Capítulo 13
Capítulo 13.1
Contive minha respiração e olhei para ele. Keith também não disse nada. No silêncio ensurdecedor, eu estava congelado, e o pulso que ele segurava era a única coisa que tremia de leve. Parecia que o núcleo da terra havia se derretido com o toque dele. Subconscientemente, lamber meus lábios ressecados. Eu provavelmente deveria dizer algo, mas nada me vinha à mente. Keith apenas continuou a encarar.
Depois de um tempo, finalmente consegui abrir a boca.
– Er… O senhor precisa de alguma coisa…? – O final da minha frase sumiu timidamente.
Embora Keith devesse ter me ouvido, ele não mostrou reação. A ansiedade que senti me fez parecer que estava a meros momentos de uma parada cardíaca. O aperto da mão de Keith no meu pulso ficou mais forte. De alguma forma, me segurei para não soltar um grito. No entanto, não consegui impedir que minhas sobrancelhas se frentessem.
Eu queria perguntar a ele o que estava acontecendo, mas nada saía da minha boca. Keith abaixou o olhar e olhou para mim com uma expressão que eu nunca o tinha visto fazer antes. Para ser exato, ele estava olhando para o pulso que havia agarrado.
O que poderia ser isso? Seu rosto parecia um turbilhão de emoções complexas duelando em sua mente, tornando difícil para mim adivinhar o que ele estava sentindo. Eu não conseguia de forma alguma entender por que ele estava fazendo aquilo. Uma coisa eu sabia com certeza, porém: ele estava conflituoso. Claro que eu não sabia o porquê ou por qual razão.
Keith soltou um suspiro atormentado e de repente me soltou. Dei um passo em falso ao me afastar. Ele se virou na cama sem olhar para mim.
– Está bem – disse ele solenemente. – Agora, saia.
Pisquei algumas vezes antes de me virar rapidamente e sair do quarto. Só depois que fechei a porta atrás de mim é que meu pulso começou a doer. Olhei para baixo e vi que ele estava vermelho. Senti meu rosto corar. Levantei gentilmente o meu pulso e pressionei meus lábios contra ele.
– Ah…
Um gemido profundo escapou da minha boca. Meu coração estava latejando e eu não conseguia andar. Tive que me apoiar contra a porta de Keith por um longo tempo, regulando minha respiração com os olhos fechados.
– Ngh… – Resmunguei ao abrir meus olhos para a luz da manhã. Finalmente consegui abrir os olhos remelentos após várias tentativas, mas minha cabeça ainda estava nublada. Tardiamente, recordei as memórias da noite anterior e instintivamente verifiquei meu pulso. Ainda estava levemente marcado, então o acariciei com cuidado. Uma parte do meu coração bateu forte no meu peito. Enquanto essa marca persistisse, eu seria capaz de guardar o calor de Keith.
Pressione meus lábios contra ela quando ouvi uma batida repentina. Rapidamente abaixei a mão e me sentei.
Como esperado, Charles entrou.
– Vejo que já acordou – disse ele. – O que gostaria para o café da manhã? O Sr. Pittman vai comer no quarto hoje.
– Entendo… – Minha voz soou desapontada até para os meus próprios ouvidos. Rapidamente abaixei a cabeça e escondi meu rosto, fingindo que era apenas porque estava saindo da cama. – Vou comer lá embaixo. Obrigado.
Após confirmar meu pedido de sempre, Charles deixou o quarto. Só então soltei um suspiro e desabei meus ombros.
A mesa na qual eu tomava café da manhã com Keith todas as manhãs estava completamente vazia. Essa era a primeira vez que não compartilhávamos uma refeição juntos pela manhã, mas eu já devia ter me acostumado, porque a percepção de que eu estava sozinho amplificou o vazio que espreitava dentro de mim.
– Ah. – O som dos talheres batendo contra a louça ecoou alto demais e, sem perceber, soltei uma pequena exclamação. Recusei a oferta de Charles para reabastecer o copo de suco que estava pela metade e me levantei. Voltei para o meu quarto e continuei a me arrumar para o trabalho quando senti uma tontura repentina.
Apoiei minha mão contra a parede e comecei a regular minha respiração quando, de repente, fui atingido por uma sensação sinistra. Eu sabia o que era aquilo. Acontecia uma vez a cada mês, no mínimo, ou uma vez a cada poucos meses, no máximo.
Eu só me sentia assim quando o meu cio estava próximo.
Eu também tinha alguns outros sintomas alinhados, então peguei meus remédios com uma expressão séria e os joguei na boca. Como fiz no dia anterior, tomei mais do que a dose recomendada.
Keith nem sequer olhou para mim durante a nossa ida ao trabalho. Encarei a tela do meu tablet e fingi estar ocupado, abrindo e fechando a agenda repetidamente sem qualquer objetivo.
O silêncio estava mais longo do que nunca. De repente, lembrei-me da expressão que ele usou na noite anterior. Talvez ele tivesse tomado café da manhã em seu quarto esta manhã simplesmente por um capricho. No entanto, pensando no que aconteceu na noite passada, parecia que tinha que ser algo mais do que isso.
Abri e fechei a boca várias vezes. Mesmo se eu perguntasse a ele por que estava de mau humor, não achava que ele responderia. Se eu perguntasse e ele respondesse com sarcasmo, sabia que seria o único a sair machucado. Além disso, eu já havia passado por essa experiência dezenas de vezes quando comecei a trabalhar nesta empresa. “Não é da sua conta”, ele me dizia, fosse com palavras exatas ou através do olhar cortante que me lançava. Depois de sofrer alguns ferimentos emocionais, optei por não perguntar mais. Felizmente, eu era consideravelmente bom em ler o ambiente, então consegui me virar bem e sem muita dificuldade até agora.
Hoje, porém, eu realmente não tinha ideia do que fazer.
Naomi de repente surgiu na minha mente. Parando para pensar, ele havia se encontrado com ela na noite anterior. Será que algo aconteceu no hotel naquela hora? Bem, se esse fosse o caso, Whittaker teria me avisado…
De repente, meu celular tocou. As vibrações e o toque me fizeram dar um salto, então o pesquei do bolso e atendi a ligação após verificar o identificador de chamadas.
– O que houve, Emma? – perguntei com curiosidade. – Ligando a esta hora…
Emma parecia perturbada enquanto escolhia cuidadosamente suas palavras.
– Er… Sinto muito, Yeonwoo. Algo aconteceu esta manhã e acho que vou me atrasar. Tudo bem se eu for para o trabalho à tarde? Vou pedir para a Rachel repassar as tarefas da manhã para todos.
– Claro. Aconteceu alguma coisa, por acaso? Se houver algo em que eu possa ajudar, me avise a qualquer momento, Emma – acrescentei seriamente, sentindo a gravidade em seu tom de voz.
Ela respondeu um pouco mais relaxada.
– Obrigada, Yeonwoo. Farei isso.
Assim que desliguei e desviei meu olhar, meus olhos se cruzaram com os de Keith, que estava me encarando. Abri a boca de forma sem jeito.
– Emma me disse que algo aconteceu e perguntou se poderia vir no período da tarde. Eu dei permissão.
Keith não disse nada. Fiquei cada vez mais desconfortável com seu olhar persistente. Eu estava prestes a perguntar se deveria dizer a ela para vir o mais rápido possível, quando ele finalmente falou.
– Quando você vai melhorar? – perguntou ele.
Fui pego de surpresa. Eu sabia que estava muito melhor agora do que antes e tinha lhe contado no outro dia sobre o que Steward dissera, mas pensando em como tive um ataque de pânico ao encarar Grayson recentemente, eu não podia garantir com confiança que estava pronto para reivindicar saúde perfeita. Sem Keith, eu não conseguia nem sair do escritório.
Enquanto eu buscava uma resposta, Keith me encarava. Logo em seguida, ele franziu as sobrancelhas e virou a cabeça.
– Você dá muito trabalho.
Meu coração afundou instantaneamente. Eu quase havia esquecido. Este homem só me mantinha por perto porque eu era conveniente para ele.
Seus toques ternos e a voz gentil que ele usou enquanto me segurava e me confortava após o meu ataque de pânico voltaram para mim como uma ferida afiada, em vez de um batimento cardíaco cheio de anseio. Qualquer significado que eu pudesse ter atribuído àquilo era apenas resultado da minha imaginação fértil. Eu sabia disso. Claro que sim. Eu apenas queria fingir que não e me entregar ao conforto da minha ilusão.
Ainda assim, ele tinha que me arrastar de volta à realidade de forma tão cruel? Encarei o reflexo do meu rosto sem vida na janela do carro.
Na verdade, isso já era de se esperar. Afinal, Keith não fazia a menor ideia de como eu me sentia. Não havia como ele saber que suas palavras poderiam me machucar, e ele nem tinha necessidade disso. Mesmo se soubesse, eu não poderia de forma alguma esperar que sua atitude em relação a mim mudasse.
Afinal, eu não significava nada para ele.
– Peço desculpas pelo inconveniente – murmurei tão solenemente como sempre. Keith continuava virado para o outro lado, em silêncio.
“Ah”, pensei. Durante minha próxima sessão, deveria pedir a Steward uma estimativa concreta de quando vou melhorar. Deveria perguntar a ele se existem tratamentos mais agressivos, se é que tais coisas existem.
O rosto que me encarava de volta na janela estava desprovido de qualquer expressão.
Eu não poderia depender de Keith para sempre. Se ele realmente acabasse se cansando de mim, eu realmente bateria no fundo do poço.
A data da reunião com Chase Miller foi finalmente decidida após algumas ligações cheias de discussões. Eu não esperava que isso fosse fácil, mas confirmar um mau pressentimento não era nada agradável.
– Mas você disse que ele estaria livre com certeza na quarta-feira! – disparei, incapaz de esconder a agitação na minha voz após duas mudanças de planos anteriores.
A empresária suspirou profundamente do outro lado da linha e murmurou:
– Bem, er… A agenda dele estava vazia e eu confirmei com ele várias vezes, mas ele de repente quis que eu mudasse a data.
– Pelo menos me diga o motivo de ele estar cancelando no próprio dia!
A empresária soltou algo parecido com um gemido e disse:
– Ele disse que não está no clima para sair…
– Isso—
Quase comecei a cuspir palavrões e mal consegui engolir as palavras de volta da ponta da minha língua. Em vez disso, estiquei meu pescoço e olhei para o teto. Precisei de alguns segundos para suprimir minhas emoções.
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↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jør