Ovos Benedict - Capítulo 04
A chamada foi encerrada. Kyle se ajoelhou na frente de Nick, que estava deitado no sofá com os olhos fechados. Havia apenas o som de uma respiração irregular no ar. Depois de limpar o rosto, Kyle colocou a mão na bochecha de Nick.
Sentiu pena do homem cujo rosto estava pegando fogo. Ele tentou se convencer de que era apenas uma gripe, mas os pensamentos sinistros continuaram a assombrar Kyle. E se eu tiver tomado a decisão errada agora? E se o melhor fosse correr para o hospital imediatamente, e se estiver perdendo tempo?
Nunca sequer pensou que Nick poderia ficar doente e até morrer. Tal ato, por si só, teria causado uma dor insuportável que o teria destruído. O corpo de Kyle tremia, como se reagisse ao estado precário do seu amigo. Nick franziu a testa e se mexeu. Lembrando das palavras de Luther sobre se acalmar, Kyle se afastou um pouco de Nick. O medo de que pudesse fazer mal a ele em vez de ajudar o invadiu. Sacudindo a cabeça, ele se levantou. Logo depois houve uma batida na porta.
— Kyle, sou eu.
Era a voz de Luther. Kyle, que estava assustado, dirigiu-se para a porta da frente. Abriu a porta apressadamente e Luther entrou imediatamente. Talvez ele tivesse vindo do hospital, um avental azul estava dobrado e preso em seu braço. Luther, que colocou o avental sobre a mesa perto da porta da frente, o chamou.
— Onde está o Sr. White?
— Eu o deixei na sala de estar.
Luther, que seguiu Kyle até o sofá, ergueu as sobrancelhas. Depois de escovar os cabelos castanhos que se misturavam aos grisalhos com os dedos, Luther colocou sua bolsa no chão e sentou-se ao lado de Nick. A mão que pegou o termômetro médico e o estetoscópio moveu-se ativamente. Kyle, que estava parado aos pés de Nick, perguntou com urgência.
— Como ele está?
Luther não respondeu. Murmurando para si mesmo, o médico tirou outras coisas de sua bolsa. Só depois de remover a agulha embrulhada, a seringa e a faixa de látex se virou e disse a Kyle.
— Acho que não há nenhum sintoma grave… é um pouco estranho perder a consciência. Por via das dúvidas, poderia me trazer um pouco de água, Kyle?
Em vez de responder, Kyle se virou e foi em direção a cozinha, mal respirando. A tensão diminuiu ligeiramente quando o homem disse que não era nada grave. Cerrando e abrindo os punhos, ele abriu a porta da geladeira.
Quando a brisa fresca atingiu sua pele, ele ficou ainda mais alerta. Derramou a água purificada em um copo e se dirigiu para a sala de estar. Nick estava ali esperando Kyle. Seus olhos se arregalaram. Quando viu que ele estava consciente, o sangue começou a circular lentamente por todo seu corpo. Assim, quando encontrou o rosto de Nick que parecia mais fraco do que o normal, seu coração doeu.
Kyle mordeu o lábio. Estava angustiado.
— …Ah, Kyle.
Nick, que estava conversando com Luther com a testa franzida, olhou para Kyle e relaxou sua expressão. Luther estava revisando sua bolsa, como se fosse tirar uma amostra de sangue do homem. A expressão do médico era um pouco séria. Kyle se aproximou de Nick e entregou-lhe um copo de água. A mão de Nick estava branca quando ele o aceitou. A ansiedade de Kyle aumentou quando o homem pareceu mais frágil do que o normal.
— Está melhor?
Embora Nick estivesse doente, ele se sentia mal por não poder fazer muito. Eu deveria ter me tornado médico e não advogado para estar ao lado Nick. Kyle, que lutou para ficar calmo, perguntou a Luther.
— Quando devo iniciar o processo de internação?
— Que tipo de internação? Isso não é necessário…
Nick parou Kyle. Então ele imediatamente olhou para Luther com uma expressão ambígua. Luther olhou para Kyle e Nick alternadamente mantendo uma expressão séria como se houvesse outra coisa.
— Kyle, você poderia se retirar por um momento? Eu tenho algo para dizer a Nick primeiro.
Seu coração disparou novamente. Alguns minutos atrás, ele disse que não eram sintomas graves, mas a visão dos dois homens com expressões faciais distorcidas deixou Kyle nervoso. Olhando para Luther friamente, Kyle assentiu com relutância.
Eu não queria deixar Nick para trás, mas… Não seria nada bom ele se forçar ali. Quando a conversa terminasse, Luther falaria com ele. Hesitando por um momento, os sapatos que vagavam no lugar mudaram de direção. Kyle, que caminhava em direção às escadas que levavam ao segundo andar da casa, parou e olhou para trás. Nick olhou para ele e seus olhos se encontraram.
Um rosto gentil e bonito sorriu suavemente para Kyle. Depois de olhar para o rosto adorável de Nick, Kyle mordeu o lábio e se virou.
* * *
Seguiu-se um silêncio incómodo. Parecia até ser a primeira vez que encontrava Luther frente a frente. Quando Kyle o apresentou a Nick, quando era jovem, o homem pareceu ter ficado feliz em conhecê-lo “Então o rapazinho tem um amigo….”
Ele chamou Luther porque a mão de Nick foi cortada, chamou Luther quando o seu ombro foi deslocado, Kyle ligava para Luther por cada pequena coisa, de um momento para o outro, toda vez que os três estavam juntos Nick sofria de uma tremenda sensação de culpa, ele tentava evitar essas situações ao máximo. A última vez que ele viu o rosto do homem foi há cerca de um ano, por isso já não se viam há bastante tempo.
— Como vai senhor Milan?
— Hmm, eu vou bem.
Luther respondeu com uma voz amigável e endireitou as costas para encarar Nick. Nick esfregou a testa de uma maneira muito séria. Lentamente as coisas começaram a ficar mais claras assim que recuperou os sentidos. Estava atordoado. Lembrou de se sentir tonto e cambaleante assim que chegou em casa.
Quando abriu os olhos, viu um homem de meia-idade com um rosto benevolente, e o fato de não conseguir se lembrar de como foi parar ali poderia significar que ele esteve desacordado por um tempo. Esta era a segunda vez que ele experimentava isso, ainda quando estava no colegial teve um breve desmaio após ser atingido na cabeça em uma partida de Rúgbi. Uma leve vergonha tomou conta dele.
— A razão pela qual eu o mandei sair é simples. Em primeiro lugar, acredito que este é um assunto que o Sr. White deveria ouvir e pensar por si mesmo.
Luther ergueu os óculos de aro com as costas da mão. Uma sensação sinistra de apreensão percorreu suas costas. Nick franziu a testa e fez uma piada leve.
— Você está falando como se eu tivesse uma doença fatal.
— Ah, lamentavelmente não é isso.
Desculpe, esse cara. Luther riu vendo a perplexidade em seus olhos.
— Se você olhar por esse lado, não é grande coisa.
— Isso é sorte.
Nick ficou aliviado. Luther assentiu e murmurou.
— Está certo. Só que a partir de agora o Sr. White vai viver a vida de um ômega, e devo dizer que o Sr. White está com uma saúde muito boa.
— Hmm? Não é nada, Kyle…
Que? A boca de Nick parou. Ele parecia ter ouvido algo estranho. Nick lentamente ergueu as sobrancelhas como se testemunhasse algo que não deveria ter visto. Seus lindos olhos gradualmente escureceram. Estava se dando conta de algo tardiamente, como no meio do verão, quando testemunhou uma pessoa mais velha com os seios flácidos fazendo um strip-tease na estátua do leão de Trafalgar.
— Estou feliz que você tenha lidado com isso, com mais calma do que eu pensava.
— Hã?
Há algo muito estranho agora? Eu acho que ouvi a palavra ômega…? Nick esfregou a orelha e respirou fundo.
— Espera um momento.
Luther olhou para Nick. Acho que ouvi algo errado. Ouvi a palavra ômega, o que isso tem a ver comigo? Sua mente ia e voltava. Como se estivesse rebobinando e voltando à cena, ele relembrou a conversa de alguns segundos atrás. Uma palavra escapou lentamente da boca de Nick.
— Ômega?
— Sim.
— Quem?
— O Sr. White.
— Qual White?
Parece que sou a única pessoa aqui chamada White, neste momento. Nick perguntou com um sorriso irônico. Luther olhou para ele um pouco constrangido.
— …Você não levou isso bem.
— Você não está dizendo que eu sou um Ômega?
— Bem, é claro, pensei que seria difícil de entender. Este é um caso bem raro.
A palavra ‘raro’ significava que havia um precedente. Os circuitos lógicos do cérebro captavam as palavras, independentemente do fato de que a alma e a emoções eram incapazes de aceitar a situação. Incrédulo, Nick continuou com a pergunta. Era um hábito profissional.
— Você quer dizer que algo assim já aconteceu?
— Parece que dezenas de casos investigativos foram compartilhados em todo o mundo. Lembro que havia cerca de dois na Inglaterra. Foram mais observados na China e nos Estados Unidos.
— Luther.
Nick chamou calmamente o nome do médico. Não, ele não estava calmo. Nick conteve os palavrões e esfregou o rosto. Sua cabeça latejava. Isso é um pesadelo, é um sonho ruim. Não é que me tornei um alfa, mas um ômega, isso não tem como ser real.
— Não é o Dia da Mentira? Poderia me dizer que isso é apenas uma piada de mal gosto?
— Não posso lhe conceder esse pedido. Mesmo que o primeiro-ministro May ordenasse, isso não seria possível.
— Como isso pôde acontecer? Desculpe-me, mas talvez você tenha entendido mal.
— Claro, faremos alguns testes para garantir resultados mais precisos. No entanto, há alguns sintomas que posso observar agora, que dão credibilidade ao meu palpite. Na verdade, o próprio Sr. White sabe bem.
Nick ficou surpreso. Isso o lembrou dos odores estranhos que sentiu na empresa.
— Por exemplo?
— Por exemplo, você não sentiu desejo sexual intenso hoje? Uma sensação ligeiramente diferente do padrão usual.
— É isso acontece, se alguém se absteve por alguns meses…
— Além disso, pode sentir aromas que não podia sentir antes.
— Sim, fico sensível às vezes…
— Esse é o feromônio alfa e ômega que os betas não conseguem sentir, Sr. White.
Luther cortou resolutamente a dissuasão de Nick.
— Além disso, Betas não soltam aromas, Nicholas. Mas agora você tem um leve odor corporal. É surpreendente que o jovem mestre não tenha percebido isso.
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Continua …
angelperfeito
Continuem por favor 😭🙏🏽🙏🏽