↫─❀ Capítulo 10
Capítulo 10 Parte 1
Loucura, pura loucura.
Damian sentia-se em um estado tão lamentável que tinha vontade de arrancar os próprios cabelos.
O que passou pela sua cabeça para fazer aquilo? Que tipo de loucura ele tinha cometido?
Ele apenas havia ficado mexido com o homem. Ao vislumbrar de relance as emoções cruas de Claude, seu coração fraquejou, deixando-se levar sem perceber. Mas como aquela tentativa desajeitada de simpatizar com ele acabou se transformando em sexo era algo que ele simplesmente não conseguia compreender.
Agora, ele não podia sequer usar a desculpa de ter sido um acidente.
E, para piorar, depois de cometer um deslize daquele tamanho, ele ainda dormiu como uma pedra. Dormiu tão profundamente que nem sequer percebeu quando Claude lavou o seu corpo.
No instante em que abriu os olhos e deu de cara com ele, Damian levou um susto terrível com as memórias da noite anterior que o inundaram de repente.
Foi um verdadeiro suplício ter que olhar para o rosto de Claude, que exibia um sorriso radiante que parecia não sumir nunca.
Afastando o homem que agora agia de forma muito mais íntima, Damian fugiu para o banheiro e não ousou dar um único passo para fora dali até que o assessor de Claude trouxesse suas roupas. Recusar a carona de Claude, que insistia em levá-lo para casa, foi uma tarefa hercúlea.
No fim das contas, Damian teve que chamar Oscar para voltar ao chalé em seu próprio carro. Evitar o olhar de Oscar, cuja expressão implorava por uma explicação sobre o que tinha acontecido, foi outro tormento.
Ele também teve que dispensar Peter, que já se preparava para cobrá-lo por ter passado a noite fora sem dar notícias, usando a desculpa de que estava exausto antes de se trancar no quarto.
Nunca em sua vida havia sentido um impulso tão avassalador. A marca de dentes que vislumbrara de relance na clavícula de Claude permanecia vividamente gravada em sua mente.
Várias partes de seu corpo ainda doíam, como se a sensação da noite passada ainda estivesse impregnada ali.
Depois de passar a tarde inteira trancado no quarto remoendo os acontecimentos desde que voltara para casa como um fugitivo, Damian finalmente conseguiu recuperar um pouco da compostura.
Estou com fome…
Por causa dos enjoos matinais, ele não vinha tendo apetite nenhum, mas, por alguma razão, sentia que agora seria capaz de devorar qualquer coisa.
— Quero comer kringle…
Diante desse desejo que escapou em um sussurro, Damian lembrou-se do que acontecera há alguns dias.
Claude, ao notar que ele tinha comido bem os kringles, mandou que seus subordinados lhe entregassem uma quantidade enorme do doce. Apesar de Damian ter resmungado ao ver a entrega absurda, questionando como conseguiria comer tudo aquilo, ele acabou devorando cada pedaço sem sobrar nada. Não bastando isso, ele acordou de madrugada sob o efeito de um desejo incontrolável de comer os mesmos kringles que havia consumido durante o dia.
Era uma hora em que todos já dormiam e não havia a menor chance de encontrar aquilo na cozinha do chalé. Mesmo assim, Damian foi até lá como se estivesse hipnotizado, revirando a geladeira e os armários.
Obviamente, não encontrou nada. Embora houvesse ingredientes disponíveis, Damian, que nunca tinha cozinhado na vida, jamais seria capaz de prepará-los.
Uma onda de autocompaixão e tristeza o abateu ao ver a si mesmo invadindo a cozinha na madrugada fria por causa de um simples doce. No instante em que pensou que a culpa de tudo aquilo era de Claude, ele ligou para o homem por impulso, sem sequer checar o horário.
O telefone chamou por um longo tempo antes que ele finalmente atendesse.
— Damian? A esta hora… Aconteceu alguma coisa?
A voz, que antes estava completamente rouca de sono, recuperou a lucidez em um instante.
— Onde você está? No chalé? Estou indo aí agora mesmo.
— …É tudo culpa sua!
Ao ouvir a voz dele, a indignação acumulada explodiu de uma vez.
— Você tem ideia do quanto eu me esforcei todos os dias na hora das refeições para inventar desculpas para o Peter? Você sabe o que é sentir náuseas com qualquer coisa que come?! É humilhante acordar no meio da madrugada com fome e ter que revirar a cozinha sem poder comer o que quero! Não importa o quanto eu durma, o sono nunca passa, não posso contar nada a ninguém e estou exausto de ter que viver me cuidando para que ninguém descubra que estou grávido!
Incapaz de conter o rancor que o sufocava, Damian despejou suas frustrações sobre ele.
— Eu só consegui olhar para a Dea e não pude sequer montar naquele lombo liso uma única vez! O Theo disse que está terminantemente proibido. Ele insistiu que, por estar grávido, preciso tomar o máximo de cuidado! Por que eu tenho que passar por isso? Por que tenho que sofrer tanto por causa de uma criança que eu nem sei se vou dar à luz?!
Sem dar espaço para Claude respirar, Damian despejou todas as suas queixas. Não havia espaço para a razão. Ao ouvir a voz do homem, sua mente foi dominada pelo pensamento único de que ele era o culpado por tudo. Por ter falado tão rápido e sem pausas, Damian acabou ficando sem ar e começou a arfar.
— Sim. A culpa é toda minha. É por minha causa que você está passando por esse sofrimento. Me diga. O que posso fazer por você? Quer que eu vá aí agora?
— Não venha! O que vai mudar se você vier?
— Você disse que acordou porque estava com fome, não é? O que quer comer? Vou mandar preparar imediatamente.
Ao ouvir a promessa de que ele prepararia o que quisesse na hora, a imagem do kringle que comera mais cedo voltou à mente de Damian. Ele queria aquilo desesperadamente. Naquele exato momento.
— Não precisa vir. Vou acordar o chef e pedir para ele fazer.
— Damian. Deixe-me fazer pelo menos isso por você. O que você quer comer?
Diante daquela voz que o acalentava com tanta doçura, Damian acabou respondendo sem perceber:
— Kringle.
— Ok. Espere apenas uma hora. Chego aí num piscar de olhos.
— Você está me dizendo para ficar acordado esperando por uma hora inteira?
— Vou tentar ir o mais rápido possível. Tudo bem?
— Trinta minutos. Se não chegar nesse prazo, vou trancar a porta.
— Certo. Estou a caminho.
Naquele dia, Claude chegou em exatos quarenta minutos. Damian o recebeu enquanto cochilava em um longo sofá no primeiro andar. O homem trouxe os kringles ainda quentinhos, recém-saídos do forno, mas Damian estava tão rendido ao sono que acabou desabando na cama e dormindo antes de conseguir comer.
Talvez por causa do ocorrido daquele dia, Claude passou a enviar kringles três vezes ao dia. Na verdade, Damian sentiu vergonha do chilique que dera e tentou pedir ao chef do chalé que fizesse o doce. No entanto, ele não conseguiu comer. O sabor era completamente diferente daquele que Claude trazia. Como se tratava de uma confeitaria famosa, devia haver algum segredo especial na receita.
No fim, ele acabou ficando dependente do que Claude lhe enviava todos os dias.
Ele não entendia por que só conseguia comer o que vinha daquele homem.
Mas, já que a culpa de tudo isso também era dele, Damian não precisava se sentir culpado.
Já que havia cometido uma indiscrição vergonhosa, que diferença faria cometer mais um deslize? Damian decidiu fazer um esforço para deletar de sua mente o fato de que aquilo tinha sido um erro colossal. Se ele conseguiria fazer isso, já era outra história.
— Descansou bem?
Assim que Damian desceu as escadas, Peter aproximou-se e o analisou da cabeça aos pés. Como Damian havia se trancado no quarto sob a desculpa de estar indisposto, o olhar do mais velho, que avaliava seu semblante, estava extremamente afiado.
— O que o jovem mestre andou fazendo ontem à noite para estar com essa cara de cansaço? Você não tinha ido ao concerto com Sua Graça?
— Ah? Sim, sim. Depois que o concerto acabou, encontrei um amigo que não via há muito tempo e ficamos conversando a noite toda. Ficou muito tarde, então acabei dormindo em um hotel ali perto.
— Não teria sido melhor se tivesse pedido para enviar um carro?
Para evitar que a mentira se estendesse e ficasse ainda mais complicada, Damian arqueou as sobrancelhas e murmurou com uma voz desanimada:
— Já disse que estava tarde demais. Deixando isso de lado, Peter… Tem algo simples para eu comer? Estou com fome…
A expressão de quem estava prestes a passar um longo sermão transformou-se em surpresa em um piscar de olhos.
— Ah, céus! O jovem mestre nem sequer tomou o café da manhã, não é? Não posso perder tempo aqui! Por favor, aguarde um momento. Vou ordenar à cozinha que prepare algo imediatamente!
— Não precisa de nada elaborado. Apenas algo leve que dê para comer rápido. E, para beber, traga água com gás e limão. Com bastante gelo.
— Trarei em um instante.
Assim que Peter saiu apressado da sala de estar, Damian acomodou-se confortavelmente no longo divã perto da janela. A cada movimento, sentia um incômodo repuxar em uma parte íntima de seu corpo, fazendo-o franzir o cenho involuntariamente.
Ele tentou focar a mente, que instita em retornar às memórias da noite passada.
Como as coisas tinham chegado àquele ponto? Com que pensamento ele havia passado a noite com aquele homem?
Eles nem sequer assistiram ao concerto até o final. Ele não conseguia se lembrar de como tinham ido parar no hotel. Ele apenas quis. A única coisa em sua mente era o desejo de tocá-lo.
Nunca em sua vida havia sentido um impulso como aquele. Durante o cio, ele ainda podia usar a desculpa de que eram os feromônios, mas, com o que acontecera ontem, nem mesmo essa justificativa colava.
A sensação era nitidamente diferente de quando estava no cio.
Tudo o que envolveu o homem era nítido demais em sua memória. O corpo sólido movendo-se com dinamismo e o olhar feroz que expunha abertamente o desejo. A forma como os dedos de juntas grossas de Claude acariciaram seu corpo, o quão quente foi o beijo dele…
E a sensação que os toques dele provocaram em seu próprio corpo…
Ele não tinha esquecido um único detalhe.
Era como se um filme adulto explícito estivesse sendo exibido em replay constante dentro de sua cabeça.
Damian balançou a cabeça levemente, tentando espantar os pensamentos.
Não. Não pense nisso. Ontem foi inevitável… É como ser humano, às vezes esse tipo de impulso pode acontecer.
Eu sou um Ômega e ele é um Alfa, então isso foi apenas um instinto…
Enquanto tentava encontrar uma explicação para a situação por conta própria, Damian de repente abaixou a cabeça, tomado por um súbito sentimento de vergonha e autodepreciação.
…Como vou conseguir olhar para a cara dele daqui para a frente?
— Haa…
Um suspiro pesado, capaz de afundar o chão, escapou de seus lábios.
— Por que esse suspiro tão pesado? Está se sentindo mal em algum lugar?
Peter, que estava prestes a entrar na sala carregando uma bandeja, avaliou o semblante de Damian com uma expressão preocupada.
— Não é nada… Só não dormi muito bem. Mudando de assunto, você poderia pedir para o Oscar passar aqui à tarde?
— Há alguma instrução para ele?
— Sim… Acho que preciso fazer alguns ajustes na minha agenda. Decidi parar com o trabalho de modelo.
Se porventura decidisse dar à luz à criança, seria impossível continuar trabalhando como modelo. Obviamente, ele não podia explicar esses detalhes para Peter. Damian sentiu o coração apertar, temendo que o homem lhe perguntasse o motivo.
— Mas isso é uma excelente notícia! Para ser sincero, eu nunca gostei muito que o jovem mestre fizesse esse tipo de trabalho.
— É mesmo? Você nunca me disse nada.
— Isso foi porque o jovem mestre parecia gostar do que fazia, então decidi não interferir. Se me permite a sugestão, por que não aproveita e para com o polo também? O jovem mestre é o único herdeiro desta casa, e eu gostaria de parar de me preocupar com a possibilidade de você se machucar. Além disso, já está na hora de começar a se envolver gradualmente nos assuntos da família.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello