Episódio 47
De qualquer forma, Yeonwoo, que havia acabado de se jogar na cadeira do quartinho dos fundos para descansar, pulou como um soldado recebendo ordens. Conforme ele foi à cozinha extrair uma dose e encher um copo descartável com gelo, o atendente o encarou com curiosidade.
— Chefe, entrou algum pedido?
Não havia clientes, então ele pareceu desnorteado por Yeonwoo estar começando a fazer uma bebida.
— Eu vou beber. Já volto.
— Ah, está bem!
[Vejo você no 27º andar]
Depois de enviar uma resposta a Chahyun, Yeonwoo pegou um muffin e um biscoito vendidos na loja e os colocou no bolso. Então, pegou um americano gelado e entrou no elevador.
Yeonwoo desceu no 26º andar e subiu um andar pela escada. Chahyun já havia chegado.
Ele estava sentado na escada que levava ao 28º andar e cumprimentou Yeonwoo com um olhar que perguntava por que ele havia demorado tanto.
— Suas respostas estão ficando cada vez mais lentas.
— Eu estava realmente ocupado hoje.
— Então você provavelmente não comeu direito de novo.
— Eu comi um sanduíche no meio. E leite.
— Isso vai te fazer ganhar cinco quilos? Você tem sorte se ganhar cem gramas.
— Aqui, café.
Yeonwoo entregou a Chahyun o café que havia trazido antes que o sermão ficasse mais longo.
Fazer o dono do café entregar café até ali. Ele era um baita pé no saco, mas, como alguém em posição subordinada, não havia nada que pudesse fazer. Se Chahyun lhe dissesse para trazer, ele tinha que fazer como lhe era dito.
— O que você almoçou?
Yeonwoo mudou de assunto, observando a expressão de Chahyun.
— Sei lá. Merda, por que eu fui arrumar emprego aqui? Eu estava fora de mim?
Chahyun abriu a tampa do copo e tomou de um gole o americano.
Yeonwoo sabia a resposta para essa pergunta, mas decidiu não lhe contar.
Originalmente, o sonho de Chahyun era viver confortavelmente como desempregado com a riqueza dos pais, mas, quando Yeonwoo não pôde trabalhar por causa do tornozelo, ele mudou seus planos.
Seu hyung e sua noona ocupavam cada um cargos importantes na empresa e podiam administrar enormes caixas dois, mas Chahyun, que não tinha título de verdade, se sentia limitado. Ele considerou seriamente que precisava aprender a ganhar dinheiro para sustentar Yeonwoo no longo prazo, e entrou voluntariamente na empresa do pai.
Foi o momento perfeito, porque o hyung e a noona de Chahyun estavam tendo dificuldade em prestar atenção aos assuntos domésticos devido a questões das filiais no exterior, então a família recebeu com entusiasmo a fuga do filho maknae da vida de desempregado. Seu pai ficou tão impressionado que deu a Chahyun todo tipo de benefício que nem seu hyung e sua noona tinham.
Mesmo que Chahyun fizesse seu trabalho mal, eles provavelmente teriam aplaudido, mas, conforme ele produzia resultados como lhe era ensinado, eles se sentiram aliviados e ficaram com vontade de despejar trabalho nele.
Ele nunca havia pedido isso, mas Yeonwoo não podia deixar de sentir pena de Chahyun, que parecia estar sofrendo por causa dele. Claro, ele não lembrava mais disso, então agora era algo que só Yeonwoo sabia.
— Senta, não fica só de pé.
— Ah, está bem.
Chahyun puxou o braço de Yeonwoo, que estava de pé sem jeito, e o sentou ao seu lado. Sentados lado a lado na escada da empresa, parecia que eles estavam tendo um romance de escritório, o que o deixava sem graça sem motivo. Ele não parecia se importar nem um pouco, o que o fez se sentir um pouco ressentido.
Yeonwoo, que estava revirando os olhos de forma desajeitada, notou um ferimento no polegar esquerdo de Chahyun.
— Como você machucou a mão?
— Isto? Folheando documentos.
Se cortar com papel folheando papéis. Ele não era uma criança. Yeonwoo estalou a língua por dentro. Mas o corte era bem grande.
Era óbvio sem nem olhar. Ele devia estar folheando os papéis de qualquer jeito porque não queria trabalhar e se machucou. Não havia como ter sido cortado tão comprido de outra forma.
— Você está preocupado?
— É. Você deve ter sangrado. Você precisa colocar um curativo.
Yeonwoo agarrou a mão de Chahyun e examinou o ferimento de perto. E murmurou sem perceber.
— Isso não vai dar…
— Por quê?
— Você parece um bandido com um curativo.
Chahyun ficou pasmo e puxou a mão de Yeonwoo. Então, agarrou as bochechas de Yeonwoo com uma mão e as apertou.
— Eu estou sendo bonzinho com você, e você fica dizendo todo tipo de coisa.
— …Eu sou seu hyung.
Yeonwoo protestou, soando de certa forma abafado. Ele parecia esquecer que era dois anos mais velho que Chahyun, então ele tinha que lembrá-lo de vez em quando.
— E daí? Antes de falar de idade, olhe para a sua cara e diga isso.
Assim que ele estava a ponto de retrucar, perguntando que tipo de lógica era aquela, ele ouviu o som de uma porta se abrindo do andar de baixo. Assim que o som da dobradiça rangendo atingiu seus ouvidos, Yeonwoo se sobressaltou e se levantou num pulo. E rapidamente se distanciou de Chahyun, que estava perto dele.
