Capítulo 03
Quando ocorre uma “resposta magnética”, geralmente nos reconhecemos pelo odor corporal característico, mas também é possível reconhecer mutualmente de repente, sem qualquer motivo ou razão. É uma forma instintiva de detectar um companheiro adequado para acasalar: uma característica animal que está ligada ao corpo desde o nascimento.
Eu não precisava persegui-lo e stalkea-lo. Não era necessário ter sensibilidade quanto a isso. As coisas são como são e isso poderia acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar.
Desliguei meus pensamentos e movi meus pés em direção ao meu destino.
— Bem-vindo! Você é nosso convidado n⁰ 78!
Estava atordoado, mas de repente levantei a cabeça para a voz do balconista.
Peguei o café que o balconista me deu de cortesia e me dirigi para o assento da janela. Eu não tinha intenção de beber, então, assim que me sentei, empurrei rudemente o copo para um canto e coloquei os fones de ouvido. Letras difíceis de entender e notas monótonas bloqueavam os ruídos externos.
Cruzei meus braços sobre a mesa e descansei meu queixo sobre eles. Fiquei ali, matando o tempo, observando a paisagem estática e as pessoas que passavam através dela, cada uma em seu próprio ritmo.
Eram apenas 15h30min. Ainda tinha cerca de duas horas e meia antes de ter que ir para casa. O tempo livre que aquele homem me dava terminava às 18 horas.
Ele disse que não se envolveria em nada que eu fizesse durante esse tempo, a menos que eu estivesse transando com outros caras. Na verdade, ele nunca me perguntou o que eu estava fazendo, embora tenha verificado minha localização sem aviso prévio.
Que mestre generoso… bastava trancar os ômegas que tinha e usá-los sempre que precisar, como sempre. Eu não teria ficado chocado ou ofendido com esse tratamento. Nem fazia sentido, já que fui vendido para ele. Passei minha vida trancado em uma única sala em uma instituição, criado como gado. Não tem porque ser diferente agora…
A cor branca é a única coisa que existe no início das minhas lembranças. Agora, conheço a identidade daquele pequeno quarto com paredes brancas, com uma porta contendo um painel de vidro retangular, uma cama e alguns livros: aquilo era uma espécie de centro de detenção. Um antro de tráfico humano, para ser mais preciso, onde ômegas que não tinham ninguém, como eu, eram presos, cuidados e vendidos na hora certa.
Eu não sabia até sair daquele lugar. Só então, percebi quão miseráveis são as pessoas que carregam o gênero secundário ômega e quanto os alfas estavam dispostos a usá-los como ferramentas.
Não sei quanto tempo passei naquele buraco comercial. A vida repetitiva me fez perder o sentido das datas e a cabeça ruim destruiu todas as memórias de antes de eu estar na instalação.
A vida na instalação era regular e monótona: comer, dormir, tomar banho e ficar quieto. Isso foi tudo. Uma vez por semana, eu era colocado em alguma máquina e fotografado, provavelmente para um exame físico, provavelmente com a ideia de que “é preciso cuidar dele para obter uma boa venda” em mente. A medicação que eles me deram era, provavelmente, hormonal. Se assim for, é seguro assumir que meu corpo já não era tão normal naquela época como é agora.
Eu não sou particularmente bonito, e sou um ômega masculino. Sei que os ômegas femininos são mais desejados que os ômegas masculinos. No entanto, tive sorte de ser vendido para um alfa rico. Se ninguém tivesse me acolhido, eu teria sido descartado. Normalmente, nos abrigos para cães abandonados, se um dono não aparece dentro de um mês, eles são sacrificados. É assim que pensam os comerciantes. Qualquer coisa que não é vendida é apenas lixo. Logo, é natural jogar fora o lixo que não vale o investimento.
Se bem me lembro, havia um grande incinerador atrás do prédio. O incinerador era aceso uma vez por mês. Todos os corpos que não eram mais necessários eram recolhidos e queimados de uma vez. Se não tivesse sido por ele, meu corpo teria sido jogado no fogo e reduzido a cinzas. Por isso, não me ressenti com o homem que me comprou. É justo ser grato.
Que homem generoso… Ele me deixa gastar tanto dinheiro quanto eu desejo e me dá tempo livre. Tudo o que eu tinha que fazer era manter meu corpo sobre o dele quando ele quisesse. Seria meu papel engolir todo o sêmen que ele me desse, até conceber uma criança. Mesmo com esse tipo de uso, ele não me trata mal; ele não me bate e não me força a fazer sexo… Bem, há exceções.
O ambiente era impecável. Sua casa era agradável, espaçosa e confortável. A comida preparada pelos funcionários era perfeita e o jardim, que mudava de cor conforme as estações do ano, era sempre bonito.
No entanto, no meio dessa harmonia perfeita, muitas vezes senti uma inesperada sensação de incongruência. Um sentimento de não pertencer aquele lugar. Às vezes sentia um sussurrar: “este não é o seu lugar.” Por isso permanecia rígido e não consegui me adaptar.
É por isso que estou aqui, deixando uma bela casa de lado. Porque lá é tão desconfortável quanto aqui.
… Não. Eu acho que lá é mais desconfortável.
Mas… de qualquer forma… sim, ele é um mestre muito bom.
Curiosamente, às vezes sentia um estranho impulso em relação a ele… uma emoção de temperamento violento.
O desejo feroz e momentâneo de esbofeteá-lo no rosto e empurrá-lo… e logo em seguida, uma tristeza servil que, de repente, me faz querer se apegar a ele e chorar. Não sei como definir esses sentimentos.
Não conheço nada dele.
Acho difícil lidar com ele.
Seu espaço é incômodo.
Eu fico tão ansioso perto dele…
Saí do café e peguei um táxi faltando cerca de uma hora para o horário do meu retorno. A paisagem da cidade passando pela janela do carro era densa e escura.
Em vez de ir até a casa, desci no começo da rua. Coloquei as mãos nos bolsos e subi a colina baixa.
À medida que o verão se aproxima, os dias tornam-se mais e mais longos, como de costume. Eram quase seis horas e o tempo ainda estava claro. Se não fossem as nuvens escuras, seria fácil imaginar que ainda era meio-dia. A vizinhança estava silenciosa, como sempre. Embora a área fosse alta, não havia edifícios com muitos andares, e o bairro era composto, principalmente, por grandes mansões com jardins.
Enquanto caminhava ao longo do muro de pedra, o portão da casa apareceu sem que eu percebesse. Parei e olhei fixamente para o imponente portão de ferro por um momento. Apesar de estar ali há um ano, ainda não era familiar para mim. Eu sempre me perguntava porque esse sentimento de estranheza não ia embora.
De qualquer forma, toda vez que eu entrava ali, o tempo livre que o homem me dava chegava ao fim. E eu voltava a existir inteiramente como uma propriedade.
Enquanto hesitava sem motivo para entrar, um leve ruído chamou minha atenção. Reflexivamente, virei minha cabeça para seguir o som e, à medida que ele se tornava cada vez mais claro, pude ver um sedã entrar na estrada. O carro lentamente se aproximou de mim e parou bem na minha frente. Imediatamente, a janela traseira rolou para baixo para revelar seu ocupante.
— … Bem-vindo de volta.
A saudação que finalmente lhe dei não suscitou uma resposta fria. Em vez disso, ele ordenou friamente estalando a língua.
— Verifique a hora.
Surpreso com a voz áspera, baixei o olhar para o relógio em meu pulso. Assim que verifiquei a posição dos ponteiros do relógio, praguejei internamente. Eram 18h05min. Eu havia excedido o tempo especificado. Provavelmente, estava muito distraído.
O homem, vendo o desespero em minha expressão, me criticou severamente.
— Eu lhe dei relógio para você usar, e não apenas para usar no pulso como enfeite.
— …… são apenas cinco minutos.
— Não cabe a você julgar se é pouco ou não.
— …
Originalmente, ele não era um homem de fala mansa, mas quando falava assim, se tornava distintamente desagradável. Meu humor afundou com suas palavras frias.
— Eu o deixei ir porque pensei que me ouviria com atenção. Não faça com que eu me arrependa.
Arrependimento. Ele dizia isso toda vez que me dava um aviso.
“— Eu sou alguém que odeia arrependimentos. Não me faça se arrepender.”
Mas quando ele disse isso, fiquei curioso. … Como ele fica quando está arrependido? Na verdade, eu gostaria de ter visto seu rosto rígido se distorcer e desmoronar pelo menos uma vez.
Qual era a fonte desse desejo distorcido? Era um impulso complexo, assim como qualquer outro sentimento que eu tinha por ele.
Envolto em meus pensamentos, o segui pelo grande jardim para dentro da casa.
Assim que ele entrou pela porta da frente, puxou a gravata e desabotoou a camisa, deixando o colarinho aberto. Seus movimentos de mão não eram nada delicados.
Ele sempre foi assim. Quando saia, vestia um terno elegante o suficiente para parecer determinado. Mas ao chegar em casa, arrancava primeiro a gravata e abria o colarinho da camisa antes mesmo de tirar os sapatos. Depois disso, costumava bagunçar o cabelo bem penteado com as mãos.
Após desarrumar uma roupa tão elegante com apenas alguns toques, houve a quebra de sua expressão estritamente fria e concentrada.
Sempre que via tal figura, sentia como se estivesse observando uma escultura sem vida se transformar em um humano por um instante. Eu percebi isso faz tempo: que ele não gostava de roupas elegantes e formais. A menos que fosse para o trabalho, ele geralmente usava roupas leves.
Sua preferência por roupas casuais monótonas e ajustadas ao conforto, em vez de ternos que revelam estilo e grandeza, foi a primeira surpresa que encontrei nele.
— Bem-vindo de volta.
A ajudante, encarregada da limpeza, curvou-se educadamente e o cumprimentou. Em seguida, naquele momento, ele me deu um olhar severo. Fui repreendido novamente por chegar tarde. Envergonhado, enrolei meus lábios e levantei minhas sobrancelhas brevemente.
— Gostaria de comer agora?
— Vou tomar banho. Talvez daqui a uma hora.
Ele olhou para mim e apontou para o banheiro.
Ele abriu a boca com mais cautela, notando a funcionária, que caminhava em direção à cozinha.
— Eu gostaria de fazer isso depois do jantar…
Com minhas palavras, ele de repente franziu a testa e, logo depois, percebeu o que eu estava tentando dizer e começou a rir.
— Vá tomar banho. No que pensou que eu estava falando?
— …
— Não posso acreditar que você está pensando em fazer isto.
Ah, cometi um erro.
Eu sabia que seria punido. Porque quebrei uma promessa. Normalmente, a maneira como ele fica com raiva de mim é através do sexo, que beira a violência. As exceções referem-se a momentos como este. Se eu fizesse algo errado, como fiz hoje, mesmo que ele normalmente não me tratasse mal, ele me puniria de acordo.
Ele é alguém que pode tratar o corpo das pessoas conforme o seu propósito. O sexo com ele não era realizado apenas para um propósito. Na maioria das vezes misturamos nossos corpos para reprodução… às vezes era apenas por prazer, e às vezes, como seria o caso de hoje, era violento, visando o castigo corporal. Embora não me batesse, ele podia fazer com que a relação sexual parecesse um ato de violência. E sei bem disso, porque já experimentei.
— Não é isso.
— Ah, não?
Após retornar uma resposta cínica, ele puxou a gravata frouxa, como se estivesse lidando com algo pesado e entrou no escritório. Eu o segui inexpressivamente com os olhos e me dirigi ao banheiro.
✧ ✦ ✧
Quando saí depois de um banho rápido, as roupas que eu tinha retirado e deixado perto da porta havia sumido. No lugar delas, novas roupas estavam no lugar, provavelmente colocadas ali pela ajudante. Esses pequenos detalhes me lembravam da vida na instalação. Mesmo naquela época, havia alguém no controle de tudo, desde o que eu comia até o que vestia.
O jantar, que começou uma hora depois de eu voltar para casa, foi tranquilo como sempre. Nem ele, nem eu éramos do tipo falador. Quando estávamos juntos, o peso do silêncio era grande, mas, felizmente, o silêncio não era incômodo.
Após terminar a quantidade de refeição prevista, ele colocou as pílulas de hormônio e um copo de água na minha frente como se já soubesse sobre o remédio. Ele deve ter vasculhado o bolso do meu casaco quando o joguei na frente do banheiro e preparado a medicação com antecedência.
Lancei um olhar fulminante para a pílula branca.
Não adianta nada eu tomar isso.
O médico diagnosticou que possivelmente minha incapacidade de funcionar como um ômega se devia ao estresse. Ele dizia isso em todas as consultas. Mas meus pensamentos eram diferentes. Neste ponto, acho que simplesmente não sou bom nisso.
Tive apenas um cio em um ano.
Dizem que a possibilidade de gravidez aumenta drasticamente quando se faz sexo durante o ciclo de calor, mas eu não engravidei nem mesmo durante um cio.
Embora ao olhar, não parecesse haver nada de errado com esse corpo, isso era um problema, não importa como olhasse para situação. Mesmo que eu tomasse o medicamento regularmente, meus níveis hormonais não atingiam o nível normal. Não havia sinal de melhora. Não é de se admirar que ele me ache inútil.
— O que foi?
Ele perguntou, provavelmente questionando a razão do olhar distante, direcionado para as pílulas. Levantei minha cabeça e fiz contato visual com ele. Então, piscando lentamente, cuspi as palavras que me vieram à mente.
— Acho que é inútil tomá-los.
— O médico disse que você precisa, então eu trouxe. Pare de pensar em coisas desnecessárias e tome.
Suas palavras soaram assim para mim.
‘Não pense em coisas inúteis e faça o que lhe dizem. Você não tem escolha.’
Foi uma observação cruel que ignorava meu livre arbítrio. Ele se armava daquele rosto indiferente e usava de palavras frias como uma faca para dilacerar o humor das pessoas com facilidade.
Uma das coisas que aprendi morando com ele foi que eu também tinha sentimentos. Por causa desse homem passei a sentir coisas que eu jamais teria sentido se estivesse sozinho.
— Você recebeu o relatório sobre os resultados do teste de hoje?
— Ainda não.
— Foi ruim?
— Normal.
— ….
Foi uma resposta embaraçosamente resoluta.
— O que você quer dizer? Pergunte de maneira direta e sem rodeios, que minha resposta será clara.
Apesar do que ele disse,o homem não pareceu ter nenhuma dúvida. Seu olhar frio estava relaxado, como se ele já tivesse deduzido a intenção da minha pergunta impulsiva.
— Eu estava me perguntando se você ainda vai precisar de mim?
Perguntei honestamente.
— Eu preciso.
A resposta curta e sem hesitação foi firme. Além disso, ficou tudo bem claro. Sem sombra de dúvida
Sacudi a cabeça, peguei os comprimidos e os coloquei na boca. Ele me observou através dos olhos estreitos e, quando teve certeza de que a pílula havia descido pela minha garganta e entrado no meu sistema, ele perguntou.
— Isso é tudo?
Então inclinei a cabeça.
Não sei. Deveria haver mais alguma coisa? Eu perguntei o que precisava e obtive a resposta. Acho que é o bastante. Depois de pensar um pouco, respondi brevemente.
— Sim.
Então o homem franziu as sobrancelhas e riu. O sorriso desproporcional parecia zombar de mim…
— Que pena. Eu esperava que as coisas tivessem progredido um pouco.
…. Foi como uma reclamação.
Seja como for, uma coisa é certa, a minha expectativa de punição estava correta.
✧ ✦ ✧
— Hum!
Sua pélvis firme bateu forte contra minha bunda. A carne que preenchia o interior era mais agressiva do que o normal.
Era como um ferro em chamas, buscando marcar meu corpo.
O pênis grosso constantemente se espremia junto a mim, cutucando profundamente meu interior molhado e escapando de novo. Junto com as lágrimas, a saliva escorria da minha boca. Todo o meu corpo vibrava como uma máquina. A inserção áspera continuou até que meus ossos começassem a doer. Enquanto lutava para me afastar, ele agarrou minha cintura e me puxou com força, aprofundando ainda mais nosso vínculo.
Assim que o meu pescoço, que havia sido puxado para cima, se inclinou para baixo, as lágrimas que haviam se acumulado nos meus olhos, brotaram encharcando o lençol.
— Hmm…
Mordi o lábio com força, quando senti o pau duro e grosso mergulhar até a parte mais profunda do meu estômago.
Ele me colocou de quanto como um cachorro, enquanto me fodia por trás. Essa era a posição que ele costumava usar quando queria zombar de mim.
Um soluço escapou dos meus lábios devido à dor lancinante que se espalhava pelo meu abdômen inferior. Logo, os braços que suportavam a parte superior do meu corpo cederam a pressão implacável. A parte superior do meu corpo caiu impotente sobre os lençóis. Mordi a fronha do travesseiro, me forçando a engolir o som. Então, ele me agarrou pelos cabelos e me fez levantar a cabeça.
— Seus gemidos… eu te disse para não esconder. Ahh… pode gritar. Eu tenho que saber o que você sente para que eu possa me ajustar.
— Hmm! Ah! Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhh~!
Se ajustar? Depois que a gente começou, ele não olhou para mim nenhuma vez e só empurrou o pênis para dentro… Ele é tão rude… Ele só vai ficar satisfeito quando eu começar chorar implorando para que pare: só vai me soltar quando meu corpo estiver caído, dominado pelo cansaço.
Como se estivesse tentando arrancar um grito de mim, ele puxou violentamente o meu cabelo. Gritei, como ele desejava. Com isso, o homem riu. Seu sorriso foi o suficiente para mostrar que suas emoções estavam profundamente distorcidas…
O prazer foi doloroso e violento. Minha mente estava em branco. Doeu muito, mas, ao mesmo tempo, eu estava tão excitado que não conseguia pensar em nada. Gemi alto enquanto lutava para aguentar o seu pau.
— Ah, Uhg! Ahhhhhhhhhh!
Puck, puck.
O som das estocadas em meus ouvidos era excruciante, como se ele os provocasse para comprovar a inserção grosseira.
Ele não era alguém que normalmente me tratava de maneira na cama. Basicamente, ele era uma pessoa fria na vida cotidiana e cruel em meio aos lençóis e, especialmente, quando ele resolvia me punir. Nessas horas, ele mostrava esse lado terrível de sua personalidade sem medo de se arrepender.
— Ah… dói… isso machuca… muito…
Quando parei de resistir e comecei a implorar, ele soltou meus cabelos, fazendo com que minha cabeça atingisse a cama com toda a força. Em seguida, os movimentos que pareciam querer dividir meu corpo ao meio pararam de repente.
Ele enterrou seus órgãos genitais no fundo do meu buraco e estendeu a mão para a prateleira da cabeceira, pegando algo.
Click. Seguindo o som do gatilho do isqueiro, o cheiro acre da fumaça de cigarro passou pela ponta do meu nariz. Eu tremi e respirei fundo. O fato de ele estar procurando cigarros ou álcool durante o sexo era uma espécie de mensagem: ele não tinha qualquer intenção de terminar tão cedo. De fato, ele não era nada atencioso. Essa era uma manobra estranhamente efetiva para me impedir de desmaiar, subjugando momentaneamente o prazer, para me foder cada vez com mais força.
A fumaça, em conjunto de seu olhar rígido, atingiram minhas costas trêmulas. Depois de um tempo aproveitando tranquilamente o fumo e sua performance, ele balançou levemente na cintura sem aviso prévio.
— Ha…!
Meu corpo ainda estava reagindo ao menor estímulo, já que os efeitos do movimento repentino eram mais temerosos do que o imaginado.
E foi exatamente como pensei. Ele deslizou seu braço entre minhas axilas e me levantou. A parte superior do meu corpo, que estava sem força, vacilou, incapaz de obter o equilíbrio necessário. Pressionei minhas costas contra seu peito e encostei a parte de trás de minha cabeça em seu ombro. Ele empurrou o cigarro que estava fumando nos meus lábios finos e entreabertos. A fumaça encheu minha boca e, logo, desceu pela minha garganta.
Cof, cof.
Embora já tivesse fumado algumas vezes, não gostava. Eu ainda não estava imune aos efeitos do tabaco naquele momento. A fumaça pungente entorpeceu o desempenho dos meus nervos que já estavam no limite.
Levando o cigarro de volta para sua boca, ele agarrou minha cintura com um braço para me segurar com firmeza. Inalou profundamente uma última vez antes de virar para trás e atirá-lo no cinzeiro na prateleira.
Será que ele vai ser bruto como antes?
Ele havia provavelmente decidido me foder a noite toda. Seria doloroso e eu provavelmente não iria suportar. Por isso, implorei, enquanto ainda tinha um pouco de sanidade.
— Eu não posso mais… fazer isso… eu vou…
A resposta ao meu clamor veio acompanhada de um leve cinismo.
— O quê?
— Eu… cheguei atrasado…
Foram apenas cinco minutos. Havia me atrasado sem nenhuma razão válida. Claro, mesmo que tivesse uma boa razão, o homem jamais teria me perdoado. Ele não se preocupava com o que me fez quebrar as regras. A verdade é que ele só se importava em impor as consequências.
— Você está certo, mas o que isso importa agora?
— Cometi um erro e… agora está me castigando… por causa disso.
— De jeito nenhum.
Ele mostrou um sorriso cínico e agarrou o meu pênis com a mão.
— Acho que estou fazendo exatamente o que você gosta.
— Oh… uhg!
Senti como se meu membro estivesse prestes a ser esmagado por ele a qualquer momento. Ignorando meus gritos, ele começou a massagear violentamente meu órgão genital. Doeu, mas, como se meu próprio corpo me traísse, um líquido começou a brotar da glande do meu pênis. Não, não era sêmen. Era como água, do tipo que sempre vazava quando eu estava excitado. A cada gota, meu buraco palpitava, mordiscando o pau dele.
— Olha só: você gosta quando dói, tá vendo?
Insisti, balançando a cabeça, que não era verdade. O sorriso malicioso do homem se tornou ainda mais profundo.
— Você não gosta quando eu sou gentil. Só curte. Eu estou dando o meu melhor para te satisfazer, sabe?
Não é verdade! Você alguma vez me tratou com gentileza? Isso é puro sofismo*…!
[*Sofismo: Discurso tendencioso com a intenção de induzir ao erro.]
— Além disso, não estou com raiva. Eu estou apenas… desapontado.
Mentira. Você está mentindo! Se não está com raiva, por que me machuca assim…?
A razão para esse comportamento violento não fazia sentido.
Ele era uma pessoa boa em mentir.
— Oh!
Ele mordeu levemente o lóbulo da minha orelha, movimentando seus quadris com mais força. Seu pênis foi empurrado acentuadamente em um ângulo reto. Meus olhos se fecharam e eu envolvi minhas mãos em torno de seu pescoço. Ele traçou meu pescoço com seus lábios enquanto enterrava a glande profundamente em mim. Seus lábios escorregaram descendo por meu pescoço. Depois, vacilaram novamente para cima e pararam a poucos centímetros da minha orelha.
Ele, então, sussurrou:
— Na verdade, eu nunca estive com raiva de você.
— Huh… Uhg…!
— É você que pensa assim. E eu sei que, mesmo que eu dissesse várias vezes que não estou com a menor raiva, você não iria acreditar…
Mais uma vez, o pênis grosso moveu-se para cima e para baixo e começou a bater vigorosamente lá dentro. Cada vez que era penetrado, um líquido aquoso escorria da glande e molhava a mão grande daquele homem. Não é à toa que ele pensa que eu gosto quando ele me machuca. Claro, não era que eu não sentisse prazer. O problema era que o prazer era tão intenso que acabava se convertendo em dor.
Plack, plack.
O som do emaranhado de carnes era tão lascivo quanto o ato. Ele empurrava o pau quente constantemente em minha bunda enquanto soltava acusações frias no meu ouvido.
— Porque para você, eu tenho que ser um filho da puta.
Não entendo do que ele está falando…
As palavras dele não puderam ser totalmente absorvidas em minha mente por conta da situação e, rapidamente, se dissiparam como fumaça.
— Então que tal deixar tudo isso para lá por um segundo?
— Ah, ah, ah!
— … E quem sabe poderá tirar suas próprias conclusões… Afinal, sei que você não quer me perdoar, não é mesmo?
Ele continuou sussurrando e penetrando através do mesmo ângulo várias vezes. Quando ele empurrava com força, meus joelhos flutuavam no ar e depois caíam de volta na cama. Por consequência, toda vez que seu corpo descia, o vínculo se aprofundava naturalmente. Nesse ritmo, parecia que até mesmo seus testículos iriam mergulhar dentro de mim.
O movimento do membro grosso sob a pele da minha barriga foi vividamente sentido e visto. Não podia ignorar a sensação de estar mastigando aquele pênis com a minha parte baixa e me afrouxar aos poucos com a inserção prolongada. Logo, um fluido interno vazou através de minhas pregas e correu pelas minhas coxas.
— Oh… por favor… pare…! Ugh!
Ao contrário da dor anterior, senti como se fosse enlouquecer com o prazer cada vez maior. Involuntariamente apertei minhas unhas e arranhei sua pele.
Ele sacudiu as costas como uma fera enquanto enfiava seu pau em mim.
Eu também cedi ao meu eu animal, gritando ao ser apunhalado por seu pênis, arranhando e deixando marcas.
Ele finalmente parou de se mover após empurrar por um longo tempo, não cedendo aos meus gemidos misturados com súplicas. Então, começou a ejacular dentro de mim. A raiz de seu pênis inchou imensamente.
— Aaah…!
Soltei um grito. O buraco estendeu-se até ao limite para acomodar seu pau. Mesmo com a dor excruciante como se fosse me rasgar, eu instintivamente apertei o orgão dele o máximo que pude. A sensação do sêmen do homem se espalhando em meu corpo me dava arrepios toda vez que eu a experimentava.
— Haaa…
Minha coluna vertebral se contraiu ao som de seus gemidos baixos e da respiração quente no meu ouvido.
Puck, puck.
Somente após soltar todo o sêmen no meu corpo enquanto levantava suavemente os quadris, ele finalmente soltou meus genitais. Ele já o estava segurando há muito tempo. Sua palma estava encharcada com o fluido pegajoso e esbranquiçado.
Não importa qual o propósito ou como começou: o sexo sempre terminava em intenso prazer. Aquele homem e eu estávamos tão bem adaptados mutualmente… isso porque tínhamos nascido assim. Afinal, éramos um Alfa e um Ômega. Eramos os mais adequados possível para o acasalamento e a reprodução. O prazer que surge da união entre pessoas como nós, um alfa e um ômega, nada mais é do que uma lei inevitável. Por isso, não havia necessidade de atribuir qualquer significado a isso.
— Hum!
Logo o membro, que estava preso lá dentro há muito tempo, escapou. O esperma que ele tinha bombeado para dentro jorrou como uma corrente de água para fora. Eu desmoronei e respirei pesadamente. Meu corpo, que foi levado ao limite, mal foi liberado e já mergulhou instantaneamente na calmaria pós-coito.
Quando eu estava prestes a adormecer, incapaz de suportar o peso de minhas pálpebras pesadas, ele me virou. Me deitou de costas e agarrou meus joelhos, espalhando minhas pernas. O homem colocou seu corpo entre as pernas abertas, deslizando seu pênis grosso de volta para dentro de mim. Mesmo após ter ejaculado tanto, o órgão, ainda duro, foi inserido de uma só vez. Meu buraco estava bem alargado e o interior estava molhado, portanto, a penetração foi fácil: quase não senti dor.
— Ainda não, espere! Espere um minuto…… eu não aguento.
Normalmente, o sexo com ele raramente terminava apenas com uma vez. Portanto, não foi surpreendente… mas como eu havia passado por uma longa e difícil luta até a primeira ejaculação, a inserção que se seguiu imediatamente foi difícil.
— Estou cansado…
Ele riu, enquanto afastava minha mão, empurrando-a para longe.
— Você me vê como um bastardo, então estou agindo como tal.
— Oh!
Puck!
Os testículos do homem, duros como pedras, bateram violentamente no meu traseiro. Ele agarrou minhas mãos e inclinou a parte superior de seu corpo para mais perto. Mordeu levemente meus lábios trêmulos com os dentes, os soltou e lambeu-os com a língua.
— Então coopere comigo.
E os órgãos genitais, empurrados novamente dentro de mim, voltaram a atacar brutalmente meu corpo.
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Continua…
Tradução: Rize
Revisão: MMi