⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 12
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“Daquela vez, foi o Hyeon que pegou.”
Foi o que a professora disse. Que o diploma que Eunho não recebeu, tinha sido levado por Jihyeon naquela época. Disseram que ele se ofereceu para entregá-lo no lugar dela, mas, numa época em que nem conseguiam falar um com o outro, aquilo não era possível.
Naturalmente, Eunho não recebeu nada dele. Não, ele só soube tardiamente que Jihyeon estava com o diploma, então nem precisava de mais explicações. Não se sentia mal com isso, mas tinha um pouco de curiosidade.
Por que ele não me entregou antes?
Já faz sete anos que Eunho era empresário de Jihyeon. Contando os anos-calendário, eram oito, ou seja, havia oportunidades de sobra para entregá-lo. E, em vez de entregar tardiamente, Eunho nunca tinha ouvido nem a letra “d” de diploma.
— Não é que eu não tenha te entregado de propósito.
Jihyeon, depois do banho, trouxe do quarto pequeno dois volumes revestidos de veludo. Um era o diploma e o outro, o álbum de formatura. Como Eunho deixou de ir à escola a partir de outubro, era a primeira vez que via os dois.
— E alguém disse alguma coisa?
Desligando a TV com o controle, Eunho desceu do sofá para o chão. No fundo, desconfiava que ele tivesse largado em qualquer lugar e esquecido, mas, como ele trouxe logo, parecia que não. Quando Eunho se sentou de pernas cruzadas, Jihyeon se sentou no chão do mesmo jeito e perguntou:
— Tava vendo o quê?
— Deixei qualquer coisa ligada. Passou o teu comercial de café, já tá na hora de renovar aquele contrato, né?
Como ele acabara de sair do banho, exalava um perfume de xampu. Eunho ficou consciente demais disso, mas se esforçou para desviar a atenção para outra coisa. Ainda bem que, ultimamente, ele não saía só de roupão.
— É, mas se não tiver nenhum problema, vou só renovar. Dá preguiça negociar tudo de novo…
Dizendo que o café não era ruim para um instantâneo, Jihyeon se colou naturalmente a Eunho. A coxa encostou, mas parecia que só Eunho se importava com isso. Dava para perceber pelo jeito como Jihyeon, olhando-o de relance, apenas perguntou casualmente:
— Mas como você soube que o diploma tava comigo?
— Fui ver a nossa professora uma vez.
— Quando?
Será que posso dizer quando? Já era coisa do passado, mas mencionar aquilo na frente dele era um pouco constrangedor. Claro que também não havia por que esconder.
— Quando você tava internado.
— Ahh.
Talvez tivesse perguntado só por perguntar, porque Jihyeon não teve nenhuma reação especial. Apenas baixou os olhos e acariciou a capa com a ponta dos dedos. A voz que veio em seguida também era suave e gentil como sempre.
— Pelo visto pro meu hospital você não foi, mas pra escola teve tempo.
— …
Claro. Esse mesquinho não ia deixar passar assim.
— Brincadeira.
Não parecia nem um pouco brincadeira, mas Eunho não fez questão de apontar. Em vez disso, pegou o diploma que Jihyeon acariciava e franziu a testa, sem graça. Não queria dizer aquilo com a própria boca, mas deixar passar também o incomodava.
— Eu fui ao hospital.
O olhar de Jihyeon voltou a pousar em Eunho. Eunho abriu o estojo onde estava escrito
— Fui assim que vi a notícia de que você tinha se machucado. Só que fiquei parado na frente da porta e voltei.
— …Você foi ao hospital?
— Fui.
Respondendo com naturalidade, Eunho checou disfarçadamente a reação dele. Jihyeon continuava olhando para Eunho. Por algum motivo, aquele olhar o fez se sentir injustiçado, e Eunho até estalou a língua, dizendo:
— Você não iria? Um amigo se machucou.
Será que ele o achava tão frio assim? Naquela época estavam brigados, mas, sabendo que ele se machucara a ponto de ir parar na emergência, não tinha como fingir que não sabia. Achava que, se fosse ele o machucado, Jihyeon também teria ido vê-lo.
— Mas por que…
Jihyeon mexeu os lábios sem pensar e cortou a frase. Devia estar querendo perguntar “mas por que você foi embora?”. Como não era uma pergunta que exigisse resposta, Eunho fingiu não ouvir e fechou o diploma.
— Enfim, obrigado. Levo isso daqui a pouco.
Era um diploma que, se não fosse por Jihyeon, ele nunca teria visto na vida. Não dava muito valor a essas coisas, mas ter era bem melhor do que não ter.
Jihyeon, que até então estava calado, pigarreou baixinho e estendeu o álbum de formatura que estava ao lado.
— Leva isso também.
— Isso?
Não tinha trazido só para verem? Diferente do diploma, que se ganhava só por se formar, o álbum de formatura era algo que precisava ser comprado. Para Eunho, na época, era uma quantia considerável, então lembrava-se de ter decidido não comprar, escondido da avó.
— Não é teu?
— É teu.
Respondendo com naturalidade, Jihyeon folheou algumas páginas do álbum. 3º ano, turma 1. Ao lado dessa inscrição havia a foto da professora responsável, de braços cruzados. Jihyeon olhou para o estudante logo abaixo e falou com voz serena:
— Eu comprei dois. Pra te dar.
Cabelo curto, sobrancelhas grossas e olhos bem marcados. O estudante de aparência madura para a idade não era outro senão Eunho. Como seu sobrenome era “Kwak”, a foto 3×4 de Eunho era a primeira da turma 1.
— Você com certeza não comprou.
— …
Esse cara é perspicaz nas horas mais estranhas. Sem conseguir dizer nada, Eunho olhou o próprio rosto de dez anos atrás. Como não tinha fotos, não sabia, mas, vendo agora, parecia mais infantil do que imaginava. Principalmente as bochechas de bebê, que nem sabia que tinha, chamavam bastante atenção.
— …Hm.
Como foi que eu vivi naquela época? A lembrança de trabalhar em dois ou três bicos e varar noites estudando para não ficar para trás era vívida. Nem tinha consciência de que era difícil, mas, olhando para trás, sentia que tinha vivido de forma bem intensa.
— O Kwak Eunho era novinho.
Talvez pensando algo parecido com Eunho, Jihyeon disse num tom monótono. Eunho deu um riso silencioso e virou mais algumas páginas do álbum. Pouco depois apareceu a foto 3×4 com o nome “Ji Hyeon”.
— Você também era.
Eunho apontou com o indicador para o Jihyeon da época do ensino médio. Se Eunho parecia infantil, Jihyeon, naquela época, ainda tinha um ar bem bonitinho. O queixo fino e o pescoço delicado lhe davam, no geral, uma atmosfera sensível e frágil.
— Quando tiraram isso, você não tava super ocupado?
— Eu sempre tava ocupado.
Falando num tom orgulhoso, Jihyeon bufou. Ao contrário de quando olhava a foto de Eunho, não havia nenhuma emoção no olhar com que via o próprio rosto. Também, era um cara que tinha cada momento da vida registrado em fotos desde que nasceu. Não teria por que ficar nostálgico vendo a si mesmo mais novo.
Os dois começaram naturalmente a folhear o álbum. Quando Eunho elogiou o representante de turma, cujo nome agora era vago, dizendo que era um bom garoto, Jihyeon rebateu, incrédulo, que era porque ele gostava de Eunho. Quando Eunho perguntou “Não era de você que ele gostava?”, ele até disse, com olhar perplexo:
— Do que você tá falando? Ele até se declarou pra você.
— …Ah.
— Olha o “ah”. Você esqueceu, né?
Ficando sem palavras por um momento, Eunho fingiu não ouvir e virou a página. Felizmente, na página seguinte havia uma foto da turma, e a conversa logo mudou de assunto. Para ser exato, Eunho apontou para Jihyeon, lá no fundo, para mudar de assunto.
— Até que você conseguiu vir à escola no dia dessa foto.
Era uma foto de turma tirada no verão, com o uniforme de verão. Apesar da multidão, era uma foto em que só Jihyeon se destacava absurdamente. Deixando de lado o cabelo especialmente comprido ou o rosto minúsculo, era por causa dos traços delicados e bem definidos. Como bom ex-modelo, a altura, uma cabeça acima dos outros, também contribuía.
— Era pra eu não poder ir naquele dia, mas briguei com o presidente e fui. Adiei uma sessão de fotos.
— Ué, pra que tanto…
Podia ser que ele quisesse muito tirar a foto de formatura, mas, até onde sabia, Jihyeon não era de dar valor a essas coisas. Será que não queria que o colocassem por montagem? Pensando nisso, Eunho olhou para Jihyeon, e ele o encarou fixamente.
— Pra que você acha que foi?
— …
Não disse em voz alta o pensamento que lhe passou pela cabeça. Porque, na foto, logo ao lado de Jihyeon, estava Eunho, com uma expressão sem graça. Pensando bem, então esse álbum era a única foto que tinham tirado juntos em todo o ensino médio? Como ele também não dava valor a essas coisas, só agora percebia.
— Kwak Eunho, você ainda fala com alguém daqui?
Jihyeon logo mostrou outra foto em grupo e perguntou. Era uma foto em grupos de cinco, e, desta vez também, Jihyeon e Eunho estavam sentados lado a lado no gramado. Como o sol estava forte, os dois estavam com caras dignas de nota.
— Não. Nem com você eu falava.
Era razoavelmente próximo dos outros três, além de Jihyeon, mas a partir da formatura (para ser exato, de outubro) perdeu o contato com todos. Depois disso, alguns ainda apareciam em sua casa de vez em quando, mas não chegaram a encontrar Eunho, que vivia na obra. Até isso ele só soube depois, pelo dono do imóvel, quando foi desocupar o quarto.
— E você, fala com alguém?
— Logo eu?
— É verdade…
Trocaram conversas à toa por um bom tempo. Eunho ficou nostálgico vendo amigos de quem agora mal se lembrava. Pensando bem, a PD Yoo tinha perguntado se não havia reunião de ex-alunos. Se os amigos não se importassem, talvez fosse bom ir uma vez durante as gravações de “Meu Empresário”. Aproveitando para render material e, mesmo que fosse encenação, mostrar que Jihyeon era um bom garoto na escola.
— Jihyeon.
Depois de olhar as fotos por muito tempo, Eunho chamou o nome dele baixinho e virou a cabeça. Os olhos que encontrou de perto não tinham mudado nada desde o ensino médio. A cor especialmente clara das íris, o olhar infinitamente devoto, ou as várias sedes contidas nele.
Talvez por isso. Olhando para ele em silêncio, de repente teve uma curiosidade.
— Você ainda tem aquele colar?
O colar que pusera em sua mão como presente de aniversário no dia em que se separaram. Será que Jihyeon ainda guardava aquela coisa que comprara gastando até o dinheiro da passagem? Com o tempo devia estar enferrujado, mas não sabia por que tinha a impressão de que ele não jogaria fora.
— …
Jihyeon não respondeu, mas Eunho sabia que aquilo era um sim. Então não precisava perguntar se o colar que viu na foto do telão, no dia em que reencontrou Jihyeon, era mesmo o que lhe deu de aniversário.
— …Foi por orgulho ferido.
O que disse de repente foi o motivo que não conseguia dizer naquela época. Para ser exato, era o sentimento verdadeiro que não percebia, e uma confissão possível agora que tinha se livrado de tudo. Mesmo sem dizer exatamente de que momento falava, achava que Jihyeon entenderia.
— Por ser pobre… por ter vergonha de não ter conseguido entrar na faculdade.
— …
— Por isso não te procurei.
A única coisa que sabia fazer era estudar, e tinha vergonha de si mesmo por não poder fazer nem isso. Por mais que se justificasse dizendo que não foi de propósito, isso não mudava o fato de que deixou de procurá-lo deliberadamente. Na juventude, em que o orgulho é tudo, quão intimidado não teria se sentido diante de um Jihyeon tão brilhante?
— Eu disse, né? Que você e eu éramos novos.
Faltou coragem, só isso, e não havia folga para reunir tanta coragem. A situação era tão pesada que até pensar no assunto parecia luxo.
— …E eu achei que você já tinha esquecido alguém como eu.
A frase acrescentada em tom de brincadeira não era para se lamentar, mas um fato objetivo. Jihyeon era ator e ele, apenas um estudante de passagem. Por mais que fossem mais próximos do que os outros, achava que não podia ignorar que aquele laço era especial só para ele.
— Você, sério…
Mas, assim que ouviu isso, Jihyeon arrastou a frase, incrédulo. Desta vez também parecia que dava para ouvir o que ele não disse. A avaliação sobre Eunho que não mudava havia anos: “você é muito estranho”. E também a outra frase que saiu, com um suspiro, como se fosse óbvio.
— Como eu ia esquecer você?
Pois é. Porque achou que Jihyeon faria o que nem ele conseguia fazer?
— Fala alguma coisa que faça sentido…
Murmurando como se falasse sozinho, Jihyeon encostou a cabeça no ombro de Eunho. Eunho, que ajeitou a postura para que ele pudesse se apoiar confortavelmente, parou de se mexer, surpreso, quando Jihyeon enterrou o rosto em seu pescoço. Parecia que não queria só se encostar, pois Jihyeon ergueu a cabeça de lado e esfregou os lábios no queixo de Eunho.
— Abre a boca.
Os lábios, que subiram deslizando, logo pousaram com um estalo no lugar que ele queria. Ao contrário do pedido de Jihyeon, Eunho tinha fechado a boca por reflexo, e, quando ele afastou os lábios, insatisfeito, Eunho não teve escolha senão perguntar com cuidado:
— …Você fica no clima vendo álbum do ensino médio?
— Fico.
Foi uma resposta firme. Parecia, de algum modo, até ansiosa. Movendo o pomo de adão como quem tem sede, Jihyeon sussurrou com a voz seca:
— Já tava no clima antes de ver.
Os lábios se tocarem e as línguas se misturarem foi coisa de um instante. Sem ter o que fazer, Eunho encostou as costas no sofá, apoiou as mãos no chão e recebeu os lábios de Jihyeon. No instante em que o baixo-ventre se apertou com aquela textura macia, a mão de Jihyeon subiu discretamente sobre sua coxa.
— …Ngh.
Os dedos longos acariciaram, sem nenhuma hesitação, o volume saliente na coxa. Como se quisesse conferir o quanto estava duro, o toque que esfregava devagar começou a subir de baixo para cima. Era um movimento sorrateiro e cuidadoso, mas parecia tão sensível que todos os nervos se arrepiavam.
Jihyeon, que no começo só tocava com as pontas dos dedos, a partir de certo ponto apertava a coxa e o entorno com a palma da mão. Toda vez que ele pressionava, Eunho estremecia e agarrava o tapete. Então, quando a mão de Jihyeon foi para dentro da roupa, ele também estendeu a mão e puxou levemente a cintura da calça dele para baixo.
— Hn…
Assim que a mão de Eunho o tocou, um gemido contido escapou da boca de Jihyeon. Tinham se beijado só um pouco, mas os dois já estavam completamente duros. Como estudantes que acabaram de aprender a se masturbar, as mãos que agarravam um ao outro eram desajeitadas e ao mesmo tempo apressadíssimas.
— Ah… ngh…
— …
Como sempre, quem fazia barulho era Jihyeon. Com a cabeça apoiada no ombro de Eunho, Jihyeon deixava gemidos escaparem por entre os dentes toda vez que Eunho mexia a mão. Quando ele deslizava pelo membro grosso e esfregava a glande, Jihyeon, como se não aguentasse, apertava também o de Eunho.
— …Ha.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello