Capítulo 20
↫─Matched with a Disaster Grade Esper ↫⚝↬ 20
— As pessoas estão curiosas sobre quem conseguiu derrubá-lo tão rápido. Você quer deixar que todos saibam o quão forte você é?
— …
Zero Nine pareceu um pouco constrangido, sua expressão sugerindo que preferia que não. Hexion, parecendo esperar essa reação, colocou casualmente seu smartphone virado para baixo na mesa.
— Isso vai passar logo. Não se preocupe.
Mas Hexion esqueceu uma coisa — a filmagem de hoje não era tudo o que havia. O vídeo de Zero Nine usando a sala de treinamento nível 5 fora distribuído entre os Espers no Gabinete de Vida por inúmeras razões. Servia como uma demonstração para emular a facilidade de lidar com ameaças de nível 5 ou simplesmente como um aviso para não cruzar fronteiras.
No entanto, o que são os Espers senão seres que lutam para controlar sua própria força?
Em vez de pedirem que a refeição fosse entregue no 62º andar, Hexion e Zero Nine decidiram sair. Hexion havia deixado vários veículos no departamento e, se acompanhado por um guia, um Esper poderia de certa forma sair das instalações do departamento. Ao descerem ao primeiro andar, encontraram alguns Espers agitados.
— Ah, eles estão vindo!
— Não podemos subir além do 60º andar. Maldição.
Eles se aproximaram de Zero Nine com confiança, mas hesitaram ao ver Hexion. Ele era o coronel que acabara de chegar, o guia que empurrara um Esper à beira de perder o controle. Os Espers fizeram uma saudação desajeitada, que dificilmente valia a pena ser reconhecida. Hexion decidiu deixar passar desta vez, já que estava prestes a jantar com Zero Nine.
— Afastem-se.
— Coronel.
— O que é isto?
Então, um dos Espers perguntou: — É verdade que o Zero Nine demoliu um nível 5?
— Você pergunta porque deve ter visto algo.
Hexion olhou para o Esper como se ele fosse um inseto insignificante.
— Por que você precisa que eu confirme isso de novo?
— … Sim, eu vi o vídeo de treinamento do Zero Nine.
— E?
— Eu quero sentir quanta diferença há, precisamente.
Hexion reconsiderou. Um mero nada, pensando em tentar depois de ver o vídeo.
— Por que se envolver em uma batalha perdida?
Isso desconcertou Hexion, mas o Esper manteve-se firme e respondeu seriamente.
— Porque estou curioso para saber até que ponto ele poderia ser um trunfo para nós.
— …
Hexion deu um sorriso feroz, vendo aquilo como uma ultrapassagem de limites.
— Eu não gosto de dar conselhos, mas há muito que tenho a dizer.
Seu sorriso era torto, seu tom de um desafio esmagador.
— Não imagine que você possa testar qualquer coisa quando está claramente fora da liga dele.
Envolver-se com alguém que não podia oferecer nada em troca não existia no vocabulário de Hexion. Hexion estava prestes a passar naturalmente por ele quando Zero Nine segurou sua manga. Hexion, alerta até para as menores ações, parou. Zero Nine estava olhando para o Esper.
— Interagir provavelmente não nos fará perder nada.
— Eu quero tentar.
— Se um pular, os outros certamente seguirão.
— Exatamente.
Hexion ergueu uma sobrancelha.
— Por que não deixar que todos venham de uma vez então?
Zero Nine deu um sorriso tênue, uma ação que os Espers interpretaram como um desafio. Hexion pensou: “ah, meu esper é definitivamente esperto”.
Hexion olhou de volta para o grupo reunido. Vinte e um ao todo. Um número considerável, mas não tão significativo considerando o número total de Espers dentro do departamento. Tipicamente, ver um vídeo desses torna alguém mais inclinado a evitar confrontos. E aqui estavam os tolos abaixo da média reunidos.
Hexion olhou para Zero Nine. O que quer que estivesse pensando, Zero Nine apenas os observava silenciosamente. Então ele ergueu a mão ligeiramente. Apenas aquele gesto simples fez com que os Espers ficassem tensos, suas energias psíquicas oscilando.
— Não usem habilidades psíquicas dentro do Gabinete de Vida!
Um funcionário regular gritou, mas a pele dos Espers já estava corada de calor, seus olhos injetados e cheios de intenção. Eles instintivamente bateram no chão, mas pararam. Seus corpos não se moviam para frente. Eles perceberam, naquele breve momento, que estavam presos. Ao contrário do que imaginaram, Zero Nine os mantinha suspensos no ar.
— Não deveríamos feri-los, certo?
— Eles ficarão bem em um dia, mesmo com membros quebrados.
— Mas ainda assim. Deve doer.
— Que atencioso.
Zero Nine piscou lentamente diante das palavras de Hexion e, em seguida, bateu-os contra o teto, fixando-os como adesivos que brilham no escuro. E brilhando eles estavam, exatamente como eles. Após um olhar para o teto, Zero Nine voltou-se para Hexion.
— Vamos para a nossa refeição.
Hmm, Hexion deu mais uma olhada no teto, assentiu e deixou o departamento com Zero Nine. Apenas os funcionários regulares olhavam estupefatos para os Espers grudados no teto. Os Espers tiveram seu orgulho totalmente estilhaçado, mas literalmente não conseguiam mover um dedo. Tudo o que podiam fazer era ranger os dentes até que Hexion e Zero Nine tivessem se afastado bem do departamento, presos como estrelas brilhando no céu noturno.
— Entre.
Ao chegarem ao estacionamento, Hexion abriu pessoalmente a porta do carro. Zero Nine pensou que o carro preto e elegante lembrava um pouco Hexion — embora não tivesse certeza do porquê. Zero Nine entrou no banco do passageiro, e Hexion naturalmente inclinou-se do banco do motorista para prender o cinto de segurança de Zero Nine. Não há necessidade de tanta cerimônia, há?
Zero Nine pensou, mas guardou o pensamento para si.
O carro deslizou por estradas ladeadas por florestas, seguindo para a cidade. Pelos hábitos de gasto de Hexion, Zero Nine suspeitava que o restaurante para onde se dirigiam não era comum, do tipo onde escolher o garfo e a faca certos seria problemático. Ele nunca aprendera tais etiquetas antes de ser levado.
— Por que essa cara séria?
— Estou contemplando como usar adequadamente os talheres.
Hexion riu. Sua condução era estranhamente suave. Zero Nine assumira que ele dirigiria tão imprudentemente quanto se comportava. Mas, ponderando os movimentos de Hexion, Zero Nine logo percebeu que os movimentos de Hexion não eram rudes. O andar lento, a postura e os ombros perfeitamente retos, o movimento metódico dos dedos e das articulações — como algo perfeitamente moldado.
— Às vezes você parece um humano manufaturado.
Embora Hexion estivesse focado em dirigir, Zero Nine teve a sensação de que ele evitou deliberadamente o contato visual desta vez.
Após uma pausa, Hexion respondeu com um leve sorriso, como se não fosse nada significativo.
— É inevitável que existam tais pessoas no mundo.
Uma resposta misteriosa. Zero Nine achou imprudente aprofundar-se mais nesse tópico. Havia limites que ele estabelecera, e limites estabelecidos por Hexion também. Ele sabia que cruzá-los estava fora de questão, então decidiu permanecer em silêncio também.
No entanto, a resposta permaneceu na mente de Zero Nine durante todo o caminho até o restaurante. Que tipo de pessoa é essa? Enquanto eu passava meu tempo em um laboratório desconhecido, que tipo de vida você levava? A curiosidade fermentava. Mas Zero Nine prontamente estrangulou sua curiosidade. Isso era cruzar a linha.
Screech —. Clique.
Hexion e Zero Nine chegaram ao Hotel C, localizado no centro da cidade. Havia uma boutique luxuosa e uma galeria de arte no primeiro andar, e o saguão era vasto o suficiente para acomodar tudo isso. Ambos saíram quando os funcionários do hotel abriram a porta do carro, entregaram as chaves e entraram. Hexion tomou a dianteira, e Zero Nine seguiu com passos largos.
Tudo brilhava. Quando Zero Nine demorou-se momentaneamente, Hexion segurou naturalmente sua mão e o puxou. Reflexivamente, Zero Nine segurou a mão com força. Foi um gesto para encontrar algo familiar em território desconhecido.
Zero Nine notou os olhares de soslaio que as pessoas lhes davam. Ele subitamente percebeu o que significava dois homens adultos darem as mãos em um lugar como a América. Quando Zero Nine tentou soltar-se apressadamente, Hexion apenas apertou mais o aperto.
— Do que você tem medo, Zero Nine? Você tem a mim ao seu lado.
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Continua…
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↫─⚝ Tradução, revisão e Raws: Bella Cheng&Belladonna