༺༒︎ Capítulo 6.2
↫─⚜️ Capítulo 6.2
Alexei riu.
— Quanto tempo vamos viver assim? Você, eu — somos apenas cães a nossa vida inteira. Não somos pessoas. Somos cães do Igor. Você sabe como um cão se torna humano?
T-Mac permaneceu em silêncio. Seus cílios tremeram nervosamente. Alexei deu voz às palavras que ninguém ousara sequer pensar.
— Não há outro jeito a não ser morder o dono.
Um cão não traem seu dono. Mas um cão que é apenas espancado eventualmente morderá. E não pode parar em apenas uma mordida. Ele tem que afundar os dentes na garganta e segurar, rasgando uma ferida tão profunda que ninguém consiga arrancá-lo.
Igor tinha ultrapassado os limites.
Então Alexei decidiu ultrapassá-los com ele.
Após horas de protestos aterrorizados de T-Mac e objeções afiadas de Yuri, Alexei seguiu para casa. Só de pensar em ir para casa ele se sentia vivo. Havia muito o que planejar e preparar, então ele precisava descansar adequadamente esta noite.
Embora tivesse falado com T-Mac e Yuri, Alexei não tinha nenhum plano brilhante pronto. Isso exigia cautela. Avançar de forma inconsequente não seria diferente de suicídio.
Arrastando seu corpo exausto, Alexei parou em um supermercado. Ele começou a jogar itens aleatórios no carrinho — toranjas e nectarinas que Valery gostava, folhas para salada, vegetais, frango, carne de porco, carne moída, o que pudesse pegar. Ele empilhou fardos de latas de cerveja, vodca e comida congelada antes de carregar tudo no porta-malas. Checando a hora, eram 16h. Ele tinha perdido tempo com aquele bastardo que não merecia nem a morte.
Embora seu número provavelmente ainda estivesse bloqueado, Alexei pegou o telefone para pelo menos avisar que estava voltando para casa agora.
E então ele viu uma mensagem que não podia acreditar.
[Onde você está?]
Valery tinha claramente bloqueado seu número, e ainda assim o nome salvo como “Lerusha” apareceu na tela. Alexei piscou sem reação. A mensagem tinha sido enviada há três horas. Mesmo quando ele apertou as pálpebras com força, perguntando-se se aquilo era um sonho, as palavras permaneceram inalteradas. E isso não era tudo. Outra mensagem chegou bem naquele momento.
[Por que você ainda não voltou?]
Quase soava como uma reclamação. Ele desejava que o tom fosse mais fofo, mas não — aquilo já era fofo o suficiente. Antes, ele não tinha falado no tom rígido e sem sorte de um soldado? Alexei salvou rapidamente a mensagem em sua caixa de entrada antes de digitar apressadamente uma resposta.
[A caminho, Lerusha.]
A mensagem foi enviada. A notificação de “lida” apareceu imediatamente. A situação surreal fez seu estômago borbulhar estranhamente.
[Você está com aquele tal de Yuri?]
Parecia que ele se lembrava da conversa da noite passada. Era definitivamente por causa de seus instintos de Alfa, mas quase parecia que ele estava marcando território. Como um pequeno animal mostrando os dentes.
[Nos encontramos para trabalhar e depois nos separamos. Estou a caminho agora.]
Valery não respondeu depois disso. Mas ele com certeza tinha lido. A impaciência de Alexei cresceu. Ele rapidamente ligou o carro e acelerou para casa. Cortar caminho entre as faixas de forma imprudente lhe rendeu buzinas. Empurrando a porta para abrir enquanto carregava as compras, ele viu Valery bem ali na entrada. Sentado em silêncio no limite de seu movimento, contido pelas algemas.
Como um cão esperando por seu dono.
Abraçando os joelhos, Valery estivera encarando o nada. Quando a luz entrou, ele ergueu a cabeça. As bordas de seus olhos estavam levemente vermelhas das lágrimas da noite passada. Sua expressão era uma mistura exata de mal-estar e raiva enquanto encarava Alexei afiadamente.
No momento em que viu aquilo, o autocontrole se tornou difícil. Alexei soltou a sacola de compras sem se importar se as frutas ficariam amassadas e correu até Valery. Ainda com os sapatos, ajoelhou-se rapidamente na frente dele.
— Lerusha, você estava me esperando?
No passado, ele teria carrancudo e perguntado que bobagem era aquela, mas Valery apenas pressionou os lábios e continuou encarando. Alexei estendeu a mão cautelosamente, mas depois a puxou de volta. Suas mãos estavam frias de estar do lado de fora.
— Demorou mais do que eu esperava. Eu não queria fazer você esperar.
— ……
Valery olhou Alexei de cima a baixo antes de olhar para as sacolas de compras atrás dele. Após um longo silêncio, falou baixinho:
— Se você vai me trancar assim, não fique fora por tanto tempo.
Alexei piscou. Não fique fora muito tempo se for me trancar? Era ele dizendo que queria a presença dele por perto? Mesmo sabendo que não poderia ser, uma alegria cautelosa brotou dentro dele.
Justo quando estava prestes a responder instintivamente, Claro que vou, a realidade o atingiu. Ele não podia. Especialmente não depois do que Igor tinha acabado de dizer. Alexei organizou mentalmente todas as coisas que precisava explicar a Valery, e então as deixou de lado por enquanto.
— Vamos comer. Eu vou cozinhar.
Valery encarou-o com uma expressão um pouco mais suave. Justo quando Alexei pensou que seu rosto rígido poderia estar relaxando, Valery disparou:
— Você nem sabe cozinhar. O que você vai fazer?
Então ele se levantou lentamente.
— Eu faço.
Alexei encarou-o sem acreditar. Valery se curvou, seus braços longos se estendendo para segurar a cintura de Alexei. Sua grande palma envolveu metade dela, erguendo-o sem esforço. O que Valery tinha acabado de fazer? Ainda processando, Alexei piscou enquanto Valery perguntava:
— Você ainda gosta de frango à Kiev?
Encontrando os olhos calmos de Valery, algo surgiu dentro dele. Pela primeira vez, Alexei ficou sem palavras. Ele acenou com a cabeça asperamente.
— Sim.
Eu ainda gosto.
Ao murmúrio silencioso, as sobrancelhas de Valery se contorceram.
Alexei parou em frente ao cano onde a outra algema de Valery estava fixada. Talvez ele pudesse soltá-la agora. Perdido em pensamentos, ele encarou o metal frio e fosco da algema. Era tolo pensar que anos de ressentimento se dissolveriam em apenas alguns dias. Ainda era muito cedo para libertar Valery.
Mas Valery estava claramente se comportando de forma diferente de antes. Ele tinha estado curioso sobre mim, abertamente ressentido, me esperou e até estendeu a mão. Mesmo que tudo isso derivasse de um senso de responsabilidade nascido de minhas mentiras.
— Porque eu tenho que assumir a responsabilidade.
Aquela frase ingênua continuava invocando culpa. Alexei engoliu um suspiro profundo. Dado como as coisas tinham mudado, ele tinha que tratar Valery de forma diferente agora. As poucas verdades que ele tinha revelado claramente surtiram efeito, e se ele continuasse a mudar aos poucos, Valery poderia mudar também.
Quão bom seria se houvesse alguém para lhe mostrar as escolhas certas. Tendo crescido sem pais ou mentores para guiá-lo, Alexei estava longe de tomar decisões sábias e racionais. Depois de encarar as algemas por um longo tempo, ele decidiu que era melhor deixá-las por enquanto.
Prendendo a algema em torno de seu próprio pulso, dirigiu-se à sala de estar. Valery estava inspecionando as sacolas de compras. Como as algemas eram curtas demais para alcançar a cozinha, ele devia estar esperando.
— Me dê aqui. Eu carrego.
— Eu sou mais forte do que você.
Valery disse isso sem rodeios, depois olhou para o pulso de Alexei. Seus olhos verdes encararam fixamente a algema. Alexei se perguntou o que ele estava pensando. Ele não parecia particularmente chateado. Valery desviou o olhar, pegou as sacolas e se dirigiu à cozinha. Alexei o seguiu.
— Eu não acho que isso seja verdade.
— O Alyosha não fica levantando e jogando as pessoas por aí todo dia.
O uso casual de “Alyosha” ecoou como uma alucinação auditiva antes de se fixar claramente em seus ouvidos. Alexei piscou. Ele não conseguia acreditar que o apelido — um que ele precisava persuadir e mandar para conseguir ouvir — tinha escapado tão naturalmente. Quando ele congelou, Valery também ficou em silêncio. Ele parecia igualmente sobressaltado.
— …Eu não disse porque queria.
Valery acrescentou tardiamente. Seu tom era rígido, e Alexei estreitou os olhos de forma provocativa.
— Tudo bem, Lerusha.
— Eu só disse porque você mandou.
Sua resposta defensiva e quieta era insuportavelmente adorável. Quando Alexei simplesmente concordou, Valery lhe lançou um olhar afiado antes de colocar as sacolas no balcão. Quanto tempo fazia desde a última vez que ele tinha cozinhado ali? Provavelmente mais de cinco anos. Era uma sensação estranha, quase como a vida de outra pessoa.
— Eu cuido do tempero. Você só lava os vegetais e o frango.
Ele não queria realmente fazer Valery trabalhar — suas mãos delicadas poderiam ficar ásperas —, mas Alexei não conseguiu resistir à tentação. Ele não queria fazer nada que pudesse interromper a disposição de Valery em conversar com ele voluntariamente.
— Certo.
Depois disso, eles trabalharam em silêncio por um tempo. Valery misturou manteiga sem sal com salsa bem picada, alho, sal, pimenta e suco de limão, enquanto Alexei fazia silenciosamente o que lhe era mandado. Embora não tivesse talento para a culinária, suas habilidades com a faca eram excepcionais, então ele fatiou com perícia o peito de frango sem precisar de instruções. Ao lado da carne cortada com precisão, ele colocou cenouras e limão organizadamente preparados.
Quando Valery se virou após terminar suas próprias preparações, ele viu. Alexei, lavando as mãos, encontrou seu olhar. Seu coração acelerou inexplicavelmente quando Valery olhou para os ingredientes que ele tinha preparado. Como se estivesse esperando por um elogio.
Que ridículo.
— Isso é o suficiente?
Ele até fez a pergunta estúpida em voz alta.
— É.
Valery respondeu apesar da idioticia da pergunta. Então, hesitando ligeiramente, baixou o olhar e acrescentou:
— …Você se saiu bem.
Ah, que droga.
Alexei queria segurar as bochechas de Valery e lhe dar um beijo bem ali. Ele queria abraçar aquele corpo mais alto com força e se aninhar contra suas costas. Ele queria tocá-lo de alguma forma, mas se conteve. Mesmo gestos amigáveis como esse pareciam inadequados, e com o rut acabado, avançar nele do nada seria estranho.
Além disso, desejar o próprio irmão mais novo sem qualquer pretexto não era normal, mesmo para os seus próprios padrões deturpados.
Pensando bem, quando seria o seu próximo ciclo de cio? Perdido em pensamentos sobre os ruts, Alexei de repente se lembrou do seu próprio. Normalmente, seus ciclos eram longos, ocorrendo apenas uma vez a cada seis meses. Mas, dada a sua fisiologia alterada, os padrões do passado eram inúteis agora.
Estar com Valery o fazia esquecer a realidade continuamente, mas agora assuntos negligenciados há muito tempo ressurgiam lentamente. Ele precisava visitar Altor para checar a medicação. Como isso levaria tempo, ele teria que procurar por supressores também. Mas isso era impossível no momento. Até que Rian Vinter estivesse morto, Igor sem dúvida o manteria sob vigilância.
Perdido nesses pensamentos, ele não percebeu Valery terminando de cozinhar. Depois de rechear a mistura de manteiga no frango que Alexei havia fatiado, Valery o empanou em farinha e farinha de rosca antes de fritá-lo em óleo pré-aquecido. Frango à Kiev era um prato simples, então isso era tudo o que precisava.
Pela primeira vez em muito tempo, uma refeição adequada foi servida na mesa. Em vez das refeições instantâneas habituais, pão de centeio fresco e frango à Kiev estavam dispostos. Alexei colocou os talheres e pegou a cerveja e a vodca, com a intenção de fazer um Yorsh.
— …Você vai beber Yorsh?
Valery perguntou, surpreso, enquanto Alexei misturava cerveja com vodca.
— Vou.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr