Querido Benjamin - Capitulo 40
Escutava-se o som de metal sobre um espaço vazio.
Os “Clicks” que anunciavam a sequência necessária para liberar o dispositivo de segurança e carregado com balas.
Enquanto olhava para a mão experiente de Isaac, que estava a menos de um metro dele, Félix estalou a língua e disse que não havia problema se ele começasse agora.
Isaac então apontou a boca da arma para o seu oponente. Ele tinha um rosto realmente cruel, com dedos que nunca lhe pareceram tão firme e olhos completamente escuros. Não tinha expressão, seus lábios em uma linha reta quase perfeita…
Definitivamente não se parecia com a mesma pessoa de rosto vermelho e suspiros sem fim que ele havia tido em baixo no outro dia.
Quando o sexo intenso acabou e a mente que estava completamente nublada ficou tão branca que lhes permitiu raciocinar, decidiram que o melhor para todos seria primeiro ir ver como estava seu “bom amigo Cole”.
— Me sentirei com mais ânimo se ver minha mãe e meu filho, levando a notícia a eles de que Cole já não existe mais.
O dia em que o mataram, Félix fechou todas as portas e janelas da mansão de Cole, e ordenou que ninguém com exceção deles colocasse um só pé lá dentro. Como o FBI e a CIA seguramente já vinham a caminho, Isaac teve que aceitar o fato de que o Alfa colocasse uma barreira de feromônios agressivos ao redor dos dois…
Feromônios que não lhe causam nenhum dano, devido ao vínculo.
Cole foi arrastado ao lugar mais longe da casa. Uma habitação subterrânea que parecia uma prisão estatal. Sem janelas, pequena e com um cheiro de mofo e terra. Sua boca estava amordaçada e seus membros completamente pregados a uma cadeira. As lesões que tinha em todo o seu corpo haviam começado a inchar e apodrecer porque não haviam sido tratados. — Começaram a vomitar um nojento pus amarelado. — Seus olhos, que pareciam desfocados, pareciam tão nublados quanto um peixe ofegando em busca de ar… E, no entanto, os de Isaac, que estavam bem abertos, não lhe mostraram nem um pouco de compaixão.
Apesar de estar ciente do olhar irritado de raiva que seu companheiro tinha sobre ele, Félix puxou a arma na frente dele e a posicionou imediatamente para apontar diretamente na cabeça de Cole. Teve… Uma necessidade horrível de disparar em cada olho e apreciar a massa cerebral incansavelmente saindo dos buracos em seu crânio. Isaac agarrou sua mão imediatamente:
— Você disse… Que me deixaria matá-lo. Somente eu, e não importa o que.
Isaac olhou-o de cima a baixo, sua expressão era tão fria quanto uma bola de neve que crescia e crescia até se tornar gigante e então, no momento seguinte, POW! Um tiro alto o suficiente para fazer seus ouvidos doerem de modo que se espalhou e causou um eco que levou muito tempo para parar. A bala atravessou o joelho de Cole, mas desde que o homem estava com a boca coberta, nada mais foi ouvido do que alguns grunhidos que nunca se tornaram gritos. Como aconteceu sem aviso prévio, até Félix ficou surpreso.
Isaac não disse nada… Apenas atirou de novo e de novo e até que o joelho desmoronou de um modo tão escandalosamente que Cole estremeceu de dor como uma lesma no chão.
— Eu sei que isso não vai apagar tudo o que você fez com meu pai. Tão pouco o fará voltar para mim… — Isaac que estava falando com Cole, perdeu a cabeça devido às recordações de seu pai. POW, POW, POW. Três disparos seguidos foram o suficiente para que o sangue e os pequenos pedaços de ossos voem por todas as direções… — Mas pelo menos você já não vai tirar ninguém de mim. Esse é o meu único consolo.
Com os braços cruzados e as costas contra a porta, Félix só podia franzir o cenho e prender a respiração… Se fosse ele, definitivamente não o teria matado com um tiro na cabeça. Não teria sido tão misericordioso, e nas feridas não sairia só pus, mas também muitos vermes…
Mas não parecia que era sua vingança, era a de Isaac.
***
Quando eles deixaram a sala, Félix finalmente se pôs em contato com alguns de seus trabalhadores para pedir que removessem o corpo e limpassem cada um dos danos causados à casa. Isaac, por sua vez, continuou em profundo silêncio até pisar no primeiro degrau da escada do porão.
— Obrigado, Félix.
A voz calma, mas baixa, finalmente o faz soltar todo o ar que estava prendendo. Felix concordou e virou-se para ele para segurá-lo pela mão …Seu rosto ainda estava bem sério, mas quando ele o beijou, ele descobriu que o fazia da mesma maneira gentil e bonita de sempre.
— De nada, Isaac.
Agora estava um dia brilhante e fresco. Isaac descobriu mais tarde, mas naquele momento Félix havia relatado a morte de Cole como suicídio. O homem havia se enforcado nas montanhas por medo da retaliação que levariam pelos crimes que cometerá. Algo típico de pessoas covardes, certamente. Foi difícil de comprovar, mas eles não pareciam querer fazer um esforço para abrir uma investigação por alguém que apenas lhes causou má reputação.
Desde então, a investigação criminal continuou.
Durante algum tempo, toda a mídia apresentou vários artigos sobre a corrupção exercida por oficiais da Marinha e como os Ômegas continuaram sendo vítimas de violência e descriminação pelo simples fato de seu gênero.
Como se tornou um tópico popular, as coisas ficaram fora de controle muito rápido. Algo que foi falado o dia todo e que você pode ouvir apenas ligando o rádio.
As acusações envolvendo o capitão Casey Patrick foram retiradas e ele foi autorizado a retornar à Marinha… No entanto, o passado, no qual ele era um guerreiro especial, foi completamente esquecido e a loja de flores no centro de San Diego foi reaberta uma semana depois.
Isaac rasgou a carta de recrutamento e a jogou no lixo.
Isaac tomou banho novamente, trocou de roupa e se preparou para ir ao hospital onde Benjamin e Jéssica Parker ainda estavam hospitalizados. Eles foram submetidos a vários testes, exames de sangue, tomografias computadorizadas e também foram extensivamente revisados na tentativa de encontrar outros traumas ou sintomas um pouco mais específicos.
Agora eles estavam lá, esperando Isaac para que pudessem ter alta.
Quando Isaac chegou ao hospital, foi para o quarto sem esconder por um momento seus sentimentos de extrema ansiedade, pegou o elevador e respirou fundo. Em sua mão, Havia um grande buquê de flores cor de rosa para a mãe, e ao seu lado estava Félix, imóvel como uma enorme rocha, Pálido, com presentes nas mãos e olhos bem arregalados. Ele havia conseguido enrolar um grande balão de Mickey Mouse cheio de hélio em seus dedos direito e, no outro, também tinha um bonequinho do Mickey Mouse. É muito grande. O bicho de pelúcia tinha aproximadamente o dobro do tamanho de Benjamin!
Isaac havia dito que o garoto poderia ficar muito assustado se mostrasse o boneco, mas Félix o comprou de qualquer maneira e disse que ele era inteligente o suficiente para saber do que gostava e do que não gostava. Além disso, colocou um bolo de chocolate em seus braços que o fazia parecer… Bastante ridículo.
Mas o que poderia fazer se era o presente de Félix especialmente preparado para sua mãe?
—… Você está bem?
Dentro do elevador, se ouvia apenas o som de balões colidindo um com o outro e, talvez, suas próprias respirações agudas podiam ser ouvidas. Ele olhou para Félix, que parecia perdido em seu próprio planeta.
— Eu não sei… Acredito que estou tendo um ataque cardíaco porque estou tremendo muito.
— Escute…
— Vou morrer?
— Não seja estúpido. Você já passou um dia com minha mãe e Benjamin. Por que seria diferente agora?
— É verdade, uff, é verdade…
Félix, que estava respirando fundo, estava olhando para os números subindo em sua frente. Mais e mais…
— E se Benjamin me odeia? E se eu disser a ele que sou seu pai, e ele começar a dizer que sou o pior homem do mundo e me acertar com o tripé?
— Meu bebê te bater?
— Sua mãe vai me bater com um tripé!
— Pare de agir como um…
— Você disse a eles que eu trabalho na máfia?
— E o que tem haver se descobrirem que você é da máfia? Isso não significa que você seja ruim…
— Não, não, não… Eles têm que pensar que eu sou um bom cidadão, eu já te disse!
— Como eu disse da última vez, você nunca foi um bom cidadão, a menos que matar todos os cidadãos seja a nova definição para essa palavra.
—… Deus, eu não sinto meu braço esquerdo.
—… Aí meu Deus.
À medida que o número de andares aumentava, Félix ficava cada vez mais nervoso. Se não estivesse segurando os presentes, certamente estaria roendo as unhas!
Finalmente, quando Isaac se virou para vê-lo pela segunda vez, ele riu com vontade. Uma risada escandalosa. Então, Félix virou a cabeça para perceber que o rosto de Isaac estava indo direto em sua direção e então sentiu seus belos lábios. Eles eram doces, como sempre. Uma respiração com uma mistura de maçã e margaridas…
Quando o elevador parou, Isaac se afastou um pouco, e sorriu:
— Não há nada que precise estar tão tenso. Você já é um pai incrível.
Isaac bateu levemente no ombro de Félix — como pode — e desceu primeiro do elevador.
***
Tony e os outros muitos homens de Félix colocaram uma guarda bem organizada no corredor há alguns dias. Nenhum perguntou nada ou ouviram falar sobre Félix e o florista, então quando viram seu chefe se aproximar deles… Os olhos de Tony se arregalaram tanto que pensou que eles definitivamente iriam sair das órbitas: ele tem balões, um boneco enorme e uma expressão bastante atordoada em seu rosto.
Então, quando o examinou com um pouco mais de cuidado e descobriu as marcas no pescoço de Isaac e Félix, ficou tão chocado que gritou:
— MADRE, MÍA!!!
— Não bloqueie a estrada. Vaza daí.
Mas ainda estava tão surpreso que nem podia obedecê-lo.
— Então, os balões são por que…
— Eu te conto depois. Agora vá.
A atmosfera no corredor ficou terrivelmente forte. Seus homens conversavam e olhavam tanto para eles que, inconscientemente, Isaac passou o bolo para Félix para que pudesse cobrir sua marca. É porque parece que todos os olhos vão diretamente para essa parte. E isso realmente o deixa muito nervoso.
Ao contrário de Isaac, Félix caminhou pelo corredor com um passo bastante firme. Como se ele não sentisse a atmosfera nem um pouco. E não era apenas por causa da atmosfera, era incrível que ele não se importa de ter tantos olhares em cima dele!
Embora, em geral, ele seja uma pessoa tão ignorante que talvez não tenha percebido isso em primeiro lugar.
— Benjamin?
De qualquer maneira, quando Isaac apressou para chegar ao quarto e abriu completamente a porta… Foi como se os olhares de todos não importasse mais.
No espaçoso e confortável quarto de hospital — que mais parecia um quarto de hotel — havia uma cama grande montada ao lado de uma janela. E um garotinho estava brincando com a avó e um carrinho de brinquedo vermelho. De repente, ele vira a cabeça:
— Papai?
— Benjamin…
— Papai!! Papai! Papai!
Benjamin, que viu Isaac parado na porta, arregalou seus enormes olhos azuis e começou a se mover como se realmente não soubesse o que fazer. Então, apesar de seu pequeno corpo, ele rapidamente saiu da cama e correu para abraçá-lo.
Isaac finalmente inalou seu perfume depois de tanto tempo…
Colocou o nariz sobre os ombros do garoto e respirou o talco e o leite. Beijou suas bochechas rosadas e também beijou os cabelos dourados e macios que eram seu sol. Só assim, se deu conta da realidade: estava de volta. Finalmente, seu pequeno menino estava de volta.
— Desculpa vir tão tarde, minha vida… Não existe nenhum lugar que dói? Você está bem? Eles te trataram bem aqui? Você comeu?
Isaac passou a mão na testa, depois soltou muitas perguntas com uma voz muito preocupada. Então Benjamin bravamente começou a balançar a cabeça de um lado para o outro.
— Não! Nada em mim dói!
— Sério? Isso é ótimo, é realmente ótimo.
Isaac falou enquanto beijava sua cabecinha, mas Benjamin estava feliz o suficiente em ver seu pai para afastá-lo, embora ele estivesse fazendo cócegas em todos os lugares. Ele sorriu e riu tanto que seu coração começou a bater ao som daquele belo som… Ah, tê-lo ali era uma coisa boa. Era toda a recompensa que precisava depois de ter sofrido tanto com Cole.
— Mickey Mouse! Olha papai! É um verdadeiro balão de Mickey Mouse!
Não demorou muito para Isaac deixar o garoto escapar de seus braços… Era inevitável. Levantou a cabecinha e começou a pular para tentar pegar o balão do Mickey Mouse que Félix estava segurando. Quer dizer, era o seu rato favorito cercado por um monte de balões coloridos flutuando no ar. Não havia como ele não ficar fascinado por isso!
Félix, que observa em silêncio a cena inteira, estendeu a mão para segurar o balão e, naquele momento, deixou descoberto o grande Mickey Mouse de pelúcia.
— Ah! O que é isso papai? — O garoto gritou e imediatamente enterrou a cabeça no ombro de Isaac. — Dá medo!!
Então, inevitavelmente, o garoto começou a chorar alto… Isaac já sabia que isso iria acontecer.
Era um enorme boneco preto com orelhas gigantes e um rabo de rato muito comprido também. O garoto tinha muito medo das coisas que pareciam assim, quando Isaac o abraça para confortá-lo e olha para Félix, ele notou como o homem imediatamente abriu a porta e jogou o boneco para fora. Inclusive sem se importar que caísse no rosto de Tony. Depois, apenas fechou novamente.
— Não há nada, viu? Ele se foi.
Félix, que mostrou as mãos vazias, parecia ainda mais nervoso do que no começo.
— Era… Muito grande…
Ainda estava assustado, por isso não parecia capaz de levantar bem a cabeça. Félix dá um passo lento em sua direção.
— Eu joguei fora, para que você não tivesse mais medo. Olha, só existem balões agora. Não, mentira. Eu também tenho um bolo de chocolate… Bem aqui. Você gosta do bolo?
— Posso comer bolo?
O bolo de chocolate foi mais um dos presentes estranhamente gigantescos que ele recebeu, então Benjamin olhou atentamente como se estivesse realmente muito impressionado. Ele ainda tem muitas lágrimas escorrendo dos olhos.
— Este é meu outro presente de aniversário?
Félix riu e disse que certamente era um presente. Tudo para ele, se assim desejasse… Só então, Benjamin se aproximou dele novamente e levantou a mão para segurar a corda do balão. Félix se dedicou um tempo para prender no seu pulso para que não fosse perdê-lo.
O Alfa virou os olhos e olhou para Isaac desta vez. Era o seu jeito de perguntar: “O que fazemos agora?”
— Como se diz?
Jéssica Parker, que agora estava se aproximando deles, falou gentilmente quando Benjamin soltou um silencioso “obrigado” bem quieto.
— De nada.
E esse foi o momento certo em que Isaac se permitiu oferecer o buquê.
— Mãe, este é um presente preparado por Félix para você.
— Oh, é muito bonito. Muito obrigado, Félix.
Jéssica Parker sorriu. Foi bom ver que ela tinha uma tez mais brilhante do que há alguns dias atrás.
— Eu também queria… Apresentá-lo formalmente. Mãe, ele é meu companheiro. E também é o pai de Benjamin.
Jéssica Parker já sabia disso, mas era um assunto completamente diferente quando ouvia da própria boca de Isaac. Ela olhou para o filho e Félix com os olhos arregalados.
— Então, aqui vamos nós de novo. Meu nome é Félix Prixel. — Félix curvou-se educadamente e com bastante fluência… Embora ele tivesse feito o gesto de estufar o peito quando ouvira as palavras “companheiro” e “pai” — Obrigado por tudo.
Jéssica Parker, que estava um pouco confusa com a atitude séria de Isaac e Félix, de repente deixou escapar o ar e abraçou Félix com bastante ternura… E riu. Surpreendido por sua reação, Félix ficou rígido por um tempo, mas logo seus braços também envolveram suas costas.
Enquanto isso, Isaac estava olhando para Benjamin, que estava inclinando a cabeça para ver a cena de um ângulo diferente. Abaixou-se e segurou suas mãozinhas para poder falar com ele. Sussurrando em voz baixa:
— Benjamin, está tudo bem para você ter dois pais a partir de hoje?
— Dois pais?
— Sim… Porque ele também é seu pai. Então tudo bem se você pelo menos disser olá para ele?
Certamente sua explicação não faz sentido para ele, então Benjamin apenas se dedica a olhar para o homem sem se mexer e sem dizer uma palavra. Inferno. Se fosse o mesmo que em outras ocasiões, Félix certamente diria algo como: “Se você não me der um oi, vou tirar esse balão de você!” Mas agora ele está tão assustado que também olha silenciosamente para Benjamin.
—… Olá.
Benjamin deu um pequeno aceno, e então parecia que poderia chorar novamente. Ele definitivamente não gostou muito a ideia de ter dois pais.
Félix então simplesmente se aproximou e se ajoelhou na frente de Benjamin. Estendeu a mão e disse:
— Olá Benjamin.
A voz do homem tremeu sem que ele percebesse. Estava emocionado, e mais feliz do que nunca! Porque ele estava cumprimentando seu filho, e o menino respondeu dizendo “olá” novamente.
E então Benjamin apertou sua mão.
Isaac olhava para sua nova família com um leve sorriso na boca. A verdade é que havia sido um momento mais emocionante do que ele pensou chegaria a ser.
{Fim.}(◍•ᴗ•◍)❤
Yuri: Que venha os extras… hehe
Continua…