My Beloved Visits My Grave - Capítulo 60
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- Capítulo 60 - Por Que Não Me Quer?
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O eunuco Chen passou pelos aposentos do Príncipe Herdeiro e notou que os dois guardas estavam parados a uma distância considerável da porta, o que o deixou intrigado. Aproximando-se, ele perguntou: “Por que estão tão longe? Se Sua Alteza tiver alguma ordem…”
“Eunuco Chen”, respondeu o guarda, hesitante, “não é que a gente queira, mas… Sua Alteza…”
Eunuco Chen: “O que houve com Sua Alteza?”
O guarda sussurrou: “Há pouco, Sua Alteza trouxe alguém de volta e disse que ia tomar… aquele remédio.”
Eunuco Chen: “…”
“Eunuco Chen”, o guarda perguntou, ainda hesitante, “isso… isso não seria… sequestro de um homem comum? Não parece muito apropriado, não é?”
O Eunuco Chen deu uma leve batida na cabeça do guarda e disse: “O que você está falando? Isso é uma forma de intimidade entre Sua Alteza e o Príncipe Consorte, entendeu?!”
O guarda: “…”
O Eunuco Chen então o afastou, dizendo: “Não fique aí parado. Vá rapidamente chamar alguém para aquecer água, e muita água!”
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Murong Yan estava sentado à beira da cama, segurando um frasco de porcelana branca, e olhava para Gu Lang, que estava colado à porta. Ele disse calmamente: “Venha aqui…”
Gu Lang permaneceu imóvel, como se estivesse grudado na porta.
Murong Yan passou o dedo na borda do frasco e disse: “Tudo bem, então vá lá fora e traga alguém para dentro.”
Gu Lang continuou sem se mover.
Murong Yan sorriu, como se estivesse prestes a tomar um gole de chá, e levou o frasco de porcelana à boca, pronto para beber.
“Você…” Gu Lang correu para ele, estendendo a mão para tentar pegar o frasco de remédio, mas Murong Yan o envolveu pela cintura e o pressionou contra a cama.
“Você não quer que eu tome, ou…” Murong Yan segurou seus pulsos contra os lençóis, “não quer que eu procure outra pessoa?”
Gu Lang olhou para o frasco vazio que rolou para o lado da cama e disse irritado: “Você me enganou… Mmm…”
Ele afundou nos lençóis macios enquanto Murong Yan o beijava com intensidade, envolvendo sua língua, como se o efeito do remédio realmente tivesse começado, incapaz de se conter.
“E você não me enganou?” Murong Yan se afastou um pouco, ouvindo a respiração irregular de Gu Lang, seu olhar escurecendo. “Você não gosta de mim? Pense bem e me diga de novo.”
Gu Lang respirava ofegante, o calor subindo pelo pescoço até as pontas das orelhas. “Eu…”
“Gu Lang,” Murong Yan fixou os olhos firmemente nos dele, “não me trate como um idiota.”
Gu Lang apertou os lençóis com força, seus lábios entreabertos, mas as palavras simplesmente não saíam.
Parecia ouvir novamente Wei Qingtong perguntando: “Você quer ou não o Príncipe Herdeiro?!”
Sim, ele pensou, eu quero…
Ele caminhou sozinho por mais de uma década, foi Murong Yan que o puxou para dentro das alegrias e tristezas do mundo mortal, para encontrar as luzes das ruas.
Ele originalmente não sabia beber, foi Murong Yan que o enganou, gole por gole, desde o velho vinho Huadiao¹ até o aromático Nü’er hong, desde uma leve embriaguez até a embriaguez total.
Quando ele ficava bêbado, Murong Yan o carregava nas costas, caminhando sob o luar em noites silenciosas, com suas sombras escuras se estendendo atrás deles.
De vez em quando, ele levantava a cabeça e via a lua cheia e brilhante no horizonte, então enterrava o rosto no calor das costas de Murong Yan, sentindo-se melancólico.
Murong Yan se virava e perguntava: “O que foi?”
Ele esfregava o rosto nas costas de Murong Yan e dizia: “Eu não gosto da lua cheia.”
Murong Yan perguntava: “Por quê?”
Ele ficava em silêncio por um longo tempo, tanto que Murong Yan pensava que ele havia adormecido, até ouvi-lo sussurrar baixinho: “Eu não tenho reuniões familiares…”
Murong Yan parou por um momento, a brisa fresca da noite batendo em seu rosto, dissipando um pouco da embriaguez.
Ele olhou para a lua brilhante no horizonte e continuou a caminhar, sua voz suave ecoando no vento, dizendo: “Você tem a mim…”
Alguns meses depois, em uma noite, Gu Lang, embriagado e confuso, parou diante do túmulo de Murong Yan e lembrou-se de como costumava se apoiar nas costas dele, caminhando passo a passo sob o luar, ouvindo-o dizer: “Você tem a mim…”
Naquela época, as luzes das ruas distantes brilhavam como o dia, e os transeuntes se aglomeravam. O eco do sétimo dia do sétimo mês pairou entre as colinas e o túmulo solitário, apenas aumentando a sensação de solidão.
Gu Lang encostou a testa na lápide, seus dedos traçando o nome gravado no coração, a superfície áspera da pedra causando uma dor persistente nas pontas dos dedos.
Ele realmente não acreditava que Murong Yan estivesse morto. Mesmo no dia do funeral, quando Sun Fang chorou de forma tão dilacerante, ele nunca acreditou.
Ele sempre achou que, talvez um dia, essa pessoa voltaria, ainda com aquele semblante radiante, e o levaria para beber de novo…
Mas neste dia, o burburinho ao seu redor, a animação que não tinha nada a ver com ele, o Nü’er hong que descia pela sua garganta, tudo isso o deixou inexplicavelmente solitário. A saudade em seu coração se espalhou como uma maré, vasta e avassaladora.
Ele não queria beber sozinho, não queria caminhar pelas ruas sozinho, com risadas e alegrias ao seu redor, e toda a prosperidade diante de seus olhos, mas nenhuma parte daquela animação era dele.
Você não disse… que eu tinha você…
Duas marcas úmidas escorreram pela lápide. Gu Lang, envolto no aroma do álcool, perguntou quase sem voz: “Por que você ainda não voltou…”
Ele gostava, sempre soube disso. Mas ele não conseguia esquecer o dia em que acordou em meio a um turbilhão de confusão e viu Murong Yan com o rosto coberto de sangue, enquanto ele segurava uma adaga, a ponta pressionando o peito de Murong Yan, como se um pequeno movimento fosse suficiente para perfurar seu coração.
Murong Yan colocou a palma da mão sobre a lâmina, segurando-a firmemente, enquanto o sangue escorria de sua mão e descia pela lâmina…
“E se eu gostar?!” Gu Lang ficou com os olhos vermelhos. “Você esqueceu como seus olhos ficaram cegos?!”
Murong Yan hesitou, lembrando-se então do que ele estava falando: da vez em que, ao se perderem em uma névoa nas montanhas, Gu Lang, em um estado de confusão, o confundiu com Zheng Yufei e feriu seus olhos.
“Você não fez isso de propósito”, Murong Yan disse, acariciando o rosto dele. “Meus olhos já estão curados, tudo isso já passou, não pense mais nisso…”
Gu Lang balançou a cabeça. O ódio em seu coração, acumulado ao longo dos anos, não permitia que ele prometesse a Murong Yan um coração inteiro e uma vida juntos até os cabelos brancos.
“Murong, você deveria encontrar alguém que te dedique todo o coração, eu…”
“Eu não quero mais ninguém!” Murong Yan passou o dedo pelo canto dos olhos avermelhados de Gu Lang. “Eu só quero você.”
“Você…” Gu Lang disse, cerrando os dentes. “Você já pensou que, se naquela época eu não tivesse acordado, se a adaga tivesse entrado um pouco mais, você…”
“Mas você acordou!” Murong Yan rebateu. “Você tem ódio no coração, mas também tem a mim! Por que você não me quer?!”
Gu Lang sentiu a garganta seca. “Eu…”
“Seu coração não está cheio apenas de ódio. Você apenas carrega tanto, caminhou por tanto tempo, que acabou achando que, além do ódio, não há espaço para mais nada. Mas você chora por mim, ri por mim, sente ciúmes de mim… Talvez você goste de mim mais do que imagina…”
“Gu Lang, não tenha medo. Você é bom, melhor do que qualquer um…” Murong Yan pegou a mão dele e a pressionou contra o próprio peito. “Acredite em mim, tudo vai passar. O que Da Yan deve à família Gu, a justiça será feita por meio da lei. O que é devido a você, eu vou pagar, vou pagar com a minha vida inteira, está bem?”
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Notas:
1 花雕 (Huādiāo) é um tipo de vinho de arroz chinês, conhecido por sua qualidade superior e sabor rico. Ele é produzido principalmente na região de Shaoxing, na província de Zhejiang, e é envelhecido por vários anos, o que contribui para seu sabor complexo e aroma distinto. O nome “花雕” (Huādiāo) se refere às garrafas decoradas com desenhos ou esculturas elaboradas, que eram tradicionalmente usadas para armazenar esse vinho.