Episódio 66
Episódio 66 ── ⋆⋅☆⋅⋆
— Tteokbokki.
— Mas por que vamos a uma loja de conveniência? Já que vamos sair de qualquer jeito, não seria melhor comprar num restaurante?
— É verdade, mas acho que não vai ter nenhum aberto a essa hora.
— Se procurarmos, pode ser que tenha.
Yeonwoo ia dizer que não havia necessidade, mas se lembrou de que Chahyun não gostava de repetir as coisas, então assentiu.
Mesmo que não fosse o caso, ele queria comer tteokbokki de restaurante. Comprar numa loja de conveniência tinha seus limites em termos de sabor.
Assim, Chahyun e Yeonwoo entraram no carro para encontrar um lugar de tteokbokki aberto de madrugada. Eram quase 5 da manhã.
Como esperado, todos os lugares perto do condomínio estavam fechados.
Diferente da área de entretenimento, aquela região era habitada principalmente por famílias e casais, então quase não havia restaurantes abertos 24 horas.
Todos os lugares onde iam estavam fechados, e Yeonwoo olhou de relance para Chahyun. Já se sentia culpado por tê-lo feito acordar de repente de madrugada por sua causa, e não conseguia evitar o desconforto de fazê-lo dirigir.
— A gente podia só comprar numa loja de conveniência.
— Do que você está falando, depois de ter vindo até aqui?
— Você não vai trabalhar hoje?
— Hoje é domingo.
— Ah, é mesmo.
Era um alívio que ele não precisasse ir trabalhar.
— Onde está a sua cabeça?
— No tteokbokki.
Era uma piada, mas Chahyun virou a cabeça e olhou para Yeonwoo.
— Vou garantir que você coma, então não se preocupe.
— ……
Mas ele não pareceu achar que era piada. A julgar pela voz determinada. Qualquer um pensaria que eu estava fazendo um escândalo, como se algo terrível fosse acontecer se eu não comesse tteokbokki hoje.
— Mas você não conseguia comer comida apimentada, não é? Por que tteokbokki de repente?
— Por algum motivo, sinto que consigo comer agora. Não sei por quê, mas fico pensando nisso….
— Hmm. Será que é a criança que quer comer?
Chahyun inclinou a cabeça e murmurou.
— Por que está me olhando assim? Se eu quero tanto comer a ponto de pular da cama a essa hora, isso não significa que é a criança que quer?
— Talvez….
Yeonwoo se sentia inquieto sempre que Chahyun mencionava a criança.
Tirando isso, o rosto de Chahyun, com o cabelo bagunçado de quem acabou de acordar e os olhos vasculhando obstinadamente a área comercial, era um pouco engraçado. Ele tinha uma expressão tão feroz, como se fosse bater em qualquer um que o incomodasse. E o que ele procurava era tteokbokki.
Mas, sabendo que esse sentimento agora era apenas uma intimidade unilateral que só ele sentia, Yeonwoo rapidamente se acalmou.
— Obrigado, Chahyun-ah.
Ele apenas deu de ombros em vez de responder.
Os dois saíram do bairro e finalmente encontraram uma barraca de rua numa área movimentada, frequentada por universitários.
Como as boates e os bares ainda não estavam fechados, as barracas de rua próximas continuavam abertas.
Depois de estacionar, os dois saíram do carro e foram até a barraca que tinham visto antes. Ao ver o tteokbokki borbulhando na grande chapa quadrada, a boca de Yeonwoo se encheu d’água.
— O que vão querer?
O dono da barraca, que mexia o tteokbokki com uma concha, perguntou. Yeonwoo se virou para Chahyun.
— Você também quer comer um pouco?
Ele provavelmente não comeria, mas perguntou por educação antes de pedir.
— Não.
Como esperado, Chahyun recusou com indiferença. Ele tinha ouvido dizer que Chahyun não havia comido nenhuma porcaria ou comida de rua até o ensino fundamental porque estava doente por causa de um desequilíbrio de feromônios quando pequeno. Por isso, ele geralmente não se interessava por comida vendida na rua.
— Chefe, uma porção de tteokbokki com ovo, por favor.
Assim que Yeonwoo fez o pedido, um prato cheio de tteokbokki foi servido imediatamente. Quando estava sentado no carro, pensou que não queria tanto assim a ponto de fazer um escândalo de madrugada, mas parecia que não era bem assim.
Ele pegou um pedaço do tteokbokki fumegante e deu uma mordida, e o sabor que tinha imaginado era exatamente o que sentiu. O sabor estimulante do gochujang, que não provava havia algum tempo, se espalhou pela boca.
Ele normalmente não gostava de tteokbokki, mas hoje estava especialmente delicioso. Exagerando um pouco, era quase comovente.
— Como está o seu estômago? Está tudo bem?
Chahyun estreitou os olhos, observando a reação de Yeonwoo.
— Estou bem. Está delicioso.
— Então que bom.
Ele se sentia um pouco constrangido de comer um tteokbokki tão apimentado depois de ter feito um escândalo por não suportar o cheiro de comida poucas horas antes, mas agora sentia que conseguiria comer dois pratos.
— Vocês, rapazes, moram por aqui? Nunca vi o rosto de vocês.
O dono, que recolhia os copos de papel e o lixo acumulados ao redor, olhou de Chahyun para Yeonwoo e perguntou.
— Não. Moramos em outro bairro.
— Imaginei. Não tem como eu não me lembrar de um casal tão bonito assim.
— A que horas o senhor fecha aqui?
Yeonwoo mudou de assunto diante da palavra “casal”.
— Já está quase na hora de fechar.
— O senhor fica aberto até tarde.
— Tem tanta gente que vem comer algo pra curar a ressaca depois de beber a essa hora que não tem jeito.
Chahyun, que estava parado feito um tronco ao lado de Yeonwoo enquanto este conversava naturalmente com o dono da barraca, deu um toque no ombro dele.
— Vou pegar minha jaqueta no carro.
— Hã? Ah, tá.
Pensando bem, a jaqueta que ele tinha trazido do apartamento havia sumido. O ar estava frio, mas Chahyun não vestia nada por cima da roupa de ficar em casa.
Yeonwoo continuou comendo o tteokbokki enquanto olhava as costas dele, que caminhava em direção ao lugar onde tinha estacionado o carro. O tteokbokki, que fervia havia muito tempo, derretia macio na boca assim que ele o colocava, estimulando o apetite.
Olhando para o tteokbokki, que já estava pela metade depois de comer com afinco, Yeonwoo se perguntou se deveria pedir mais.
— Ei, você não estava bebendo na barraca Noeul agora há pouco?
Então alguém se aproximou de Yeonwoo e falou com ele. Quando virou a cabeça na direção da voz, três homens desconhecidos estavam lado a lado na barraca.
Dois Alfas e um Beta. As características deles foram identificadas de imediato. Normalmente, ele não conseguiria reconhecê-los tão rápido na rua, mas ultimamente tinha ficado incomumente sensível aos feromônios das outras pessoas por causa da gravidez.
— Nunca estive lá.
Yeonwoo o cortou secamente e virou a cabeça.
— Ah, qual é, acho que te vi sim. Quantos anos você tem?
— ……
— Onde você mora? Se não quiser ir pra casa sozinho, por que não fica mais um pouco com a gente?
O Alfa que tinha falado com Yeonwoo não se deixou abalar pela indiferença e chegou mais perto. Cheirava a álcool, então parecia já estar razoavelmente bêbado.
— Estou acompanhado.
— Hã, mentira.
— Estou mesmo. E gostaria que você não falasse comigo.
— Cadê a sua companhia? Não está sendo descarado demais com essas mentiras? Isso já é demais….
Yeonwoo suspirou e olhou ao redor. O dono, que estava se preparando para fechar agora há pouco, não estava em lugar nenhum, e ele era o único cliente àquela hora.
— Ei, esse cara aqui é muito bom. Ele tem um negócio em Seongsu-dong.
— Ah, doido. Por que está falando isso? Fica quieto.
— Estou te ajudando e você fica fazendo drama.
Os três homens que cercavam Yeonwoo não pareciam dispostos a deixá-lo ir facilmente. A essa altura, Yeonwoo começou a ficar ansioso. Chahyun não ficaria parado se visse aquilo. Com certeza ia entender errado de novo.
Assim que teve essa preocupação, algo caiu sobre seu ombro. Surpreso, ele virou a cabeça e viu Chahyun colocando nele a jaqueta que tinha acabado de trazer.
— Em vez disso, se você me passar o seu Instagram….
— O que esses desgraçados estão fazendo? Estragando o meu apetite.
Chahyun cortou as palavras do Alfa. Os três homens ficaram atônitos por um momento por causa do jeito peculiar de falar dele e da atitude de quem olhava os outros de cima.
— Quem é você pra falar comigo desse jeito logo na primeira vez que a gente se vê? Ele é seu namorado?
— Por que eu deveria te dizer isso?
— O quê, então ele não é seu namorado.
O Alfa que tinha falado primeiro com Yeonwoo deu uma risadinha e provocou Chahyun. Yeonwoo agarrou apressadamente o braço de Chahyun.
— Está tudo bem, vamos embora.
— Você ainda está comendo.
Felizmente, não havia força no braço de Chahyun.
— Já terminei de comer.
— Você deixou mais da metade, como assim terminou de comer?
Yeonwoo puxou Chahyun para irem embora, mas ele não se moveu. Então o clima foi ficando cada vez mais complicado.
— Quem não é namorado dele devia sair da frente. Por favor, me passa o seu Instagram. Você é muito o meu tipo.
Os três homens ignoraram Chahyun e se aproximaram de Yeonwoo, julgando que estavam em maior número e não tinham nada a temer.
— Não estou interessado, então vão embora.
Quando Yeonwoo franziu a testa com uma expressão séria, o homem que estendia o celular tossiu, sem graça.
Embora não fosse evidente por fora, os feromônios dos Alfas, que já estavam um tanto exaltados, se entrelaçaram por baixo da superfície. Eram tão fortes que até um transeunte bêbado se virou para olhar.
— Nós viemos aqui como clientes pra comer bolinho de peixe.
— Então eu vou embora. Ah, chefe. Vou pagar aqui.
Yeonwoo segurou firme o braço de Chahyun para que ele não avançasse e virou a cabeça para o dono, que acabava de voltar para a barraca.
No entanto, o Alfa não sabia desistir e, insistente, estendeu o celular para Yeonwoo de novo. A tela com o aplicativo do Instagram aberto estava visível, e logo o celular encostou na mão de Yeonwoo.
— Como você se atreve a tocar nele?
No mesmo instante, Chahyun arrancou o celular do Alfa e cuspiu palavras cortantes. Feromônios que tentavam subjugar o oponente irromperam dele como uma explosão. Era difícil ficar ao lado dele.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna