༺༒︎ Capítulo 12.3
↫─⚜️ Capítulo 12.3
Assim que a mão que esganava seu pescoço foi solta, Lian tossiu e se curvou. Depois de encarar Alexei por um momento com olhos lacrimejantes e avermelhados, Lian rapidamente desviou o olhar e se dirigiu a Valery. Conforme Lian passou por ele, os dedos de Alexei tremeram, mas ele fechou o punho e aguentou.
— Lerusha…!
Lian, que urgentemente chamou o nome de Valery e parou ao lado dele, soltou uma série de tosses. O vacilante Lian segurou o braço de Valery. E Valery não empurrou Lian para longe. Ele apenas continuou encarando Alexei.
— Alyosha.
Valery lentamente chamou Alexei, que estava incapaz de dizer qualquer coisa.
— Por favor, me responda.
Quietamente, mas claramente, Valery exigiu uma explicação.
— Por que você fez aquilo com o Lian agora mesmo?
Valery parecia estar tentando entender. No rosto inexpressivo e pálido de Valery, emoções gradualmente apareceram. Suas sobrancelhas bonitas se arquearam como se em confusão, e seus olhos se estreitaram como se em descrença.
— Você não estava tentando machucar o Lian, estava?
— Não.
Mal movendo sua língua enrijecida, Alexei negou as palavras de Valery. Ele não estava tentando machucá-lo. Se ele quisesse matá-lo, teria feito isso há muito tempo. Era apenas, simplesmente…
— Mentiroso.
Lian avançou sobre ele. Acariciando o próprio pescoço, ele falou com olhos tingidos de um leve medo.
— Você ia realmente me matar, agora mesmo.
Quer sua pele fosse particularmente delicada, ou quer sua própria força fosse tão grande, uma marca avermelhada já tinha sido deixada no pescoço de Lian. Olhando para a marca que logo se transformaria em um hematoma, os lábios de Alexei se abriram. O olhar de Valery também se voltou para o pescoço de Lian. Em direção ao perfil que olhava para baixo para Lian, Alexei fez uma desculpa.
— Você disse que…
Ele tentou fazer uma desculpa.
— O que eu disse?
Mas suas palavras foram cortadas. Porque era um tópico que ele queria evitar, Alexei manteve a boca fechada, mas Lian não parou. Ele, que não tinha sido intimidado de forma alguma antes, parecia ter decidido não ficar quieto no momento em que Valery apareceu.
— Por quê? Se você está tão confiante, diga.
Valery lentamente virou a cabeça. Seus olhos, exigindo uma explicação, examinaram Alexei. Lian incitou Valery.
— Lerusha, pergunte a ele. Por que o seu “hyung” estava tentando me matar. Quando você era pequeno, você sempre me dizia isso. Que você odiava que o seu hyung guardasse segredos de você.
Aquele bastardo. Um xingamento quase erupcionou, mas Alexei segurou. No entanto, ele tinha que evitar que a história que tinham acabado de discutir saísse da boca de Lian. Valery não podia saber sobre aquele incidente. Era certo que ele permanecesse ignorante, de qualquer forma.
— Você não sugeriu que fizéssemos um acordo?
Quando ele resmungou em uma voz baixa e afundada, Lian balançou a cabeça. Com um leve sorriso, ele observou Alexei. O rosto, no qual um claro sentimento de vitória tinha surgido, estava dizendo apenas uma coisa. Lian não tinha nada a perder nesta situação. Não havia necessidade de manter o acordo. Afinal, a ruína já estava se aproximando de Alexei.
— Que história é essa de acordo, e o que diabos você está escondendo?
Valery, que tinha estado em silêncio, perguntou. Alexei passou a mão pelo cabelo de forma bruta. Desde que Rian Winter apareceu, sua mente tinha ficado apressada e ele tinha agido precipitadamente. Se ao menos pudesse voltar no tempo alguns minutos, ele teria levado Rian para outro lugar, não para cá. Ruminando sobre o erro mais estúpido que cometeu em sua vida, Alexei fechou os olhos com força. Uma preocupação relampejou em sua mente. Mesmo sabendo que o resultado mudaria dependendo do que dissesse, ele simplesmente não conseguia se forçar a contar a verdade a Valery.
— Não é nada que você precise saber, Lerusha. Sério. É desnecessário.
No final, Alexei proferiu as palavras que sempre dizia por hábito. Era a pior escolha. Às palavras de que não precisava saber, a expressão de Valery se contorceu. Ele podia ver a ansiedade preenchendo gradualmente seus olhos. Traição, uma decepção habitual e algo como medo preencheram o rosto de Valery.
— As coisas não seriam diferentes para nós agora?
Ainda assim, como se quisesse acreditar, Valery perguntou. Ele deu um passo mais perto.
— Você disse que pedia desculpas por agir daquela forma no passado.
Valery sussurrou em uma voz desesperada.
— Eu pensei que isso significava… que você não agiria mais assim.
Balançando a cabeça ligeiramente, Valery perguntou.
— Eu entendi mal? Não, certo? Eu sou o guardião do Alyosha agora. Você pode me contar tudo, então…
Nesse momento, Rian, que estivera ouvindo, interveio. Com um olhar de incompreensão, ele perguntou de volta.
— Guardião?
— Rian, conversamos mais tarde.
— Lerusha, por que você é o guardião dessa pessoa? Não seria suficiente se fosse o contrário, então por que…!
Com um gesto cuidadoso, mas firme, Valery fez um sinal para Rian ficar quieto, um “psiu”. Mesmo parecendo confuso, Valery se colocou entre Rian e ele, como se para protegê-lo.
— Fique quieto, Rian. O Alyosha não deve se assustar.
Rian encarou com uma expressão estranha a cena dele, um ômega, protegendo Alexei, um alfa. Piscando em perplexidade, Rian perguntou cautelosamente.
— Lerusha, por que diabos você está tratando uma pessoa assim como se ele fosse um ômega…?
Rian, que tinha falado até esse ponto, arregalou os olhos e fechou a boca. Ele virou a cabeça rapidamente e encarou Alexei. Rian, que examinou Alexei como se para confirmar algo, entreabriu os lábios. Logo, ele sussurrou, olhando para Alexei com um rosto horrorizado. Como alguém que tinha testemunhado uma cena terrível.
— Você é louco.
No momento em que ouviu aquele pequeno resmungo, uma forte intuição lhe disse que ele não deveria mais estar ali. Ele estava até começando a ter medo de quais palavras Rian poderia proferir. Era um medo desconhecido, um que ele nunca tinha sentido nem mesmo ao enfrentar a morte. Alexei segurou a mão de Valery, que se aproximara dele, e disse-lhe.
— Eu te conto quando chegarmos em casa. Vamos embora primeiro. Eu não quero ter essa conversa aqui. Eu farei o que você disser. Por enquanto, vou explicar o máximo que puder, então…
Ao puxão desesperado em sua mão, Valery deu um passo, embora sua expressão estivesse confusa. Sabendo que a hesitação cintilava em seus olhos, Alexei acelerou o passo. Era melhor para ele de alguma forma inventar uma história do que Valery ouvir da boca de outra pessoa ali.
— Não vá, Valery.
Nesse momento, Rian segurou a outra mão de Valery.
— Você também sabe, não sabe? Que ele não vai te contar direito. Sempre foi assim.
Rian, segurando Valery que estava prestes a partir, disse, balançando a cabeça.
— Lerusha, vamos embora.
Alexei chamou Valery resolutamente, como se para dizer que ele não precisava se importar. Mas Valery não podia fazer isso. Talvez porque a desconfiança enraizada dentro dele fosse tão antiga, Valery parou o passo que estava prestes a dar. Rian não perdeu a breve hesitação e o segurou.
— Por quanto tempo você vai deixá-lo te controlar? Você pode fazer o que quiser agora. Valery, você não pode segui-lo. De todas as pessoas, realmente não deveria ser ele.
Alexei apertou o aperto na mão que segurava a de Valery. Seu coração batia como se fosse explodir. Ele sabia, mesmo antes de ouvir, quais palavras sairiam da boca de Rian. Ele não devia deixá-lo ouvir. Alexei puxou o braço de Valery bruscamente. Assim que pareceu que os dois iriam embora, Rian finalmente gritou.
— Aquele homem é da linhagem de sangue que matou seus pais!
Eu deveria ter nocauteado aquele bastardo antes. O pensamento relampejou em sua mente. Ele queria cobrir os ouvidos de Valery e levá-lo embora imediatamente, mas já era tarde demais. Alexei aumentou a voz também, para de alguma forma fazer Valery não acreditar no absurdo que Rian tinha disparado.
— Não escute, Lerusha. Não escute palavras como essas. Você tem que ouvir o seu hyung.
Valery não se moveu. Olhando para baixo para Alexei, ele piscou os olhos. Por um momento, seu rosto estava confuso, como alguém que tinha ouvido algo que não deveria. Não querendo ver a emoção contida nos olhos verdes trêmulos, Alexei tentou arrastar Valery para fora de alguma forma. Mas Valery não se moveu como tinha feito antes. Não perdendo a oportunidade, Rian rapidamente continuou sua explicação.
— Essa pessoa não é seu hyung. Ele não é sua família também.
Rian usava uma expressão como se estivesse ficando louco. Os cantos de seus olhos estavam vermelhos.
— Ele é apenas o filho das pessoas que mataram seus pais. O filho das pessoas que fizeram de você um órfão, e a pessoa que te deixou deste jeito quando você poderia ter vivido uma vida perfeitamente normal.
A mão capturada de Valery tremeu ligeiramente. Ele podia ser visto soltando um fôlego fino através de seus lábios entreabertos.
— Ele estava tentando me matar porque estava com medo de que eu te contasse isso.
Foi isso. Incapaz de segurar o surto explosivo de emoção, Alexei disse.
— Cale a boca.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr