Pit Babe - Capítulo 03.1
Capítulo 03.1
“E aí, Babe?”
Way cumprimentou seu amigo com um sorriso assim que Babe entrou na garagem pouco movimentada, vestido com uma camisa preta de marca famosa e calças pretas folgadas, ainda com sua boa aparência de sempre com seus óculos escuros de estilo moderno. Embora Babe mal tivesse aparecido nas últimas duas ou três semanas, ele conseguiu se encontrar com seu grupo de amigos.
“Ei, bonitão.” Ele tirou os óculos escuros, levantou um braço e o envolveu em seu pescoço enquanto seu amigo alto se inclinava e beijava gentilmente sua bochecha em um gesto de flerte que ele gostava de fazer o tempo todo: “Sente minha falta?”
“Eu é que deveria perguntar se você sente a minha falta.” Way respondeu em tom de brincalhão: “Você desapareceu sem deixar vestígios, nem sequer vai à boate.”
“Uh, desculpe, acontece que tenho estado ocupado com práticas espirituais ultimamente.”
“Quase chegando lá.”
Babe riu feliz com o fato de Way ainda tolerar suas piadas. Sem contar a si próprio, Way era quem mais o entendia e o conhecia melhor do que ninguém. Por isso, não era de se admirar que os outros imaginassem que havia um relacionamento especial entre os dois.
“Ah, eu trouxe um garoto pra você ver”. Babe disse, antes de se virar para acenar chamando o rapaz alto e tímido que o seguia desde o início para se aproximar e em seguida falar com o rapaz de óculos em voz baixa e suave: “Este é Way, meu amigo. Ele é o dono desta oficina e também cuida dos carros do estádio. Vocês deveriam se conhecer melhor”.
“Olá”. O rapaz acenou com a cabeça um pouco desajeitado para cumprimentar Way, enquanto o outro o cumprimentou acenando com a cabeça rindo sutilmente da oposta personalidade do jovem com a de Babe.
“O nome dele é Charlie.” O famoso piloto, apresentou Charlie de um jeito que parecia que ele não o conhecia. Mas, embora Babe não tenha entrado em detalhes sobre Charlie, Way percebeu que havia algum tipo de relacionamento entre os dois. Foi apenas surpreendente porque Babe parecia ter mudado um pouco o seu tipo.
Charlie parecia diferente dos parceiros anteriores de Babe, ao mesmo tempo, Babe parecia mais protetor com esse garoto do que com os outros parceiros.
“Oi, Charlie”. Way cumprimentou com um sorriso amigável, mas, aos olhos de Charlie, ele sentiu que era um sorriso que o deixava um pouco tenso. Talvez ele estivesse pensando demais, mas parecia que era o sorriso de alguém com outro rosto. E, em seu coração, realmente havia algo a mais do que ele estava pensando. (Ashy: Way, tem um sorriso que assusta as outras pessoas)
“Não o provoque”. Babe levantou a mão acenando na frente do rosto de Way, sabendo que aquele sorriso deixaria um garoto assustado como Charlie desconfortável. Way achou engraçado e riu genuinamente, feliz pelo amigo.
“Ontem à noite eu levei uma batida muito forte, que o carro ficou quase acabado”
“Ah, eu ouvi o Billy falar sobre isso”. Way respondeu casualmente enquanto pegava as chaves do carro de Babe como de costume, porque esse cara usava o carro o tempo todo. Não importava o preço, ele não se importava desde que ganhasse. “Então, que carro vou usar agora?”
“Vamos dar uma olhada primeiro”. Babe falou calmamente. Em seguida, ele parou e olhou para o jovem que estava ao lado dele, em pé rígido. “Veja um pra você também.”
Way sorriu assim que ouviu isso. Enquanto Charlie, ele ficou ainda mais nervoso, quando viu o gesto do amigo próximo de Babe. Mas ele não sabia o que aquele sorriso significava. Talvez ele estivesse apenas zombando dele, por isso não fez nada. Ou talvez fosse apenas estranho que Babe tivesse trazido-o aqui?
“Tudo bem.” Way respondeu antes de voltar a olhar para Charlie com uma expressão gentil. “Venha cá, garoto, qual você vai querer?”
“Vá em frente, escolha o que quiser”. Babe disse a Charlie. Quando viu que o garoto ainda parecia hesitante e assustado, ele seguiu Way até o showroom*, mas assim que recebeu a confirmação de Babe, Charlie ficou um pouco aliviado.(Ashy: sala de exibição)
“Vêm comigo”. Way disse, mas Charlie ainda não se sentia confortável o suficiente para se afastar de Babe. Charlie seguiu Way com passos relutantes, mas não se virou nem acenou com a mão para chamar Babe. Em vez disso, ele sussurrou para Babe para que ele andasse mais rápido, porque ele não queria ficar sozinho com Way.
Babe vendo isso, só pôde revirar os olhos e aceitar a natureza tímida de Charlie. No fim, ele assentiu e seguiu o garoto medroso .
“Qual você gosta?”, Way perguntou, estendendo a mão para apertar um pequeno botão na lateral de um dos postes. Então, a grande porta automática se abriu lentamente de acordo com o sistema de comando e, em segundos, nada menos que dez carros superesportivos apareceram diante dos olhos de Charlie.
O jovem olhou para o showroom surpreendido, percebendo que a sala era muito maior do que ele pensava. Era dividida em dois lados, cada um com fileiras de diferentes modelos luxuosos, cuidadosamente estacionados, que eram todos carros de propriedade deles. E agora, Charlie tinha o direito de escolher qualquer carro.
Excelente, isso é incrível.
“Por que você está parado aí? Vá logo escolher um.” Babe empurrou Charlie em direção ao showroom. A cara de bobo do jovem alfa era irritante, agindo como uma criança que vai a uma loja de brinquedos pela primeira vez. Era realmente irritante.
“Tem algum modelo em mente?”. Way perguntou gentilmente enquanto levava Charlie para admirar a coleção de carros, que cuidava desde que começou a colecionar carros de corrida. “A maioria deles pertencem à Babe”.
“Por enquanto nenhum específico”. Charlie respondeu, dando uma olhada casual nos carros de luxo estacionados em ambos os lados. “Se eu conseguir um que seja rápido, já tá ótimo”.
“Ter um carro veloz é bom, mas o importante é escolher um que combine com você.” Way explicou com um gesto que fez Charlie demonstrar uma expressão mais amigável agora.
“Mas eu não tenho ideia de qual combina comigo…”
“Não pense muito. Um motorista habilidoso pode lidar com qualquer carro”. Disse Babe, caminhando ao lado dele com uma expressão indiferente, fazendo com que Way não conseguisse resistir a se virar para ele e fazer um comentário maldoso.
“Nem todo mundo é como você.” Disse Way, mas o piloto nem sequer parecia afetado.
“Isso é verdade. Se todos fossem tão bons quanto eu, não teria apenas um número um em todo país”
“Tão confiante.”
“Sem dúvida.”
Enquanto os dois melhores amigos conversavam, em silêncio, Charlie pensava seriamente em qual carro escolher. Mas de repente, ele sentiu como se tivesse uma conexão com um certo carro desde o primeiro momento em que o viu. Ele se aproximou e deixou que as pontas dos dedos percorressem lentamente a bela e cativante superfície, sem desviar o olhar. Pois parecia tão bonito e irresistível aos olhos de Charlie.
“Parece que ele encontrou sua alma gêmea.” Way parou de discutir com o amigo que só falava sobre sem parar. Ele virou o rosto para Charlie, que estava de pé e olhava para um dos carros favoritos de Babe sem desviar o olhar.
“Hã?”. Babe se virou para olhar para Way. Ele ficou um pouco surpreso quando viu que a escolha de Charlie era um Koenigsegg Gemera, de cor cinza escuro. Não podia acreditar que um garoto estúpido como ele, entendia sobre essas coisas.
“Esse parece bom. Gostou?” Way se aproximou de Charlie enquanto ele falava casualmente. Charlie estava parado sem tirar os olhos do carro favorito de Babe.
“Sim.” O jovem respondeu imediatamente, ainda sem largar o carro luxuoso com o rosto sem expressão. Afinal de contas, ele custou noventa milhões. “É esse.”
“Mega-GT de 4 lugares, a gasolina, motor de 3,2 litros, 1.700 horse power, custa mais de 111 milhões de baht.”
“Isso significa que é bom?”
“É melhor do que bom”
“Eu gosto desse carro”. Charlie sorriu antes de olhar para Babe, que estava parado apenas observando à distância. A expressão satisfeita de Charlie deixou Babe um pouco inquieto e começou a entender porque as pessoas que têm filhos adoráveis possuem o “coração mole” dispostas a gastar dinheiro em coisas como essa sem se arrepender.
É comovente ver uma criança sorrir assim.
“Seu primeiro carro e ele é bem caro”. Babe reclamou enquanto caminhava em direção ao jovem: “Vê isso?”
“Não tem problema”
“Você escolheu aleatoriamente?”
“Não, não escolhi”. Charlie hesitou por um momento antes de estender a mão para tocar o capô do carro, recordando as lembranças da primeira vez que o viu. “Eu me lembro que você dirigiu esse carro durante a temporada anterior”
“…”
“Foi muito legal”
Way olhou para Babe como se perguntasse: “Ele realmente lembra disso tudo?”. Enquanto isso, Babe deu de ombros e franziu os lábios: “Ele é meu fã”.
“Se você gosta, fique com ele”
Babe respondeu casualmente, como se estivesse dando um brinquedo ao neto. Ele se virou acenando levemente com o rosto, indicando a Way que o jovem alfa havia aceitado, então Way caminhou até o final do showroom para abrir o cofre, cheio de chaves de carro cuidadosamente organizadas.
“Obrigado”
“Não precisa se apressar para me agradecer”. Babe disse enquanto pegava a chave do carro das mãos de Way e a entregava a Charlie. “Você ainda vai me pagar… bastante”
“Phi, você vai cobrar a taxa inteira pelo aluguel do carro?”
“Quem seria estúpido o suficiente pra deixar esse modelo ser levado facilmente? Existem apenas 300 carros como esse no mundo”. O famoso piloto falou com uma expressão intimidadora para o jovem. Se ele fosse um jovem normal de vinte e poucos anos, provavelmente não teria medo daquele rosto. Mas como esse alfa é um garoto medroso, o resultado era claro, ele se sentiu ameaçado.
“Se você desistir e recusar, eu não apenas vou pegar o carro, mas também irei quebrar nossa relação. Você entendeu?”
“Entendi”. Charlie respondeu com um sorriso.
“Ok, se você entendeu. Então vamos entrar no carro. Vamos dar uma volta”. Babe disse calmamente, dando um passo para o lado abrindo caminho para Charlie.
“Agora?” -Charlie perguntou, surpreso.
“Claro, acha que eu trouxe você aqui só por diversão?”. Charlie mudou sua expressão assim que ouviu isso. Para falar a verdade, ele estava ansioso por esse dia há muito tempo, mas quando finalmente pensou que poderia dirigir, acabou travando. Ele queria sorrir, mas não conseguiu. Ele estava com medo de bater o carro que vale milhões de baht em algo antes de chegar na pista. Mas ao ver a expressão séria de Babe, parecia que não havia outra escolha a não ser abrir a porta do carro e entrar, certo?
“Vá em frente, bonitão”. Depois que o garoto teimoso relutantemente se sentou no lado do motorista, conforme ordenado, o número um também entrou se sentando no banco do passageiro, antes de abrir a janela e colocar a cabeça para fora com a intenção de se despedir de seu melhor amigo, dizendo: “Quanto ao meu carro, vou vê-lo mais tarde. Cuide disso, por favor”.
“Claro, senhor”. Way respondeu, movendo-se ligeiramente para um lado para facilitar a saída do belo carro. “O garoto pode vir nos visitar a qualquer momento”
“Nós nos vemos depois, bonitão”. Babe apertou a voz antes de o motor do Konigssegg acelerar, indicando que estava começando a funcionar sob as ordens de Charlie, seu novo piloto.
Ao fim, Way olhou de longe vendo o luxuoso carro saindo da garagem. Ele não pôde deixar de sentir uma estranha mistura de emoções em relação ao novo parceiro de Babe.
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Babe instruiu Charlie a dar algumas voltas na pista por segurança. O resultado não foi tão ruim quanto imaginava. Charlie conseguia dirigir o carro luxuoso no padrão de uma pessoa normal, mas ainda precisava de muita prática. Ele ainda não conhecia algumas das funções do carro, então, hoje, Babe decidiu deixar Charlie se familiarizar com o carro dirigindo de volta ao condomínio como primeiro passo.
“Devagar. Não precisa se apressar”. Babe aconselhou animado, tendo que controlar a outra pessoa em alguns momentos. O carro já era potente o suficiente, mas esse garoto inexperiente escolheu um supercarro que se destaca entre todos os outros. Com apenas um leve toque no acelerador, o carro poderia atingir uma alta velocidade.
“Quero tentar dirigir tipo em uma corrida de verdade um dia!” – disse Charlie animado.
“Primeiro, você precisa aprender o básico. Se você dirigir assim, vai bater antes mesmo de entrar na pista”. Babe falou, tentando acalmá-lo. Ele sabia que Charlie ainda precisava de muito treinamento antes de poder dirigir em uma pista de verdade.
“Tudo bem, então, você vai me ensinar?”
“Quando eu estiver de bom humor”. Babe respondeu, com os olhos focados na estrada à frente. Ele estava com medo de que Charlie ficasse muito animado e batesse em outro carro.
“Pensei que você estivesse sempre de bom humor”
“Eu não dirijo de mau humor”
Charlie riu baixinho, percebendo a leve irritação no rosto de Babe. Embora ainda tivesse medo dele, ele se sentia mais relaxado agora. Pelo menos ele sabia que tinha Babe ao seu lado quando precisasse estar com alguém que não fosse Way.
“Pensei que fosse uma técnica única.”
“Se ela me ajuda a pilotar melhor, não preciso perder tempo antes de cada corrida, não é mesmo?”
“Então, se estiver no bom humor, isso significa que conseguirei dirigir melhor?”. O jovem arqueou ligeiramente uma sobrancelha, enquanto seus olhos permaneciam fixos na estrada à frente. Babe, percebendo isso, deu um pequeno sorriso antes que sua mente se enchesse de pensamentos divertidos.
“Não tenho certeza se tem alguma relação”. Babe respondeu com um sorriso, “Mas eu também quero saber”
“Terei que tentar uma vez”. Charlie deu uma risadinha, alheio ao seu próprio destino. O garoto ingênuo não tinha ideia de que estava sendo alvo, muito menos que a outra pessoa estava planejando algo malicioso sob a desculpa de pilotar.
“Realmente, você deveria tentar”. Assim que ele terminou de falar, a mão de Babe se moveu abruptamente e pousou diretamente na virilha de Charlie. O jovem ficou tenso instintivamente, embora Babe estivesse o tocando à vontade o tempo todo. Mas, em meio à necessidade de se concentrar na direção, ele não conseguiu resistir.
Continua…
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Créditos:
->Tradução: Ashy
->Revisão: Gege