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CapĂtulo 74
Gakane convocou seu clone de sombra para vasculhar as caixas empilhadas, espalhando as mais limpas no chĂŁo. Depois de arrumar algumas caixas para servirem como cadeiras improvisadas e uma cama, todos se sentaram. EntĂŁo, Nahan iniciou uma conversa com Gakane.
â VocĂȘ tem uma habilidade Ășnica. Seu clone de sombra pode atravessar paredes?
â Por que quer saber?
Embora Gakane sempre parecesse amigĂĄvel, sua relutĂąncia em baixar a guarda diante de Nahan sugeria que ele era seletivo ao demonstrar suas habilidades sociais.
Depois disso, um silĂȘncio desconfortĂĄvel perdurou, preenchido apenas com a expectativa de esperar. Talvez cansado de esperar na hora tardia, Jimmy começou a cochilar, encostado na parede.
Quando a vela bruxuleante dentro da lanterna havia derretido pela metade, vozes murmurantes ecoaram do lado de fora da janela. Parecia que os aldeÔes que tinham ido ao fundo da montanha haviam retornado.
â Ah, hum… parece que todos voltaram…? Eles vĂŁo nos chamar logo, certo?
Jimmy, que estava balançando a cabeça enquanto lutava contra o sono, aguçou os ouvidos e abriu os olhos ao ouvir o som. Yuder, observando o jovem garoto lutar valentemente contra seu sono e ansiedade, tocou suavemente sua cabeça redonda.
â Se estĂĄ com sono, deite-se e durma.
â NĂŁo, nĂŁo estou com sono. NĂŁo dormi!
Assustado com o toque de Yuder, Jimmy se desculpou, seu rosto ficando vermelho vivo mesmo na luz fraca. Claro, ninguém acreditou nele.
Dada a hospitalidade excessiva que haviam recebido, a probabilidade de o filho do Senhor falecido os chamar imediatamente era de cinquenta por cento. Se nada estivesse errado, seriam convocados prontamente, mas se nĂŁo, quem saberia o que poderia acontecer.
“Descobriremos em breve.”
As vozes murmurantes ecoaram da entrada do castelo por um bom tempo, e o interior também estava bastante barulhento. No entanto, nenhum som de alguém vindo chamå-los foi ouvido. Mesmo quando a escuridão deu lugar ao amanhecer que se aproximava, a situação permaneceu a mesma.
Finalmente, quando o sol nasceu completamente, Yuder se levantou de seu lugar e girou a maçaneta de anel na porta.
Ranger. Ranger-ranger. NĂŁo importa quantas vezes ele girasse e empurrasse, a porta se recusava a abrir para fora.
â Agora estĂĄ claro.
A voz de Yuder ressoou baixa na sala abafada.
â Parece que eles nĂŁo tĂȘm intenção de nos encontrar.
â Isso Ă© realmente ridĂculo.
Gakane zombou, seus olhos mostrando sinais de cansaço.
â EntĂŁo, qual Ă© o plano agora?
Se perguntado, Gakane poderia imediatamente convocar seu clone de sombra para derrubar a porta. Jimmy também era um garoto que, apesar de sua espada de treino enferrujada, podia cortar paredes como os lendårios mestres de espada dos contos.
â Apenas diga a palavra. SerĂĄ rĂĄpido derrubar e sair.
Mas, ao contrårio do pensamento de Gakane, Yuder não tentou imediatamente derrubar a porta. Perdido em pensamentos por um momento, ele se moveu até a janela e começou a assobiar em um padrão peculiar.
Depois de repetir o assobio caracterĂstico trĂȘs vezes, algo voou de longe atĂ© a pequena janela. Pousado no dedo estendido de Yuder como uma tocha estava, sem dĂșvida, o pĂĄssaro mensageiro que ele mantinha ao lado de sua sela atĂ© ontem.
â …Um pĂĄssaro mensageiro?
â Vamos enviar um relatĂłrio primeiro, depois nos movemos.
Sua voz suave chamou a atenção. Gakane observou enquanto Yuder tirava um pequeno pedaço de papel de seu bolso. Assim como ele se perguntava como Yuder planejava escrever sem uma caneta, Yuder ergueu um dedo e o aproximou do papel.
Momentos depois, uma chama minĂșscula fluiu, delineando formas delicadas semelhantes a escritos, queimando suavemente a superfĂcie do papel. Embora ele tivesse virado o corpo para impedir que outros vissem o que estava escrevendo, todos podiam reconhecer a precisĂŁo incrĂvel envolvida em sua habilidade, uma aplicação tĂŁo intrincada que era quase inacreditĂĄvel mesmo para aqueles que assistiam.
Muitos alĂ©m de Yuder podiam usar o poder da chama, mas nenhum era capaz de utilizĂĄ-lo dessa maneira, com tanto controle. Esse nĂvel de ajuste fino era ainda mais desafiador do que invocar uma chama grande o suficiente para cobrir uma montanha inteira.
Observando o espanto, nĂŁo completamente escondido, nos olhos do lĂder dos bandidos que se apresentou como Nahan, Gakane sentiu um senso oculto de superioridade.
Depois de despertar suas habilidades, esses indivĂduos viveram suas vidas com arrogĂąncia. No entanto, uma vez que se juntaram Ă Cavalaria, experimentaram um profundo sentimento de derrota diante da habilidade avassaladora de Yuder.
Mesmo que Kishiar, o Comandante, fosse quem havia criado a Cavalaria, foi em grande parte graças a Yuder que eles aprenderam humildade e se unificaram atravĂ©s do esforço. Independentemente de quĂŁo excepcionais fossem as habilidades do lĂder dos bandidos, Gakane tinha certeza de que ele nĂŁo seria exceção. Sentindo isso, seus nervos, que estavam tensos desde que chegaram, começaram a recuperar uma sensação de calma.
Yuder, que aparentemente havia premeditado suas palavras, elaborou rapidamente a carta. Ele entĂŁo enrolou o papel e o colocou em uma pequena bolsa amarrada na pata do pĂĄssaro mensageiro. Ao se aproximar da janela e estender a mĂŁo, o pĂĄssaro deu um grito baixo, abriu as asas e voou para longe.
â Terminamos aqui. Agora… vamos.
Yuder, tendo virado o corpo, fixou seu olhar intenso na porta fechada. Seus olhos carregavam uma frieza que fazia alguém sentir como se estivesse experimentando o inverno.
â Senhor, Senhor Zakail! Senhor Zakail!
Hå alguns dias, o filho mais novo do Senhor Hartan, Zakail Hartan, que havia falecido inesperadamente, estava incrivelmente cansado de comparecer ao funeral até tarde da noite.
No entanto, a mĂŁo que o sacudia para acordĂĄ-lo, apesar de ele ter ordenado que nĂŁo o perturbassem, era insistentemente rude, como se nĂŁo se importasse com seu estado.
â Senhor Zakail! Por favor, acorde. Mestre Zakail!
â O que Ă©?
â Eles… eles estĂŁo aqui.
â …
O tremor na voz, carregado de aversĂŁo e medo, era intensamente anormal. Zakail sentiu o sono abandonĂĄ-lo instantaneamente, suas pĂĄlpebras pesadas se abrindo enquanto ele se sentava relutantemente.
â De quem vocĂȘ estĂĄ falando?
â Bem, ontem Ă noite, alguns convidados indesejados apareceram, e o mordomo os trancou no depĂłsito. Aqueles canalhas acabaram de derrubar a porta hĂĄ pouco e estĂŁo fazendo um escĂąndalo exigindo vĂȘ-lo…!
Zakail deu um tapa duro no servo, que estava gaguejando nervosamente.
â Ai.
â NĂŁo deixei claro ontem? NĂŁo sou mais um jovem mestre. Em breve, serei um senhor! Certifique-se de usar o tĂtulo correto!
Os eventos da noite anterior nĂŁo haviam envolvido apenas Zakail realizando os ritos finais para seus parentes falecidos. Ele havia mostrado Ă queles que o zombavam como uma casca vazia de nobre desde o nascimento do que ele era realmente feito e havia conseguido esculpir seu prĂłprio destino.
“Claro, meu irmĂŁo mais velho ainda estĂĄ por aĂ, mas ele partirĂĄ em breve.”
Se seu irmão não tivesse revelado tolamente seus planos de deixar tudo para trås por uma plebeia, Zakail talvez não tivesse alcançado a vitória que agora saboreava.
A multidĂŁo barulhenta havia sido toda afastada, e ele estava justamente considerando finalmente ter um descanso merecido quando o servo o acordou, ainda usando as antigas honrarias. Isso nĂŁo caiu bem para Zakail.
Enquanto Zakail encarava o servo, tremendo devido ao tapa no rosto, e refletia sobre seu destino, a porta se abriu de repente novamente.
â Mestre Zakail.
Simplesmente pelo som da voz, Zakail sabia que era o filho do velho atendente. Ele pressionou a cabeça latejante e falou duramente.
â Saia. Vou descansar mais. NĂŁo disse para nĂŁo me perturbarem enquanto estou dormindo?
â NĂŁo Ă© isso, Mestre Zakail. A questĂŁo Ă©…
â Saiam da frente.
Uma voz estranha interrompeu, afastando o filho do atendente. Depois disso, vĂĄrias pegadas entraram ordenadamente em seu quarto.
â VocĂȘ Ă© Zakail Hartan?
â …Quem sĂŁo vocĂȘs?
Ele tentou nĂŁo mostrar medo, mas Zakail sentiu involuntariamente um calafrio. A aura emitida por aqueles que estavam diante dele era excessivamente fria e sinistra. O homem de cabelos pretos na dianteira fez sua espinha formigar apenas com seu olhar.
â Pensei que vocĂȘs nos reconheceriam imediatamente por nossos uniformes, uma pena.
Yuder, de pé diante de Zakail, podia facilmente sentir todas as emoçÔes que ele estava experimentando. Todo servo que ele havia encontrado no caminho até ali, desde que arrombou a porta, usava a mesma expressão.
Ele se perguntou por que as pessoas sempre agiam defensivamente mesmo com aqueles que se aproximavam delas com respeito. Ele experimentou isso muitas vezes em sua vida passada, e nĂŁo era diferente agora.
â Somos membros da Cavalaria da capital sob o comando do Duque Peletta. Viemos vĂȘ-lo, Zakail, em nome de seu falecido pai, mas parece haver algum mal-entendido…
Enquanto Yuder hesitava e olhava em volta, os servos que encontravam seu olhar recuavam rapidamente, o que fez com que um leve sorriso se formasse nos cantos de sua boca.
â Apesar de esperarmos a noite toda, ninguĂ©m veio nos ver. NĂŁo podĂamos esperar mais em uma sala sem cadeira, entĂŁo tomamos a liberdade de vir aqui primeiro. Agora Ă© um bom momento?
â Isto…
O olhar furioso de Zakail se fixou nos servos que espreitavam do lado de fora da porta. No entanto, ele rapidamente se acalmou, mordendo o låbio e se levantando. O jovem e ambicioso nobre não se esqueceu de que a primeira coisa que precisava manter nessa situação era sua dignidade.
â EntĂŁo… Ă© assim. Todos estavam em estado de caos devido ao incĂȘndio de alguns dias atrĂĄs, que causou a morte de meu pai e meu irmĂŁo. Eu tambĂ©m adormeci de exaustĂŁo assim que voltei ao amanhecer… Peço desculpas por ter sido descortĂȘs com nossos convidados. Espero que entendam. Poderiam esperar na sala de estar por um tempo? Vou me aprontar e me juntar a vocĂȘs em breve.
Zakail ainda estava em suas roupas de dormir, tendo acabado de acordar e nem lavado o rosto. Era embaraçoso ser visto por outros nesse estado. Ele rangeu os dentes e tolerou sua vergonha. O homem de cabelos pretos, que o olhou com indiferença, deu um pequeno aceno um momento depois.
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â€âĄ Tradução, revisĂŁo e Raws: Belladonna & Fabby & Othello ââ§