha que eu sou fraco porque te quero? — Elian perguntou, sem desviar os olhos.
Scorvan ficou imóvel por alguns segundos. Depois, respondeu, voz baixa:
— Não. Eu acho que você é mais perigoso agora. Porque antes, julgava sem se envolver. E agora…
Ele estendeu a mão, roçando de leve os dedos no pulso de Elian.
— …agora você sente. E isso te torna real. Te torna mortal.
Elian levou a mão até a dele, entrelaçando os dedos com firmeza.
— Então seja meu espelho, Scorvan. Se eu cair, me mostra quem eu sou. Se eu fraquejar, me prende. Mas não me deixe julgar sozinho outra vez.
Scorvan puxou a mão devagar, sem soltar a dele, e a levou até os lábios. Um beijo simples, quase casto — mas cheio de reverência e fúria contida.
— Você não faz ideia do quanto eu desejei isso — murmurou. — Nem do quanto eu me odiei por querer um Julgador.
— Então não me chame mais assim. Aqui… agora… sou só Elian.
Scorvan o puxou devagar para si.
Os corpos se alinharam com a naturalidade de quem já se conhecia em outra vida. Não era pressa. Não era sede. Era como um reconhecimento de alma. Um encaixe de mundos opostos que, mesmo à beira da destruição, ainda se buscavam.
As bocas se encontraram.
O beijo foi lento. Denso. Sem inocência, mas sem urgência. Como se cada toque dissesse: “Esperei por isso. Lutei por isso. Sofri por isso.”
E então os corpos estremeceram.
Mas eles não foram além.
Não ainda.
Scorvan interrompeu o beijo com um suspiro grave. Encostou a testa na de Elian, os olhos fechados.
— Não agora — sussurrou. — Eu quero te ter inteiro. Não só quebrado.
Elian ficou em silêncio. Um arrepio percorreu sua espinha. Pela primeira vez em muito tempo, alguém queria não apenas sua presença, mas sua plenitude.
— Então espere — respondeu, sorrindo de lado. — E eu prometo que quando minhas asas voltarem… elas vão bater por você.
Scorvan apertou os olhos, engolindo a emoção.
— Você me diz essas coisas e depois quer que eu respeite limites?
Elian riu, pela primeira vez naquela noite.
— Desculpe. Julgo com palavras também.
Eles se deitaram lado a lado. Mãos entrelaçadas. Silêncio confortável.
O desejo estava ali. Palpável. Vivo. Mas julgado. Contido.
Porque amor verdadeiro também é isso: saber esperar.
E nas sombras daquela noite, com as estrelas como testemunhas silenciosas, Libra e Escorpião não se perderam em instinto.
Eles se encontraram no afeto.
E isso, para os deuses, era ainda mais perigoso do que qualquer pecado carnal.