Capítulo 151

⚝ Capítulo 151
A voz absurdamente baixa foi difícil de compreender a princípio. Não demorou muito para que eu percebesse o significado daquelas palavras e, quase sem notar, tentei olhar para trás. No entanto, como eu já sabia bem para lembrar que não veria nada, não fiz nenhum esforço desnecessário. Em vez disso, foquei minha preocupação apenas nos dedos dele que haviam parado de se mover dentro de mim. Como me mexi desconfortavelmente tentando aliviar a sensação, Asgyle perguntou de novo:
— Diga-me outra vez, o que o Namar falou?
Se eu tivesse me mexido mais um pouco, provavelmente seria criticado como um ômega vulgar, mas a permanência daquele dedo ali dentro era constrangedora demais. Respondi apressadamente, esperando que aquilo terminasse logo:
— Ele disse que seria difícil me aceitar como esposa, mas que, em vez disso, me trataria como amante… E disse que me concederia a maior parte dos bens dele se eu quisesse.
Naquele momento, eu só queria que ele fizesse uma de duas coisas: ou empurrasse mais fundo ou puxasse a mão totalmente para fora. Esperei com pouca expectativa, mas Asgyle, contrariado, não atendeu aos meus desejos.
— E então?
Diante da pergunta que me foi lançada, soltei um lamento: “Ah, pare com isso”. Ignorando minha reação, Asgyle insistiu:
— Diga, o que você respondeu?
— *Suspiro*…
Desta vez, deixei escapar um suspiro pesado. Respondi timidamente:
— Nós não conversamos muito.
— Você não disse nada?
Eu não sabia por que ele continuava perguntando. A voz de Asgyle parecia me pressionar por algum motivo, então estremeci e confessei francamente:
— Eu fiquei apenas escutando.
Ele permaneceu em silêncio por um tempo. Quando comecei a ficar nervoso pensando que ele pudesse não ter gostado da minha resposta, Asgyle abriu a boca:
— …Por quê?
— O quê?
Desta vez, não pude deixar de questionar. Asgyle perguntou com a voz levemente furiosa diante das palavras que proferi com cautela:
— Por que você não disse nada? Você deveria ter ficado irritado.
— …Eu? Por que razão?
Sinceramente, eu não sabia a resposta. Desta vez, foi Asgyle quem soltou o ar.
— Não é natural se sentir ofendido com um absurdo desses?
Mantive-me quieto porque achei que ele se irritaria se eu perguntasse o motivo novamente. Mas Asgyle pareceu notar o significado do meu silêncio de imediato. Então, ele falou com a voz rouca:
— Não sei por que vim aqui com você.
Hesitei em responder àquelas palavras que foram cuspidas como se estivessem interrompendo cada pensamento meu. Ele não havia me dado explicações, e eu só conseguia conceber uma única razão. Portanto, só havia uma resposta possível:
— Vossa Alteza… precisava de um companheiro para a noite…?
— …
O silêncio desta vez foi bastante prolongado. Embora a água ainda estivesse morna, de certa forma parecia que o Príncipe Herdeiro havia congelado. Exigiu um certo esforço resistir à minha impaciência, que tentava arquear as costas e me afastar da mão dele.
— …Você sabe que eu posso deitar-me com qualquer outra pessoa além de você, se eu quiser?
Depois de um tempo, ele perguntou com a voz estranhamente rouca.
— Eu sei… — respondi sinceramente. — Por isso, acho estranho.
— Você, que diabo…
De repente, um brado vindo de trás me fez estremecer de susto. O Príncipe Herdeiro imediatamente calou a boca, mas eu podia sentir sua respiração descompassada, revelando que ele estava extremamente furioso.
“O que eu fiz?”
Fiquei nervoso, com os ombros trêmulos, e de repente o Príncipe Herdeiro puxou a mão de dentro de mim. Sem me dar um segundo de alívio, ele segurou meu corpo e imediatamente me virou de frente para ele. Eu não conseguia decifrar sua expressão, apenas pisquei os olhos. Asgyle cravou as mãos nos meus ombros e, após um silêncio tenso, finalmente abriu a boca:
— Qual você acha que é a razão para eu ter defendido você, carregado você e feito tantos favores?
Isso era o que eu vinha me perguntando até então. Diante do meu questionamento interno, eu não conseguia entender o real significado daquilo, mas, por hora, respondi com sinceridade:
— O senhor me defendeu… mostrou misericórdia… E me carregou… porque eu não consigo enxergar.
As mãos que seguravam meus ombros apertaram com tanta força que interrompi minha fala. Meu rosto se contraiu sozinho pela dor, mas ele não afrouxou o aperto.
— …Yohan.
Como se estivesse arrancando aquilo de si a contragosto, Asgyle despejou suas emoções:
— Eu… agi assim porque gosto de você… É por isso, não é óbvio? Você não percebeu nada?
— Não…
Respondi com facilidade.
— Mas por quê?
E continuei logo em seguida, antes que ele pudesse responder à minha pergunta:
— Eu já tenho alguém de quem gosto… E Vossa Alteza também sabe disso.
As últimas palavras sumiram como um suspiro. Senti como se meus ombros fossem quebrar. Se ele continuasse assim, ficaria tudo roxo e meus ossos se partiriam.
— …Ainda assim.
Depois que esse pensamento terrível me passou pela mente, Asgyle perguntou em um sussurro, quase sem emitir som:
— Você ainda não o esqueceu? Nem um pouco?
Eu não entendia por que ele insistia nessa pergunta. Falei a verdade mais uma vez:
— O Camar… foi a única pessoa de quem gostei… Minha mente mudar daqui para a frente… é absolutamente impossível.
Meus ombros doíam intensamente, mas consegui concluir a frase. Quando fechei a boca, um silêncio sufocante se estabeleceu. A mão de Asgyle que segurava meu ombro tremia de leve. O aroma dos feromônios que emanavam do corpo dele parecia afiado como se estivesse cortando minha carne. O fato de o Príncipe Herdeiro estar extremamente furioso, embora eu não pudesse ver, era evidente.
— …Ah!
De repente, Asgyle me empurrou. Ele subitamente se moveu na água e me prensou contra a parede da banheira. Eu já esperava o que aconteceria a seguir, mas assim que ele avançou, minha mente ficou em branco.
— Ah… Ah!
O pau rígido preencheu meu ventre ao invadir de uma vez. A abertura estreita teve dificuldades para recebê-lo, parecendo pesada porque ainda não havia cedido o suficiente. Minha respiração ficou travada e parecia que meu corpo ia se partir. Mesmo que eu tentasse relaxar os músculos, a tensão mal se dissipava.
Coloquei a mão sobre o braço de Asgyle que se apertava ao redor da minha cintura, arquejando, e fiz o meu melhor para acomodá-lo de alguma forma mais suportável.
— …Ha… ha…
A respiração ruidosa de Asgyle ecoava logo atrás de mim. Com uma das mãos apoiada na borda da banheira e o outro braço prendendo firmemente minha cintura, ele começou a meter fundo em mim dentro da água. Cada vez que Asgyle se movia, a água se agitava violentamente para fora da banheira. Eu tentava flutuar para aliviar o impacto, mas, como se não quisesse me deixar escapar, os braços grossos dele me envolviam com força e eu não conseguia sair do lugar.
— Existe alguém de quem você já gosta?
As palavras de Asgyle vinham entrecortadas por respirações pesadas. O pau dentro do meu ventre expandia-se tanto que parecia prestes a rasgar tudo por dentro.
— Ah, ah… Uh…
Asgyle soltou um gemido que escapou por conta própria, e eu tremia desamparadamente sob o comando dele.
— Simplesmente, abrindo seu corpo casualmente e entregando seu coração a outro? Seu corpo é tão obsceno e vulgar, e você quer que eu aceite isso?
A cada metida forte contra minhas costas, as palavras dele eram interrompidas. Um cheiro forte de feromônios invadiu minha mente. Eu desejava que meu interior estivesse um pouco mais lubrificado. Quanto mais eu ficasse sensível, essa dor melhoraria?
— …Eu sou um Ômega — respondi, arfando. — Vossa Alteza… foi por isso que me trouxe aqui.
De repente, um som sôfrego escapou devido ao movimento violento do pau afundando no meu ventre. Murmurei de forma desapegada enquanto entregava meu corpo inteiro a ele:
— É apenas porque sou um Ômega vulgar e indecente, então espero que acabe rápido.
Assim que terminei de falar, o braço que envolvia minha cintura apertou-se ainda mais. Por dentro, o pau preenchia meu ventre e, por fora, os braços grossos espremiam minha cintura tão fortemente que eu mal conseguia respirar.
— Faça o que quiser.
Asgyle roçou os dentes contra a minha orelha e exalou o ar quente. A pressão no meu ventre parecia prestes a explodir e perdi o foco. Meu corpo inteiro amoleceu e perdi a consciência em um instante.
No momento em que eu estava prestes a apagar completamente…
— …!
De repente, uma sensação intensa despertou minha consciência moribunda. Um calafrio correu pelo meu corpo e a sensação se espalhou até as pontas dos meus dedos como se uma corrente elétrica estivesse fluindo.
Eu não sabia o que havia acontecido. Apenas tinha a vaga percepção de que, mesmo em meio à névoa mental, um prazer entorpecedor espalhava-se por todo o meu ser, fazendo meu corpo inteiro tremer levemente como se estivesse eletrizado.
Subitamente, notei a presença de uma nova fragrância de feromônios ao meu redor. O meu próprio feromônio, que eu nunca tinha sentido antes, estava sendo liberado.
“Por que…?”
Enquanto eu tentava organizar meus pensamentos confusos, Asgyle pegou a minha mão que estava apoiada na borda da banheira e a conduziu até a minha virilha. Ele envolveu meu pênis e o estimulou algumas vezes, até que ejaculei com um leve tremor.
O pau de Asgyle continuava completamente inserido no meu ventre. Enquanto eu tremia, ele vibrou dentro de mim e expandiu-se ainda mais.
Ouvi o som de algo sugando minha orelha. Parecia que Asgyle estava mordiscando e sugando o lobo da minha orelha novamente. Não havia nada de incomum nisso, já que até então ele estivera mordendo e lambendo meu corpo inteiro.
“Deveria ser apenas isso.”
Mas algo estava estranho desta vez. Cada vez que ele sugava a minha orelha, meu corpo inteiro estremecia e meu ventre formigava loucamente. Quando eu achava que ia perder os sentidos, tudo ficava nítido, e quando parecia que eu ia me afastar da realidade, tornava-se claro de novo. Era a primeira vez que eu experimentava aquela sensação exata.
Com certeza.
Finalmente, Asgyle afastou os lábios e o som cessou. Ergui minha mão trêmula e a levei lentamente até a orelha. O lugar onde os lábios dele haviam acabado de tocar ainda estava úmido de saliva.
“Tomara que… não possa ser.”
Lutei em negação, tocando o pavilhão auricular. Senti uma textura inacreditável na ponta do meu dedo. Lentamente direcionei meu rosto para aquela direção com os olhos que não viam arregalados.
“Tomara que não seja isso.”
— Vossa Alteza…
As palavras não vinham. Quando mal consegui sussurrar aquilo com a voz vacilante, Asgyle pronunciou:
— Como você mesmo disse que é um Ômega vulgar e indecente, uma marca de alfa não deve significar nada para você.
Eu não conseguia acreditar naquela voz carregada de sarcasmo.
“O Príncipe Herdeiro havia me marcado? Havia uma marca cravada na minha orelha? Uma marca de outro homem que não era o Camar?”
Naquele mesmo instante, gritei em estado de choque.
·:*¨༺ ♱✮♱ ༻¨*:·
↫─☫ Continua….
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Jør&Faby