Capítulo 228
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- Capítulo 228 - História Paralela 01
No momento em que seus olhos se encontraram, o Conde Shulen quase desmaiou de terror. Um calafrio súbito percorreu sua espinha, e ele sentiu todo o corpo começar a tremer. Eileen, por sua vez, estava completamente alheia ao medo do Conde. Ela estava simplesmente feliz por ver Cesare.
— Sim, estávamos justamente falando sobre Morpheu… — disse ela, mas havia um toque de decepção em sua voz. Ela sabia que Cesare perceberia.
Eileen piscou, mantendo os olhos fixos nas íris vermelhas e serenas dele. Cesare estreitou levemente os olhos.
— Parece que fiz algo errado — disse ele.
Um imperador não deveria dizer tais coisas. Eileen, bem ciente da presença do Conde Shulen, balançou a cabeça rapidamente.
— Não! Vossa Majestade…
— Eileen — disse Cesare em um tom baixo.
Ele não gostava de ser chamado de “Vossa Majestade” por ela. Seus verdadeiros sentimentos escaparam.
— …Cesare, eu não sabia que Morpheu estava causando tanto alvoroço. Nem que havia uma procura tão desesperada por ele no exterior.
Ela o encarou, deixando transparecer um pouco de sua decepção. ‘Por que você escondeu isso de mim?’ — perguntou em silêncio.
Ele acariciou suavemente o canto do seu olho, e Eileen estremeceu levemente com a sensação de cócegas.
— Enfim, estávamos falando sobre Morpheu… — tentou mudar de assunto.
Aquele não era o momento para discutirem seus sentimentos pessoais diante de um convidado. Também sabia que precisava ter muito cuidado na presença do marido. O Conde Shulen havia se comportado de maneira inadequada, e Cesare não era homem de perdoar tamanho desrespeito.
— Não posso simplesmente dispensar um convidado do Palácio da Imperatriz quando bem entender… — começou ela, mas Cesare a segurou com firmeza. Então, voltou os olhos para o Conde.
— Há mais alguma coisa para dizer? — perguntou.
O Conde, aterrorizando, balançou a cabeça.
Eileen sabia que era melhor ele sair antes que incorresse na total desaprovação de Cesare. Ela já ouvira o suficiente.
— Vou considerar sua proposta — disse ela. — Pode se retirar por hoje.
— M-Muito obrigado, Vossa Majestade, — gaguejou o Conde Shulen, fazendo uma reverência apressada.
Ele saiu da sala correndo, parecendo um homem fugindo para salvar a vida.
Com a saída do Conde, restaram apenas Cesare e Eileen. Sonio foi acompanhá-lo até a saída.
Eileen quebrou o silêncio.
— O que devemos fazer?
— O que você quer fazer? — perguntou Cesare, como se a questão das negociações internacionais fosse algo insignificante.
Sabendo que ele valorizava sua opinião acima de tudo, Eileen deu sua resposta.
— Se o preço for justo, eu gostaria de entregar a eles.
Embora tenha sido fria com ele, ela estava pensando no irmão do Conde, o soldado aposentado. Os soldados ocupavam um lugar especial em seu coração. Ela queria ajudar o irmão do Conde Shulen e garantir que seu sacrifício não tivesse sido em vão.
— Mas não sei qual é o valor das informações de Shulen que o Conde ofereceu — admitiu.
— Considerando tudo, não é um negócio ruim — respondeu Cesare.
Os olhos dela se arregalaram. Se Cesare achava que não era um mau negócio, então devia ser uma oferta e tanto. Eileen queria saber mais, porém ele não parecia querer falar sobre trabalho. Para ele, tudo o que não dissesse respeito a ela parecia não passar de uma questão trivial.
— Você deve estar zangada porque agi por conta própria — disse ele, aproximando os lábios de seu ouvido. — Eu errei, Eileen.
Ele era o imperador, um homem que não precisava responder a ninguém. Ainda assim, sempre admitia prontamente seus erros para ela. Eileen sentiu uma mistura estranha de emoções.
Sempre o vira como uma figura distante e intocável. Mas era seu marido, não apenas seu Imperador. Ela hesitou por um momento, depois falou o que sentia.
— Por favor, não esconda as coisas de mim daqui para frente. — Então acrescentou: — Eu também vou tentar, tomarei cuidado para não me sobrecarregar com minhas pesquisas.
Ela sabia que ele fizera aquilo por amor, e sua decepção se dissipou. Cesare a observou intensamente, querendo ter certeza de que ela estava bem.
— Que tal… um beijo? — sugeriu ela, sabendo que o homem precisava de uma demonstração física para compreender plenamente o que ela sentia.
Um leve sorriso se formou no canto dos lábios dele. Antes que pudesse reagir, ele a beijou, seus lábios pressionando os dela com uma intensidade que fez seus olhos se arregalarem.
— Ah… ngh…
Era um beijo apaixonado e profundo, ali mesmo, em plena luz do dia. A língua dele deslizou entre seus lábios, preenchendo sua boca. Ela podia sentir sua respiração languida. Quando entreabriu os lábios para recuperar o fôlego, ele aprofundou o beijo.
Um arrepio percorreu sua espinha, e um gemido suave escapou de sua garganta. Enquanto ela estremecia, a língua macia do homem roçou delicadamente o céu da sua boca, e ela apertou os olhos.
— Não feche os olhos… — ele sussurrou, com os lábios quase tocando os dela.
A beijou novamente e, dessa vez, ela manteve os olhos abertos.
O beijo intenso só terminou quando Eileen estava tão fraca que mal conseguia se manter de pé. Toda a decepção que ainda sentia havia desaparecido por completo. Enquanto recuperava o fôlego, com o peito subindo e descendo rapidamente, Cesare limpou delicadamente o canto de sua boca.
Eileen o encarou, o rosto corado.
Cesare, mantendo o olhar fixo em seus olhos verde-dourados, perguntou:
— A que horas Vossa Majestade pretende voltar aos seus aposentos hoje?
Eileen tinha seu próprio quarto no Palácio da Imperatriz, mas nunca o usava. Sempre dormia com o Imperador.
Ao pensar em seu quarto vazio, uma mão grande deslizou suavemente por sua cintura, e ela estremeceu ao sentir seu toque.
Cesare se inclinou para perto, sua voz baixa e rouca soando como um sussurro:
— Venha cedo, Eileen.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet