Querido Benjamin - Capítulo 41
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- Capítulo 41 - Extra 01 - Um dia maravilhoso
Foi um dia depois de Félix voltar à mansão de San Diego que decidiu ligar para o Tony a fim de contar tudo o que havia acontecido na casa de Cole. Claro, ele teve de esperar que todos adormecessem.
Assim que a mãe e o pequeno bebê do florista tiveram alta do hospital após receberem tratamento médico suficiente, Félix pareceu convencer com sucesso a família a ir imediatamente morar com ele na mansão. Portanto, e talvez mais do que satisfatoriamente, o tempo passou tão rápido que mal encontraram tempo para organizar sua reunião. Tinha sido muito difícil para todos se adaptarem ao novo ambiente da casa, então foram para a cama mesmo que ainda não fosse noite.
Seu escritório era tranquilo. Sem mudanças fora da janela. A cidade estava ali, esticando-se sob um céu limpo. O mar azul passava por toda extensão da casa e o sol brilhava tão forte que até entrava nos espaços mais escuros da sala. Um ambiente caloroso e acolhedor, de fato.
— O que está acontecendo, senhor?
Tony não conseguiu esconder sua crescente tensão e acabou engolindo saliva com um som um tanto exagerado. Mesmo que pareça haver algo bom na vida do seu chefe, a verdade é que ele nunca sabe quando baixar à guarda.
Félix, que agora estava bebendo rum, tem uma pupila tão sombria que parece inevitável que seus ombros enrijeçam.
— Na verdade…
— Estou ouvindo.
Depois de estar cercado por sua nova família, o homem tinha uma atmosfera mais amigável do que nunca. Ele era todo sorrisos e palavras gentis e a verdade é que todos estavam muito aliviados. Tony sempre soube que isso era passageiro! O suor frio desceu-lhe pelas costas enquanto Félix estendeu as mãos sobre a mesa.
— Benjamin é meu filho, Tony.
Mas a confissão de Félix, que foi jogada fora com uma voz muito séria, era até ridícula a esse ponto. Tony estava prestes a começar a dizer muitas palavras raivosas sobre o que sabia, mas em vez disso decidiu não fazer nada e deixá-lo continuar com a sua história.
— Isaac disse que ele era o Ômega que… Humm, você sabe. O Ômega que eu estava procurando nos últimos quatro anos. Eu já o tinha imaginado antes disso mais, uma vez, quando perguntei se era ele, me disse que não era assim. Meu Deus, você pode imaginar como eu fiquei. Estava tipo: Você deu à luz meu filho e o criou longe de mim? Benjamin era meu filho todo esse tempo! Você viu o olhar no rosto de todos?
— Oh, sim… Todos nós.
— É uma surpresa. Não é?
Tony disse que sim, porque seria muito embaraçoso para o pobre homem se ele ainda tivesse o luxo de contradizê-lo.
Depois de falar, Félix bateu nos ombros de Tony e se permitiu dar uma olhada séria.
— De qualquer forma, eu só queria te dizer pessoalmente. Para você antes de qualquer outra pessoa. Que tenho um filho e um companheiro que me importam e que… Bem, eu gostaria que você pudesse tomar conta deles como você sempre toma conta de mim.
—…
— Vamos lá cara, não chore.
— É que isso me deixa tão feliz, senhor. Parabéns!
Com a voz toda presa em sua garganta, Tony engoliu todos seus soluços para tentar fazer o mesmo com suas lágrimas. Estava realmente comovido com o que o ouviu dizer, então ele não suportava mais carregar seus sentimentos. Seu nariz estava pingando e sua expressão era provavelmente uma bagunça completa.
Estava pressionando demais, e estava arrependido.
Quando tentou secretamente fazer testes genéticos para provar que Benjamin era seu filho… Estava realmente pensando no que era melhor para o homem ou era apenas seu desejo egoísta de deixá-lo saber que estava certo novamente? Quando pensa sobre isso, se sente tão mal consigo mesmo que parece que uma pontada está subindo em seu peito.
— Vamos, não é tão ruim assim.
Mas Félix, que não tinha como conhecer os sentimentos de culpa de Tony, apenas pensava que eram as lágrimas de um homem emocionado.
Tony perdeu toda sua energia e foi forçado a soltar os ombros e deixar sua cabeça cair para frente:
— Então é por isso que se enlaçaram tão rapidamente.
Tony, que limpava as bochechas uma e outra vez enquanto tentava deixar de lado os pensamentos desagradáveis, falava com uma voz ainda bastante rouca. Félix não desviou o olhar dele.
— Sim. Na verdade, se ele tivesse me dito que era um ômega antes, eu teria feito isso imediatamente e teríamos evitado todas essas coisas ruins.
Félix murmurou isso como se a mera memória de seus problemas o tivesse irritado mais uma vez.
Logo, se dirigiu à pequena mesa perto da janela e começou a procurar uma xícara nas gavetas embaixo de uma pia. Tinha aquecido um chá e perguntou imediatamente: “Quer que te sirva um pouco?” Mas como ele estava agindo estranho novamente, Tony decidiu apenas olhá-lo.
Era difícil acreditar em toda a sinceridade que fluía de sua boca, então não havia dúvidas em sua mente de que o homem tinha sido completamente cativado por Isaac.
Então se lembrou do dia do hospital. Quando viu a marca em seu pescoço e pensou não se lembrar de mais como respirava. Não só Tony, mas todos os outros funcionários que pensavam saber como o homem realmente era — abriram os olhos de forma exagerada e ficaram no corredor… E eles teriam continuado assim se não fosse por Benjamin gritando “papai” e correndo para os braços do florista.
Todos pensavam que devia haver uma razão política ou empresarial para o Félix estar tão interessado em ambos… Mas afinal era tudo sobre algo um pouco mais simples do que isso. E ele quase o arruinou completamente com suas tentativas de espionagem.
—… Você não quer um pouco de chá? Está bom. — Em um dia quente de verão, o homem estranho havia começado a beber chá de camomila quente ao invés de continuar bebendo cerveja ou licor. Foi certamente outra mudança impressionante. — Ou pelo menos me diga o que há de errado com você. Você está me assustando.
— É só que…
— Hum?
— É Isaac.
— Isaac é gostoso? Oh, sim… Ele é bem gostoso.
— Não! É que… Ele é bom para você? Você tem certeza de que é o desejo do seu coração?
Félix franziu a testa como se tivesse ouvido a pergunta mais estúpida do mundo. Ele suspirou brevemente e depois disse que sim.
— Este é o companheiro que o céu decidiu me oferecer.
Tony sorriu ligeiramente para uma conclusão tão bonita. Sem dúvida Félix encontrou o seu parceiro ideal. Na verdade, o fato de que ele era o mesmo Ômega que procurava há quatro anos foi definitivamente obra do céu.
— Também te chamei por outra coisa.
— Senhor?
— Preciso de uma aliança de casamento. Encontre aquele que é realmente enorme, brilhante e mais caro do mundo, e depois traga-o imediatamente aqui para mim.
Os olhos de Tony ficaram agitados com o pedido de Félix. Todo este belo ambiente foi jogado fora.
— Um anel?
— Nós nos enlaçamos para não termos que casar imediatamente… Mas preciso ter um anel de qualquer maneira. Encontre-o e certifique-se de que é algo que eu usaria… Um, sabe de uma coisa? Por causa da personalidade de Isaac, é melhor tentar não fazer disso algo extremante extravagante. Peça por algo que diga “tenho dinheiro suficiente para comprar o Havaí, mas não o suficiente para comprar a Rússia.”
—…
— Não, esqueça. Vá comprar um diamante em vez disso.
— Então…
— Ou devo escolher e encomendar eu mesmo o diamante?
— Então…?
— Você está certo, eu vou.
Félix deixou a taça na mesa e Tony completamente em branco.
— Então vou procurar um salão de casamento.
— Não preciso disso.
Tony levantou uma sobrancelha para uma resposta tão clara.
— Por que não precisa disso?
— Isaac disse que não queria um casamento muito elaborado. Vou levá-lo ao registro civil do condado.
Mas a resposta de Félix foi realmente incrível.
— Uau, o registro civil do condado. Mas… Não importa que seja apenas papelada, as pessoas que fazem isso normalmente costumam fazer uma festinha depois. Um casamento é um casamento.
— Não… Está tudo bem assim.
Félix, que fala de seu futuro casamento, de repente recosta na mesa e continua bebendo seu chá. Tony ainda não entende porque ele quer fazer do seu casamento um evento tão… Pequeno. Na verdade, Félix Prixel era o tipo de homem que poderia ter um grande casamento só por estalar os dedos. Gigante e bastante exagerado. Não só tinha um avô milionário, como o próprio Félix podia queimar notas no inverno para aquecer as mãos e ainda ter dinheiro suficiente para comprar 20 ilhas.
Se for um casamento que inclui Félix, você pensaria que teria bolos e acrobatas e talvez o presidente de convidado principal. Mas não. Ele só vai para um escritório do governo.
O registro civil do condado é um pequeno escritório com algumas cadeiras atrás de uma mesa velha. Para 5 ou 6 pessoas, no máximo. Na verdade, eles também faziam certidões de nascimento, divórcio e óbito lá, então não era bem romântico ou especial. Os funcionários da prefeitura apenas olham suas credenciais, seus papéis, assinam algumas coisas, os carimbam e dizem “É isso”. Mas como ainda é um casamento, geralmente as mulheres usam uma roupa bonita ou um vestido branco e os homens usam um terno.
Este casamento é muito simples, mas pode ser uma forma confortável para aqueles que não gostam de fazer alarde. E Félix gosta de ser escandaloso.
Nunca imaginou que colocaria o conforto de outra pessoa antes do seu. Mas isso já estava acontecendo.
— Então… Pelo menos os convidados.
— Claro. Anote: Isaac e Félix.
—…
—Bem, agora… Sra. Parker e Benjamin. E o Noah também.
— Gostaria de notificar o seu avô?
— Não. Direi ao meu avô mais tarde. Depois que a cerimônia terminar.
— Ele pode ficar bravo.
Afinal, ele era um velho que havia dito várias vezes que seu sonho dourado era ver o casamento de seu amado neto Félix. Mas o homem à sua frente, como sempre, só tomava suas próprias decisões sem antes pensar nas consequências.
— Então que o fique.
— Entendo. — Tony inclinou a cabeça. — Então que assim seja.
— Assim seja.
Assim que cruzou o corredor do segundo andar, Félix franziu o cenho ao perceber o que tinha em frente a ele.
No quarto de Benjamin, parado em uma porta semiaberta, um cara louco estava espionando lá dentro.
Um cara louco que… Também era primo dele.
Félix, esgueirando-se atrás dele, olhou para ele como se realmente quisesse matá-lo. Mesmo que não fosse tão insensível a ponto de dizer-lhe para ir embora.
Noah, que ainda parece bastante jovem quando está de frente para ele, entra na sala sem perceber que Félix também está se aproximando. “Deus, o que é que esse sujeito vai fazer agora?”
Enquanto espreitava, Félix foi forçado a pensar seriamente sobre seu estado mental. Sua vida estava sendo cercada por computadores e todo tipo de máquinas estranhas, então não importava o quanto lhe dissessem para sair de sua casa para tomar sol (ou do porão de Félix), o homem mal mostrava uma mão. Às vezes até se perguntavam se tinham que ir e verificar se ele ainda respirava. Além disso, tem aquele cabelo comprido, seus chinelos de coelhinho e aqueles shorts que fazem suas pernas parecerem bem magras. E espiar o quarto do Benjamin o faz parecer um velho pervertido! Embora, bem… Se fosse consertado corretamente, este Ômega de primeira linha ficaria muito bonito. Assim como um boneco. Para Félix, no entanto, o homem era mais uma cópia barata de “Tio Coisa”.
Era natural que o visse com maus olhos quando estava bisbilhotando tão fervorosamente o quarto de seu filho, não era?
Félix, que olhava para Noah com uma expressão desagradável, continuou a observar com muita atenção…No centro do quarto decorado com Mickey Mouse, havia uma cama vermelha em forma de carro, e deitado sobre a mesma estava Isaac, dormindo profundamente enquanto abraçava o bebê pelas costas. Era uma soneca tranquila, com ambos respirando suavemente sob a luz fraca do sol. Uma visão encantadora que o fazia cócegas no fundo do peito.
Félix esqueceu o homem por um momento e os olhou completamente com uma expressão cheia de amor honesto… Mas logo, ao lado da cama, Noah ajoelhou-se para poder olhar melhor para a carinha de Benjamin.
— O que você está fazendo agora?
Só então Noah deu um salto impressionante e levantou a cabeça para olhar na direção de Félix. Seu rosto estava completamente pálido.
— Porra!!
— O que você está fazendo?
— Como pode um demônio como você ter um anjinho como ele?
— Vou perguntar novamente, o que você está fazendo?
— Estou olhando para o MEU sobrinho, porque é o garoto mais bonito do mundo inteiro. Apenas olhe para ele, olhe para seus olhinhos. Não consigo tirar os olhos dele mesmo que tente com todas minhas forças!
— O que você disse? Garoto louco.
— Hum… Mas sabe de uma coisa? Mesmo que sua personalidade seja uma merda, admito que você tenha bom aspecto. Meu sobrinho é muito parecido com você.
— Bem, isso é…
— Espero que seja muito mais bonito e inteligente que você, ou vamos ter muitos problemas no futuro.
—Bem, eu gostaria que não fosse seu sobrinho.
— Eu gostaria que você não fosse o pai!
— Ah! Retire o que disse!
Mas Noah desvia os olhos de Félix e volta sua atenção completamente para o menino que agora parece ser muito divertido chupando sua mão. Só estava ali parado, olhando como se estivesse morrendo de amores por ele. Quando esticou os dedos para tocar sua mãozinha livre, o garoto a apertou como um reflexo. Apertou com força, até que fez um punho.
A visão acalma o coração irritado de Félix.
— É um menino muito doce.
Foi quando Félix falou inconscientemente que Noah revirou os olhos.
— E você acabou de descobrir? Seu bastardo cego.
Mas agora era Félix quem não estava prestando atenção em Noah. O Alfa estava absolutamente atento a Isaac e Benjamin. Em seus rostos, na forma como pareciam tão confortáveis estando ali… Tanto que um novo sorriso se espalhou sobre seus lábios até brilhar.
O menino, que dormia com a boca aberta, havia espalhado seus cabelos brilhantes de tal forma que o rosto de Isaac, que decidiu segurá-lo com um pouco mais de força, estava quase completamente escondido.
O homem suspirou… E o som era tão bonito que Félix estremeceu com força. Até fez com que todo o sangue se acumulasse na virilha.
Céus, ele está ficando louco.
Quando Félix decidiu que era hora de sair, o menino começou a mexer as pernas e os braços, e então seus enormes olhos se abriram. Ele bocejou, balançando as pálpebras brancas cheias de pequenos cílios prateados.
— Oh, ele acordou, ele acordou! Uau, quem é este lindo sobrinho? Ele é tão lindo! Eu vou morrer! Eu vou m…! Uhg!
Aparentemente, Félix também gostava de dar muito de socos.
***
Benjamin estava apenas olhando para Noah. Na verdade, estavam assim há vários minutos. Talvez seja porque ainda esteja meio adormecido ou, porque Noah estava chutando Félix ou talvez, porque não estava familiarizado com ele.
Sem sentar ou se mover, ele apenas piscou e piscou. Como se estivesse com medo de perguntar alguma coisa, e fosse uma pergunta que eles não pudessem responder. Então Noah se aproximou um pouco mais e imediatamente olhou no bolso da calça para pegar um picolé de morango. De fato, ele acena de um lado para o outro como se fosse a bandeira nacional. E então sorriu.
Benjamin, que notou o doce, desceu lentamente da cama e caminhou passo a passo até estender as mãozinhas para Noah. Estava curioso sobre o doce e também muito curioso sobre ele. Mas então simplesmente parou e olhou para Félix:
— Posso pegar?
Félix assentiu com a cabeça para o garoto, silenciosamente dizendo que estava bem.
— Ele é seu tio… E também estaráaqui para cuidar de você.
— Sim, eu sou. — Ao mesmo tempo em que disse isso, Noah se agachou e também estendeu os braços para ele. Sua voz, que parecia estar derretendo e sua expressão animada, eram tão encantadoras que imediatamente o garoto relaxou e se aproximou com um andar muito mais firme.
— Tio?
De frente ao garoto, que repete a palavra com uma pronúncia desajeitada, Noah parece tremer. Benjamin abriu os dedinhos e segurou o pirulito com a palma da mão inteira… Aquele doce era o seu favorito, mas ninguém realmente sabia. Como é que ele sim?
— Benjamin, você gosta de doces?
Quando Noah pergunta, o garoto assentiu vigorosamente.
— Que tal eu comprar uma caixa de doces para você? Não, além disso, o que mais você gosta? Você pode me dizer?
— Cho…? Chocolates?
— Sim? Eu também gosto muito deles.
— Sim, anda e estrague os dentes o quanto você quiser. Eu te dou permissão.
Mas Noah fingiu não ouvir Félix e, em vez disso, pegou um pedaço de chocolate… Isso foi o suficiente para fazer as sobrancelhas de Benjamin se erguer imediatamente, e fazer seus olhinhos brilharem como se tivesse todas as estrelas do céu lá, o paraíso escondido ali.
— Mágica!
— Mágica… Diga-me o que mais você quer?
— Uma ovelha! Pa-papai ler um livro de ovelhas pra mim, antes de dormir, então…
Noah riu imediatamente.
— Então eu vou te dar uma fazenda inteira.
—… Eu já te comprei um estábulo. Só estou dizendo.
— Mas o tio vai conseguir coisas melhores para você, não é?
— Sim!
Como parecia uma cena muito perturbadora, Félix tentou mandá-lo calar a boca e voltar para o quarto imediatamente… Mas Noah havia agarrado a mão de Benjamin e agora o estava levando em direção à porta. O garoto seguiu Noah, dizendo que estava empolgado, que amava o pirulito, que o morango era o seu favorito e que ele também podia ler a história para ele. Embora ainda não estivesse se saindo bem, ele estava disposto a mostrar-lhe os desenhos.
O homem parecia um sequestrador que havia enganado com sucesso um garoto inocente com doces, então Félix franziu a testa.
Definitivamente estava comprometido em dizer ao filho que nunca, nunca, deveria seguir alguém que lhe desse doce.
Continua…