༺༒︎ Capítulo 5.1
↫─⚜️ Capítulo 5.1
Valeri acreditava no céu.
O problema começou com uma história que um professor estúpido da escola lhe contou quando ele era jovem. Na casa de Alexei, não havia adultos para ensinar a religião que tinha sido passada através de gerações de imigrantes e, como Alexei não sabia nada sobre Deus, Valeri poderia não ter acreditado no céu se não fosse por aquele professor.
*Não é ilegal ensinar religião arbitrariamente a uma criança?*
Saratov era um lugar onde a maioria era russa, então a fé ortodoxa era praticamente aquilo em que todos acreditavam, e Valeri naturalmente se assimilou aos seus ensinamentos. Valeri vinha aprendendo coisas que não serviam de nada na vida. Regras proibidas, as condições para entrar no céu, e assim por diante.
E, naturalmente, tudo o que Alexei fazia era o exato oposto de tudo isso. Se havia alguém que parecia desesperado para ir para o inferno, era ele, e era Igor, que mantinha a vida dele em suas mãos. O engraçado aqui era que esses assassinos parecidos com cães realmente acreditavam em religião.
Ao doar dinheiro corrupto para uma igreja corrupta, Igor acreditava que poderia comprar seu caminho para o céu, e ele seguia diligentemente a regra que proibia relacionamentos entre pessoas do mesmo subgênero. Era uma cena totalmente ridícula, mas era um alívio. Se não fosse por isso, não havia como saber que tipo de loucura Ivan já estaria aprontando a esta altura. Ah, ele já estava aprontando, não estava?
Tendo crescido em tal sociedade, Alexei também seguia a única regra que achava mais desprezível. Ele, também, evitava relacionamentos com aqueles do mesmo subgênero. Seria mais preciso dizer que não havia razão para quebrá-la. Era um traço fundamental para um Alfa entrar em conflito com outro Alfa, e o “amor que transcende subgêneros” de que se falava em grandes cidades como Nova Iorque era um conto distante para Alexei. Ele estava ocupado demais apenas tentando sobreviver. Para fazer isso, havia leis demais que ele precisava quebrar.
Então, ao lado de Alexei, Valeri nunca seria capaz de ir para o céu.
Isso era separado do fato de que ele mesmo não acreditava no céu ou no inferno. Valeri gostava de rezar, e acreditava que isso no final os levaria a uma boa situação. Alexei não queria tornar a vida de Valeri ainda mais difícil dizendo a ele que Deus não existia neste mundo. *Escute, Lerusha. Não existe Deus. Um filho da puta como o Igor ainda está vivo, não está?*
Então Alexei decidiu empurrar seu irmão mais novo para a luz antes de descer para as sombras onde ele próprio estava.
Desde o dia em que Igor quis que ele provasse a si mesmo.
Ele poderia ter dito tantas coisas a Valeri. *Me desculpe, Lerusha. Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo. Eu tenho que te proteger, e você é a única razão pela qual estou vivo. Eu não queria te bater. Eu nem queria ousar pôr as mãos em você.*
*Mas Lerusha, Igor é uma pessoa muito má. Eu não posso deixar que ele crie qualquer interesse por você. Se ele descobrir que eu te estimo mais do que a minha própria vida, ele vai investigar você, e isso nunca pode acontecer. Por quê? Porque se isso acontecer, eu vou ter que dizer a ele de onde eu te trouxe. Mas eu não posso dizer isso.*
*Porque senão você vai morrer.*
*Morrer dói, Lerusha. Morrer é mais terrível e doloroso do que você pensa. Eu quero que você sinta menos dor do que isso. Por isso eu te bati. Porque eu tinha que fingir que não te amava.*
Era a verdade, mas ao mesmo tempo, era uma besteira. Alexei não conseguia dizer as palavras terríveis de que batera nele porque o amava. Se você amava alguém, você tinha que protegê-lo não importava o quê. Mas que se dane tudo, Alexei não tinha poder. Igor era um homem muito acima dele, e Alexei estava meramente em uma posição onde tinha que se rastejar por reconhecimento. Apenas para ganhar a vida, e para expiar os pecados de seus pais.
Não havia outro jeito. Independentemente da crença de Valeri no céu, ele não podia entrar na organização. Igor tinha uma obsessão incrível por seus subordinados, e a única maneira de deixar a organização era através da morte. Um garoto como Valeri não seria capaz de suportar um lugar como este.
Então Alexei simplesmente não disse nada. E ainda assim, seu anjo de bom coração, querendo perdoar e segui-lo de alguma forma, continuava falando. *Vamos fugir, Alyosha. Por favor, vamos embora, por favor? Não se machuque, não vamos fazer isso. Eu não preciso fazer balé, então vamos fugir, por favor, por favor, por favor.*
Olhando para Valeri que chorava enquanto se agarrava às suas pernas, Alexei apenas disse que eles não podiam. Eles não tinham dinheiro para fugir, e não havia como Igor deixá-los em paz. Se eles fugissem, ele os caçaria e os mataria não importasse o quê. Igor era um homem minucioso sobre fazer das pessoas um exemplo. Ele caçaria incansavelmente e mataria aqueles que tentassem escapar. Se fosse uma família com um recém-nascido, ele mataria até mesmo o recém-nascido.
Valeri não sabia que o lugar onde estavam era uma armadilha mortal. Alexei só queria que Valeri não soubesse disso. Porque às vezes, era melhor não saber. Ele sabia disso melhor do que ninguém.
Portanto, dizer a Valeri que eles tinham pais diferentes não fazia parte do plano. Ele tinha cuspido o fato que pretendia esconder até o fim porque Valeri parecia muito precário. Parecia que o garoto que vinha se agarrando desesperadamente à vida iria desmoronar por completo, então ele não teve escolha a não ser se render.
Se você perguntasse se foi eficaz, foi. De qualquer forma, parecia ter dado a Valeri a força motriz para odiá-lo novamente.
Valeri disse que o odiava feito louco, e continuou chorando. Seu peito doía como se estivesse sendo rasgado, mas Alexei não sabia como acalmar um Valeri adulto. Ninguém nunca tinha lhe ensinado tais coisas. Como estimar alguém adequadamente, como amar, como falar com honestidade ou como se comunicar de forma apropriada. Não havia ninguém que pudesse ter lhe ensinado. Seus pais tinham morrido há muito tempo, e os únicos adultos ao seu lado tinham sido criminosos. Não havia como ele saber como lidar com uma pessoa normal como Valeri.
Assim como agora.
— Me dê meu telefone.
O que uma pessoa normal teria feito aqui? Alexei pensou de forma vaga enquanto olhava para Valeri estendendo uma mão para ele. Se fosse o T-Mac, ele teria dito isto: *Uma pessoa normal não trancaria alguém em primeiro lugar, seu filho da puta louco.*
Ele tinha razão. Alexei refletiu sobre os últimos dias em que desacordou Valeri, o confinou e o amarrou. Não era o que ele realmente queria. Ele se sentia mal por ter interferido no tempo em que Valeri deveria estar fora ensaiando. Pelo lado positivo, ele tinha ligeiramente estendido a expectativa de vida de Valeri ao impedi-lo de se encontrar com Lian Vinter.
— Sinto muito, mas não posso fazer isso.
*Você poderia entrar em contato com Lian Vinter imediatamente e fazer alguma bobagem.* A situação de não poder confiar em seu próprio irmão era lamentável, mas não havia o que fazer.
— O que eu tenho que fazer para você me dar?
Então Valeri começou a usar um novo método que tinha aprendido nesses últimos dias. No momento em que ouviu aquelas palavras, Alexei congelou por um instante. Ele não sabia onde ele tinha aprendido um método tão fofo, mas era certamente muito eficaz. O fato de o garoto que nunca tinha querido ou exigido nada dele estar se aproximando dele desta forma… era suspeito, e ainda assim fofo.
Alexei estudou Valeri com os olhos semicerrados. Ele tinha certeza de que Valeri tinha chorado e lamentado, despejando pragas sobre o quanto o odiava, mas não esperava que ele reagisse assim. Para ser sincero, ele esteve tenso, perguntando-se se uma cena maior iria explodir. Ele nunca tinha imaginado que um momento para trocar palavras como estas chegaria.
*Por que ele está agindo assim?*
Nos últimos anos, Valeri tinha constantemente e claramente mostrado seu ódio e rejeição em relação a ele. Ele tinha erguido seus espinhos como um ouriço que te picaria se você apenas o tocasse. Considerando o que ele tinha feito nos últimos dias, teria sido normal ele fazer um escarcéu ainda maior, então por que diabos?
*É por causa do nó?*
Alexei pensou sobre a atitude estranhamente abrandada de Valeri. Dada a personalidade de Valeri, não havia como ele o perdoar ou se sentir mais próximo dele por causa de sexo. Era ainda mais assim dado que ele tinha ficado tão chocado que chegou a ter náuseas. No entanto, havia uma ligeira diferença agora que o relacionamento deles era o de um Alfa e um Ômega.
Alfas basicamente têm um senso de posse e propriedade sobre Ômegas. Além disso, Valeri tinha dado o nó nele. Tinha dado o nó tantas vezes que isso devia ter causado algum efeito. Poderia até ter havido um *imprint*.
*Não….*
Não era um *imprint*. Se tivesse havido um *imprint*, não havia como ele não ter sentido. Além disso, ele próprio não era um Ômega completo. Era apenas um Ômega pela metade, por causa das drogas, então não havia possibilidade de *imprint*. *…Ou havia? Vou ter que perguntar ao Altor sobre isso.* Pensando até aí, Alexei decidiu os termos da troca equivalente.
— Me chame pelo meu apelido.
— …
Valeri fechou a boca firmemente. Seus olhos bonitos, abertos com recato, dispararam um olhar de desagrado contra ele. Mas não era um olhar que dizia que ele estava com tanto nojo que poderia morrer. Os feromônios deviam ter tido algum tipo de efeito.
— Se você continuar me chamando de Alyosha,
Alexei disse, balançando o telefone carregado de Valeri.
— Eu vou deixar você ver cada vez.
*Sob minha supervisão, é claro.* Alexei adicionou a condição óbvia.
— Quanto tempo você planeja manter as coisas assim?
Uma boa pergunta. Alexei se lembrou de que já estava na hora de ele mostrar o rosto. T-Mac e Yurij estariam procurando por ele, e como ele não mostrava o rosto há mais de quatro dias, Ivan começaria a ficar irritante.
— Você não quer?
Alexei agiu como se fosse jogar o telefone direto pela janela. Ele sentiu um olhar afiado sobre ele e, então, os lábios se abriram.
— …
O som esperado não veio. Ele estava ficando ansioso. Ele nunca tinha sequer imaginado ser chamado de Alyosha pela voz de um Valeri adulto, e o pensamento de que poderia ouvir aquilo o deixava impaciente. Alexei adicionou mais condições.
— Como eu disse, não posso deixar você ir embora agora. Mas se houver algo sobre o qual você esteja curioso, eu posso pelo menos responder.
Ele sentia como se fosse morrer de sede.
— Me chame de Alyosha.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr