— Capítulo 125
Capítulo 125
— Cheguei.
Como Yeon-oh havia previsto, seu primeiro dia havia terminado um tanto tarde. O bebê estaria dormindo profundamente e, como Yeon-oh havia se organizado para trabalhar de casa até que o trabalho temporário de Gi-hyeon terminasse, a babá provavelmente já havia ido embora há horas.
A casa estava exatamente tão silenciosa quanto Gi-hyeon imaginava. A sala de estar, banhada por uma luz branca e quente, irradiava uma domesticidade aconchegante que fazia até mesmo o profundo silêncio parecer reconfortante. Como havia um bebê na casa, ele passou direto pela sala e foi direto para o banheiro lavar as mãos. Um reflexo se moveu no espelho. Gi-hyeon se virou e encontrou Jo Yeon-oh escorado no batente da porta, com os braços cruzados sobre o peito.
— Você estava dormindo?
— Você está atrasado.
O tom amuado e implicante na voz de seu marido arrancou uma risada suave de Gi-hyeon. Já passava um pouco das onze horas; se Yeon-oh chamava aquilo de atraso, ele tinha que concordar. Secando as mãos, Gi-hyeon deu um passo em direção ao espaço de seu marido.
— Desculpa. Foi difícil cuidar do Surim sozinho?
— …Na verdade não. Não, esquece. — Balançando a cabeça, Yeon-oh agarrou Gi-hyeon pela cintura e o puxou contra o peito. Gi-hyeon foi de bom grado, derretendo-se no abraço. — Por causa do seu atraso, o Surim disse que está se recusando a te mostrar as habilidades de corrida dele.
— Que pena. Acho que vou ter que esperar até o primeiro dia de esportes dele na escola primária, né?
Estar grudados um ao outro naturalmente suavizava suas vozes em murmúrios baixos, criando uma intimidade adorável. Mas o momento pacífico se desfez quando Yeon-oh, que havia enterrado o nariz no pescoço de Gi-hyeon, de repente recuou.
— …Park Cheol-jin, aquele desgraçado filho da puta.
— O quê?
O xingamento cruel, expelido por entre os dentes cerrados, fez Gi-hyeon congelar. Os músculos masseteres ao longo da mandíbula marcada de Yeon-oh saltaram visivelmente, revelando o quão furiosamente ele estava rangendo os dentes.
— O que deu em você de repente? — Assustado, Gi-hyeon exigiu uma explicação.
Yeon-oh apenas molhou o lábio inferior, com o peito subindo e descendo violentamente como se estivesse contendo uma imensa fúria. Sua fúria intensa imediatamente fez o próprio pulso de Gi-hyeon disparar. Xingar Cheol-jin de forma tão abrupta era completamente insano.
— Eu perguntei o que está acontecendo.
— Você não consegue sentir o cheiro?
Antes que Gi-hyeon pudesse sequer perguntar o cheiro de quê, Yeon-oh agarrou a frente de sua camisa como se o pegasse pelo colarinho e o puxou para frente. Ignorando qualquer outra explicação, ele enfiou o nariz violentamente contra a gola de Gi-hyeon.
— Você está absolutamente empesteado com isso. Como você não percebeu?
— …O quê?
Gi-hyeon piscou sem entender. Tentando decifrar o comportamento errático de Yeon-oh, ele calmamente ergueu a própria gola e a cheirou, imitando a ação de seu marido. Ele sentiu apenas um leve aroma de amaciante de roupas e as notas finais de sua própria colônia, nada mais.
— Uh… Eu realmente não…
O aperto de Yeon-oh afrouxou, soltando a camisa de Gi-hyeon como se toda a vontade de brigar tivesse se esvaído dele.
— …Meus feromônios devem ser tão avassaladores que você literalmente não consegue registrar o cheiro de outros alfas desgraçados —, ele concluiu, com a voz tremendo de agressividade firmemente contida.
Completamente perdido, Gi-hyeon o encarou até que a ficha finalmente caiu. — Então, agora mesmo… você está dizendo que estou com o cheiro dos feromônios do Cheol-jin?
No momento em que deu voz à pergunta, uma lembrança específica surgiu. Cheol-jin havia ido junto ao jantar da equipe e, por impulso, virou bebida alcoólica sem a permissão do treinador principal. Havia sido apenas um copo de soju misturado com bastante cerveja, mas o nadador era um fraco notório para bebida. Ele havia ficado completamente embriagado e passou o resto da noite grudado em Gi-hyeon, que estava sentado ao seu lado, exibindo o afeto desajeitado de um bêbado briguento. Os feromônios sem dúvida haviam se transferido nessa hora.
— Ah, ele ficou um pouco bêbado mais cedo… Me desculpa. Vou garantir que isso nunca mais aconteça.
Passar sua carreira cercado por atletas acostumados com a mentalidade de grupo havia dessensibilizado Gi-hyeon em relação ao toque físico entre homens. Antigamente, quando era um beta, ele nunca havia se importado se outro cara — alfa, beta ou ômega — jogasse o braço sobre ele ou iniciasse um contato casual. Atletas davam uma importância massiva à solidariedade, tornando o contato físico entre pessoas do mesmo sexo algo totalmente normalizado.
Como a sua consciência de seu próprio status de ômega ainda era frustrantemente abstrata, Gi-hyeon apenas compreendia a reação visceral de Yeon-oh em um nível teórico. Ainda assim, se aquilo chateava seu marido, era responsabilidade de Gi-hyeon consertar.
Enquanto lançava a Yeon-oh um olhar arrependido, a expressão contorcida do alfa desmoronou. Yeon-oh soltou um suspiro pesado e balançou a cabeça.
— Eu não estou te culpando… Eu só.
— Eu sei. — Gi-hyeon assentiu instantaneamente. Ele sabia exatamente o que Yeon-oh estava lutando para dizer.
— Um, você lembra daquele ômega que fez uma exposição na sua galeria há muito tempo? — Gi-hyeon pesou cuidadosamente suas palavras. Ele tinha um ponto específico a defender e queria desesperadamente que funcionasse. Yeon-oh apenas o encarava de cima, totalmente sem saber onde aquilo daria. Envergonhado, Gi-hyeon lambeu o lábio inferior antes de continuar. — Eu achei que vocês dois pareciam muito bem juntos naquela época… Ele tinha um porte pequeno, e não havia estranheza quando você ficava ao lado dele. Então, eu…
— Isso é ridículo. Nem me associe a ele. É nojento.
Yeon-oh balançou a cabeça freneticamente, com o rosto perdendo a cor. A negação imediata e visceral foi ao mesmo tempo gratificante e hilária. Segurando um sorriso, Gi-hyeon insistiu.
— Eu sei. Eu sei que você tinha zero interesse nele. Mas mesmo sabendo disso, eu não conseguia evitar de ter esses pensamentos. É exatamente como você está se sentindo agora, não é?
— …
— Então, é justo que eu seja quem precisa tomar cuidado.
Segurando de leve o pulso de Yeon-oh, Gi-hyeon ofereceu a concessão. Piscando rapidamente, Yeon-oh abriu um sorriso irônico e capturou os lábios de Gi-hyeon em um beijo breve.
— Quando foi que você cresceu o suficiente para me confortar desse jeito? O So Gi-hyeon costuma ser ruim para caralho com esse tipo de coisa.
— É, bem, dizem que você tem que tratar bem o seu cônjuge para manter a paz em casa.
Yeon-oh riu sem acreditar diante da resposta descaradamente astuta de Gi-hyeon. — Certo, então faça melhor. Você deve estar exausto, ande logo e vá se lavar. Vou te dar uma massagem.
— Você realmente não precisa…
— Ei, isso pareceu uma sugestão por acaso?
Era o jeito bruto dele dizer que estava deixando a raiva de lado, então Gi-hyeon precisava entrar no jogo. Assentindo com entusiasmo, Gi-hyeon recuou para o banheiro, tirando um momento para refletir sob a água do chuveiro.
Ele está certo. Nós não estamos apenas namorando casualmente mais; somos um casal casado. Se um dos lados está infeliz, é justo se ajustar. Além disso, o ciúme não parecia restritivo ou opressor. Sinceramente, a constatação o deixou genuinamente radiante. Tendo passado tanto tempo assumindo que seus sentimentos por Jo Yeon-oh nunca seriam correspondidos na mesma medida, estar do lado receptor de uma crise de ciúmes parecia incrivelmente estranho. Ver Yeon-oh se eriçar com tanta cautela possessiva por causa das pessoas em sua órbita era inegavelmente fofo.
Saindo do banheiro após uma lavagem rápida, Gi-hyeon sentou-se ao lado de Yeon-oh no sofá da sala. O alfa mantinha os olhos colados em uma partida do Tottenham que passava na TV, recusando-se teimosamente a olhar para ele. Com uma toalha jogada sobre o cabelo úmido, Gi-hyeon se grudou ao lado de Yeon-oh.
— Ei.
— …
— Algo bom aconteceu hoje.
Yeon-oh permaneceu em silêncio, com os lábios pressionados em uma linha firme, claramente ainda alimentando seu orgulho ferido. Sem se abalar, Gi-hyeon seguiu em frente.
— O Cheol-jin perguntou por que tirei um tempo de licença, então contei para ele que me casei.
Aquilo finalmente lhe rendeu um olhar de soslaio. — …Você é quem se recusou a ter uma cerimônia porque odeia o clima de casamento.
— Nós ainda registramos o casamento, não registramos?
Eles haviam se arrumado muito bem para dar entrada na papelada no cartório. Jo Yeon-oh, com o cabelo penteado para trás e vestindo um terno de três peças azul-marinho com risca de giz, parecia elegante o suficiente para estampar a capa de uma revista de noivas como “Noivo do Mês”. Aquela tarde simples havia se tornado o aniversário oficial deles.
— Eu me casando com você, e depois me gabando disso para outras pessoas. Eu nunca pensei que esse dia chegaria.
Foi uma confissão serena e discreta. Ele realmente não achava. Seu amor não correspondido parecera fadado ao fracasso desde a sua própria concepção; nem o próprio So Gi-hyeon havia acreditado que seus sentimentos um dia seriam devolvidos. Ele esperava totalmente que sua história terminasse com ele definhando, incapaz de jamais deixar o lado de Yeon-oh, mas para sempre mantido à distância de um braço. No entanto, aqui estava ele, grudado ao lado de seu marido, e Yeon-oh não o estava afastando — na verdade, ele exibia uma expressão de puro contentamento. A realidade crua daquilo preencheu Gi-hyeon com um deslumbramento profundo e silencioso.
Encarando Gi-hyeon, Yeon-oh de repente perguntou: — Você está transbordando de emoção?
— É, um pouco?
— Então me beija.
Rindo baixinho, Gi-hyeon pressionou um selinho casto na bochecha de Yeon-oh. Sendo imediatamente repreendido por fazer as coisas pela metade, Yeon-oh segurou seu queixo e esmagou suas bocas juntas. Quando o alfa tentou enfiar a língua, Gi-hyeon teimosamente manteve os lábios selados, apenas para desmoronar completamente e rir quando Yeon-oh começou a fazer cócegas impiedosas em suas costelas.
Os dois homens caíram para trás no sofá em um emaranhado de braços e pernas. Tirando vantagem de seus lábios entreabertos, a língua ardente de Yeon-oh imediatamente invadiu, varrendo o palato de Gi-hyeon e arrancando um sobressalto indefeso e trêmulo do ômega. Gi-hyeon envolveu seus braços firmemente ao redor da cintura de Yeon-oh, puxando o peso pesado totalmente para cima de si. Era incrivelmente libertador se esparramar assim, não precisando mais tomar um cuidado minucioso com uma barriga de grávido.
Ouvindo Gi-hyeon rir baixinho abaixo dele, Yeon-oh soltou uma risada incrédula própria.
— Sua ofensiva de charme é bem espetacular. Meu humor puto para caralho está simplesmente derretendo. Você planejou isso?
— Não. Mas e quanto a você? Quem exatamente você está tentando seduzir? Por que a sua bunda está tão empinada? — Rindo com deboche, Gi-hyeon deu um aperto apreciativo nas nádegas de Yeon-oh.
Yeon-oh rapidamente agarrou o pulso dele e puxou sua mão para longe. — Tira as mãos, já tem dono.
— Oh, a bunda também tem dono?
Talvez animado pela resposta atrevida, Yeon-oh inclinou-se para outro beijo ardido. Eles se perderam em uma sessão de amassos intensa e brincalhona antes de finalmente arrastarem um ao outro para o quarto do casal. O clique silencioso e decisivo da porta se fechando ecoou suavemente pela casa vazia.
—
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna