. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 04.3
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 4.3: O Rei do Norte
Rensley gritou. Mas a voz se perdeu, abafada pelos estrondos da batalha. Gritou mais alto algumas vezes, mas foi em vão.
Enquanto isso, a luta continuava. Mas a “invocação” do grão duque ainda parecia incapaz de usar todo o seu poder. Embora Rensley nunca tivesse visto uma luta entre invocações, ele podia perceber que o estado daquela fera negra não era normal.
Quando os tentáculos duros como lanças da borboleta voaram em sua direção, a invocação negra os prendeu com magia. Tentou atacar a borboleta com magia, mas ela também não era comum. Ela cortou seus próprios tentáculos, voou alto e bateu as asas.
Rensley franziu a testa e cobriu os ouvidos. As ondas sonoras estranhas, que já o arrepiavam desde o início, agora, perto, doíam como se sua cabeça fosse explodir. O som parecia incomodar tanto humanos quanto monstros. A invocação negra, ofegante, começou a rugir mais alto. Era diferente do rugido que dominara tudo quando pousara pela primeira vez.
Ele estava claramente sofrendo. Não só pelo ataque da borboleta, mas por outra razão. Qualquer que fosse a tática de batalha de Oldenlant, Rensley achava que não era hora de apenas proteger a retaguarda.
Rensley subiu para um galho mais alto. Qualquer pessoa normal sentiria um frio na espinha só de olhar para baixo, mas Rensley não se importava. Sem olhar para baixo, ele ficou no topo da árvore e observou a batalha.
“Sabia que não devia ter usado todos os artefatos na muralha.”
Com um arrependimento inútil, ele pegou uma flecha. Ainda tinha forças para untar a flecha com óleo e atear fogo. Embora soubesse que não causaria dano significativo à borboleta, ele esperava que servisse como um sinal e esticou a corda do arco. A flecha voou silenciosamente.
Na linha de frente vazia, na planície negra para onde os soldados haviam recuado, restavam apenas os dois monstros. A flecha em chamas atravessou o céu noturno com uma presença maior do que ele esperava.
A flecha cravada no corpo do monstro não causou o dano que ele pensava; a borboleta apenas bateu as asas e a sacudiu.
No entanto, o movimento da invocação negra parou. A invocação controlada pelo grão duque percebera a flecha impossível. Agora que os soldados haviam recuado para apoiar a retaguarda, uma flecha incendiária vinha de uma direção onde não deveria haver ninguém.
— Alteza!
Aproveitando a breve pausa, Rensley gritou com toda a força.
A invocação negra virou a cabeça. Seus olhos dourados como lava, ao contrário dos olhos humanos, não distinguiam íris da esclera, e a pupila também não era visível, tornando difícil adivinhar seu olhar.
Mas Rensley achou que a invocação o havia visto.
Grrrr… A voz que ecoava na garganta da invocação mudou de tom e volume. Embora fosse muito mais ameaçadora e rouca, Rensley, surpreso com a situação inesperada, lembrou-se do som de um cachorro rosnando. Por mais absurdo que parecesse, ele não podia evitar a sensação.
— Cuidado!
Rensley gritou. A invocação, que se distraíra por um momento, virou a cabeça rapidamente para a frente.
Vários tentáculos verde-escuros, como se carregassem um ataque ainda mais poderoso, voaram em direção à invocação negra. Sem se assustar, a invocação negra agarrou os tentáculos e os arrancou. A borboleta soltou um grito desagradável. A confirmação e a conversa seriam depois. O mais importante agora era eliminar a borboleta. Só assim ele poderia encontrar o grão duque Gizel. Rangendo os dentes, Rensley preparou outra flecha. Foi então que, ao esticar a corda, ele arregalou os olhos e olhou para sua mão que segurava o arco.
Seu pulso brilhava intensamente. A luz, que não era ofuscada mesmo pela roupa, iluminava os arredores de forma radiante, mas surpreendentemente não era tão forte a ponto de ofuscar a visão. Depois de disparar a flecha, Rensley virou o pulso de um lado para o outro.
“Acho que meu pulso já brilhou assim antes…”
Rensley rapidamente descartou o pensamento. Não era o momento para isso. Ele se concentrou novamente nos monstros.
E então ele viu. No pulso da invocação negra, um anel de luz da mesma forma brilhava.
Foi um brilho repentino, curto.
Mas foi o suficiente. Histórias que ele nunca soube, pensamentos que nunca ouvira, fluíram para seu corpo e mente como se sempre os tivesse conhecido.
Não precisava de mais explicações ou confirmações.
Boooom! Um som que parecia destruir o mundo ecoou, tremendo até o céu. A invocação negra, que antes se contorcia em agonia, agora rugia com força. Um clarão explosivo disparou de sua mão.
O monstro rapidamente ergueu uma barreira, mas o ataque era claramente mais poderoso que os anteriores. A barreira do monstro se rasgou como asas de borboleta, e o monstro gigante, envolto no clarão, ardeu em chamas negras. Quando a luz se dissipou, nada restou. Nem mesmo o cadáver do monstro. Rensley agarrou o galho e saltou. De galho em galho, rápido como um esquilo voador, chegou ao chão.
A invocação negra o observava, como se procurasse Rensley, que estivera no topo da árvore. Rensley correu, gritando:
— Não! Alteza, não é um sonho!
Mas antes que Rensley pudesse se aproximar, um círculo de invocação começou a se formar no ar. Como quando aparecera, ele se gravava no céu noturno.
O processo se repetiu. O céu se abriu, revelando uma escuridão profunda como um poço. A invocação que emergira da escuridão agora era sugada para dentro. Seus olhos dourados finalmente encontraram Rensley, mas até o poder do monstro invocado não podia vencer a ordem da magia de invocação.
Rensley correu mais rápido, mas não conseguiu alcançar a velocidade com que ele desaparecia. Quando finalmente chegou ao local onde a invocação negra estivera, era apenas uma planície deserta.
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Assim como a derrota, a vitória também traz desordem.
Com a vitória repentina em grande escala, as pessoas, exaltadas, não pensavam em dormir.
Embora o difícil trabalho de reconstruir prédios e instalações queimadas permanecesse, as pessoas acenderam grandes fogueiras em vários lugares, como se celebrassem. Bebendo, cantando, como se fossem passar a noite em claro.
— Não via uma batalha tão grande há muito tempo.
— A magia de invocação do grão duque é invencível. Ele destruiu aquele monstro enorme.
— Eu ainda não estou enferrujado. Meu sangue ferveu ao pegar no arco novamente.
Os cavaleiros que haviam derrotado os monstros mais fortes circulavam entre os moradores, tratados como heróis, e os cavaleiros atribuíam seus feitos aos moradores.
O fim da vitória era como uma festa. Roudequen, dentro da muralha, estava barulhenta com conversas, histórias e cantos. Um homem, atrasado, entrava pela porta norte, que ainda não havia sido fechada. Ele parecia exausto.
Perto do portão norte, onde as pessoas haviam sido afastadas, a paisagem era desolada, diferente da praça central onde a festa acontecia. O comandante da guarda, Anton Sorel, esperava diante dele. Ele, que não havia dado um passo em direção à celebração, observava silenciosamente o pródigo que voltava.
Rensley, com uma expressão vazia, olhava para o chão, sem dizer nada. Anton suspirou e falou primeiro:
— Cuide dos seus ferimentos. Você está um desastre.
— Não é nada. Só arranhões…
— Você vai se apresentar ao Alteza assim?
Ao ouvir isso, Rensley ergueu a cabeça. Seu rosto, antes vazio, agora ardia com um calor intenso.
— Onde está sua Alteza?
— Vou chamar alguém. Volte para o quarto, trate seus ferimentos em silêncio e espere. Se as pessoas souberem que você voltou, vai causar confusão. Sua Alteza ainda tem muito o que fazer e está com os conselheiros. Quando a situação se acalmar, ele certamente virá atrás de você. Você não tem ideia do quanto ele te procurou.
— Mentira!
Rensley ergueu a voz. Quando Anton se calou, ele, assustado com sua própria reação, recuou alguns passos.
— Desculpe. Não foi minha intenção gritar com o comandante.
— Não precisa se desculpar. Hoje você tem todo o direito de estar perturbado. Então, vá para o quarto e descanse.
Rensley balançou a cabeça. A paisagem daquela noite era um pesadelo que ele nunca imaginara. Mas sua agitação não era por causa dos monstros ou da batalha.
— Deixe-me ver sua Alteza agora.
— Ninguém pode vê-lo agora.
— Sei onde ele está.
Os olhos de Anton se arregalaram ligeiramente. Rensley cerrou os punhos.
— Ele está na torre, não está?
—…Malocen, o que você está dizendo?
— Ele está na torre norte. Preso sozinho. O que lutou há pouco não foi uma invocação, foi o próprio duque, não foi?
A expressão do comandante, que estivera severa, mostrou um lampejo de surpresa. Rensley se aproximou mais e juntou as mãos.
— Comandante, por favor… Deixe-me vê-lo. Deixe-me estar ao lado dele agora mesmo. Aceitarei qualquer punição depois.
—…Não posso decidir isso sozinho.
A expressão de Anton, ao responder, era dura, mas seus olhos estavam cheios de uma tristeza genuína.
Rensley, com o rosto desfeito, baixou a cabeça. Depois de um breve silêncio, ele ergueu o olhar novamente.
— Sua Alteza se casou com outra pessoa nesse meio tempo?
— Como seria possível?
Anton parecia genuinamente indignado. Rensley balançou a cabeça.
— A nova grã-duquesa não chegou, e sua Alteza não me depôs.
— …
— Então, ainda sou a grã duquesa de Oldenlant. Comandante, como grã duquesa, peço-lhe que me guie até sua Alteza.
Anton Sorel não respondeu imediatamente. Um silêncio intenso se instalou entre eles.
Os olhos violetas brilhavam com desejo na escuridão. O comandante, observando-o, juntou os pés, estendeu uma perna para trás, dobrou ligeiramente os joelhos, colocou a mão direita, que puxava a capa, sobre o peito esquerdo, e curvou-se. Era a saudação da ordem de cavaleiros ao rei.
— Atenderei ao pedido, Sua Alteza, a Grã duquesa.
Rensley apenas piscou diante da saudação cortês repentina.
Anton, erguendo-se rapidamente, deu alguns passos largos e fez um gesto.
— Você pediu para ver alguém, por que está paralisado? Venha.
— Ah, sim!
Rensley finalmente correu atrás dele. O interior escuro do portão norte estava mal iluminado por pequenas lâmpadas.
Eles chegaram à torre retangular, no canto mais distante da muralha. A torre sem porta, guardada por magos, estava como sempre. Antes de falar com eles, Anton se virou para Rensley.
— Malocen.
— Sim.
— É a última chance. Depois que você entrar nesta torre, não poderá mais deixar Oldenlant. Você tem certeza de que quer ver sua Alteza?
Rensley, em silêncio por um momento, balançou a cabeça. Sem desviar o olhar, respondeu:
— Não me importo.
Anton não perguntou duas vezes. Quando ele falou com os magos, eles começaram a recitar encantamentos.
Na parede de pedra, que antes não tinha nada, apareceu um buraco negro, semelhante ao da invocação. Como a entrada de uma caverna.
— Siga o corredor e o encontrará.
— Obrigado, comandante.
Rensley curvou-se profundamente. Ao olhar para trás, Anton esboçava um sorriso amargo.
Seu rosto desapareceu rapidamente. Assim que entrou na torre, a entrada se fechou, e apenas a parede de pedra ficou atrás dele. Rensley andou. O corredor sinuoso não parecia ter fim. Do lado de fora, não parecia tão grande… Claramente, não era um espaço comum. Rensley olhou ao redor e continuou andando. Felizmente, a luz estava acesa, então não era difícil avançar.
Quanto tempo ele andou? O fim do corredor começou a aparecer. Grades semelhantes a uma prisão o receberam primeiro. Ao ver a forma da pessoa atrás delas, o rosto de Rensley se iluminou. Ele estava prestes a correr para a frente quando…
— Não se aproxime.
Para Rensley, apenas alguns dias haviam se passado desde que deixara aquele lugar. A voz, que ele tanto sentia falta, mas que parecia ter passado uma eternidade, veio de trás das grades.
Rensley, que estava prestes a correr, parou. A voz que ele queria ouvir era fria como gelo. Esforçando os olhos para ver através das grades, a escuridão impedia qualquer visão. Engoliu em seco e abriu a boca. Queria soar mais confiante, mas as palavras saíram vacilantes.
— Alteza, queria vê-lo…
↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna