Capítulo 15
Quando Lu Zhe desembarcou do voo e pegou um táxi para casa, já era tarde da noite.
A casa da Família Lu ficava no que outrora fora o distrito mais próspero de Yuncheng. As montanhas ao redor da casa estavam parcialmente cobertas por macieiras ornamentais. Embora fosse final de abril, época em que as árvores ainda não estavam em plena floração, os galhos ainda estavam cobertos por densas camadas de flores rosadas. Pólen e pétalas flutuavam, cobrindo ambos os lados da estrada. Um leve aroma floral pairava no ar noturno.
Lu Zhe havia telefonado antes para avisar a governanta de sua visita. Passou pelos guardas no portão sem problemas. Ao se aproximar da porta da frente, notou imediatamente que as luzes fortes da sala de estar no térreo estavam acesas.
Lu Zhe não pensou muito nisso. Imaginou que a governanta tivesse deixado as luzes acesas para ele. Depois de destrancar a porta da frente com sua impressão digital, trocou os sapatos por chinelos na entrada e entrou.
Só para notar uma figura no sofá da sala de estar.
A mulher, vestida com um qipao de seda delicadamente bordado, tinha um xale verde transparente drapeado sobre os ombros. Seu belo rosto maduro ostentava uma leve camada de maquiagem, mas um toque de melancolia se destacava na ruga entre suas sobrancelhas. Ela era uma mulher cativante; muitas pessoas teriam dificuldade em desviar o olhar.
Lu Zhe parou, bem a tempo de a ouvir o chamar em um Voz calorosa e gentil: “Xiao Zhe voltou?”
O sorriso que ele estava tão acostumado a exibir havia desaparecido.
Seus olhos escuros permaneceram fixos em um ponto à sua frente enquanto ele assentia levemente e cumprimentava: “Mamãe.”
Após a cumprimentar, preparou-se para subir as escadas. Era como se não se importasse nem um pouco com o fato de sua mãe estar sentada no sofá tão tarde da noite.
Lu Zhe mal conseguira subir um degrau da escada quando a mulher no sofá começou a falar novamente. Sua voz era tão suave e fraca que nem sequer criava eco naquela enorme e luxuosa mansão. Transmitia uma sensação de solidão a quem a ouvia.
“Seu pai não voltou esta noite. De novo.”
Lu Zhe fez uma pausa. Apertou o corrimão da escada com força e depois o soltou novamente. Calmamente, respondeu: “Vá para a cama, mãe. Ficar acordada até tarde não faz bem para a sua saúde.”
Su Qiongpei observou atentamente o filho enquanto ele estava parado junto à escada. Ele parecia ainda maior e mais alto do que ela se lembrava.
Ela também percebeu que ele estava sendo educado, mas distante.
Após um longo tempo, ela baixou o olhar e falou suavemente novamente:
“Xiao Zhe, faz tempo que você não pergunta à mamãe se ela está feliz.”
Ao ouvir isso, as sobrancelhas de Lu Zhe se contraíram. Sua respiração diminuiu sem que ele percebesse. Depois de inspirar profundamente, ele repetiu mecanicamente: “Mãe, você está feliz?”
A mulher no sofá sorriu, como se esse tipo de conversa robótica lhes permitisse fingir que a ruptura entre eles não existia.
Só depois que o sorriso dela desapareceu, ela respondeu: “Não, não estou. Sua mãe está infeliz, e você é tão inteligente. Por que você não dá alguns conselhos para sua mãe, como fazia antes?”
Após fazer seu pedido, Su Qiongpei ergueu o olhar novamente e olhou para o filho com expectativa.
No entanto, Lu Zhe não tinha como atender às expectativas dela. “Desculpe, mãe.” Ele olhou para o lado, e seu tom ficou ainda mais frio. “Você nunca seguiu meu conselho.”
Assim que essas palavras saíram de seus lábios, Su Qiongpei se levantou apressadamente do sofá. Ela até começou a se mover, hesitante, na direção de Lu Zhe. Sua expressão e seu tom eram enganosamente suaves e doces, implorando por atenção e favor.
“O que você disser, eu certamente ouvirei.” Prometeu ela. “Aquelas mulheres são muito escandalosas, sempre seduzindo seu pai, sempre zombando de mim e rindo de mim pelas costas. Ajude sua mãe, dê-me algumas ideias-“
Um lampejo de escárnio atravessou os olhos compridos do homem na escada.
Ele interrompeu subitamente: “Seduzir? Você ainda não sabe que tipo de homem é Lu Chengzhen?”
Su Qiongpei deixou de falar e permaneceu em silêncio.
Era óbvio que Lu Zhe havia perdido a paciência. Assim que ele se virou para continuar subindo as escadas, Su Qiongpei reuniu coragem e conseguiu elevar a voz: “Você ainda me odeia por causa do filho de Shen Jinyi. Não é mesmo?”
Lu Zhe permaneceu em silêncio.
Su Qiongpei interpretou o silêncio dele como uma confirmação. Ela não conseguiu se conter e continuou: “Por causa dele, você nem sequer ajuda a sua própria mãe agora. É isso?”
“Não.”
Lu Zhe se virou e a encarou. Sua voz estava mais fria e calma do que nunca: “Não vou dar ideias à minha mãe porque sei que não adianta. É inútil.”
“Certa vez, quando Lu Qianshuang e eu fomos humilhados por aquele nosso pai biológico, imploramos a você – você, que já havia removido suas glândulas – para ficar fora daquela confusão. Você nos ouviu?”
“Nós avisamos você para não correr atrás da riqueza de Lu Chengzhen, nós avisamos você para não correr atrás do status de amante dele. Você ouviu?”
“Eu lhe disse que a esposa de Lu Chengzhen, Shen Jinyi, era uma louca. Eu lhe disse para não a provocar. Eu lhe disse que poderíamos ter vivido aqui, com nossa família, em paz. Você me ouviu?”
…
Ao ouvir a fria condenação de Lu Zhe, Su Qiongpei ficou cada vez mais agitada. Talvez fosse porque os ômegas eram naturalmente sensíveis, ou talvez porque seu humor estivesse instável há muito tempo. Seja qual fosse o motivo, seu rosto ficou intensamente vermelho enquanto ela falava: “Que escolha eu tinha? Só queria que meus dois filhos tivessem uma vida melhor, isso é errado?
“Mesmo que a família Shen seja rica e poderosa, será que uma beta como Shen Jinyi pode ser melhor do que eu? Devo ser condenada a passar o resto da minha vida como amante criando duas crianças?”
“Se você me odeia tanto, por que voltou hoje?!”
Com isso, Su Qiongpei ergueu a mão para se firmar no sofá, como se aquelas poucas palavras tivessem drenado toda a sua força. Ela ofegava, seus pulsos pálidos e finos, as veias azuis sob sua pele arrepiadas.
Lu Zhe olhou para ela de cima da escada. Ele franziu os lábios e não disse nada.
Ela ainda era sua mãe; ele não tinha o direito de a criticar. Lu Zhe simplesmente sentiu uma espécie de impotência que não o atormentava há tempos. Era uma impotência que o acompanhava desde a infância.
Era um sentimento que o fazia pensar que essa família desastrosa era o fardo que ele teria que carregar por toda a vida.
Lu Zhe não disse mais nada, deixando intacto o último resquício de respeito em sua relação mãe-filho. Ele continuou subindo as escadas. O som de seus chinelos batendo nos degraus de vidro fosco não era nem muito baixo nem muito alto.
Su Qiongpei encarou as costas do filho. Antes que Lu Zhe desaparecesse completamente atrás de uma esquina no andar de cima, ela falou de repente: “você não voltou para ver sua mãe, não é?”
No entanto, Lu Zhe já havia desaparecido sem sequer olhar para trás.
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Na manhã seguinte
Lu Zhe se levantou às 6h00, sem nem mesmo ter tempo para o café da manhã. Ao descer as escadas, viu a babá na cozinha e, olhando para cima, disse: “Tia Xiu, você tem a chave da casa de hóspedes nos fundos? Abra para mim quando tiver um tempinho.”
Tia Xiu tinha quarenta e poucos anos. Ela parou no meio de temperar um prato e se virou para Lu Zhe, piscando, completamente perplexa.
“Você quer ir até aquela casa?”
Lu Zhe assentiu.
“Aquele lugar ainda cheira a doença e morte… de qualquer forma, ninguém vai lá há muito tempo. Lu xiansheng (NT: Sr.) só conseguiu que algumas pessoas limpassem o local há alguns dias. Jogaram muita coisa fora. Vi alguns caminhões grandes entrando e saindo, levando embora os móveis e as máquinas. Por que você está indo para lá de repente? A senhora sabe disso?”
Lu Zhe franziu a testa, demonstrando sua beleza. De repente, teve um mau pressentimento.
Ele tinha voltado baseado em um palpite, mas agora parecia que a viagem fora em vão.
Assim que Lu Zhe estava prestes a pedir a confirmação de que não havia nada na casa de hóspedes, uma voz surgiu de repente atrás dele: “Você está acordado, meu filho? Mamãe pediu à Tia Xiu fazer seu mingau de frutos do mar favorito. Sente-se e coma uma tigela?
O tom era afetuoso e frágil, repleto de preocupação. Era como se o discurso furioso da noite anterior não passasse de um fruto da imaginação de Lu Zhe.
Lu Zhe manteve as costas voltadas para Su Qiongpei, mas a governanta se virou com uma colher na mão. Ela elevou a voz e exclamou: “Senhora, Xiao Zhe acabou de dizer que quer ir à casa de hóspedes. A chave deve estar com você, não é?”
A expressão de Su Qiongpei endureceu por um instante. “Por que você quer ir lá?”
Lu Zhe se virou lentamente, seus profundos olhos negros olhando na direção da mãe. Seus lábios finos e rosados se contraíram levemente, e então ele falou baixinho: “Sem motivo específico.” Disse ele. “Só me deu vontade de dar uma olhada.”
“Uma olhada em quê?” Insistiu Su Qiongpei, encarando-o atentamente.
O olhar penetrante dela deixou Lu Zhe um pouco inquieto. Ele não conseguiu manter sua habitual postura despreocupada. Após um instante, deu uma resposta direta:
“Quero ver onde Shen Qiao morou depois que eu fui embora. Você está satisfeito com essa resposta?”
“Quem lhe contou isso? Sua irmã?” Su Qiongpei perguntou, indignada. Era como se alguém tivesse cutucado seu ponto mais sensível. Ela não deixaria isso passar.
Lu Zhe perdeu o último resquício de paciência. Não se deu ao trabalho de conversar com ela. Virou-se para sair de casa e tomar um pouco de ar fresco.
Enquanto o observava partir, Su Qiongpei sussurrou: “Você ainda não o deixou ir. Mas e ele? Será que ele se atreve ficar com você de novo?”
Lu Zhe já estava a meio caminho da porta. Ao ouvir a última parte das palavras dela, virou-se subitamente para trás. O aroma de cedro explodiu num aroma incontrolável. Suas pupilas estavam tão negras quanto a noite mais escura; nem uma única faísca de luz escapava.
Ele caminhou até Su Qiongpei. Com uma raiva contida, perguntou: “O que você quer dizer com ‘não se atreve a ficar comigo de novo’?”
“O que você fez com ele?”
Su Qiongpei foi esmagada pela imensa onda de feromônios do filho. Mal conseguia respirar. Seus olhos ficaram turvos e desorientados, e ela claramente estava prestes a desmaiar ali mesmo.
No último instante, Lu Zhe conseguiu se recompor e a ajudar a se manter de pé.
Após um longo silêncio, Su Qiongpei finalmente falou novamente: “O que eu poderia fazer com ele?”
“Xiao Zhe, você deveria perguntar o que Shen Jinyi fez com ele?”
“Aquela mulher… ela é realmente muito mais cruel do que eu. Talvez seja porque ele não é filho biológico dela que ela pôde fazer isso, sabe-“
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Sede da Equipe DG
O Gerente Zhou observou Shen Qiao passar em frente ao seu escritório pela terceira vez naquele dia. A trajetória de Shen Qiao era claramente deliberada, e o Gerente Zhou finalmente não conseguiu mais se conter. Ele precisava perguntar se Shen Qiao queria dizer algo.
Afinal, Shen Qiao tinha acabado de se mudar. Era um ambiente novo para ele. E ele era um alfa. Alfas como ele prefeririam morrer a pedir ajuda. Era nisso que o Gerente Zhou estava pensando, e ele estava quebrando a cabeça para encontrar uma maneira de puxar conversa e orientar Shen Qiao nesse momento difícil.
Mas Shen Qiao de repente abriu a boca e disse: “Não é nada. Eu só queria perguntar, é muito fácil para as pessoas tirarem folga da Equipe DG? Parece que algumas pessoas estão planejando faltar a dois dias de treino seguidos.”
Naturalmente, não demorou muito para o Gerente Zhou perceber a quem se referia a expressão ‘algumas pessoas’. Ele estava prestes a explicar quando uma voz sorridente soou da escada no final do corredor: “Sentiram minha falta?”
O Gerente Zhou e Shen Qiao olharam ao mesmo tempo.
Lu Zhe se aproximou com uma das mãos no bolso. Havia um leve indício de cansaço entre as sobrancelhas, mas em seu rosto belo, isso se manifestava apenas como um toque de preguiça insolente.
Ele parou em frente a Shen Qiao e percebeu que a outra pessoa havia ficado tensa assim que ele começou a se aproximar.
Ver aquela reação foi como um soco no estômago, como se alguém o tivesse esfaqueado no peito. Seu coração doía tanto que ele queria se encolher para se proteger.
Lu Zhe não se aproximou de forma inadequada e inexplicável como faria antes. Como se não tivesse notado nenhuma mudança no comportamento de Shen Qiao, simplesmente o encarou e esboçou um sorriso caloroso e gentil. Respirou fundo, com desejo e anseio, deixando o aroma de menta preencher suas narinas.
Quando ele falou novamente, havia um leve tremor em sua voz: “Senti sua falta.”
Ao se lembrar do que Su Qiongpei havia dito no dia anterior, a voz de Lu Zhe tremeu ainda mais visivelmente. Mesmo assim, insistentemente, ele repetiu:
“Shen Qiao, senti tanta saudade de você.”
( ノ-_-)ノ゙_□ VS □_ヾ(^-^ヽ)
O autor tem algo a dizer
Gerente Zhou: Matar um cachorro de repente???