Chahyun estalou a língua quando viu aquilo. Ele também se levantou do lugar e mastigou o gelo restante em seu copo com descontentamento.
Felizmente, as pessoas que haviam saído para a escada de emergência estavam descendo, então o som delas ficava cada vez menor. Mas ele não podia deixar seu posto vazio, então Yeonwoo se virou para voltar ao café.
— Eu devia descer agora. Você também deveria ir trabalhar.
— Qualquer um pensaria que eu sou um esquilo-voador. Eu queria que você se movesse assim na cama depois.
— …Ahem. Você vai sair tarde do trabalho hoje?
Quando ele agarrou a maçaneta e perguntou a Chahyun, ele sacudiu a cabeça.
— Eu termino antes das oito. Desça ao estacionamento depois de fechar. A gente vai direto para o hotel.
— Está bem. Ah, e isto.
Yeonwoo de repente lembrou dos lanches que havia trazido no bolso e jogou o muffin e o biscoito para Chahyun. Chahyun os pegou com facilidade, conferiu o que tinha na mão e torceu os lábios.
— Eu sou criança?
— Você é criança. Até mais.
Ele não pôde deixar de usar uma voz provocadora. Era a palavra que Chahyun mais odiava. Yeonwoo fugiu como se estivesse desesperado, preocupado que ele pudesse segui-lo e dizer alguma coisa.
Yeonwoo, que entrou no elevador sozinho em segurança, apertou o botão para descer e suspirou de alívio. Ele imaginou Chahyun xingando com aspereza sozinho e sorriu um pouco.
Então, percebeu que estava animado demais para a situação e se sentiu de certa forma sem graça.
— Isso está certo…
Mas, de qualquer forma, isso é só por cinco meses. Vai acabar logo, então está tudo bem ficar à vontade nesse meio-tempo. Isso já basta.
Yeonwoo rapidamente justificou seus sentimentos.
[Yeonwoo-ssi. A gente não pode conversar pessoalmente?] [Também é mais confortável assim] [Eu tenho que ir ali perto de qualquer forma, então eu posso passar hoje~]
Quando ele desceu ao café, havia uma mensagem de Jeongho. Desde o dia em que Chahyun lhe disse para não encontrá-lo, ele só vinha o contatando por telefone ou mensagem. As sobremesas que eles haviam combinado de receber estavam previstas para chegar na semana seguinte, mas Jeongho parecia querer se encontrar de novo para conversar.
Yeonwoo coçou a testa sem graça. Não era difícil se encontrar e conversar, mas Chahyun não permitiria, então encontros presenciais não eram mais possíveis. E, na verdade, não havia mais necessidade de encontros presenciais.
Foi Jeongho quem quis se encontrar primeiro, já que ele o contactou pelas redes sociais pela primeira vez para perguntar sobre o fornecimento. Ele parecia preferir se encontrar e conversar pessoalmente, mas Yeonwoo não podia atendê-lo, então estava preocupado com o que responder.
[Eu ando ocupado demais com o trabalho esses dias para arrumar tempo. Eu sinto muito mesmo, mas você poderia simplesmente enviar por uma transportadora?] [É mais fácil me contar sobre assuntos urgentes por telefone ou mensagem.]
Depois de hesitar, Yeonwoo enviou uma mensagem da forma mais polida possível.
Depois de o café fechar, o lugar onde ele foi jantar com Chahyun foi um restaurante de hotel famoso. Era um hotel bem longe da empresa, mas, na verdade, ele já havia estado ali algumas vezes no passado.
Chahyun parecia ter usado o cérebro à sua maneira, pensando que essa distância significaria que nunca havia sido incluído em seu roteiro de encontros com Baek Chahyun no passado. Mesmo que tentasse não vê-lo como criança, ele não podia deixar de achá-lo fofo quando seus pensamentos eram tão facilmente legíveis como agora.
De qualquer forma, Yeonwoo decidiu fingir que estava visitando pela primeira vez desta vez também.
— Olá. Obrigado por visitar nosso restaurante, Mignon. Se precisarem, temos uma carta de vinhos e o cardápio do dia recomendado pelo Chef…
O garçom explicou o restaurante em detalhes num tom calmo e polido. Felizmente, ninguém no restaurante reconheceu Chahyun e Yeonwoo graças à mudança de equipe.
Ele revirou os olhos com aplicação e conferiu várias vezes que o gerente e os garçons eram todos estranhos antes de conseguir se sentir aliviado.
Yeonwoo engoliu um suspiro enquanto bebia água gelada. Ele não sabia por que tinha que sentir emoção e ansiedade toda vez como uma pessoa sem-vergonha tendo um caso.
— Eu posso trocar o prato principal por cordeiro?
— É um prato de outro menu, mas, se o cliente desejar, claro, é possível escolher.
Yeonwoo perguntou deliberadamente como se não soubesse muito sobre o cardápio dali. Ele se sentiu culpado como se tivesse virado lixo enquanto falava.
— Você não pediu muito pouco? Coma mais.
Chahyun disse uma palavra quando ele pediu significativamente menos do que vinha comendo no jantar recentemente. Yeonwoo sacudiu a cabeça.
— Eu não estou com muita fome.
Na verdade, era mentira. Ele estava com fome.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna