↫─História Paralela 10
↫─História Paralela 10
E em suas mãos, Shinu e Taebaek seguravam, cada um, um rifle pesado. A atmosfera havia mudado para algo frio e premonitório. Embora sem saber o que estava acontecendo, Taebaek instintivamente firmou sua determinação.
Shinu segurou a maçaneta de uma porta que parecia uma saída de emergência e gesticulou para Taebaek com os olhos. Taebaek assentiu e ergueu seu rifle.
— Um… dois… três.
Shinu sussurrou suavemente e, assim que as palavras deixaram seus lábios, a porta se abriu com um rangido. Taebaek imediatamente avançou para dentro, com o cano do rifle varrendo para a esquerda e depois para a direita enquanto inspecionava os arredores.
O telhado da loja de pneus estava coberto por uma tinta impermeável verde desbotada, com uma velha placa de lona balançando ao vento. Vasos de plantas mortas e pneus descartados manchavam o espaço.
Felizmente, não havia devoradores.
… Devoradores?
Taebaek inclinou a cabeça, confuso. Era para haver devoradores aqui? O pensamento mal havia passado por sua mente quando, bem ao longe, a placa familiar do Pedágio de DongSeoul entrou em vista.
[Dong Seoul] – [Seul Oriental]
Era estranho. A placa estava a quilômetros de distância, escondida atrás de barricadas imponentes, e ainda assim as letras pareciam nítidas e claras, como se ampliadas por uma lente de zoom. Taebaek estalou a língua.
— Ali, hein? Já era de se esperar.
Ele chamou por Shinu.
— Hyung. Nenhum devorador aqui.
— …
Mas não houve resposta.
Taebaek virou-se, com o coração parando. Shinu havia sumido.
O pânico o dominou enquanto ele corria de volta para a porta. Lá dentro não havia nada além da mesma escadaria escura e interminável que haviam subido antes. Shinu não estava em lugar nenhum.
— Hyung…?
Taebaek voltou para o telhado, com os olhos procurando freneticamente pelo espaço aberto. Era impossível não notar alguém ali em cima — não havia onde se esconder. No entanto, Shinu havia sumido.
Pela primeira vez, Taebaek percebeu que estava completamente sozinho.
De repente, o céu escureceu, tornando-se azeviche. Sem estrelas, sem lua — apenas um vazio de desespero estendia-se acima. O peso da escuridão era sufocante.
E então, tão abruptamente quanto os rifles haviam surgido em suas mãos, a arma de Taebaek desapareceu.
Ele ficou ali parado, respirando pesadamente, com o peito apertado de inquietação. Quase sem pensar, moveu-se em direção à borda do telhado e olhou para baixo — não para procurar por Shinu, mas porque seu corpo movia-se como se compelido por um roteiro invisível.
Espiando além da borda, Taebaek engoliu em seco. Abaixo, o chão estava fervilhando de devoradores.
Eles rosnavam e batiam as mandíbulas, suas formas grotescas contorcendo-se enquanto empurravam uns aos outros em ondas caóticas. Suas bocas apodrecidas escancaravam-se, emitindo rugidos guturais e cheios de pigarro.
Taebaek ficou paralisado, com o olhar fixo na horda monstruosa. Então, como se impulsionados por uma fome sombria, os devoradores começaram a se amontoar uns sobre os outros, formando uma rampa grotesca que se estendia cada vez mais alto.
Em pouco tempo, a rampa alcançou o telhado.
Os devoradores subiram por ela, com movimentos espasmódicos e instáveis, mas implacáveis.
Um alcançou o telhado.
Depois outro.
E mais outro.
Em questão de instantes, havia dezenas deles.
Os devoradores avançaram em enxame na direção de Taebaek , com as mandíbulas alargando-se à medida que se aproximavam.
Eles abriram bem as bocas.
E engoliram Taebaek por inteiro.
—
Uma escuridão absoluta o envolveu.
— Hahh—!
Taebaek sentou-se abruptamente na cama, arfando em busca de ar. Sua visão embaçou, e ele apertou os olhos para fechá-los antes de abri-los novamente. O brilho suave de uma luminária de cabeceira entrou em foco.
Por vários segundos, ele simplesmente encarou a luz.
Finalmente, percebeu que estava acordado.
Seu coração batia descontroladamente, e um suor frio cobria sua testa e seu pescoço.
Ainda atordoado, Taebaek baixou o olhar e encontrou a cabeça de Shinu descansando contra o seu peito. A cena trouxe lágrimas de alívio aos seus olhos, e ele soltou uma respiração trêmula.
— Hah…
Ele sentia como se estivesse afundando no colchão, com seu corpo dominado pelo conforto de saber que Shinu ainda estava ao seu lado.
— Foi só um sonho — ele disse a si mesmo. — O Shinu não sumiu. Isso é impossível.
Eles estavam seguros aqui. Essa segurança não seria despedaçada — não de novo.
Acariciando gentilmente as costas de Shinu, Taebaek acalmou seu coração acelerado. Seu corpo, ainda rígido por causa do pesadelo, gradualmente começou a relaxar.
Sua garganta parecia seca por causa do suor que havia derramado. Ele precisava de água, mas não queria acordar Shinu tossindo.
Com cuidado, ele deslizou para fora debaixo de Shinu, substituindo seu lugar por um travesseiro. Depois de depositar um beijo suave na testa de Shinu e ajeitar o cobertor confortavelmente ao redor dele, Taebaek levantou-se da cama.
O ar no corredor estava mais frio do que no quarto, e a sala de estar na penumbra parecia misteriosa. Ligando a TV para quebrar a quietude, Taebaek tirou o volume e direcionou-se para a cozinha.
Ele colocou um copo de água para si, tocando distraidamente na plaqueta de identificação ao redor do pescoço. Era um ritual, algo que o ajudava a aplacar o medo persistente.
No início, a plaqueta tinha sido uma fonte de pavor. Mas agora, sempre que a tocava, lembrava a si mesmo: “Nada parecido vai acontecer de novo. O Shinu nunca vai me deixar.”
Depois de esvaziar dois copos de água, Taebaek preparou-se para voltar para o quarto.
A TV sem som piscava ao fundo, sem ser notada enquanto Taebaek movia-se em direção ao corredor. Então, algo na tela capturou sua atenção.
Um devorador.
Com o rosto lambuzado de sangue, a criatura encarava a câmera, com a boca escancarada tremendo. Ao contrário dos devoradores que Taebaek já vira antes, este era um ocidental de cabelos loiros.
Taebaek ficou imóvel por um longo tempo, encarando a TV. Ele não conseguia dizer se aquilo era a realidade ou uma continuação de seu pesadelo.
O devorador na tela debatia-se violentamente, como um peixe recém-tirado para a terra, com sua forma grotesca batendo os dentes e mordendo tudo o que estivesse ao alcance. Ele rosnava e debatia-se, e a câmera que o capturava tremia, incapaz de focar direito, como se estivesse dominada pelo terror.
Era estranho. Taebaek já havia experimentado incontáveis pesadelos antes, mas nada como aquilo.
Ele estreitou os olhos, controlando-se enquanto se aproximava da TV.
— O que você está fazendo aqui fora?
Uma voz baixa roçou seu ouvido — era a voz de Shinu. Taebaek virou a cabeça rapidamente.
— Hyung?
Parado na entrada do corredor que levava de volta ao quarto estava Shinu, vestido apenas com as calças do pijama. Um leve traço de sono permanecia em seus olhos, e seu cabelo bagunçado parecia desalinhado.
O olhar de Taebaek vacilou. Aquilo era um sonho também? Ou era real? Paralisado pela incerteza, ele não se moveu, incapaz de tomar uma decisão.
Shinu caminhou na direção dele.
— Você estava demorando tanto que achei que tivesse acontecido alguma coisa. Normalmente, você volta em cinco minutos…
Com seus passos longos, Shinu alcançou Taebaek em pouco tempo. Ele estendeu uma mão para o rosto de Taebaek , e Taebaek instintivamente inclinou a cabeça para a frente para encontrá-la.
O calor do toque de Shinu confirmou: aquilo era a realidade.
Aliviado, Taebaek envolveu os braços ao redor da cintura de Shinu e o puxou para perto.
— Cinco minutos? Como assim? Você sabia que eu ando tendo pesadelos?
— Sim.
— Desde quando?
— Desde dezenove de abril.
As sobrancelhas de Taebaek ergueram-se rapidamente. Abril — fora quando os pesadelos haviam começado. Em outras palavras, Shinu sabia desde o início.
— Você sabia o tempo todo? Por que não disse nada?
— Eu estava esperando você me contar.
A mão de Shinu afagou gentilmente o cabelo de Taebaek . O rosto de Taebaek caiu um pouco, com uma ponta de culpa se abatendo sobre ele.
— Eu… eu não queria te contar porque achei que faria você se preocupar…
— Eu sei. Venha, vamos voltar para a cama.
Shinu pegou a mão de Taebaek e o guiou em direção ao quarto. Taebaek assentiu e o seguiu, mas na metade do caminho, olhou de relance para a TV.
Se aquilo não era um pesadelo, então o que era aquilo na tela? Poderia realmente ser um devorador?
Taebaek puxou a mão de Shinu, parando-o. Shinu inclinou a cabeça com curiosidade antes de se virar para a TV. Sua expressão espelhou a incredulidade de Taebaek enquanto ele encarava a tela.
— …
— …
Era inconfundivelmente um devorador, enfurecido na tela. Shinu rapidamente pegou o controle remoto e aumentou o volume.
O apresentador do telejornal falava rapidamente em inglês, transmitindo informações urgentes, enquanto um texto vermelho rolava na parte inferior da tela.
Um devorador havia sido descoberto em uma área rural dos Estados Unidos e estava atualmente sendo contido. As notícias afirmavam que dois policiais que atenderam à ocorrência haviam sido devorados pela criatura. A cidade afetada, junto com as áreas próximas, havia sido colocada sob ordens de evacuação enquanto o devorador continuava a vagar.
O FBI, a SWAT e as forças militares estavam trabalhando para isolar a região, eliminar o devorador e evitar que o vírus se espalhasse.
Depois de relatar a situação, o apresentador concluiu com um apelo urgente:
— A América não é mais segura. Para a sua segurança e a segurança de sua família, por favor, vacinem-se o mais rápido possível.
Assim que a transmissão terminou, Shinu mudou para outro canal de notícias. Enquanto isso, Taebaek buscou seu telefone no quarto e começou a vasculhar as redes sociais e os artigos de notícias. Mesmo no meio da noite, a internet estava fervilhando de acessos.
— Hyung, o que nós fazemos?
Taebaek perguntou, com o rosto cheio de preocupação. Shinu o puxou para o sofá e o fez sentar. Então, movendo-se com agilidade, Shinu fechou todas as cortinas da sala de estar antes de retornar para o lado de Taebaek .
— Taebaek , você sabe onde fica esse local?
Shinu apontou para o lugar mencionado no noticiário.
— Uh… não, não reconheço. Espera aí…
Taebaek abriu um aplicativo de mapas e digitou o nome da cidade. A tela atualizou rapidamente, e Taebaek entregou o telefone para Shinu.
— É aqui.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna