⋆⋅☆⋅⋆ Capítulo 05
— Obrigado. Vou beber com gosto.
De qualquer forma, Jihyeon sorriu e aceitou a sacola das mãos de Ichan. Observando, Eunho percebeu que aquilo também era uma espécie de atuação. Esse cara, quando diz que vai fazer, faz mesmo. Até o comentário brincalhão que ele acrescentou em seguida era claramente uma pergunta pensada para a câmera.
— Mas isso é por eu ter evitado o NG?
— Não, não! Eu já ia dar antes. É que quando a gente tá em plena promoção, a gente não pode beber. Mas esse vinho…
Talvez feliz por Jihyeon ter aceitado, Ichan começou a explicar com o rosto animado. Desde o incidente com Park Taesu, Ichan vinha demonstrando uma atitude sutilmente mais próxima. Normalmente, Eunho teria intervindo na hora certa para separá-los, mas, dessa vez, falou de passagem e passou por eles.
— Vou ligar o carro.
Metade era consideração por Ichan, metade era um teste para Jihyeon. Já que ele tinha encenado sociabilidade uma vez, achou que seria bom ir até o fim. Dizem que, de tanto usar, a máscara vira o rosto; mesmo que agora fosse atuação, algum dia acabaria virando hábito.
Jihyeon só desceu ao estacionamento muito tempo depois. Não sabia o que tinha conversado com Ichan, mas, felizmente, a expressão dele não parecia tão ruim. Eunho, que o esperava no banco do motorista, afivelou o cinto vendo Jihyeon se aproximar pela janela.
O problema, porém, era que ele abriu a porta do passageiro, e não a de trás.
— …Que foi?
— Vou sentar do teu lado.
A resposta foi despreocupada e, naturalmente, Eunho piscou desconcertado. Depois de passar o dia inteiro fazendo o que nunca fazia, agora pretendia fazer cena até dentro do carro. Soltando um riso incrédulo, Eunho falou num tom firme, como um aviso:
— Vai pra trás enquanto eu tô pedindo com educação.
— Que exigente, hein…
Talvez só estivesse tentando, porque Jihyeon fechou obedientemente a porta do passageiro. Depois de confirmar que ele tinha entrado no banco de trás, Eunho arrancou devagar. Quando o carro começou a andar, Jihyeon soltou, emburrado:
— A gente é amigo, que mal tem eu sentar do teu lado?
— Já falei pra separar o profissional do pessoal quando a gente tá trabalhando.
Quando foi mesmo? Talvez quando acabara de começar como empresário. Houve uma época em que Jihyeon insistia em sentar no banco do passageiro. O motivo era: você não é meu motorista, por que eu tenho que sentar atrás? Para Eunho, aquilo era absurdo. Afinal, pelo que sabia, era natural que o empresário também fizesse as vezes de motorista.
— De que adianta andar de van se for pra sentar na frente?
— Então para de andar de van e dirige outra coisa.
Jihyeon rebateu sem dar o braço a torcer, mas Eunho não respondeu mais. Porque sabia que aquele cara desnecessariamente exigente não conseguia nem ler o roteiro se sentasse na frente. Escolhia carro, escolhia lugar, e de teimosia era imbatível.
— Amanhã também é gravação de madrugada, né?
Felizmente, Jihyeon logo mudou de assunto. Tirou o vinho da sacola e, examinando o rótulo, perguntou num tom casual. Toda a agenda de Jihyeon estava na cabeça de Eunho, então ele respondeu sem pensar muito.
— É, venho te buscar cedo.
— Pra quê?
Mas a resposta de Jihyeon foi diferente do esperado. Querendo saber do que ele estava falando, Eunho checou o retrovisor, e ele disse sem tirar os olhos do vinho:
— Dorme lá em casa. Você dorme lá direto.
— …
Quando foi que eu fiz isso? A frase chegou à ponta da língua, mas não teve coragem de dizê-la. Porque, ainda agora, a câmera instalada na frente do banco do motorista piscava sua luz.
— Aí a gente toma um vinho juntos e você dorme no meu quarto.
— …
Será que ele sabe o que está dizendo? Achou que ele estava falando de forma ambígua de propósito, mas provavelmente não tinha pensado tão longe. Como estavam gravando e Eunho não poderia recusar, devia estar falando qualquer coisa.
— …Tá, faz tempo que eu não durmo lá.
Eunho reprimiu a perplexidade e respondeu da forma mais casual possível. Se Jihyeon ia agir assim, ele também tinha suas ideias. Demonstrar desconcerto só seria editado mesmo; era bem melhor entrar no jogo.
— Vou usar o teu pijama.
— …
Talvez não esperasse que Eunho reagisse assim, porque Jihyeon ficou calado por um momento. Por fora não aparentava, mas por dentro devia estar bem desconcertado. Aquilo não pareceu nada mal a Eunho, que, por isso, acrescentou mais uma frase descarada:
— Tira um cochilo. Se for tomar vinho, vai ficar cansado.
— …Uau, Kwak Eunho, sério.
Sem conseguir se conter, Jihyeon falou em tom de incredulidade. Pelo jeito, queria expressar o espanto, fosse editado ou não. Fazia cara de quem dizia “agora até essa mentira você conta?”, mas Eunho apenas deu de ombros, sem responder.
Depois disso, até chegarem ao apartamento, Jihyeon ficou de olhos fechados sem dizer muita coisa. Não estava realmente dormindo; parecia só evitar a conversa por não ter o que dizer. De vez em quando soltava risadinhas pelo nariz, sinal claro de que a conversa com Eunho tinha sido absurda a esse ponto.
— Vocês dois trabalharam muito hoje.
Depois que chegaram em frente à casa, a PD Yoo cumprimentou os dois com o rosto satisfeito. Disse que, graças ao material suficiente, não precisariam mais de gravações extras. Como a câmera instalada no carro também foi recolhida sem problemas, a gravação de “Meu Empresário” terminava ali.
— Nos vemos na próxima entrevista.
— Sim, vão com cuidado.
Eunho trocou um aperto de mão rápido com a PD Yoo e se despediu da equipe. No estacionamento subterrâneo, depois que todos os membros da staff foram embora, restaram apenas Jihyeon e Eunho, junto com um silêncio tranquilo.
Só então Jihyeon tirou o boné que usava e o estendeu a Eunho.
— Vai pra casa. De preferência, de táxi.
Falava como se, obviamente, Eunho fosse para casa. Ajeitar o cabelo amassado evitando o olhar dele também deixava transparecer um constrangimento que não mostrara diante da câmera. Em vez de pegar o boné, Eunho enfiou as mãos nos bolsos.
— Eu não vou pra casa.
— …Quê?
Os olhos de Jihyeon se arregalaram. Era uma reação que Eunho previra fazia tempo. Então não devia ter dito o que não daria conta de bancar. Pensando isso, Eunho soltou um sorrisinho tranquilo.
— Você não disse pra eu dormir aqui?
— …
— Não disse pra gente tomar vinho, Jihyeon?
Imitou de propósito o jeito de falar de Jihyeon. Diante da pergunta suave, feita com um sorriso de canto, Jihyeon fez uma expressão um tanto rígida. Parecia pensar: o que será que ele está tramando? Mas Eunho logo apagou o sorriso e apenas inclinou a cabeça.
— Sobe, que a gente precisa conversar.
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Durante todo o caminho até em casa, Jihyeon ficou medindo a reação de Eunho com o rosto tenso. Dava para perceber porque ele, segurando o boné que Eunho não pegara de volta, olhava às escondidas para o espelho do elevador. Eunho apenas fitava o painel em silêncio e, ao chegarem à porta, foi o primeiro a destrancar a fechadura eletrônica e entrar.
— Vai tomar banho. Eu espero.
Para ser sincero, ele não tinha intenção de dormir lá de verdade. Pretendia ir para casa assim que a conversa terminasse, dirigindo ou de táxi. Quando havia gravação de madrugada, costumava levar o carro, então hoje também podia usar a van com que tinham vindo.
— …Você não vai tomar banho?
Mas Jihyeon perguntou com uma expressão um tanto inquieta. Seria porque temia que Eunho fosse embora, ou porque entendeu que ele pretendia dormir sem tomar banho? Antes que Eunho pudesse responder que só ia conversar e ir embora, ele se virou bruscamente e disse:
— Você sabe onde ficam os pijamas. Pega qualquer um.
Nem teve tempo de dizer que não precisava. Ele seguiu direto para o banheiro. Deixado sozinho na sala, Eunho viu as costas dele sumirem e franziu o cenho com um segundo de atraso.
— Ele ouviu o que eu disse de qualquer jeito…
Será que esqueceu que da outra vez eu disse que não podia dormir com ele por ser gay? Não tinha intenção de fazer nada (nem devia), mas ficou um pouco desconcertado com ele agindo de forma tão desprotegida. Tinha chegado a dizer com a própria boca que gostava dele, e mesmo assim parecia não se importar em dormirem na mesma casa.
Eunho hesitou um pouco e soltou um suspiro fino. De repente, tudo pareceu cansativo demais. Com a cabeça já tão confusa, não lhe restava energia para se preocupar com mais isso.
Então Eunho simplesmente subiu, pegou um pijama e foi para o banheiro do segundo andar. Como Jihyeon dissera, ele já sabia muito bem onde ficavam os pijamas. Não, não só os pijamas, devia saber onde ficava a maioria das coisas da casa muito melhor que o próprio Jihyeon.
Durante todo o banho, Eunho organizou o que precisava dizer hoje. Na verdade não era grande coisa; só deixou a água corrente levar embora o aperto que de vez em quando o sufocava. Tudo aquilo que tinha ponderado e hesitado sem parar, do set até agora.
O que percebeu gravando “Meu Empresário” hoje foi que a atitude de Jihyeon era confusa demais. A ponto de, em apenas um dia, fazê-lo pensar que ele gostava de verdade de si. Não apenas como amigo, mas com um sentimento além disso, um desejo romântico e sexual.
Só depois que a cabeça esfriou é que ele pensou: mais cedo ou mais tarde, para resolver esse problema, seria preciso uma “conversa”. Se ele estivesse falando sério, precisava saber o tamanho daquele sentimento; se fosse algo leviano, precisava fazê-lo desistir logo. Do jeito que estava, com certeza surgiria uma situação ruim para os dois.
— …Até porque não é como se a gente fosse namorar.
Jihyeon, sem dúvida, não conseguiu responder de pronto quando perguntou se ele queria namorar. Com certeza tinha falado sem pensar, sem saber ele próprio como aquela relação mudaria. A parte de mandá-lo largar o trabalho de empresário devia ser sincera, mas ele não devia saber que, depois disso, não poderiam nem continuar amigos.
“Por isso não quero te colocar em situação difícil.”
Será que ele sabia que justamente essas palavras o colocavam em situação difícil? Seus sentimentos eram de um tipo tão desconcertante que abalavam profundamente até Eunho, que raramente se abalava. Desde o dia em que ele o beijou de repente, Eunho sentia o perigo de que tudo o que se esforçou para construir, desmoronasse.
— Devia ter ido pra casa…
Arrependeu-se tarde, mas o leite já estava derramado. Depois de terminar o banho, dizer que ia embora pareceria ainda mais estranho. Estranho ou não, podia ir embora, mas isso não mudaria o fato de que era uma conversa que teriam de ter algum dia.
— …
Eunho fechou o chuveiro e jogou para trás, de qualquer jeito, o cabelo que pingava. Sob os fios negros apareceram a testa bem feita e as sobrancelhas marcantes. No rosto cheio de preocupação havia agora até uma tensão sem motivo.
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Faby&Othello