Capítulo 08
Capítulo 08 。 ₊°༺❤︎༻°₊ 。
— Vim, mas…
Yeoul, parado perto da mansão de Eun Sajun, sussurrou com a voz pequena.
As luzes brilhavam no jardim, para lá do muro alto, e também no interior da casa. Parecia haver uma reunião; vários grupos entravam pelo portão aberto, todos vestidos com elegância, de terno ou vestidos de festa.
Yeoul sentiu-se invadindo um lugar que não lhe pertencia e paralisou. Pensou em voltar, mas a lembrança de Yeojin o impediu.
Shin Taeon era capaz de matar. Yeoul presenciara uma vez: cobrando dívidas, torturou um homem até a morte com a própria mão, sem alterar a expressão, como se esmagasse um inseto.
Se fugisse agora, Yeojin correria o mesmo risco. Só o pensamento dava vertigem; qualquer pesadelo pareceria leve ao lado disso.
— Hã… não tenho escolha…
Encarou a realidade com firmeza. Não importava se Eun Sajun o achasse estranho; não era hora de recusar. Ia enxugar as lágrimas e seguir adiante, quando…
— Com licença.
Um homem de porte avantajado aproximou-se. Yeoul arregalou os olhos.
— Sim?
— É aqui que mora o senhor Eun Sajun?
— Sim… é aqui mesmo.
Não entendeu por que perguntavam a ele.
— Entendo.
O homem o examinou de alto a baixo. Em seguida, outro apareceu: magro, tão magro que parecia um esqueleto.
Trocaram olhares e sorriram de forma ambígua. Uma sombra pesada caiu sobre Yeoul.
— Então, venha falar conosco um instante.
— Não… não…
Pressentindo o perigo, recuou.
Ao virar para correr, o homem gordo puxou-o pelos cabelos. Um pano cobriu-lhe a boca; o gosto e o cheiro foram-lhe insuportáveis. Tudo escureceu.
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Ao recobrar a consciência, viu um teto antigo. Uma luz fraca brilhava num lustre enferrujado. Deitado sobre uma superfície dura, sentiu o frio penetrar os ossos.
— Hã… hã…
A respiração fazia névoa no ar gelado. O corpo doía, mas esforçou-se para olhar ao redor. Estava amarrado de pés e mãos a uma cama de ferro, com cordas cruzadas. Remexia-se, mas as amarras eram firmes e a cama rangia a cada movimento.
— Acordou?
O homem gordo observava-o, com um cigarro na boca. Outros estavam ali, todos de olhar fixo nele. O ar parecia faltar.
— Desgraçado daquele cobra… não sei de onde arrumou esse Ômega pálido.
— Será que é a fêmea que ele anda procurando?
Fêmea… Yeoul não acreditava no que ouvia.
— Deve ser. O Ômega que jantou com ele é Ômega Extremamente Dominante, vinte e poucos anos. Este combina: cabelo castanho, pele branca, porte delicado. Tudo igual.
— Pois é… dá pra ver que é bom de pau.
Não compreendia a situação. Aquelas pessoas conheciam Eun Sajun e sabiam do contrato de gravidez. E confundiam-no com o outro Ômega .
Claro que precisava se aproximar de Eun Sajun, mas não daquela forma.
— Não sou eu… engano…
— Não finja! Já investigamos tudo: Baek Cheonhui, vinte e três anos, Ômega Extremamente Dominante, estudante de dança, filho de professor universitário e da pianista famosa Ji Jangmi.
— Não sou… de verdade…
— Cala a boca! — gritou o homem.
Quem eram aqueles que sabiam tudo sobre a vida alheia?
— Liga para ele! Vem resgatar o menino!
— Tá. Ele não cedia às ameaças de jeito nenhum, desgraçado, mas agora vai ter que falar.
O magro ligou e o som saiu em alto-falante. Yeoul sentiu desespero. O contrato era sua esperança… mas e quando ele visse quem era? E se o verdadeiro Baek Cheonhui já estivesse ao lado dele?
[Alô.]
A voz de Eun Sajun soou grave e fria, diferente do que conhecia.
— Sou eu.
[Quem é?]
— Chris Kim, da Unidade D!
[Vou desligar.]
Tratou-o como se fosse nada. Chris insistiu:
— Baek Cheonhui está conosco. Se não quiser vê-lo morto, apareça!
[Sério? Façam o que quiserem. Podem estuprar ou matar, tanto faz.]
O quê?
A resposta foi tão indiferente que pareceu piada de mau gosto. Os homens ficaram perplexos.
— Eun Sajun, ouviu?! Baek Cheonhui está aqui! O Ômega que procura!
[Eu sei.]
— Não precisa dele?
[Não é só ele no mundo.]
Desligou. O silêncio reinou. Todos trocavam olhares confusos.
— Andou procurando feito doido e agora não liga?
— Terá perdido o juízo depois de trair os companheiros?
Yeoul também não compreendia. Talvez estivesse com o verdadeiro Baek Cheonhui e achasse que era mentira. Desanimou de novo.
— Liga de novo! Acha que brincamos?! — gritou o gordo.
— Tá… tá… — Chris ligou outra vez.
[O que foi agora?]
— Não estava procurando um Ômega Extremamente Dominante? Tudo bem se matarmos Baek Cheonhui?
[Tudo bem.]
Respondeu com frieza absoluta e desligou.
— Que louco… — Chris olhou para o comparsa.
— Jack, traz a coisa.
— Certo.
Jack sacou uma faca de lâmina serrilhada e aproximou-se de Yeoul. O frio do metal na pele sensível provocou-lhe um gemido.
— Ah…
Os homens sorriram, satisfeitos com o medo alheio. Chris sentiu-se mais confiante.
— Se não vier agora, matamos ele!
Silêncio do outro lado. Então a voz soou:
[Onde estão?]
— No local da missão 4-322.
[Não toquem nele antes de eu chegar.]
— Ah, é assim que se fala!
[Se o machucarem, arranco o pescoço de vocês primeiro.]
Desligou. A ameaça era terrível.
— É isso! Agora vai! — Chris riu, mas logo franziu a testa. — Por que mudou de ideia de repente?
— O Ômega Extremamente Dominante é raro, só 1% da população. Deve ter pensado melhor.
Yeoul suou frio. Eun Sajun esperava Baek Cheonhui… e quando visse a ele? E depois de ter fugido antes do contrato? Como encarar?
— Mas quero ver ele desesperado… — O olhar de Chris recaiu sobre Yeoul, cheio de luxúria.
Subiu na cama, soltou as amarras das pernas e abriu-lhe as coxas. A mão tocou sua cintura.
— Não… por favor…
— Fique quieto!
Jack tampou sua boca. Chris ia puxar-lhe a calça, quando…
O olhar de Yeoul faiscou. Chutou o rosto de Chris com força; ele caiu para o lado, desacordado.
— Ah! — Jack arregalou os olhos, atônito.
Mordeu os dedos que lhe cobriam a boca, com tanta força que o sangue jorrou.
— Ai! — Jack afastou-se, pálido.
— Hã… hã… — Respirava com dificuldade, lutando contra as cordas dos pulsos.
— Desgraçado… — Jack segurou a mão ferida e brandiu a faca, apontando-lhe o peito.
Yeoul esquivou-se, chutou o peito do homem e a cama tombou no chão. O choque afrouxou as amarras. Livrou as mãos e correu.
— Hã… hã…
Chris e Jack estavam no chão, mas havia outros. Precisava fugir. Viu uma janela que dava para o corredor, saltou e correu.
— Pega ele!
Os gritos soaram atrás. O peito doía, misturando medo e tristeza. Descia as escadas, quando…
— Hã?
Uma sombra bloqueou o caminho.
— Então era aqui que estava.
A voz suave, que lhe fazia cócegas nos ouvidos. Era Eun Sajun. O coração pareceu explodir de alegria. Os olhos encheram-se de lágrimas. Sem pensar, abraçou-o com força.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Gabby.