༺༒︎ Capítulo 9.2
↫─⚜️ Capítulo 9.2
Junto com o agradecimento, Valery sentiu o odor corporal do outro. Naquele momento, assim como quando ele tinha sentido repulsa pelo aroma de Rian, Valery sentiu uma forte antipatia. Diante do desagrado fisiologicamente crescente, ele não pôde nem mesmo responder e desceu do ônibus.
Pressionando seu estômago revolvido, Valery segurou sua bolsa esportiva. Seus passos se aceleraram. Esta era a primeira vez. Ele nunca tinha ouvido falar de um Alfa que sentisse repulsa por um Ômega. O fenômeno sem precedentes deixou Valery ansioso e o empurrou por trás. Quase correndo, ele disparou para o apartamento deles e subiu as escadas. Era mais rápido subir a pé no apartamento antigo com poucos andares. Se ele esperasse pelo elevador, poderia sufocar e morrer.
Passando pelo corredor estreito, Valery parou em frente à porta. Ele não sabia quanto tempo fazia desde que não se sentia mal parado em frente a ela. Mesmo estando se rastejando de volta para o lugar de onde tinha sido libertado por seus próprios pés, não havia hesitação. Esquecendo de pegar a chave, ele girou a maçaneta primeiro. No momento em que ele tardiamente lembrou da chave, a maçaneta girou. Era estranho que abrisse sem estar trancada, então ele escancarou a porta. E ele encontrou Alexei, que estava prestes a sair de casa.
Ele, que estava prestes a colocar os sapatos, tinha um rosto ansioso. Estava próximo de ser inexpressivo, mas ele se sentiu daquela forma. Para ser preciso, era mais correto dizer que ele sentiu seus feromônios instáveis.
— ……Alyosha?
Perguntando-se o que estava acontecendo, ele chamou seu nome primeiro. Então ele percebeu que o tinha chamado pelo seu apelido carinhoso antes de Alexei sequer ter pedido para fazê-lo, e ele pausou. Era verdade que ele tinha querido vê-lo, e também era verdade que tinha vindo aqui por sua própria vontade, mas sentiu que tinha baixado sua guarda rápido demais, até para si mesmo.
— Lerusha.
Mas a guarda que ele tinha colocado à força não pôde ser mantida. Os olhos azuis de Alexei, que o encontraram, lentamente se arregalaram. Ele podia sentir seus feromônios turbulentos sendo direcionados a ele. Alexei, que esteve no meio de colocar os sapatos, veio e o abraçou exatamente assim. A força com que ele se levantou e envolveu seus braços ao redor dele era forte. Ao mesmo tempo em que sentiu a sensação sufocantemente apertada, seu coração começou a bater rápido. Não havia repulsa. Havia apenas uma sensação avassaladora de elação.
Logo, ele sentiu Alexei na nuca de seu pescoço. Alexei, que estava esfregando a testa e inalando, estava em seus braços. O coração que esteve em tumulto o dia todo desapareceu neste momento. Não havia tempo para pensar tais pensamentos.
Seu Ômega estava vindo para os seus braços, como ele poderia pensar em qualquer outra coisa?
Sua mão hesitante se envolveu ao redor de Alexei. Ele era um corpo que podia ser segurado com seus braços e ainda ter espaço. O corpo de Alexei, que só tinha parecido grande e sólido, estava escondendo tal segredo. Alexei, a quem ele veio a conhecer depois de estar totalmente crescido, tinha muitos lugares que eram menores que ele. Sua altura, suas mãos, seus pés, eram todos um pouco menores que os dele. Era só isso? Havia muitos lugares macios também. Valery pensou aquilo enquanto segurava Alexei apertado, que o estava abraçando sem esconder sua ansiedade. Seu coração batia forte.
Lentamente, ele o abraçou de volta e cheirou seu odor corporal. Seu estômago, que esteve enjoado até um momento atrás, começou a se acalmar de uma vez. Ele até sentiu um conforto como se tivesse retornado ao seu ninho. Querendo sentir mais essa sensação, Valery puxou Alexei para seus braços. Sem empurrá-lo para longe, Alexei o abraçou mais fundo. Ele até sentiu vontade de segurá-lo apertado e parar bem ali. Sentindo um leve tremor em seu corpo, Valery abriu a boca. O pensamento de que ele tinha que acalmar Alexei veio primeiro, como um instinto.
— O que há de errado……
Assim como ele estava prestes a perguntar o que havia de errado, ele sentiu uma substância estranha misturada ao odor corporal de Alexei. Era um aroma desagradável. Um aroma afiado que parecia que estava perfurando seus pulmões estava em Alexei. Era um cheiro que ele conhecia. O rosto de Yuri piscou na mente de Valery. Ele era um homem com uma cor desagradavelmente similar à de Alexei. Era estranho desde o momento em que ele tinha entrado na casa tão casualmente. Uma cautela incomparável àquela época balançou Valery afiadamente.
A emoção que se seguiu era difícil de explicar adequadamente.
Hostilidade e possessividade floresceram ao mesmo tempo. O pensamento de que o Alexei em seus braços era claramente seu Ômega coloriu sua mente. Ele não sabia se era o instinto mesquinho de um Alfa, mas o pensamento que floresceu não desapareceu facilmente. Ele imediatamente se perguntou o que tinha acontecido. Esquecendo que não era do seu feitio, Valery segurou as bochechas de Alexei.
— ……Lerusha?
Ele viu o rosto olhando para ele com olhos questionadores. Ele não sabia dizer o que ele tinha feito com Alexei para que seu aroma estivesse nele. Uma imaginação desrespeitosa se sobrepôs. Para o aroma estar tão forte assim, eles deviam estar em contato próximo. De perto, seus feromônios deviam ter se misturado com um propósito claro para permanecerem assim. Assim que ele fez a suposição de que Yuri tinha tocado em Alexei, um fogo erupcionou dentro dele.
— Por que o aroma daquele desgraçado está em você?
A pergunta saltou para fora antes que ele pudesse se conter. Alexei olhou para ele como se estivesse surpreso. A maneira como seus olhos azuis e afiados se suavizaram era bonita. Mas mesmo que ele agisse tão bonito assim, ele tinha que saber o que precisava saber.
— Não seria porque eu trabalho com o Yuri?
Ele examinou Alexei, que falou em uma voz baixa, da cabeça aos pés. Era difícil de acreditar. As palavras de Rian por acaso cruzaram sua mente neste momento. As palavras de que ele não deveria confiar nele completamente se sobrepuseram em uma situação desnecessária. Valery moveu seu corpo para mais perto. Ele tinha que saber tudo o que aquele homem tinha feito ao seu irmão.
O que se seguiu foi o instinto. Ele era um corpo que nunca tinha tido um relacionamento com um Ômega, então pensou que não saberia o que fazer, mas como se houvesse um código de conduta gravado nos genes de um Alfa, seu subconsciente comandou o que ele deveria fazer. Ele tinha que colocar seu aroma em Alexei. Ele tinha que cobrir os traços desagradáveis de outro consigo mesmo e deixar uma marca de que Alexei era seu Ômega.
Como se estivesse determinado a enlouquecê-lo, Alexei estava muito obediente, ao contrário de seu eu habitual. No entanto, ele se sentia como se estivesse sendo balançado. Ele era quem estava prensando-o contra a porta e marcando-o com seu aroma como um animal aqui e ali, no entanto ele não conseguia cair em si a cada uma das ações de Alexei. Toda vez que sentia suas mãos e gestos urgentemente o abraçando e o acalmando, os pedaços de razão que tinham feito Valery hesitar gradualmente desapareceram.
O fato de ambos serem Alfas, o fato de ele o ter considerado seu irmão a vida inteira, o fato de ele o ter machucado, tudo se tornou tênue, enterrado naquilo. A última coisa que restou foi uma coisa.
— Como posso confiar em você? Você fez todo tipo de coisa comigo.
A razão, prestes a se romper, segurou Valery sob o pretexto da confiança. Ele brevemente se suprimiu, ele que estava prestes a ultrapassar a linha como uma fera. Sim, Valery precisava de confiança. Seu coração que estava inegavelmente vacilando, e seu desejo de amar Alexei como quando ele era jovem, estavam prestes a ultrapassar a linha, mas não tinham. Ele não queria ser machucado novamente. Ele queria a crença de que Alexei não o abandonaria nem por um momento, como fez no passado.
Alexei franziu as sobrancelhas com suas palavras. Seu rosto pálido estava corado de calor. Vendo-o morder o lábio com um rosto que não sabia o que fazer, um impulso para perdoar Alexei exatamente assim surgiu, mas Valery o segurou.
— Eu sou o seu Ômega, não sou?……
E Alexei finalmente disse as palavras pelas quais ele esteve esperando. No momento em que viu Alexei dizendo aquelas palavras de sua própria vontade, um arrepio percorreu por ele. A pele de galinha correu por sua espinha. Ele não tinha feito nada para provocá-lo, mas apenas suas palavras fizeram seu interior queimar. Uma alegria próxima ao prazer o preencheu.
— Sério?
Mesmo já estando além do limite, Valery perguntou novamente se o que recém tinha ouvido era uma alucinação auditiva. Era uma velha ansiedade. Como se para tranquilizar aquele que não conseguia acreditar facilmente, Alexei ofegou e o puxou. Pressionando-se para perto como alguém que queria ficar grudado, Alexei sussurrou. A umidade que se acumulou em seus olhos azuis roubou o olhar de Valery.
— Se não fosse por você, por que eu faria isso… haah, hum? Então se apresse… hngh, ah!
Finalmente, Valery ultrapassou a linha. Ele abraçou Alexei apertado e se enterrou fundo. E então ele reconheceu a realidade que esteve negando o tempo todo. Ele não sabia como tinha se tornado assim, mas não podia mais negar.
Mesmo naquele momento em que Alexei era terrivelmente odioso, Valery sempre amou seu irmão. Desde o momento em que uma escolha de um tipo que ele nunca tinha pensado tinha se desenrolado, ele já estava desmoronando. O ressentimento e a raiva que ele tinha construído por um longo tempo perderam seu rumo diante do sorriso de Alexei. Eles gradualmente encolheram de tamanho diante de suas palavras de que o amava, e finalmente se dispersaram diante do sussurro de que ele era seu Ômega.
Valery sempre tinha sentido falta de Alexei,
e ele nunca tinha deixado de amá-lo.
Nem uma única vez.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr