Capítulo 267 - Extra 41
Sugar Baby
Feito no céu. Nascido no inferno.
Era esse o meu plano… então como foi que chegamos a isso?
Foi o que Ashley pensou, abatido. Mas logo mudou de ideia ao se lembrar da decepção que sentiu quando viu Nathaniel pela primeira vez.
Vamos pensar pelo lado positivo. Pelo menos agora não precisamos mais ter outros filhos.
De qualquer forma, era algo que acabaria acontecendo mais cedo ou mais tarde. E quem sabe? Talvez desta vez ele tivesse a sorte de ganhar, de uma só vez, dois filhos parecidos com Koy.
É. O mundo não pode ser tão cruel assim.
Ashley reuniu à força os minúsculos fragmentos de esperança que ainda existiam dentro de sua natureza pessimista. Afinal, ele havia conquistado Koy. Houve inúmeros obstáculos no caminho, mas o resultado foi bom. E, quando o resultado é bom, todo o resto perde importância.
Minha sorte não pode ter acabado completamente só por causa disso… pode?
— Quero ver logo o rostinho dos bebês.
Koy falou, radiante de felicidade. Ashley apenas sorriu em silêncio. Pensando por outro lado, talvez aquilo fosse até conveniente. Nathaniel ainda era pequeno, e agora mais dois recém-nascidos chegariam à família. Certamente seria uma enorme confusão.
É uma desculpa perfeita para afastar naturalmente Koy das crianças. Também será melhor para desenvolver a independência delas.
Ashley nunca sequer fora carregado nos braços do ômega que o deu à luz. Nem mesmo vê-lo era algo facilmente permitido. Quanto a Dominic, ele se interessava ainda menos.
Mesmo assim, Ashley considerava que sua vida tinha sido bastante satisfatória. Porque ele tinha Koy. Por isso, não havia necessidade de dedicar uma atenção exagerada às crianças. Bastava oferecer o que precisassem e cuidar delas adequadamente.
Mas se elas se parecerem com Koy…
Então seria diferente. Naturalmente, ele as amaria. Talvez até lhes desse leite pessoalmente e as cobrisse de beijos o tempo todo. Talvez até lesse histórias para eles antes de dormir. Claro, jamais permitiria que dormissem com Koy. Por mais parecidas que fossem com ele, a única pessoa que tinha o direito de abraçar Koy e adormecer ao seu lado era Ashley.
Koy dizia que gostaria que existissem muitos Ashleys no mundo, mas Ashley pensava exatamente o contrário. Ele queria que o planeta inteiro fosse coberto por Koys. Só de imaginar aquilo já se sentia feliz. E, até o nascimento dos bebês, passou o tempo alimentando fantasias agradáveis: imaginava dois filhos parecidos com Koy, um em cada braço. Esse pensamento era um conforto certo para ele. Chegava até a parecer um raio de esperança em meio àquela situação miserável.
Sim. Os próximos filhos certamente vão se parecer com Koy. É o mínimo para que as coisas sejam justas.
Ashley ainda se recusava a admitir uma verdade: O mundo era extremamente injusto. E, em muitos aspectos, ele próprio tinha um azar terrível. Então, no instante em que recebeu os recém-nascidos nos braços, Ashley Miller viu. Olhos violetas iguais aos seus. E, além disso, do corpo daqueles bebês que mal conseguiam mover os próprios membros vinha um aroma inacreditável. Um cheiro doce demais para ser descrito. Era um aroma de feromônio.
— Ash?
A voz repentina o trouxe de volta à realidade. Koy, deitado na cama, o observava com uma expressão preocupada. Era evidente que havia percebido que algo estava errado com a expressão de Ashley. Por alguns segundos, Ashley apenas o encarou em silêncio. Parecia que milhares de pensamentos haviam atravessado sua mente naquele breve instante. Então ele abriu a boca lentamente.
— Koy… eles se parecem comigo de novo.
A situação era tão absurda que ele só conseguia rir. Ao ouvir isso, Koy abriu um sorriso radiante.
— Isso é maravilhoso! Anda, me mostra! Quero ver!
Pressionado pela insistência de Koy, Ashley colocou o bebê ao lado dele. Tendo acabado de despertar da cirurgia e vendo os filhos pela primeira vez, Koy sentiu o coração transbordar de emoção. Com mãos trêmulas, acariciou cuidadosamente a bochecha do bebê.
— Hã?
Logo em seguida, soltou uma exclamação surpresa e piscou várias vezes antes de olhar para Ashley. Será que tinha se assustado porque o bebê já estava de olhos abertos? Ou porque seus olhos eram violetas? Talvez pelos dois motivos.
— Eu te disse. Eles se parecem comigo de novo.
— Meu Deus! — exclamou Koy.
Koy observou os dois bebês alternadamente, profundamente emocionado. A menina estava dormindo, com os olhos fechados, então ele não pôde confirmar, mas Ashley prontamente resolveu sua curiosidade.
— Os dois têm olhos violetas. E, como você não consegue sentir cheiros, não sabe, mas eles também já estão emitindo aroma de feromônio.
— Meu Deus! Agora são quatro Ashleys! Isso é incrível!
Koy soltou mais uma vez a mesma exclamação admirada de antes. Vê-lo tão feliz, incapaz de conter a alegria enquanto observava as crianças, fez Ashley permanecer em silêncio. E, quando Koy finalmente recebeu alta do hospital junto com os bebês, Ashley descobriu outra notícia devastadora. Nathaniel havia se manifestado.
A desgraça nunca vem sozinha.
O velho ditado ficou ecoando em sua mente, e ele permaneceu calado por um longo tempo.
FEITO NO CÉU… OU NO INFERNO.
— Você não acha que já está na hora de termos o terceiro?
Depois de conseguirem finalmente terminar o jantar com as crianças e ficarem sozinhos no quarto, Koy fez aquela pergunta inesperada. Ashley estava justamente abraçando sua cintura e se inclinando para beijá-lo quando congelou a poucos centímetros de seu rosto.
— Terceiro? Do que você está falando?
Sussurrando tão perto que suas respirações se misturavam, ele perguntou. Koy respondeu com toda a inocência:
— Você prometeu que teríamos três filhos.
Ashley ergueu a cabeça e sorriu.
— Koy, nós já temos três.
Com uma expressão paciente, ele explicou calmamente:
— Acho que você esqueceu porque isso aconteceu há três anos, mas você deu à luz a dois bebês de uma vez. Grayson e Stacey. E antes deles teve Nathaniel. Então já temos três filhos.
— Não, isso está errado.
Koy respondeu com uma expressão séria.
— Eu engravidei apenas duas vezes.
Ele então concluiu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo:
— Isso significa que ainda temos direito a mais uma tentativa.
— Koy, não brinque com as palavras.
O sorriso desapareceu do rosto de Ashley. Mesmo sabendo que Koy estava falando sério, ele tentou negar até o fim.
— Eu estou falando sério, Ash.
Com uma expressão igualmente séria, Koy continuou:
— Você mesmo disse que queria ter um filho parecido comigo. Então vamos ter só mais um. Tá bom?
Aquilo era completamente inaceitável. Ashley imediatamente usou o próprio argumento de Koy contra ele.
— E você não dizia que queria filhos parecidos comigo? Já existem três crianças parecidas comigo. Então não precisamos de mais nenhuma.
— Mas…
Koy tentou insistir. Ashley conteve o impulso de cerrar os dentes e declarou da forma mais calma possível:
— Três são mais que suficientes.
— Mas quem engravida sou eu. Quem passa pelas dificuldades da gravidez também sou eu.
Foi a última tentativa de Koy. Naturalmente, não funcionou. Desta vez, Ashley acabou cerrando os dentes de verdade.
— Exatamente. E quem fica olhando tudo isso sem poder fazer nada sou eu. Eu odeio isso.
As palavras saíram cuspidas entre os dentes cerrados. Ao ouvir aquele tom, Koy encolheu os ombros automaticamente. Percebendo a expressão assustada dele, Ashley suavizou um pouco a voz.
— Desista, Koy. Eu não quero mais filhos.
Não era que ele odiasse as crianças. Afinal, eram filhos dele e de Koy. Em certa medida, também tinha afeição por eles. E faria tudo o que fosse necessário pelos filhos. Daria a eles tudo de que precisassem. Inclusive uma quantidade adequada de carinho.
— Então, três já são suficientes.
— Entendeu, Koy?
Ashley insistiu com uma voz fria. Diante daquela recusa tão clara, até mesmo Koy não podia continuar insistindo.
— Entendi…
— E?
Normalmente a conversa terminaria ali. Mas desta vez não. O simples fato de Ashley continuar pressionando significava o quanto estava irritado. Completamente desanimado, Koy murmurou:
— Desculpa, Ash…
— Pelo quê?
— …Por ter dito besteira.
Ashley achava que o verdadeiro problema tinha sido tentar convencê-lo com um jogo de palavras tão absurdo, mas não disse isso em voz alta. Aquilo já bastava. Koy parecia sinceramente arrependido. Ao vê-lo tão abatido, Ashley sentiu a irritação desaparecer, mesmo pensando que era um caso perdido.
— Três são suficientes, Koy. Então vamos nos concentrar nos filhos que já temos, certo?
Com uma voz carinhosa, diferente de antes, Koy balançou a cabeça de leve.
— Sim.
Depois de finalmente arrancar aquela resposta, Ashley imediatamente beijou seus lábios.
— Koy, falando nisso, tem uma coisa que eu queria perguntar.
— Hm? O quê?
Sem pensar muito, Koy respondeu. Ashley lhe deu mais um beijo rápido e, encostando a testa na dele, perguntou:
— Por que você não usa as roupas que eu te dou de presente?
No mesmo instante, o corpo nos seus braços deu um salto de susto.
— E-eu… isso… é…
Koy entrou em pânico e começou a olhar para todos os lados. Observando aquela reação, Ashley falou com uma expressão sombria:
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís