Querido Benjamin - Capítulo 25
Félix largou o Tablet eletrônico sobre a mesa e olhou para cima.
— Ela respondeu?
— Sim, a senhora Parker concordou em vir.
— Finalmente…
Na resposta concisa de Tony, Félix bateu na mesa repetidamente com as pontas dos dedos. Ele torceu os lábios em uma expressão que até parecia ruim: um vilão que quer tomar reféns para fazer seus planos malignos funcionarem.
Havia uma imensa tensão na mansão e o atraso só piorou a situação.
Alguns dias atrás, ao amanhecer do primeiro dia após o desaparecimento de Isaac, Félix pediu para trazer a mãe e Benjamin para sua casa imediatamente. Ele deu ordens bem claras, e Tony foi até a mãe de Isaac para tentar convencê-la de que estar com eles era definitivamente a melhor opção que ela poderia tomar. Ela ficou confusa e dizia que não poderia lhe dar uma resposta clara. Uma reação natural, talvez. Não importa o que saiba ou o que sinta, na realidade não se conheciam e se ele se mudar para aquela casa… Parecia muito absurdo. Para piorar a situação, ela não podia nem entrar em contato com Isaac, então começou a suspeitar disso.
Tony, que retransmitiu a recusa da Sra. Parker, e Félix, que ouviu a resposta, planejou outro tipo de estratégia. Foi um pedido mais amigável desta vez, um tanto cavalheiresco e persistente.
Finalmente, três dias depois, Jéssica Parker respondeu que se mudaria para a residência de Félix no momento em que o homem julgasse mais apropriado. Foi uma decisão baseada na saúde mental de Benjamin, preocupada com o desaparecimento repentino do pai dele.
Ele enviou seus subordinados para La Jolla, onde ela morava, e instruiu-os a guardar todas as suas coisas pessoais.
— Você quer fazer outra coisa?
Tony perguntou com cuidado, mas Félix não respondeu… Ele estava olhando fixamente pela janela, como se imaginasse algo muito mais emocionante do que o que estava acontecendo dentro da casa.
Quando não houve resposta pela segunda vez, Tony também se virou: a propriedade de Félix está localizada em uma colina alta, de modo que a imagem dominante é a do vasto mar. Era a mesma perspectiva em todos os lugares. Em particular, as paredes dos estúdios são feitas de vidro e cada quarto tem janelas enormes. Do teto ao chão. Uma bela vista que se estende e se expande. Quando algo estava errado ou quando tudo estava ficando muito complicado em sua cabeça, era uma imagem perfeita para se assistir. Uma paisagem necessária para Félix, mais agora tudo o que mais queria era um momento de descanso. Algo pacífico e calmo… Porque aquele sentimento ruim só estava aumentando dentro dele.
— Senhor?
—… Serventes, também quero empregadas e babás. Todas Beta. Preciso de pessoas para ajudar a Srta. Parker. Diga a eles que é pra ontem!
— Já vejo.
— Existe algum pedido que ela possa ter pedido separadamente?
Félix perguntou ao desviar o olhar da janela por um minuto.
— Não… Mas Benjamin estava preocupado porque tem medo de dormir sozinho. O menino sempre dorme com a avó.
— Sim. Ah, você disse a eles que não precisavam trazer móveis?
Tony assentiu.
— Mudar será muito simples.
Félix havia mandado esvaziar dois dos quartos que tinham as melhores vistas, e também tinha conseguido duas camas, uma para a avó e uma para o garoto. Não gostava de ficar sozinho… Mas ele queria que ela soubesse que tinha outra opção, se quisesse.
Ele comprou móveis novos, luminárias, brinquedos, roupas, enfeites, cortinas, sapatos… Em particular, os quartos estavam muito bem equipados, como se sempre estivessem lá. A única coisa que havia dito era que trouxesse qualquer roupa que ela quisesse os brinquedos favoritos do garoto e algumas outras coisas que necessitasse. Talvez uma escova de dente favorita ou uma toalha que não pudesse jogar fora.
Eles chegariam em algumas horas… Por que ele estava tão impaciente? É… Um sentimento tão parecido com ansiedade que Félix percebeu que já havia machucado sua unha com o dente.
— Quer saber? Eu vou primeiro…
Félix não esperou para receber uma resposta… Ele apenas caminhou, pegou a jaqueta que estava pendurada na porta e se dirigiu para o corredor que levava à saída. Tony, que se virou para o lado e andou atrás dele, estava com os olhos bem abertos.
— Você vai direto até eles?
— Sim. Eu os convidei depois de tudo…
— Mas ainda assim…
— Organize a casa adequadamente. Verifique a sala mais uma vez e peça para prepararem a comida. Coloque música, não sei… Imagine algo para que não se sintam desconfortáveis em chegar a um lugar tão estranho.
— Senhor…
— Volto em vinte minutos.
Ele não parecia ter a menor intenção de ouvir Tony, que pergunta se ele não quer uma escolta ou se não pode mudar de ideia… Em vez disso, apenas vê como as costas de Félix começam a ficar cada vez menor e depois desaparece.
Tony abaixou a cabeça e rapidamente se livrou dos maus pensamentos e continuou sozinho.
Agora é difícil prever o que ele dirá e o que fará. No entanto, o comportamento estranho de Félix continua a perturbar sua cabeça sem parar. Provavelmente continuará por muito tempo.
*
— Você não tinha que vir comigo…
— Eu queria ter certeza de que você não se perderia novamente, senhor.
— Hã.
Quando o Sedan começou a entrar suavemente na área residencial de La Jolla, Félix abaixou a janela e olhou em volta. Ele olhou para todos os lugares, de fato.
O bairro em que ele foi quando a festa de aniversário de Benjamin havia acontecido, mas… Havia uma enorme tenda branca sobre a propriedade que estava justo na frente deles. Como de fumigadores. As casas em San Diego são feitas de madeira, e é por isso que os cupins costumam entrar e começar a demolir se os deixarem por tempo suficiente. Então, basta ligar para um especialista e eles colocam um pano sobre a casa para deixá-la lá por 2 a 3 dias.
É certamente estranho…
Félix olha em volta e depois observa de novo o tecido sobreposto. Franzeo cenho.
— Eu não gosto disso… Colocando a criança em uma situação como essa. Quão forte é esse produto químico? É prejudicial para as pessoas, não é?
Tony, cuja aparência era a de alguém que estava tentando entender à situação de que ele estava falando, olhou tudo cuidadosamente. Félix perguntou novamente, queria que ele dissesse que ele estava certo.
O homem balançou a cabeça.
— É certamente um produto químico forte, há risco de câncer.
— Então…
— Mas as casas estão bem arejadas. O mar é claramente visível de todas as direções. É um bairro limpo e acolhedor, então certamente não há problemas com produtos químicos.
Quando olhou em volta com os braços cruzados sobre o peito, Félix suspirou e tentou manter seus nervos fora do caminho… Mas Tony, que o observava roer as unhas, só conseguiu abrir a boca novamente.
— Senhor, é verdade que existe uma tela estranha e produtos que podem ser bastante perigosos para as pessoas, mas o que isso realmente importa? Estamos na entrada e a essa distância isso não afeta Benjamin nem um pouco. Mesmo que o vento fosse forte, é impossível que o atinja.
Mas o olhar afiado de Félix só piorou.
— O quê? Você está dizendo que uma droga tão venenosa quanto essa não afeta as crianças?
— Não, apenas que não há problema para uma criança que está à distância.
— Tony!
Tony virou-se para olhá-lo… Seus olhos azuis brilham como um raio no escuro. Seu dedo ainda está na ponta dos lábios, sangrando.
— Há algo mais, senhor?
— Eu não sei… Talvez eu deva descer? Devo ficar e esperar? Por que… Minha cabeça não está girando bem justamente hoje? — Félix, que bate a cabeça na batente do carro, parece estar à beira de um surto psicótico. — O que eu faço? Porque sinto que algo está acontecendo e não sei onde, e isso causa um caos. Oh, meu Deus, alguma vez você já se sentiu assim?
— O quê? Que enlouqueceria? Sim, algumas vezes.
— Por que eu ficaria tão nervoso com a ideia de que todos viveriam comigo?
— Então eles não são apenas iscas, senhor?
Tony olhou para Félix, mas apenas estalou a língua novamente.
— É claro que não… Dessa forma, eu definitivamente me sentirei aliviado no que diz respeito ao nosso futuro. E também, acho que seria legal poder morar com Benjamin. Hmmm, realmente não sei por que essa ideia não me ocorreu desde o inicio.
Félix finalmente sorriu honestamente, seus pensamentos pareciam bastante satisfatórios quando giravam em torno de Isaac e Benjamin.
— Eu realmente gosto muito do Isaac…
Foi então que um som bastante alto foi ouvido atrás deles. O som de um motor e pneus derrapando. Quando eles voltaram os olhos, um carro preto saiu correndo da estrada… O limite de velocidade era na maioria das vezes inferior a 40 km, mas esse carro já havia ultrapassado 40 ou 80 km.
Tony fez uma careta. Félix também faz o mesmo.
O carro preto passa por Félix e segue em direção à área residencial.
Começam a atirar pela janela, vários carros estão atrás dele.
— Aquele maldito homem louco!
Quando Félix começou a xingar, Tony saiu e olhou em frente. Era porque o sedan subindo em direção à área residencial era bastante familiar. E o motorista…
— Você tem que correr rápido!
Tony levantou-se rapidamente e pegou o volante com as duas mãos… Félix parecia não saber por que “correr rápido” era necessário.
— Foi Isaac!
— Do que você está falando?
— Não é o sedan que Isaac te tomou?
— É mesmo Isaac?
— Está correto, senhor! Eu vi!
Tony, que ainda está gritando com o chocado Félix, começa a sentir que seu celular está vibrando no bolso da frente da calça. Ele puxou para fora, apertou um botão e respondeu sem levantá-lo.
— O que houve?
[Temos um grande problema! Estávamos arrumando as roupas e de repente eles entraram… Alguns homens de máscaras negras… Benjamin e a avó! Eles os levaram embora! Ugh, porra! Ei, não… Precisamos de ajuda aqui!]
Jack ofegou alto no receptor do telefone celular. Até o som do ambiente era terrível… Às vezes ouvia gritos assustadores, balas. Ele não podia nem perguntar o que diabos estava acontecendo ou pedir uma explicação mais detalhada. Tony franziu a testa enquanto segurava o celular, que agora estava silencioso.
— Merda.
Jack e outros homens estavam lá para ajudar Benjamin e Jéssica Parker a se mudarem… Ninguém imaginou o que ia acontecer, mas eles definitivamente estavam tentando matar Isaac e sua família. Gângsteres não identificados… A equipe sequestrou Benjamin e Jéssica e isso significava problemas maiores. Além do mais, o fato de Jack chamá-los soando assim era uma situação muito desfavorável. Ele provavelmente estava seriamente machucado.
Tony estalou a língua, ainda segurando o celular. Sua mente enlouquece com os pensamentos de seu chefe, Isaac, e o telefone tocando na voz desesperada de Jack… O que o fez acordar um pouco, foram às palavras de Félix ao seu lado dizendo:
— O que você está fazendo? Acelera!
O som dos pneus no asfalto era bastante alto… O carro parou ao lado da estrada e logo saltou dele.
Ele estava suando, mal respirando… Porque o que ele havia percorrido esse caminho em um dia inteiro agora levava apenas três ou quatro horas. Limpou as gotas frias que escorriam de sua cabeça até sua costas enquanto segurava a Beretta na mão e ajustava o boné de beisebol com a outra.
Ele pode mal estar no jardim, mas já ouvia barulhos altos de dentro de casa… O som de algo quebrando, gritando aqui e ali. As maldições e os tiros intermitente. Isaac, que estava muito nervoso, agarrou a Beretta ainda mais apertado entre os dedos suados e caminhou em direção à casa enquanto se escondia de tempos em tempos.
Se tudo é tão inquieto significa que Benjamin ainda não foi levado.
Sim, está definitivamente está bem.
Tudo está bem.
Se a situação já tivesse terminado, não haveria tanta confusão. Ele se lembrou que Félix disse uma vez que seus guarda-costas eram muito bons. E sim… Eles pareciam estar bloqueando bem, ainda.
Seja como for, Isaac tem certeza de que sua mãe, Benjamin, e os homens Alfa ainda estão lutando. Em algum lugar da casa. Ele realmente se sentiu um pouco aliviado… Porque isso significava que havia esperança.
Respira…
Ele está tentando acalmar seu coração violentamente assustado. Olhou em volta mais uma vez… Deveria esperar eles virem aqui? Ou devo entrar no seu campo de visão agora? De repente, a janela do segundo andar se abre e, em seguida, um homem saiu voando dali para terminar aterrizando na grama. Sua cabeça ficou completamente partida.
Os nervos estão a flor da pele.
É incrível que haja tanto barulho em um bairro tão calmo quanto La Jolla.
— São Benjamin e sua avó! Eles foram levados embora!
Disse alguém.
Depois, há tiros.
O choro de uma criança…
Mais cacos de vidro e muitos mais gritos.
Isaac corre e corre e então… Ele vê uma mulher de pele branca correndo pela sala de jantar, com Benjamin segurando-a e gritando com todas as suas forças. Alguém a está arrastando para frente, indo para as escadas.
O garoto grita e torna a gritar mais alto…
Isaac, que não consegue suportar o frio que percorre suas costas, apenas volta a correr com a Beretta nas duas mãos. Visando a frente e matando o máximo possível.
Abre a porta…
O interior está completamente desfeito, não resta nada. Os móveis estão quebrados, as prateleiras estão divididas ao meio e todas as pequenas estatuetas de cerâmica que sua mãe tinha já são poeira. Alguns guarda-costas e outros bandidos ainda estavam brigando. Sangue espalhado por todo o lugar, havia pessoas mortas, muitas pessoas mortas.
A cara partida na metade.
Homens sem cabeça devido ao impacto das balas…
Isaac, que abriu a segunda porta, escondeu-se atrás de um armário com toalhas de banho. Parecia que a situação era tão complicada que ninguém percebeu que ele havia entrado lá.Todo mundo está ocupado o suficiente lutando e tentando sobreviver, e ainda assim os nervos de Isaac estavam apenas em Benjamin e sua mãe.
O choro do menino perfura seus ouvidos.
O homem os levou ao segundo andar… E as escadas estavam muito longe de onde ele estava.
Respirou fundo novamente e tentou engolir em seco, mesmo que sua garganta esteja pegando fogo. De alguma forma, ele reuniu forças e saiu dali para correr direto para as escadas… E no momento em que decidiu subir, um grupo de homens começou a descer como se estivessem prontos para sair. Estão todos vestidos de preto, até as máscaras que usam. Cada um deles tem uma arma nas mãos e pingam sangue. Entre eles, uma mulher de meia-idade, com um corpo esbelto, segurando um pequeno vulto trêmulo nos braços. Chorando e gritando, Benjamin estava enterrando a cabeça no peito da avó com os olhos apertados. Jéssica Parker está tremendo tanto que parece que ela vai cair.
Então um dos homens apontou para a testa de Isaac. A avó abaixou a cabeça e tentou cobrir a de Benjamin… Isaac fechou os olhos.
Nesse momento, um tiro soou alto. Não era a arma de Isaac… Ainda existem os guarda-costas de Félix, feridos, mas prontos para lutar contra os homens de preto. Era um som latejante. Gritos, e a casa se movendo como se estivesse em câmera lenta.
Eles eram muito poucos, mas tentaram até o fim.
Nenhum guarda-costas sobreviveu.
Tudo se tornou… Inesperadamente quieto.
Continua…