↫─História Paralela 24
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Inverno, Novamente
Dezembro de 2025, Nova York, EUA
Taebaek passou em uma loja de donuts logo cedo pela manhã. Uma das vantagens de Nova York era que quase tudo o que você queria ficava a uma curta distância a pé. De volta a LA, eles moravam em uma área mais calma, e comprar “coisas doces” — o que, segundo Shinu, significava um açúcar bonito, pequeno e caro, e no caso da América, um açúcar bonito e caro, mas também enorme — exigia pelo menos trinta minutos de carro.
Apesar do frio cortante de Nova York que deixava suas orelhas já avermelhadas ainda mais vermelhas, uma caminhada de dez minutos não era insuportável.
Taebaek voltou com um largo sorriso e uma variedade de carolinas que estava desejando há dias.
— Você voltou?
Shinu o cumprimentou com indiferença. Tendo terminado seu treino matinal, ele havia tomado um banho quente e agora estava relaxando no sofá de roupão, folheando um catálogo de faculdades.
Ele ainda não havia se decidido sobre um curso. A quantidade imensa de opções o deixava sobrecarregado e, como nunca havia se aprofundado em nenhuma área de estudo antes, não fazia ideia do que realmente o interessava.
— Sim, você ficou bem enquanto eu estive fora?
Taebaek perguntou enquanto desenrolava seu cachecol.
— Sim, eu fiquei bem.
Shinu respondeu, refletindo sobre a última hora. Era divertido como Taebaek agia como se eles não se vissem há eras, mesmo tendo ficado separados por apenas uma hora. Shinu fechou o catálogo e olhou para Taebaek.
Depois de tirar a neve dos ombros, Taebaek foi direto para a cozinha. Ele jogou seu casaco de qualquer jeito para o lado, pegou um prato e começou a arrumar cuidadosamente os doces que havia comprado, separando-os por sabor. Sua concentração era tão intensa que lembrava a de um cientista realizando um experimento importante.
Taebaek empilhou as carolinas em uma pequena montanha em um prato grande e o carregou com cuidado até o sofá. Sentando-se ao lado de Shinu, ele pegou um dos doces. A massa crocante era decorada com um chapéu de Papai Noel feito de morango.
— Olha só para isso. Eles só vendem esses na época de Natal.
A voz de Taebaek transbordava de entusiasmo, como se ele fosse uma criança. Shinu soltou uma risada baixa e soprada. Ele não é uma criança… mas é tão adorável.
— É, é fofo — Shinu respondeu calmamente, limpando os flocos de neve do cabelo de Taebaek. A claridade do lado de fora da janela sugeria que estava nevando novamente.
— Aqui.
Taebaek ofereceu um doce a ele.
— Obrigado.
Embora não estivesse com muita vontade de comer doces, Shinu o aceitou sem hesitação. Ele empurrou o catálogo para o lado e sentou-se mais perto de Taebaek.
Taebaek adorava ver Shinu comendo doces. Era como se ele gostasse de compartilhar algo que amava com alguém que estimava. Por isso, Shinu sempre fazia um esforço para dar uma mordida ou duas em qualquer sobremesa que Taebaek estivesse comendo. Com o tempo, ele começou até a apreciar as diferenças sutis nos sabores de várias guloseimas açucaradas.
Eles morderam os doces juntos. Ao morder a massa crocante, um recheio cremoso e doce explodiu inesperadamente. Ambos os homens instintivamente sugaram o creme como se fosse um milkshake.
Então, percebendo o quão absurdos deviam parecer — dois homens adultos agindo daquela forma —, eles não conseguiram conter o riso.
Taebaek devorou quatro daquelas carolinas do tamanho da palma da mão enquanto estava sentado. Enquanto isso, Shinu alternava entre admirar a vista de Nova York coberta de neve pela janela, folhear o catálogo e assistir ao telejornal na TV. Era sempre o telejornal, como de costume.
As notícias andavam pacíficas ultimamente — não porque o crime tivesse diminuído, mas porque as reportagens sobre os “Devoradores” haviam minguado significativamente.
O número de Devoradores chegando às praias havia diminuído drasticamente com o tempo. O índice de infecção por monstros na Ásia também estava em declínio, graças à vacina. As pessoas haviam se adaptado às suas orelhas avermelhadas, e uma famosa marca de joias chegou a lançar uma linha de brincos desenhada para complementar o tom vermelho.
Assistindo ao boletim regular sobre os Devoradores, Shinu voltou seu olhar para Taebaek, que estava sentado na outra extremidade do sofá. Taebaek estava brincando distraidamente com as pernas de Shinu, massageando suas panturrilhas e mexendo em seus pés.
Ocasionalmente, ele se inclinava para dar um beijo leve no peito do pé de Shinu, com a expressão radiante e despreocupada. Ele não parecia cansado nem sobrecarregado. Ele lembrava Shinu de uma manhã fria e revigorante de inverno.
— Você parece não ter mais pesadelos hoje em dia.
— É. Não tenho. Eu também não vejo mais os Devoradores em visões.
— …
Shinu cerrou os lábios brevemente antes de relaxá-los. Até o verão, Taebaek vinha sendo atormentado por pesadelos frequentes, mas eles haviam desaparecido de repente. Como Taebaek parecia relutante em ir a um hospital, Shinu não havia insistido, embora tivesse decidido arrastá-lo até lá à força se as coisas não melhorassem.
Fosse o tempo que o curou ou algum outro motivo, Taebaek parecia bem agora. Pelo menos, essa era a avaliação de Shinu depois de passar quase todos os momentos junto com ele. Não havia mais noites acordando em suor frio, e Taebaek também não olhava ansiosamente para o vazio.
— Está tudo bem agora. Nós tomamos a vacina — Taebaek disse, puxando sua orelha esquerda de tom avermelhado. Shinu assentiu. Ele estava prestes a dizer para Taebaek avisá-lo se algum dia tivesse pesadelos ou dificuldades novamente quando uma palavra familiar veio da TV: Coreia, Seul.
Tanto Shinu quanto Taebaek se voltaram para a tela simultaneamente. Uma manchete apareceu abaixo da âncora negra: [Coreia. Reconstrução em Seul começará em janeiro do próximo ano].
Sentando-se mais ereto, Shinu pegou o controle remoto e aumentou o volume. A tela mudou, revelando uma vista há muito aguardada da paisagem urbana de Seul. A cidade estava enegrecida e silenciosa. Não havia soldados, nem pessoas, nem mesmo o infectado “Devorador”. As ruas estavam repletas de carros capotados e vestígios de sangue carbonizados e borrados.
Flocos de neve espessos e fofos caíam, cobrindo tudo o que estava à vista. Sem ninguém para limpá-la ou pisar nela, a neve se acumulava em tempo real, como se a própria cidade estivesse em pausa.
O repórter transmitiu uma atualização detalhada:
— A maioria dos infectados que antes preenchiam Seul foi erradicada. Alguns permanecem em áreas negligenciadas, mas espera-se que sejam eliminados em questão de dias.
— O governo interino coreano e a ONU estão se concentrando na preservação do patrimônio cultural, trabalhando para eliminar os infectados sem destruir estruturas importantes.
— Notavelmente, uma média de dois sobreviventes está sendo encontrada diariamente. Eles são vacinados imediatamente e levados para cuidados médicos para proteção.
— O governo interino anunciou que o Projeto de Reconstrução de Seul começará já em janeiro do próximo ano. Muitas nações estão estendendo seu apoio, com os EUA também enviando tropas e suprimentos.
— Este é um momento de atenção global.
— Que Seul recupere o esplendor da cidade que um dia conhecemos.
A tela passou para imagens nostálgicas de Seul antes do surto. Arranha-céus imensos e reluzentes. Famílias fazendo piquenique à beira do Rio Han, rindo sob a luz do sol. Painéis de neon vibrantes piscando na noite. A presença digna do Palácio Gyeongbokgung e a estátua do Almirante Yi Sun-shin montando guarda. A icônica N Seoul Tower, erguendo-se bem acima do Monte Namsan.
A transmissão terminou, mas Shinu e Taebaek não conseguiram desviar os olhos da tela. Shinu voltou a si primeiro. Ele se virou e se aconchegou nos braços de Taebaek, e Taebaek instintivamente o envolveu em um abraço firme, passando a mão de forma reconfortante de cima a baixo pelas costas de Shinu.
— Hyung.
— Sim?
— Você quer voltar para a Coreia?
— Sim, claro. É a nossa casa — Shinu respondeu sem hesitação.
— Eu também — Taebaek concordou, acrescentando: — Eu também quero voltar. Seul é o tipo de lugar onde você consegue pedir entrega de macarons às duas da manhã.
Shinu caiu na gargalhada com o motivo inesperado. Apoiado sobre Taebaek, ele encontrou seu olhar e passou o dedo pela linha do maxilar bonito de Taebaek.
— Quando você acha que a gente vai poder voltar?
— Logo.
— Logo?
— Sim, logo — Taebaek respondeu com firmeza, sua certeza não deixando espaço para dúvidas. As sobrancelhas de Shinu se ergueram. Será que Taebaek estava conversando secretamente com alguém do governo?
— Como você sabe disso?
— Por que eu não saberia? Os coreanos fazem questão de resolver as coisas rápido. Eles vão dar conta de um distrito por dia, vapt-vupt, simples assim.
O raciocínio era estranhamente convincente. Shinu assentiu, com a expressão séria.
— Você tem razão. Se eles chegaram ao ponto de começar a reconstrução em apenas um ano, eles realmente trabalham rápido. Espero que eles consigam agilizar tudo para a gente poder voltar logo… Isso seria bom.
Shinu semicerrou os olhos, imaginando o dia em que os dois finalmente chegariam juntos ao Aeroporto de Incheon. Enquanto isso, Taebaek deslizou a mão por dentro da cueca de Shinu e começou a acariciar suas nádegas macias e redondas. Shinu não se importou muito e simplesmente o deixou continuar.
— O que a gente deve fazer quando voltar? — Taebaek perguntou.
— Hmm… eu quero ir ao Rio Han. Vai realmente parecer que estou de volta a Seul.
— Eu vou pedir entrega. Frango. Estou com tanta saudade de frango frito coreano. E tteokbokki picante. De sobremesa, vou comer fat-carons.
— Fat… carons? Aqueles macarons gigantes que você costumava comer o tempo todo? Aqueles do tamanho de hambúrgueres?
— É, esses mesmos. Não dá para achar deles aqui nos Estados Unidos. E você? Mais alguma coisa que queira fazer ou deseje?
— Tem uma coisa que eu quero: ondol.
— Nossa, sim, aquecimento de piso.
— Eu quero usar roupas leves e ainda assim me sentir aquecido dentro de casa. Os aquecedores aqui são secos demais e nem são tão quentes.
— Não é? Minha pele preciosa está rachando.
— A pele do nosso Taebaek é preciosa demais para isso…
Com um beicinho fingido, Shinu segurou o rosto de Taebaek nas mãos. Sua pele, lisa e macia como seda preciosa, ainda se ajustava perfeitamente às suas palmas.
Os dois continuaram conversando por um tempo, relembrando as pequenas inconveniências que os coreanos costumam sentir ao morar no exterior. Coisas que não eram particularmente especiais, mas tornavam-se profundamente desejadas simplesmente por estarem fora de alcance — coisas que pareciam ainda mais valiosas por causa de sua escassez.
Eles riram, relembraram, sentiram uma pontada de saudade e então pegaram no sono juntos. Foi um cochilo lento e doce.
Com as testas tocando-se suavemente, eles sonharam em sorrir no lugar para onde ansiavam voltar.
O mundo ainda estava caótico.
Levaria muito tempo para retornar totalmente à forma como as coisas eram antes de os infectados se espalharem por toda parte.
Mas dia a dia, pouco a pouco, o progresso era visível. Hoje, a notícia era sobre o início da reconstrução. Algum dia, eles ouviriam a notícia de que a reconstrução estava concluída, de que a Coreia havia recuperado totalmente sua antiga glória.
Esperar não era difícil.
Vivendo como estavam agora, em dias pacíficos e comuns — às vezes tornados extraordinários por momentos juntos —, eles eventualmente alcançariam aquele dia.
E assim, para aquele dia que inevitavelmente viria,
Para aquele dia em que todos poderiam se encontrar novamente, vivos,
Que hoje também fosse um dia pacífico e feliz, precisamente por ser tão comum.
↫─Fim
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna