Parte 06
Projection Vol. 2.6
— Sejin.
— …
— Kwon Sejin.
— …
Perante a resposta que não vinha, Seo Bo-hyung, professor de turma do 3.º ano da turma 2, suspirou com um rosto cheio de irritação.
Já tinha passado uma hora desde que a luta rebentou no refeitório. E Sejin, que tinha sido subjugado pelo professor de educação física como prisioneiro de guerra e arrastado para a sala de aconselhamento, não tinha dito nada durante aquela uma hora. Seo Bo-hyung, que tinha de chamar os pais de Sejin, estava agora quase a enlouquecer de frustração.
Se fosse uma luta de punhos comum, não haveria necessidade disto, bastava abraçarem-se e pedir desculpa. No entanto, Lee Haegyun, que tinha sido o eixo da luta, levantou-se dizendo que iria denunciar Kwon Sejin, que o tinha atingido com o tabuleiro, ao Comité de Bullying Escolar, por isso estavam a entrar em contacto até com os encarregados de educação.
No entanto, enquanto os pais dos dois miúdos tinham terminado o telefonema há muito tempo e estavam a caminho da escola, Sejin estava em silêncio até agora. Como o número de telefone dos pais, escrito no registo do aluno, apareceu como um número inexistente, era uma situação em que tinha de perguntar a Sejin, por isso Seo Bo-hyung chamava ansiosamente o nome de Sejin durante uma hora.
— Sejin. Se continuares assim, vai acontecer algo realmente grande. Os pais do Haegyun já estão a fazer uma confusão dizendo que vão chamar a polícia, e se atingires alguém com coisas como tabuleiros, pode ser considerado violência especial e podes receber uma punição agravada.
Seo Bo-hyung falava o que lhe vinha à cabeça para fazer Sejin abrir a boca. Era com a intenção de que Sejin tivesse pelo menos um pouco de medo e contactasse os pais.
“Zzzing, zzzing”, entravam mensagens continuamente no telemóvel de Seo Bo-hyung. O vice-diretor, que estava prestes a reformar-se, continuava a pressioná-lo dizendo que não podia abrir um Comité de Bullying Escolar enquanto fosse vice-diretor e que devia preparar uma solução “pacífica”. Seo Bo-hyung, que abriu a janela de pré-visualização para verificar a mensagem do vice-diretor, suspirou com irritação e sentou-se em frente a Sejin.
Kwon Sejin era um aluno silencioso que mal se notava. Embora aparecesse na escola, quase sempre ia para comer, e não causava grandes problemas com as outras crianças. O facto de Lee Haegyun ter um grande interesse por esse Sejin era um facto que ele também já sabia há muito tempo.
No entanto, como a autoridade escolar não era tão forte como antigamente, Seo Bo-hyung não tinha forças para controlar os rapazes que eram duas cabeças mais altos do que ele. Como o professor, que era ele próprio, sofria prejuízos se Lee Haegyun e Kim Byungjun começassem a desafiá-lo, Seo Bo-hyung ignorava as suas brutalidades, pensando que não aconteceria nada de especial.
— Segundo o Haegyun, tu bateste primeiro, é verdade?
— …
Os lábios, secos como casca de árvore, estavam bem fechados e não se moviam. Sejin estava sentado com os olhos baixos, com um lado da bochecha azulado e inchado. Era um rosto que ele pensava que era bonito e agradável, mais do que a maioria dos ídolos, mas, ao fechar a boca assim e colocá-lo em apuros, parecia apenas uma impressão cheia de veneno. Seo Bo-hyung reprimiu a irritação e explicou com um tom de voz esforçado e suave.
— Bateste primeiro e também bateste com o tabuleiro, não foi? Sejin, isto não é um problema que se possa deixar passar. Se é violência especial e tu foste o primeiro a bater… ataque preventivo, por isso o Haegyun e o Byungjun estão a fazer uma confusão dizendo que te vão processar agora, queres ir para o centro de detenção de menores? Já não és uma criança, por isso, se não houver acordo, é um problema que pode levar até à prisão de menores.
Na verdade, era apenas um tabuleiro que tinha sido usado como arma, e a probabilidade de ir para a prisão por este nível de agressão era baixa. No entanto, Seo Bo-hyung continuava a falar o que lhe vinha à cabeça para assustar Sejin. Se ao menos pudesse saber o contacto do guardião de Sejin fazendo isto, não desejaria mais nada. Seo Bo-hyung continuou a falar com um rosto pretensamente sério.
— Queres tornar-te um criminoso? A tua mãe parecia cuidar muito de ti no início do semestre, se fores para a prisão, como é que a tua mãe vai dormir tranquilamente?
— Aquele lado é que começou mal.
Ao mencionar até a prisão, Sejin finalmente abriu a boca. A voz rouca e rachada informou que a causa da luta não estava do seu lado, mas o conteúdo não importava, fosse o que fosse. Seo Bo-hyung quase gritou de alegria só pelo facto de ter ouvido a voz de Sejin.
— Quem. Estás a falar do Haegyun? O Haegyun e o Byungjun diziam que tu bateste primeiro. Eles bateram primeiro?
— O bater fui eu primeiro, mas, eles primeiro…
Sejin, que murmurava com uma voz pequena, fechou a boca logo a seguir. Primeiro, o quê? Primeiro, o que fizeram? Seo Bo-hyung, que reprimiu a vontade de dar socos no peito por causa da frustração que subia de novo, esforçou-se por levantar os cantos da boca. Ele acenou com a cabeça como se soubesse o que ele sentia, criando covinhas e sorrindo, e disse a Sejin:
— O Haegyun e o Byungjun também trataram o nosso Sejin de forma desagradável habitualmente, não trataram? Mesmo assim, entre amigos…
— Não foi tratar de forma desagradável. O Lee Haegyun…!
— Sim, o Haegyun?
— O Lee Haegyun…
— Sim?
Sejin, que gritava com os olhos vermelhos como se estivesse zangado, fechou a boca novamente. Este nem é uma amêijoa, Seo Bo-hyung suspirou com irritação porque sentia a nuca puxar. Sejin olhou para Seo Bo-hyung com um olhar temeroso e depois desviou o olhar. Olhando para fora da janela com olhos cheios de lágrimas que pareciam prestes a derramar, perguntou-lhe:
— O que acontece se eu não disser nada?
— O quê?
— Perguntei o que acontece se eu não te disser o contacto do guardião.
— …
Seo Bo-hyung teve um pensamento assustador se, por acaso, os pais de Sejin tinham morrido sem ele saber. No entanto, não tinha recebido tal contacto, e a julgar pela atitude de Sejin, não parecia haver sequer tal história triste. Aquele é apenas.
— Mesmo que a mãe soubesse, não conseguiria fazer um acordo. Não há dinheiro para isso. Por isso, não posso dar o contacto…
— É…?
— Mas, se for arrastado para a esquadra, eles procuram a mãe? Vão contactar a mãe para dizer que o filho foi para a prisão porque atingiu alguém…
Seo Bo-hyung, que estreitou os olhos, observou Sejin, que tremia as pernas e cerrava os punhos. De alguma forma, Kwon Sejin… parecia ter medo de que a mãe fosse contactada. Não parecia que estava a fechar a boca porque não sabia o contacto.
Seo Bo-hyung, que pensou calmamente, hesitou por um momento e abriu a boca.
— Claro que vai. Um menor vai para a prisão, por isso é óbvio que a mãe tem de saber esse facto.
Era tudo mentira. Não havia hipótese de Sejin ir para a prisão por este tipo de assunto, e mesmo que fosse processado, a polícia não procuraria alguém que tinha perdido o contacto para transmitir as notícias do filho. Todo este trabalho seria apenas algo que Sejin teria de suportar sozinho.
No entanto, as mensagens continuavam a chegar do vice-diretor, e Seo Bo-hyung, que também tinha coisas com que se preocupar com a preparação do casamento, não tinha energia para se preocupar com o Comité de Bullying Escolar ou algo do género. Não sabia o que Lee Haegyun tinha feito, mas era verdade que Sejin também não era inocente, pois atingiu alguém com um tabuleiro. Seo Bo-hyung, com o julgamento de que era agressão mútua, ou que Sejin, que tinha cometido o ataque preventivo, tinha um crime mais profundo, assustou-o.
— Em vez de não saber de nada e receber a notícia de que foste para a prisão, não seria melhor a mãe vir à escola e resolver este assunto? Sejin. Ser repreendido é um momento, tens de pensar no futuro. Sim? Não é?
Seo Bo-hyung consolou Sejin com um tom de voz suave.
Sejin não respondeu logo. Mordeu os lábios até que o sangue surgisse na pele seca, enterrou o rosto nas duas mãos e suspirou, e depois de passar muito tempo assim, olhou para Seo Bo-hyung com um rosto ansioso e disse:
— A mãe não…
Ao mesmo tempo, o que chamou foi o número de telemóvel de onze dígitos. Seo Bo-hyung ligou logo para aquele número, e um homem jovem atendeu o telefone.
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Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna