↫─Capítulo ⚝ 120
↫─Things That Deserve To Die ⚝ 120
Wang Lun, que observava a tela do sistema de segurança, mordia o cigarro com os dentes da frente. O homem que invadiu a antiga casa de Ja-kyung começou pelo quintal, olhou o interior da residência e depois desapareceu da mesma forma que havia entrado da primeira vez. A câmera instalada ali era tão pequena que era difícil de encontrar a olho nu. Ainda assim, pensar que um homem respeitado como um promotor invadiria a casa de outra pessoa em plena luz do dia era bastante surpreendente.
Ja-kyung olhava pela janela em silêncio. A escuridão havia se instalado em todas as direções, e apenas os faróis ocasionais de carros passando na estrada distante podiam ser vistos. Quando Kang Il-hyeon voltava do trabalho, ele geralmente dirigia pela pequena estrada que levava a este lugar. Parecia que ele chegaria tarde em casa hoje.
Perdido em pensamentos, Ja-kyung se virou e chamou Wang Lun.
— Hyung, vamos sair?
— Para onde?
— Você se lembra do que a vovó dizia antes de falecer?
Sem entender, Wang Lun franziu a testa. — Hein?
— Ela dizia que, se um convidado vier, nunca o mande embora de mãos vazias.
Enquanto os olhos de Wang Lun se estreitavam, um sorriso gradualmente se espalhou por seu rosto, e Ja-kyung acrescentou rapidamente:
— Quero dar um presente a ele. Algo muito bom.
— Você tem certeza? Se o CEO Kang descobrir, haverá problemas.
— Quem se importa? Estou pensando em brincar um pouco com ele. O que você acha, Han hyung?
Han assentiu em concordância. — Parece divertido. — Os olhares das três pessoas alternavam-se entre si. Logo, Ja-kyung pegou o telefone e contatou Kang Il-hyeon. Durante a ligação, ele perguntou quando Il-hyeon voltaria para casa hoje e se poderia sair e se divertir com seus irmãos.
Quando Wang Lun viu Ja-kyung tendo que pedir permissão como uma criança, ele o provocou e imitou os movimentos de sua boca, enquanto Wang Han deu um tapa na nuca dele e disse para não fazer aquilo. Wang Han então repreendeu que era tudo culpa dele. Se Wang Lun não tivesse mentido e os tivesse levado para Hong Kong, isso não estaria acontecendo.
Enquanto os dois discutiam de brincadeira, Ja-kyung terminou a ligação e riu vagarosamente.
— Vamos.
—
Il-hyeon colocou o telefone desligado sobre a mesa. Kang Yoo-jung, que estava sentada à sua frente, olhava para o rosto dele com curiosidade enquanto segurava uma xícara de café. Ela ficou perplexa quando ele subitamente sugeriu tomar uma xícara de café perto do hospital.
— Quem? Ja-kyung ssi?
Em vez de responder, Il-hyeon olhou para o avental de Kang Yoo-jung. O avental manchado era a prova de que ela havia acabado de salvar a vida de alguém há pouco tempo. Mesmo durante a conversa, ela ocasionalmente verificava a hora.
— Vá se estiver ocupada.
— Você não veio aqui porque tinha algo a dizer?
— Só vim ver o seu rosto.
— Aconteceu algo errado?
— Se eu disser que vim porque senti falta da minha irmã mais velha, você acreditará em mim?
Surpresa, os olhos de Yoo-jung se arregalaram, mas logo mostraram uma expressão cética.
— O que eu fiz de errado para você?
Il-hyeon riu baixo. Após receber os resultados dos testes, ele não conseguia se concentrar no trabalho. O Promotor Jang perdeu seu irmão mais novo, e Ja-kyung se assemelhava muito ao rosto de seu irmão. Ele considerou uma mera coincidência até descobrir que eram irmãos, mas, estranhamente, Kang Yoo-jung veio à sua mente naquele momento.
— Tenho uma pergunta.
— Diga.
Ela levantou a xícara de café e a levou à boca. Il-hyeon encostou-se no sofá e encarou Kang Yoo-jung. A menina que costumava carregá-lo e abraçá-lo no lugar de sua mãe quando ele era pequeno agora se tornara muito menor do que ele.
— Por que você fez aquilo?
Kang Yoo-jung tirou a boca da xícara de café e olhou para cima.
— O quê?
— Naquele dia. Por que você me salvou?
A mão que havia pousado o copo parou. Não houve mudança em sua expressão enquanto ela olhava para Il-hyeon.
— Você quer me criticar?
— Não. Só estou curioso. Você poderia ter salvado o papai em vez disso.
Kang Yoo-jung respondeu como se não tivesse hesitação.
— Porque eu quis.
— Mas por quê?
— Porque você é mais importante do que o nosso pai.
— …
— Mesmo que a mesma situação aconteça novamente, minha escolha não mudará. Não tenho arrependimentos.
O rosto dela era resoluto e, apesar de sua sinceridade, o coração de Kang Il-hyeon afundou na escuridão.
— Ser um irmão mais novo é realmente assim?
Il-hyeon perguntou com uma expressão curiosa. Enquanto isso, Kang Yoo-jung pensava que Kang Il-hyeon estava estranho. Naquele momento, houve um aviso chamando por Kang Yoo-jung. Ela tirou o bipe que guardava no bolso e o verificou, então se levantou. — Tenho que ir. Vejo você mais tarde. — Il-hyeon segurou o braço dela enquanto ela se despedia.
Quando ela parou de caminhar e olhou para trás, Il-hyeon sorriu levemente.
— Obrigado.
Seus olhos estavam cheios de sinceridade. Yoo-jung ficou surpresa, abriu a boca, gaguejou um pouco e depois olhou para Park Tae-soo. — Ele está bem? Lee Ja-kyung fugiu de novo? — Park Tae-soo não pôde responder a ela. Yoo-jung soltou um curto suspiro, então removeu a mão de Il-hyeon e deu tapinhas nas costas da mão dele como se para confortá-lo.
Então ela se despediu e correu apressadamente para a sala de emergência. Enquanto observava as costas dela, Kang Il-hyeon chamou calmamente Park Tae-soo.
— Tae-soo.
— Sim, senhor.
Park Tae-soo, que estava a cerca de dois passos de distância, aproximou-se. Ele baixou o corpo e ouviu atentamente. Naquele momento, todas as emoções desapareceram do olhar de Il-hyeon.
— Vamos matar o Promotor Jang.
—
— É este o lugar certo?
Olhando para a casa através da janela do carro, Wang Lun perguntou a Ja-kyung. Depois de roubar a carteira, Ja-kyung havia anotado o endereço, e agora eles chegaram a uma casa isolada não muito longe da antiga casa de Ja-kyung. A casa velha parecia desgastada, com a tinta descascando aqui e ali, e até a árvore no quintal estava murcha a ponto de ser difícil reconhecer sua forma original.
— Parece um lugar onde um fantasma apareceria.
— Se aquele promotor morrer hoje à noite, ele pode se tornar um fantasma de verdade.
Wang Lun riu alto da piada de Ja-kyung. Os dois saíram do carro com capuzes pretos e máscaras cobrindo seus rostos. Eles pensaram que haveria câmeras, mas não havia nenhuma. Enquanto os dois se moviam perto da casa, Wang Han manobrou o carro e desapareceu pelo beco. Assim que cruzaram a cerca, ouviram o som de um galho velho quebrando. Passo a passo, eles avançaram em direção à casa, mas não sentiram nenhuma presença.
Cuidadosamente, eles subiram as escadas e verificaram a porta da frente. Wang Lun inseriu um pedaço de metal pontiagudo no buraco da fechadura e o girou rapidamente. As medidas de segurança de um promotor não eram páreo para ele. Ele ligou a lanterna e entrou. Ja-kyung instruiu Wang Lun a ir para a direita, enquanto ele se movia para o outro lado.
Enquanto procuravam um lugar adequado para plantar a câmera, a voz de Wang Han foi ouvida através do ponto eletrônico.
— [Vocês entraram?]
— Sim. Estou no meio da operação…
As palavras de Ja-kyung se interromperam enquanto ele iluminava a parede com a lanterna. Havia fotos de família penduradas ali — um jovem casal com dois filhos. Uma das crianças parecia ter cerca de dez anos, e a outra era um bebê começando a andar. Após olhá-las de relance, ele passou pela cozinha e entrou no quarto.
Pelo que observou, esta pessoa não parecia ser do tipo que recebia dinheiro ou se envolvia em atividades ilegais. O quarto estava bagunçado com livros, documentos e itens diversos, todos cobertos de poeira. Parecia organizado, mas precisava de uma limpeza.
Depois de fixar câmeras e escutas em vários lugares com as mãos enluvadas, ele contatou Wang Han para testar se o sinal estava sendo captado. Durante este processo, uma das escutas caiu em um vão estreito entre as gavetas. Ja-kyung tentou alcançá-la com a mão, mas não conseguiu ter uma boa pegada devido ao espaço apertado.
Quando a gaveta foi puxada para frente, a pilha de papéis sobre ela escorregou e se espalhou pelo chão. Enquanto tentava recolhê-los, ele chegou tarde demais para pegar um dos papéis que voou, revelando algo escrito nele. — P*rra. — Ele rapidamente recuperou os papéis espalhados.
— [Wei. O que houve?]
— Nada. Sairei em breve.
A mão de Ja-kyung, que estava recolhendo o papel, parou. A lanterna brilhou exatamente no ponto onde ele viu algumas palavras escritas.
Criança desaparecida. Busca-se informações sobre Jang Kyung-joon.
Nome: Jang Kyung-joon
Idade na época do desaparecimento: 3 anos
Idade atual: 4 anos
Baixo e magro, com cabelos pretos, fala mais devagar que seus colegas.
Ele estava usando jeans e uma camiseta azul.
O local, a data e pequenas características da criança perdida estavam escritos.
Ja-kyung, sem saber, virou para a próxima página. Mesmo no papel desbotado, os vestígios do tempo eram evidentes. A sensação era semelhante a quando ele viu esta casa pela primeira vez — um lugar onde o tempo parecia ter parado. E os pertences… O panfleto mencionava que a idade atual da criança desaparecida era cinco anos, mas a foto ainda mostrava a criança aos três anos. Enquanto folheava, ele notou as idades aumentando: seis, sete, oito… Eles estiveram procurando pela criança diligentemente e, a cada ano, o número continuava crescendo.
— Wei?
Wang Lun apareceu de repente e colocou a mão no ombro de Ja-kyung. Assustado, Ja-kyung se virou e deixou a lanterna cair no chão. Ele a pegou com pressa, mas Wang Lun olhou para ele preocupado. — Você está bem?
Ja-kyung soltou uma risada.
— Sim. Eu derrubei o papel.
— Não seja descuidado. Eu terminarei a instalação para você.
Wang Lun sentou-se ao lado dele para ajudar a recolher o papel, e Ja-kyung encontrou a escuta que havia rolado e estava prestes a se levantar para instalá-la. — Hein? — Wang Lun fez um som de surpresa. Ja-kyung, que plantou a escuta atrás da moldura, hesitou e olhou para baixo.
Ele estava olhando para o papel que Ja-kyung estava examinando anteriormente. Mas, desta vez, havia outro rosto ao lado da foto da criança de três anos — uma imagem atual da pessoa aos 23 anos. O rosto parecia familiar. Wang Lun olhou para Ja-kyung com uma expressão de descrença.
— Wei… Este aqui se parece com você…?
Ja-kyung pareceu confuso, mas riu. — De novo com essa conversa?
Wang Lun levantou-se lentamente e colocou a montagem ao lado do rosto de Ja-kyung. — Olhe, você se parece muito. — Ja-kyung alternava o olhar entre a pessoa na montagem e seu próprio rosto através do espelho na parede.
Eles de fato se assemelhavam. A criança desaparecida. Mesmo que fosse um retrato falado composto, a semelhança era convincente. Ja-kyung sentiu-se estranhamente inquieto e colocou o papel de volta em sua posição original. Justo então, a voz de Wang Han veio pelo fone de ouvido.
— [Vocês dois, saiam rápido.]
Wang Lun fez alvoroço.
— Hyung, eu encontrei algo interessante. Alguém que se parece exatamente com o Wei aqui…
— [Não fale bobagem, saia rápido.]
A voz de Wang Han soava urgente. Parecia que o Promotor Jang havia aparecido. Os dois dentro da casa trocaram olhares.
Mas, infelizmente, as expectativas deles estavam fora do alvo.
— Outro visitante chegou além de nós.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna