༺༒︎ Capítulo 2.2
↫─⚜️ Capítulo 2.2
Yurij, que parecia ter mais a dizer, teve que sair por causa de uma ligação. Enquanto Alexei gerenciava as operações de drogas em grande escala e lavagem de dinheiro que estava desviando para outro estado, Yurij gerenciava impostos de proteção e os clientes do clube. Ambos eram controlados pelo subordinado de Ivan, Vadim. Ambos tinham pais traidores, então estavam em uma situação semelhante à de reféns. O fato de Igor ter poupado suas vidas foi uma gentileza pessoal. Embora não soubessem quando poderiam ser descartados.
O estereótipo de que mafiosos com sangue russo não tocam em coisas como drogas não se aplica aqui. Este lugar era o pequeno reino de Igor. O governo não se importava com esta terra do extremo norte árida, vazia e fria, e Igor fazia o que queria. Parecia que seus parentes de sangue na pátria-mãe mantinham o lado dos negócios de armas.
Talvez por ter sido a primeira vez que foi nocauteado por ter sua artéria comprimida, Valeri demorou para acordar. Alexei estava um pouco preocupado com isso e passou um longo tempo verificando se Valeri estava respirando corretamente. Pôs o dedo sob o nariz de Valeri e, pela primeira vez em muito tempo, tocou o corpo que normalmente não o deixaria colocar a mão. Ele colocou os dedos na nuca reta e branca dele. Um pulso estava batendo. Estava quente e macio.
Se ele não acordar em mais uma hora, terei que chamar um médico. Com esse pensamento, Alexei decidiu fazer um almoço tardio por enquanto. Ele estava cansado por ter ficado acordado por dois dias inteiros, mas achou que seria bom ter algo para alimentar Valeri quando ele acordasse.
O único problema era que Alexei não sabia absolutamente nada sobre cozinhar.
Ele sabia como assar uma pizza por causa de T-Mac, mas não havia como fazer isso aqui. Depois de falhar em fazer mac and cheese de caixa, Alexei simplesmente abriu uma massa congelada e a esquentou. Quando o micro-ondas funcionou por alguns minutos e fez um som de plim, Valeri acordou. Que momento ruim.
De além do quarto, o som de correntes ecoou alto. Alexei bebeu um copo de água da torneira e caminhou lentamente até seu quarto. O barulho de correntes logo se tornou um som alto de puxão, baque, baque.
Lerusha, se você fizer isso, os vizinhos de baixo vão reclamar.
Alexei entrou lentamente no quarto. Assim que cruzou a soleira, olhos verdes afiados e pontiagudos encararam Alexei.
— Você finalmente ficou louco.
Ele deu de ombros diante da voz que saía por entre dentes cerrados. Valeri mordeu o lábio e apontou para os grilhões em seus tornozelos.
— Tire isso. Agora mesmo.
— Você não pode dizer isso depois de eu ter tido tanto trabalho para colocar.
Os olhos verdes de Valeri se arregalaram de fúria. Ele podia sentir seus feromônios oscilando ansiosamente. Alexei sentiu a mesma sensação forte e estranha que havia sentido antes. O cheiro de um macho no Rut. Parecia que a hora havia chegado.
De acordo com a memória de Alexei, o primeiro Rut de Valeri havia começado há cerca de dois anos. Foi um começo tardio. De acordo com T-Mac, ele havia namorado brevemente um Ômega, mas provavelmente nunca havia dormido com um. Como Alexei o tinha visto praticando com supressores, era provável que fosse o caso.
Então, é por isso que ele precisava de um Ômega?
Alexei, observando Valeri sem pressa, chegou a essa conclusão. Ele já havia passado da maioridade, deveria ter passado pelo Rut com um Ômega pelo menos algumas vezes, então talvez seus desejos sexuais tivessem se acumulado e agora ele desejasse um Ômega. Ele descartava a hipótese de que Valeri estava apaixonado por Lian Vinter. Era absurdo pensar que ele já pudesse estar apaixonado por algum cara que acabou de conhecer. Era uma conclusão interesseira.
— Tire isso, porra! Agindo exatamente como um criminoso… que se foda, Alexei!
Até sua voz irritada era bonita. Deixando de lado o fato de ser seu irmão, não lhe faltava absolutamente nada, por qualquer ângulo que se olhasse. Era perfeitamente compreensível que as pessoas fossem atraídas por ele e ficassem encantadas. Alexei curvou lentamente a parte superior do corpo em direção a Valeri. Conforme ele se aproximava, Valeri balançou o braço como um predador. Alexei quase foi agarrado pelo colarinho por aquele braço longo. Alexei o desviou facilmente e deu um passo para trás, dizendo.
— Eu os tiro se você terminar com Lian Vinter.
— Isso é ridículo…!
De tão irritado que estava, Valeri soltou uma respiração pesada e um “porra”, passando a mão pelo cabelo. Era a primeira vez que ouvia um palavrão vindo dele, então Alexei fez uma leve careta. Ele se sentiu desconfortável.
— Você não pode ficar com o Lian Vinter. Aquela agente do DEA que veio de Nova Iorque é parente dele. No momento em que Igor ou Ivan descobrirem, você não terá uma morte limpa.
— Eu prefiro morrer…!
Assim que Valeri estava prestes a gritar, Alexei liberou seus feromônios de forma ameaçadora e disse em voz baixa:
— Cale a boca, Valeri.
Os lábios de Valeri se fecharam bruscamente. De olhos arregalados, ele encarou Alexei em silêncio.
— Você não sabe o que é morrer nas mãos deles.
Em todo o tempo em que esteve criando Valeri, Alexei nunca havia xingado para ele. As únicas vezes em que colocou as mãos nele foram hoje, quando o nocauteou, e há oito anos, quando espancou Valeri até a beira da morte na frente de Igor. Ele não havia xingado nem mesmo naquela época.
Embora tivesse dito coisas que eram talvez peores do que palavrões para afastar o garoto.
— No momento em que for pego, você vai implorar para se enforcar e acabar com isso. Eu não vou conseguir te salvar. Eu sei a vida de merda que você teve, Valeri Sorokin, mas provavelmente não é o mesmo tipo de merda que eu conheço.
Também era a primeira vez que ele não usava seu apelido carinhoso.
— Você o ama?
Valeri, que estava em silêncio, hesitou diante da pergunta de Alexei. Alexei perguntou com o rosto sério:
— Você o ama, o Lian Vinter?
— …
Ele podia ver os lábios dele tremendo. Alexei falou rapidamente, como se para cortar sua resposta:
— Se você está fazendo isso para me fazer perder a cabeça, Valeri.
Alexei disse com o rosto cansado:
— Você faz isso todo santo dia, então vamos dar o dia por encerrado.
Terminando suas palavras, Alexei jogou o cabelo para trás. Alguns fios de cabelo preto caíram sobre a testa descoberta. Ele fechou os olhos por um momento e depois os abriu, mais uma vez estampando um sorriso no rosto.
— Então coma, Lerusha.
Valeri encarou Alexei com uma expressão contorcida. Ele fechou a boca. Parecia um gato completamente emburrado. Ele era exatamente como um filhote de cachorro quando vinha correndo, mas quando fazia uma cara daquelas, era um gato da cabeça aos pés. Alexei previu o destino da massa congelada no micro-ondas.
Pelo visto, fazê-lo comer é uma causa perdida.
Valeri é teimoso. Ele não faz coisas de que realmente desgosta. Ele costuma ouvir bem, mas uma vez que algo o chateia, ele insiste em ser teimoso depois. Houve uma época, por exemplo. No passado, Alexei muitas vezes não comia em casa. Os dois começaram a jantar juntos obrigatoriamente porque Valeri havia insistido.
Se o Alyosha não comer, eu também não como.
Depois de dizer isso, Valeri não apenas pulou o jantar, mas também não comeu por vários dias. Foi só depois de ouvir da escola que o garoto havia desmaiado de fome e exaustão que Alexei se rendeu. Não importava o quão tarde fosse, mesmo que o jantar virasse café da manhã, os dois sempre arranjavam tempo para comer juntos.
Houve muitas outras vezes em que ele foi teimoso. Ele nunca ouvia quando lhe diziam para ir para a cama primeiro. Era trabalho de Alexei pegar o garoto de cabelo loiro enrodilhado no sofá e colocá-lo na cama. Apesar de ser tão teimoso, ele nunca lhe deu nenhum problema real. Só havia coisas felizes.
Quando Alexei se machucava, ele chorava até ficar exausto e colocava um curativo com suas mãos pequenas, e Alexei beijava aquelas mãos. Quando Alexei acordava primeiro, despertava o garoto com um beijo na bochecha macia de Valeri. E às vezes, quando dormia até tarde, Valeri subia na cama e lhe fazia cócegas soprando suas respirações pequenas, ho ho, em seu ouvido. Essas memórias…
Alexei sobreviveu retirando esses pequenos pedaços de felicidade passada, um pouco de cada vez.
— Você não comeu de novo, Lerusha.
Mas agora, as memórias que ele podia guardar e ruminar estão desaparecendo cada vez mais. Alexei encarou o burrito frio e pensou em silêncio. Valeri estava olhando pela janela sem dizer uma palavra.
Ele parecia um passarinho na gaiola.
Ele só estava trancado há três dias, mas Valeri parecia ter perdido sua vitalidade. Era uma consequência natural de enclausurar um garoto que praticava todo santo dia. Ele havia avisado a companhia em seu nome, mas não podia mantê-lo trancado para sempre. Alexei não tinha intenção de arruinar a vida de Valeri.
— Quer comer outra coisa?
Mesmo sem resposta, Alexei perguntou com calma. Ao pegar o prato, seu olhar foi de repente capturado pelos tornozelos de Valeri na cama. Marcas vermelhas cobriam seus tornozelos. Parecia que estavam esfolados e havia sangue. Seu olhar seguiu lentamente a corrente fixada ao grilhão, por todo o caminho até a parede. Ele devia ter puxado tanto que o cano estava meio desprendido da parede, pendurado. Era uma força que não podia ser ignorada.
Dizem que o Valeri é bom de cama pra caralho. Que os parceiros dele enlouquecem completamente.
Uma piada que T-Mac havia feito de repente veio à mente. Provavelmente era verdade. Embora a força em todo o corpo seja importante, a parte inferior do corpo seria a mais desenvolvida. Um corpo treinado por tanto tempo assim poderia quebrar ossos com apenas um chute forte.
Mas essa não era uma ideia para se ter sobre seu irmão mais novo. Deve ter sido um pensamento repentino trazido pelos feromônios de Valeri, que estavam ficando mais intensos e pareciam prestes a explodir. Parecia que seu Rut estava prestes a começar a qualquer momento.
Vai estourar amanhã ou depois de amanhã, no máximo.
De todo modo, ele já se preocupava com o fato de Valeri tomar supressores. Pelo menos nos estágios iniciais de um Rut, seria melhor para ele a longo prazo aliviar isso com outra coisa que não fossem supressores.
— Lerusha.
— Eu não vou comer não importa o que você diga, então caia fora.
Valeri disse, virando a cabeça enquanto estava deitado. Embora chamasse isso de confinamento, ele o havia deixado se mover pela casa, e todos os livros e materiais relacionados ao balé no quarto de Valeri tinham sido trazidos para cá. Ele devia estar lendo os livros quando não estava olhando, já que alguns estavam no chão.
… Hmm. Também é possível que ele os tenha jogado.
— Por que você está tentando morrer por um Ômega que nem ama, hein? Vocês nem estão namorando ainda.
De acordo com o que T-Mac havia descoberto, eles estavam apenas saindo em alguns encontros. Com essas palavras, Valeri virou a cabeça bruscamente e rangeu os dentes.
— Eu acredito ter dito para você não se meter na minha vida.
— Você tem que dizer algo que faça sentido.
Aos olhos de Alexei, Valeri parecia uma criança sozinha à beira da água. Por que Valeri, que todos diziam ser lindo e bonito, parecia tão jovem e pequeno para ele? Às vezes, Alexei sentia que iria perder a cabeça também. Se ao menos ele pudesse simplesmente deixá-lo ir. Se pudesse, já teria feito isso há muito tempo.
— Eu admito que ele é bonito, sim. Mas há muitos Ômegas melhores do que aquele cara.
— Ricos também?
Valeri disse em tom de deboche. Por um momento, foi difícil responder a isso. Lian Vinter é… bom, ele é rico.
— Existe algum outro Ômega que seja rico o suficiente para me patrocinar e me tirar desta cidade amaldiçoada? Se sim, então sim. Traga-os para mim.
Naquele momento, Alexei sentiu um breve orgulho de Valeri. Então ele não estava apenas olhando para o rosto. Se era sobre dinheiro, ele se sentia bastante aliviado. Pelo menos não precisaria se preocupar em ele ser passado para trás em algum lugar.
— Era isso que você queria? Deveria ter me dito antes. Eu vou encontrar um, então não se preocupe.
— Acho qualquer pessoa conectada a você repulsiva.
A teimosia de um Valeri adulto não traz alegria alguma. A maneira como ele mal bebe água, a maneira como retruca contra ele, a maneira como fala sobre morrer — isso só rasga o coração de uma pessoa em pedaços.
— Seu Rut está chegando em breve, então sua mente vai mudar depois que você dormir com alguém uma vez. Eu vou te trazer alguém bonito que seja o mais desvinculado possível.
Em sua própria mente, era uma coisa bastante gentil de se dizer, mas parecia que não era assim para Valeri. Pelo contrário, parecia ter tocado em um ponto ferido, já que seus feromônios inflamaram violentamente.
— Que diabos de pessoa é você…!
Murmurando “porra”, Valeri jogou o cabelo para trás. Ele moveu os tornozelos de forma bruta. O metal fixado na parede estalou, tilintando alto. Observando a cena, Alexei pensou com calma. Pelo visto, vou ter que fixar aquilo de novo.
— Você vai machucar seus tornozelos, Lerusha.
— Por que você está fazendo isso comigo?
— Porque estou preocupado com você.
— Apenas me deixe em paz, por favor! Por favor, por favor, apenas me deixe em paz!
Vendo-o torcer os tornozelos ainda mais como se em desafio, Alexei agarrou seu tornozelo firmemente com um xingamento. Valeri lhe lançou um olhar penetrante. Sentando-se em ângulo na cama e olhando para ele, Valeri disse:
— Saiba que não tenho intenção de dormir com nenhum Ômega que você trazer.
— Você não terá cabeça para isso durante o seu Rut de qualquer maneira.
— Não.
Vendo Valeri falar com tanta confiança, Alexei também franziu a testa. Ele era um cara cujas forças mentais eram tão fortes quanto sua teimosia era podre. Você podia perceber apenas olhando para os dedos disformes sob seus tornozelos brancos. Os pés inchados, sem unhas e torcidos de bailarino. Ele era um cara que passava o dia inteiro apenas praticando, então provavelmente conseguiria aguentar.
— Eu vou encontrar um de qualquer maneira.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
˙⋆✮ Se possível, apoie o autor na plataforma oficial.✮⋆˙
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr