. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 01.3
. ₊ ⊹ . ⋆ Capítulo 01.3 :A Dança Final
Na estufa, os tomates estavam amadurecendo bem. Berinjela, abobrinha longa, radicchio, rúcula e outros vegetais também estavam crescendo sem problemas. De um lado da estufa, também haviam plantado mudas de oliveira, mas ainda levaria tempo para dar frutos.
Entre os treinos de dança, a escolha dos vestidos e as conversas, Gizel teve que voltar para a sala de audiências por causa de uma reunião. Para Gizel, que não voltava há bastante tempo, Rensley decidiu fazer um lanche simples.
Depois de uma longa reunião, por mais impassível que ele fosse, o estresse se acumularia de forma consciente ou inconsciente, então uma salada refrescante seria uma boa mudança de ares. Por experiência, uma salada com queijo e uma taça de vinho não muito alcoólico era o melhor fim de dia.
Como era uma refeição que não precisava de fogo, Rensley estava de bom humor. Na cozinha vazia, com todos já saídos, ele cantarolou enquanto cortava os tomates e assava as berinjelas com sal. Picou o queijo de ovelha em pedaços pequenos e preparou um molho com óleo e ervas.
Rensley hesitou sobre para onde levar o prato pronto, e decidiu ir primeiro ao laboratório. Depois de uma longa reunião, Gizel costumava ir ao laboratório em vez de ir diretamente para o quarto. Provavelmente era sua maneira de aliviar o cansaço.
A essa hora, estaria vazio; ele esperaria lá e, se demorasse muito, voltaria para o quarto. Não era uma comida que perdesse o sabor se esfriasse.
Por educação, bateu na porta, mas, como esperado, não houve resposta. Rensley enfiou a chave do laboratório que Gizel lhe dera há pouco na fechadura. Mas a chave girou em falso. A porta não estava trancada.
— Hmm?
Será que a reunião já tinha terminado? Rensley pensou em fazer uma brincadeira de beijá-lo assim que entrasse. Sorrindo maliciosamente, abriu a porta.
— Rensley! Há quanto tempo!
No entanto, ao ver quem estava no laboratório, Rensley rapidamente compôs a expressão. Se tivesse falado sem pensar, poderia ter se complicado.
— Há quanto tempo. Bati na porta, mas como não houve resposta, pensei que estivesse vazio. Mas a porta estava aberta, então pensei que pudesse ser um intruso.
— Ah, desculpe. Às vezes, quando estou concentrado, não ouço. Vim pegar algo que esqueci e acabei ficando. Ouvi dizer que você entrou para a ordem, está fazendo patrulha?
A pessoa no laboratório não era Gizel, mas o comandante dos magos, Larcov. Ele colocou o frasco de reagente que segurava e se aproximou, arregalando os olhos de repente. Empurrando os óculos para cima, franziu a testa.
— Ora, isso não é tomate e berinjela?
— Ah, sim. Ultimamente, tenho me interessado por culinária. Acabei fazendo bastante e estou distribuindo.
— Que surpresa. Em Oldenlant, nunca vi tomates frescos. Já comi os secos algumas vezes.
Parecia que o grão-duque, que dissera que cultivar frutas e legumes de outras regiões era um grande benefício para a política de Oldenlant, não havia contado ao chefe dos magos sobre a estufa no pátio dos fundos. Rensley desconversou com uma explicação vaga e colocou o prato sobre a mesa.
— Estava com fome e entrei na cozinha escondido, e estava lá. Como sou de Cornia, como isso todo dia, fiquei feliz em ver e fiz.
— Ah, Cornia! Eu também visitei Cornia há muito tempo. Ainda me lembro bem. Celestine é realmente uma cidade linda. Não há lugar com comida e bebida tão abundantes e saborosas quanto lá. Ultimamente, tornou-se um lugar que os magos evitam visitar, mas antigamente não era assim.
Ainda não havia frutas maduras o suficiente para comer cruas, então isso era tudo…
Enquanto Rensley pensava rapidamente e de forma mesquinha em como conseguiria levar o prato de salada, que não era muito, para o grão-duque, Larcov estendeu uma garrafa escura que trazia no cinto.
— Eis que tenho algo assim comigo. É um licor de pêssego silvestre que importei particularmente de Pereira. Dizem que, usando uma nova técnica de fermentação, tem um sabor picante; estava pensando em quando abri-lo.
Assim, Rensley e Larcov se sentaram lado a lado em frente à longa mesa onde colocaram a salada. Empurraram os livros e materiais de laboratório que estavam espalhados e serviram a bebida em copos de vidro sem graça.
Rensley cheirou o licor antes de beber. Um aroma azedo envolveu seu rosto como perfume de flores. Ao dar um gole, seus lábios se ergueram. Rensley fez sua avaliação.
— Não é tão doce quanto eu pensava.
— Não é do seu gosto?
— Não, prefiro assim. É refrescante e delicioso!
— O sabor da comida que Rensley fez também é excelente. O sabor azedo do tomate e o sabor encorpado da berinjela assada, envoltos no queijo, no azeite e nas ervas… quanto tempo não sentia um sabor fresco assim. É comovente. Quem diria que eu comeria uma comida dessas aqui. Não é por mal, mas Rensley também sabe, não é? A chef de Roudequen não tem habilidade nenhuma! Nós podemos comer fora, mas sua Alteza, que tem que comer a comida dela todos os dias, coitado. Felizmente, ele não liga muito para comida e bebida, então não há problemas.
Afinal, quem sabe, sabe… Mas Rensley, que era mais próximo de Reina do que de Larcov, não pôde concordar com ele e apenas tomou mais um gole do licor precioso. Larcov comeu a berinjela e o tomate juntos, num só garfada, e perguntou:
— Como tem sido a vida ultimamente? Deve ser melhor agora que você entrou para a ordem, não?
— Melhor do que isso, não poderia ser. Sinceramente, se tivessem me mandado ficar só no quarto, eu teria fugido ou saído sempre, arruinando tudo. Sua Alteza nem me conhecia direito quando decidiu me colocar na ordem. Ele é realmente sábio.
— Deve ser difícil viver uma vida dupla escondida, mas aguente mais um pouco. Ouvi dizer que isso não vai durar muito.
— O quê?
— É sobre a nova grã-duquesa de sua Alteza. Eu não me importo muito com assuntos de estado, então só ouvi boatos, mas parece que, depois de avaliar algumas candidatas, a decisão está quase tomada. Não há um país pequeno chamado Isren, não muito longe de Cornia? Ouvi dizer que o irmão do rei de lá tem uma filha solteira, em idade de casar. Disseram que, quando o banquete que estão preparando terminar, eles vão começar oficialmente os preparativos. Ah, você não sabia?
Mesmo sem ter bebido muito, sua língua parecia pesada, como se estivesse dormente. Rensley bebeu o resto do licor de um gole só. O aroma doce e azedo do pêssego, ao ser inalado de uma vez, fez sua cabeça girar como se tivesse inalado veneno, e ele falou mais rápido.
— Ouvi dizer que estavam em preparação, mas não sabia em que estágio estavam.
— Bem, o casamento real não é algo importante para gente como nós. Rensley já entrou para a ordem e se estabeleceu em Oldenlant, então não precisará dar mais explicações às pessoas. Vendo isso, é certo que sua Alteza tem boa mão para as coisas.
— Sim. Espero que isso seja resolvido rápido. Como o senhor disse, essa vida dupla é cansativa.
O licor de frutas doce tinha um teor alcoólico considerável. Para aliviar a língua dormente, Rensley forçou a entrada de tomate, berinjela assada e queijo. Ele achava que estava mais gostoso do que isso… Para desfazer os elogios de Larcov, o paladar de Rensley estava aquém do que ele pretendia. Fez bem em experimentar primeiro antes de levar ao grão-duque.
— Os conselheiros também parecem estar insatisfeitos com a preparação do banquete nesta época. É estranho, sim. Ele nunca se interessou por lazer, e de repente resolve dar um banquete agora.
—…Ele disse que era para receber o embaixador do imperador antes da primavera. Diplomacia também faz parte do trabalho de um rei.
— Um banquete não precisa ser necessariamente numa data fixa, então não seria mais conveniente esperar até que o novo casamento estivesse decidido? Assim Rensley também não teria que se preocupar em se preparar para o banquete.
— É verdade. Senhor mago, antes de vir para Oldenlant, o senhor viajou muito por outros países?
Mudando de assunto, a conversa fluiu naturalmente para outros tópicos. Animado com a bebida e a comida, o mago contou histórias de aventuras que rivalizavam com qualquer romance de aventura.
Ele já trabalhou para três reis diferentes e até atuou numa associação de magos do continente, contando sua história de vida. Ele gostava de socializar, mas quando o número de pessoas aumentava, a política surgia em todo lugar, e cansado disso, disse que passou um tempo trancado em casa, dedicando-se à pesquisa e à escrita de livros.
Foi nessa época que o jovem grão-duque, que havia herdado o trono há pouco tempo, entrou em contato com ele. Dizia ter lido seu livro com grande interesse e o convidava para ouvir suas opiniões pessoalmente. Ele visitou aquela terra distante do norte pela primeira vez e, embora as lutas contra monstros fossem frequentes, decidiu se estabelecer lá, onde as relações entre as pessoas eram mais tranquilas do que em qualquer outro lugar.
Enquanto a longa conversa fluía, a garrafa de licor importado do império se esvaziava lentamente. Absorto nas histórias do passado do mago, Rensley fazia comentários de apoio e balançava a cabeça.
— Estão usando o laboratório do palácio como uma taverna.
Uma voz estranha se interpôs. Rensley virou a cabeça rapidamente.
Por causa da bebida ou da conversa, nenhum dos dois notou a entrada de outra pessoa. Larcov riu e se levantou.
— Me desculpa. Vim buscar uns papéis que deixei durante o dia e acabei fazendo outro experimento… Foi aí que o cavaleiro Rensley, que devia estar em patrulha, entrou com um lanche. E eu tinha bebida, então dividimos um pouco. Rensley deveria trabalhar na cozinha, não na ordem. Ele cozinha muito bem.
— Fora do horário de refeições, é melhor evitar lanches no laboratório. E ainda por cima, comer em cima de uma mesa com reagentes.
— Desculpe, Alteza. Foi culpa minha por trazer comida aqui.
Rensley, constrangido, inclinou a cabeça. Não sabia que era proibido comer no laboratório fora do horário das refeições. O gentil grão-duque Gizel, que não conseguia repreendê-lo por levar comida, claramente havia deixado passar sem dizer nada até agora.
— Não há mal nenhum em querer compartilhar a comida que você fez. As regras de uso do laboratório são de responsabilidade dos usuários, então não é algo pelo qual o senhor deva se desculpar.
— É verdade. Anotarei. Rensley, gostei muito da refeição de hoje. Vou me retirar. Até a próxima. Alteza, vou me retirar.
Aproveitando que a atenção de Gizel estava voltada para Rensley, Larcov rapidamente murmurou um pedido de desculpas superficial e saiu do laboratório. Mas mesmo depois que o mago, que havia sido repreendido, saiu, Gizel não olhou para trás e deu mais um passo em direção a Rensley.
— Levante a cabeça. O que eu disse foi para Larcov ouvir, não para você.
Ao erguer a cabeça, o olhar de Gizel estava fixo no prato vazio. Rensley rapidamente pegou o prato da mesa e o escondeu atrás das costas.
— Não era nada demais. Só uma salada… Abri a porta pensando que sua Alteza estava aqui, mas o mago estava.
— Que tipo de salada?
— Misturei tomate, berinjela e queijo… Alteza, quando os tomates estiverem maduros, faço de novo para o senhor! Não sabia que isso ia acontecer, usei todos os frutos maduros, então agora não posso fazer.
—…Quando poderei provar esse tal de tomate?
— Eles amadurecem rápido. Em alguns dias, vários vão ficar vermelhos.
Enquanto dizia isso, Gizel inclinou a cabeça e enterrou o rosto na nuca de Rensley. Quando a pele se tocou, seus ombros se encolheram involuntariamente.
— Alteza?
— Bebeu muito?
— Nada disso. Dividimos uma garrafa de licor de frutas entre dois.
— Até agora, você é oficialmente a grã-duquesa. Beber a sós com outro homem aqui é um comportamento impróprio.
— Haha! Quando é que meu comportamento foi apropriado?
Que combinação de palavras tão inadequadas para Rensley Malocen, “comportamento apropriado”? Rindo alto, deu tapinhas no ombro de Gizel, mas ele não riu.
“De qualquer forma, a grã-duquesa.”
Lembrando-se da história que havia esquecido por um momento, o riso de Rensley foi perdendo a força lentamente. Ele, como se realmente fosse a grã-duquesa, compôs a expressão severamente e encarou seu parceiro temporário.
— Sua Alteza não tem nada a me dizer?
— Dizer o quê?
— Se o senhor realmente me considera a grã-duquesa, deveria ter algo a me dizer sobre o casamento. Não é hora de se deixar levar pela empolgação da preparação do banquete. Mesmo se divertindo, é preciso conciliar as coisas necessárias.
Mesmo diante da acusação repentina, a expressão de Gizel não mudou. Pelo contrário, ele até deu um pequeno sorriso.
— Larcov deve ter dito algo desnecessário.
— Não é algo desnecessário. Essas coisas também devem ser comunicadas a mim. Eu tenho o direito de saber pelo menos que tipo de pessoa sua Alteza está considerando. E posso dar conselhos úteis, pois sua Alteza não tem muita experiência com mulheres. Se o senhor me contar, posso pensar profundamente sobre que tipo de pessoa combinaria melhor com o senhor…
— Não expliquei da outra vez? É apenas para encontrar alguém para assumir o papel de grã-duquesa de Oldenlant, não encontrar uma mulher que combine comigo.
— É a mesma coisa. Por mais que seja um casamento arranjado, uma vez que a cerimônia é realizada, vocês se tornam marido e mulher. Gostando ou não, terão que compartilhar a vida e o corpo, então deve-se encontrar alguém que se adeque não apenas como grã-duquesa de Oldenlant, mas também como sua companheira.
— Isso não tem a menor importância.
Diante da firmeza de Gizel, Rensley ficou confuso e se calou. O homem que contradizia suas palavras parecia tão convicto que chegava a fazer Rensley se perguntar se realmente havia dito algo errado.
— Não precisa se preocupar. O senhor Malocen, agora e no futuro, só precisa pensar no que quer fazer.
↫─✧ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna